PSICOLOGIA 1
(a ser corrigida) (PRIMEIRO VOLUME
 Manuela Monteiro
Professora do 10.' grupo B do Quadro de Nomeao Definitiva da Escola Secundria Filipa deVilhena. Co-autora dos programas de Psicossociologia dos 11.' e 12.' anos.
Formadora no mbito de formao contnua dos professores e da Reforma Educativa.
Consultora do Departamento do Ensino Secundrio e do Gabinete de Avaliao Educacional do Ministrio da Educao. Participou em congressos e conferncias com comunicaes. Autora de artigos em vrias publicaes.  co-autora dos livros:
Sapiens-Dernens-Psicologia (1982, 1986, Porto Editora). rea-Escola - Perspectivas de trabalho (1993,
1995, Porto Editora). rea-Escola no 1.' cicio (1994, Porto Editora). Psicologia - 1.' e 2.' vols. ( 1995, Porto Editora). Psicologia (1998, Porto Editora). Psicassociologio 1 (1994, 1997, 2000, Porto Editora). Psicossociologia 2 (1995, 1998, Porto Editora). Organizou: Dossier do Director de Turma (1994,1995,1996,1997,1998,1999,2000,
200 1, Porto Editora). Dossier do Professor (1997, Porto Editora). Agenda do Estudante ( 1996, 1997, 1998, 1999,
2000, 200 1, Porto Editora). Legislao Essencial para o Professor (1998,
1999, 200 1, Porto Editora). Registos do Professor ( 1998, 1999, 2000, 200 1, Porto Editora). Registos do Delegado de Grupo (1999). Registos de Coordenao das Estruturas de Orientao Educativa (2000, 200 1, Porto Editora). Registos do Educador de Infncia (2001, Porto Editora). Coordenadora do NetProf - clube dos professores portugueses na Internet.
Milice Ribeiro dos Santos
Psicloga. Terapeuta familiar e interventora sistmica.
Professora Coordenadora na Escola Superior de Educao do Porto. Coordenadora do Centro de Interveno Psicopedaggica da Escola Superior da Educao. Investigadora, com publicao de trabalhos nas reas de Psicologia da Famlia e Educao. Vice-Presdente da APF, Associao para o
Planeamento da Famlia.
Vice-Presidente do IEDPE, Institut Europen pour la Dfnse des Potentialits de tous les Enfarits, sediado em Paris. Membro da Coordenao Regional da Sociedade Portuguesa deTerapia Familiar. Entre os livros em co-autoria, salientam-se:
Trabalho de Projecto 1 - Aprender por Projectos Centrados em Problemas ( 1989, Afrontamento) Trabalho de Projecto 11 - Leituras Comparados (1990, Afrontamento). Falemos de Sexualidade (1993APF). Aprender a Ensinar, Ensinar a Aprender ( 1994, Afrontamento). Pedagogia dos Intercmbios Escolares (1995, Porto Editora). Psicologia - 1.' e 2.' vols. (1995, Porto Editora). Psicologia (1998, Porto Editora). Entre os livros em co-organizao salientam-se: Adoptar, Marginalizar ou Deixar Crescer (1980, A Regra do jogo). Interaco Cultural e Aprendizagem: Correspondnca Escolar e Classes de Descoberto (1997, E C. Gulbenkian). Pensar a Escola sob os Olhares da Psicologia (1999, Afrontamento).
Leitura crtica de diferentes temas por: Ana Berto, Antonieta Monteiro, Ftima Sarsfield Cabral, Gabriela Moita, Manuela Sanches Ferreira e Miguel Santos.
ISBN 972-@O-.'JI@ X

@@a comear
A psicologia desempenha um papel cada vez mais importante na sociedade contempornea, sendo uma cincia em constante evoluo.
Pretendemos que este livro constitua um instrumento de aproximao a esta rea do saber, dando-te a conhecer as principais e mais actuais contribuies para a compreenso dos comportamentos, sentimentos, emoes, atitudes, representaes, cognies do ser humano.
Na sua organizao esteve a preocupao de estimular uma reflexo pessoal sobre o teu
mundo interior, sobre as relaes interpessoais, sobre a realidade social.
Contamos contigo como parceiro, como elemento activo na construo deste conhecimento. Os azuis que atravessam as pginas do teu livro assinalam @K @#@@'@ @@Kwr que permitiro controlar os teus conhecimentos, bem como desenvolver reflexes e
pesquisas que contribuam para analisar e compreender criticamente a realidade.
Por considerarmos que uma biografia reflecte uma obra, apresentamos-te as histrias de
vida dos autores mais importantes. Propomos-te ainda um dilogo com especialistas portugueses em diferentes reas, atravs das E N T R E V 15 T A s que realizmos.
Os ---, :@n@ das correntes mais representativas da psicologia, bem como dos principais temas, com a localizao dos respectivos itens no livro, permitem explicitar, integrar e articular vrias reas da psicologia. Os textos assinalados nas margens, possibilitam a explorao e aprofundamento de diversos temas.
Porque consideramos que o conhecimento da origem das palavras ajuda a esclarecer os
conceitos, apresentamos, sempre que oportuno, a sua etimologia. As                  que topicalizam os conceitos mais importantes, contribuiro para sintetizar e organizar os conhecimentos.
Em anexo encontrars um conjunto de fichas                            sobre os assuntos dos
diferentes captulos.
No Glossrio encontrars curtas definies de alguns conceitos assinalados por *. No final do livro, para alm da BIbliografia Geral, sugerimos-te uma Bibliografia Afectiva constituda por romances, contos, ensaios, poesias, dirios...
Sugerimos-te alguns Sitt-s de Psicologia que te permitiro navegar na Internet de forma orientada.
Sendo a psicologia uma cincia em constante evoluo, pretendemos que este livro seja o
estmulo para futuras reflexes e investimentos.
AS AUTORAS

PSICOLOGIA COMO CINCIA                                      ........................................ 8
Friso cronolgico           .....              ................................................... 12
1     O objecto da psicologia                  ......................................... 14
Da conscincia aos comportamentos                         ...................... 15 Wundt e o associacionismo                ............     ........................ 17 PavLov e a reflexologia                  ............................................18 Watson e o behaviorismo                  .........        .......................... 19 KhLer e o gestaltismo                   ......................................... ... 25 Freud e a psicanlise                    ............................................. 29 Piaget e o construtivismo                ...........      ............................ 33 Evoluo do conceito de comportamento                        .................  37 Evoluo da psicologia                   ........................................... 39
2     Mtodos e tcnicas                       ............................................... 41
Mtodo introspectivo                    ...........      ................................. 43 Mtodo experimental                      .............................................. 44 Observao          ...................  ......           .................................. 52 Mtodo clnico         .........................................    .............. 55 Testes      ...................................           ................................ 60 Mtodo psicanaltico                     .............................................. 68 Inquritos e entrevistas                 ........................................ .. 73
3     Psicologia aplicada                      ................................................ 74
Psicologia organizacional                .............    ........................... 74 Psicologia educacional                   .............    .............................. 75 Psicologia clnica                       .................................................... 76 Ser psiclogo em Portugal                ...................................... 78 A unidade da psicologia                  .......................................... 79 Entrevista com o Doutor Jos Gameiro                      ...............    ..... 82
PSICOFISIOLOGIA                                ................................................................... 84
1 O sistema nervoso                            ............................................... 88
Unidade bsica do sistema nervoso                         ....................... 91 Sistema nervoso central                  ....................................... 93 Entrevista com o Doutor Manuel Laranjeira .                         ............ 107 sistema nervoso perifrico               ............     ........................ 109 Sistema endcrino                        ................................................ 112
2     A gentica        ........................................................... 117
Transmisso gentica                     ..............   ............................. 117 Hereditariedade e meio                   ......................................... 120 Herdado/Adquirido .... .                ........................................... 123

PSICOLOGIA SOCIAL                    ........................................................... 128
1 O Homem como ser social                      .................................... 132
Relatividade cultural           .............................................. 134
Socializao       ................................... ....................... 137
2    Os grupos ... .      ................................... ...................... 141
Conceito de grupo            ............................................ ..... 141 Liderana       ............................................. ................ 143 Redes de comunicao                 ......................................... 146 Interaco grupal            ........................... ..  ..................... 147
3    Os estatutos e os papis sociais ..                  ......................... 153
Estatuto social .        ................ .................................... 153
Papel social       .......................- ............... .................. 155
Conflitos ..      ............................................................ 157
4    As atitudes .. .       ..... ......................... ......................... :159
Componentes das atitudes                  .................................... 160 Formao e desenvolvimento das atitudes                        .............. 161 Medida das atitudes             ......................... .................... 165
Esteretipos e preconceitos                ............................ ...... 168 Entrevista com a Dra. EgLantina Monteiro                      ..... .......... 172
TEXTOS COMPLEMENTARES                                .......................................... 175
ndice    ...............................  ....... ..............................   176
Captulo 1        .................... ...........................  . ............  177 Captulo 2        ................... . ........................................    190 Captulo 3 ...        .........................................................     193

Entrevistas complementares
Entrevista com o Dr. Antnio Pego             .................................. 200
Entrevista com a Dra. Lisete Barbosa               ............................. 202
Entrevista com a Dra. Ftima Sarsfield Cabral                ................. 204
Entrevista com a Dra. Adriana Baptista               ........................... 208
Bibliografia Geral         ........................................................ 211
Bibliografia Afectiva        ........................... .......................... 217
Glossrio      ................................................ .................... 219
ndice Remissivo         .......................................................... 224
Sites na Internet        .......................................................... 226
AVALIAO            ...................................................... ........................ 229
Unidade 1         ................................................................. 231
Verificao da Aprendizagem                .................................. 231
Questes de resposta de escolha mltipla                        ........ ..... 232
Questes sadas em exames nacionais                       .............. .... 235
Questes de completao                 ..................................... 242
Questes de associao               .......................................  244 v                                  Solues      ..................................................... ......... 246
Unidade 2         ................................................................. 247
Verificao da Aprendizagem               ... ..  ............................. 247 Questes de resposta de escolha mltipla                        ............. 248
Questes sadas em exames nacionais                       ..................  251
Questes de completao                 ..................................... 254
Questes de associao               .......... ..  ........................... 256
Solues ..      ......................................................... ... 258
Unidade 3         ................................................................. 259
Verificao da Aprendizagem                .................................. 259 Questes de resposta de escolha mltipla                       .............  260
Questes sadas em exames nacionais                       ..................  263
Questes de completao                 ..................................... 267
Questes de associao               .............. ......................... 269
Solues       .............................................................. 271

011, Psych , na mitologia grega uma princesa por quem Eros, O deus do amor, se apaixona; Mas jodite, me de Eros, movida pelos cimes procura desembaraar-se de PSycH mas esta consegue ultrapassar todos os obstculos. Eros leva a sua amada at Zeuspedindo-lhe que concedesse a mortalidade para poderem ficar jumtos por toda a eternidade,
Para os gregos, Psych torna-se o smbolo da alma, princpio que anima os seres humanos,


E. TITCHENER
"O MUNDO DA PSICOLOGIA CONTM OLHARES, TONS E SENTIDOS;  O MUNDO DO ESCURO E DO CLARO, DO BARULHO E DO SILNCIO, DO spero E DO LISO; O SEU ESPAO S VEZES  GRANDE E AS VEZES  PEQUENO, SABEM-NO TODOS OS QUE VOLTARAM  CASA DA SUA INFNCIA; O SEU TEMPO  AS VEZES CURTO, S VEZES
LONGO..."
A Humanidade desde sempre colocou um sem-nmero de questes sobre o
mundo que a rodeia: Porque se sucedem os dias e as noites? Porque  que chove e
troveja? Qual a causa dos tremores de terra? Qual a origem da vida? Porque se morre?
Para estas questes procurou respostas, explicaes que lhe atenuassem a angustia e a inquietao.
Contudo, a Natureza no foi o nico objecto das interrogaes do Homem. Este reflectiu sobre si prprio, sobre a vida humana: o nascimento e a morte, o bem e o mal, a origem do medo e das emoes, do sono e dos sonhos, da paixo, do amor, dos delrios, etc.

E  destas experincias vividas que nasce a ideia de alma. Encarada como sopro de vicia, como fora interior que dirige e alimenta o corpo, a alma foi objecto das mais diversas reflexes. Aristteles (sc. IV a. C.)  considerado por Muitos o autor
elo primeiro estudo de psicologia, intitulado Acerca da Alma.
em grego, significa alma, esprito, mente.  a este termo que a palavra psicologia vai buscar a Sua raiz etimolgica: psych (alma) + (logos (razo, estudo).
Todavia, o termo psicologia s aparece no sculo XVI, sugerido por Rodolfo Goclnio, vindo a ser vulgarizado no sculo XVIII. Fazendo parte integrante da filosofia, a psicologia s  considerada cincia nos finais do sculo XIX. Contudo, a psicologia tem um longo passado.
Atravessada por vrias teorias, recorrendo a mtodos e tcnicas de investigao diversificados, organizada em vrias especialidades, a psicologia procura, nesta diversidade, responder s questes que desde sempre os seres humanos colocaram sobre o seu comportamento, as            simbo o que suas cino@cs e sentimentos, as relaOes que estabelecem uns COM OS       representa a
outros, os sonhos, as perturbaes.                                        ps colog a (kv).
Ao longo do livro iremos abordar vrias dimenses do comportamento e dos processos mentais vividos pelos seres humanos. Depois de demarcarmos o objecto e mtodos da psicologia (captulo 1), procuraremos esclarecer de que modo o comportamento humano depende da fisiologia (captulo 2) e da componente social (captulo 3).
Perspectiva remos o dc.@cnvoIvinicnt0 a vrios nveis (captulo 4), esclarecendo em seguida o modo como se processa a                        e a manuteno do que aprendemos na memria (captulo 5). Depois de estudares a motivao (captulo 6) compreenders Melhor por que razo nos orientamos com vista a determinados objectivos. A inteligncia, nas suas diferentes Manifestaes, ser objecto elo captulo 7. Terminaremos com a componente que nos torna unos e nicos, que corres-
ponde  sntese do que fomos, somos e seremos: a personalidade (captulo 8).
A psicologia aplicada, nas suas diversas expresses, atravessa todo o teu livro reflectindo o carcter interventivo da psicologia.
No friso cronolgico que se segue apresentamos-te os marcos mais importantes da histria da psicologia.
psych significa tambm -'borboleta". smbolo da imortalidade da alma.

Friso cronolgico
1809-1882
1878-1958

Friso cronolgico

-------                                O objecto (Ia psicologia  o estudo cientfico do comportamento e dos processos mentais e da relao entre eles. Assim, a psicologia vai estudar o comportamento, isto , todos os actos e reaces observveis, tudo O que fazemos como andar, sorrir, correr, etc. Estuda tambm sentimentos, emoes, atitudes, pensamentos, representa-1# coes mentais, fantasias, percepes, isto , os processos
mentais que no podem ser observados directamente.
Cabe  psicologia estudar queSteS ligadas  personalidade,  aprendizagem,  memria,  inteligncia, ao
                      funcionamento do sistema nervoso, e tambm a comunicao interpessoal, ao desenvolvimento, ao comportamento sexual,  agressividade, ao comportamento em grupo, aos processos psicoteraputiCOS, ao sono e ao sonho, ao prazer e a dor...
"A psicologia  o estudo do comportamento e dos processos mentais.       Um estudo cientifico implica o uso de ferramentas como: a observao, a descrio e a investigao experimental para reunir informao e depois organiz-la. O comportamento inclui, na sua definio mais lata, as
aces que se podem observar facilmente, como a actividade fsica e a expresso oral, assim como outros processos mentais'que nopodem ser observados directamente, tais como: a percepo, o pensamento, a memria e os sentimentos.
Os psiclogos no se limitam  descrio do comportamento. Vo mais alm procuram explic-lo, prev-lo e, por ltimo, modific-lo para melhorar a vida das pessoas e da sociedade em geral. "
tal como as outras cincias, a psicologia ir procurar descrever e expJicar, prever e controlar os comportamentos, os processos mentais e O Mundo relaciomal.           medida que fores aprofundando os teus conhecimentos de psicologia irs
delimitar e compreender melhor o objecto desta cincia. Talvez encontres respostas para algumas das perguntas que se seguem; e a partir delas talvez formules novas questes.
* Porque  que h pessoas mais agressivas do que outras?
* Porque  que o comportamento das pessoas  influenciado pela Publicidade?
* Os animais so capazes de resolver problemas?
* Porque  que as crianas acreditam, em determinada idade, que a Lua anda
atrs delas?
* Que conflitos so mais frequentes na adolescncia?
* O esquecimento  uma doena da memria?
O Como se formam as atitudes racistas?
* O que  o inconsciente?
* Uma leso na terceira circunvoluo frontal esquerda pode provocar a
perda da fala?
* O contedo dos sonhos tem significado?
* Todos os grupos tm um lder?

* Porque  que os comportamentos sexuais tm mudado nas ltimas dcadas?
* Porque  que os gostos e os sabores no so os mesmos em todas as partes
do mundo?
* O que  estar motivado?
* Pode a inteligncia ser medida?
* Como se forma a personalidade?
* Que tipos de apoio podem ser dados pelos psiclogos?
*  possvel localizar no crebro o centro da escrita?
* Que limites se colocam  investigao e interveno em psicologia?
* De que modo  que os grupos influenciam o comportamento individual?
DA C%,ONSCIEM!"('#"LA AOS CONIPORTAMENTOS
integrada durante sculos na filosofia, a psicologia s se torna lima cincia independente nos finais do sculo XIX, quando Wundt funda o primeiro Laboratrio de Psicologia Experimental, em 1879, em Leipzig, na Alemanha. Ser a partir deste acontecimento que se vo desenvolver, de forma sistemtica, as investigaes em psicologia.
Considerada Por Muitos como a cincia do sculo XX, a psicologia toca em
todas as esferas da actividade humana: na famlia, na escola, no trabalho, no lazer. Da que se acentue nesta cincia o processo Comum a outras reas do saber - a
psicologia  uma cincia que se diferencia e se sistematiza em mltiplas escolas e teorias.
A curta histria da psicologia cientfica  atravessada por sistemas, paradigmas, correntes tericas que apresentam diversas concepes que se reflectem na definio dos objectos, mtodos e praticas cientficos diferentes.
Vamos apresentar-te alguns autores que desenvolveram teorias, modelos explicativos, que no s orientaram, em determinado perodo, a actividade dos investigadores, como marcaram de forma decisiva o desenvolvimento da psicologia.
Wundt, Pavlov, Watson, Khler, Freud e Piaget lideram as principais tendncias da psicologia. Procuraremos, de Lima forma sucinta, traar as linhas elas correntes que mais contriburam para o desenvolvimento desta cincia, concretamente para a definio do seu objecto.
A grande variedade e diversidade de teorias  condio e resultado do desenvolvimento de uma cincia que tem por objecto o ser humano em toda a sua complexidade.
"A psicologia rene tudo aquilo que o Homem sente, tudo aquilo que ele pensa, tudo aquilo que ele quer, tudo aquilo que ele gosta, tudo aquilo que ele rejeita, A unidade da psicologia no  a de uma arquitectura rgida, mas a de uma imagem que com o tempo se desfaz e se refaz e como as situaesindicam que continua viva.
ANIAR, A., in Dicionrio da VeRbo, 198-,

No quadro que se segue esto registadas as principais correntes da psicologia que irs estudar neste captulo.
Quadro 1 - Correntes em psicologia
Autor
Corrente
Wilheim Wundt
Associacionismo / Estruturalismo
Ivan Pavlov
Reflexologia
John Watson
Behaviorismo / Comportamentalismo
Wolfgang Khler
Gestaltismo /Teoria da Forma
Sigmund Freud
Psicanlise
Jean Piaget                
Construtivismo
 Nos nossos dias as preocupaes relacionadas com o conhecimento psicolgico reflectem-se
em artigos na imprensa, programas de rdio e televiso, na linguagem corrente...
1.1. Faz um levantamento de expresses vulgarmente utilizadas que denotem essas preocupaes.
1.2. Recolhe artigos de jornais e revistas que abordem temas relacionados com a psicologia.
"Ele  um indivduo complexado." "Tive muitos traumas na infncia." "Ela tem uma personalidade muito forte." "Fico paranico na vspera dos testes.
2. 1. Estas expresses, que reflectem tentativas de explicao e de orientao, so vulgarizaes de termos tcnicos da rea da psicologia. Regista outras expresses.
Os provrbios, dizeres e adgios so um legado cultural e visam determinados objectivos como explicar, compreender e prever condutas e acontecimentos. Em muitos casos, apresentam, de uma forma simples, conselhos, regras, orientaes para comportamentos eficazes e desejveis.
3.1. Interpreta o sentido dos provrbios que se seguem. Compara a tua opinio 
Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem s.
Tal pai, tal filho.
O hbito no faz o monge.  terra onde fores ter, faz como vires fazer.
Muito riso pouco siso.
Quem canta seu mal espanta e quem chora seu mal aumenta.
Chorar alivia.
Quem feio ama bonito lhe parece.
A afeio cega a razo.

Wilhem Wundt formou-se em Medicina na
Universidade de Heidelberg, na Alemanha, onde mais tarde veio a leccionar a cadeira de Fisiologia. Interessado em estudar os processos sensoriais, dedica-se ao campo da psicologia. Em 1879, fundou em Leipzig o primeiro Laboratrio de Psicologia Experimental, seguindo o
modelo dos laboratrios das cincias da natureza.
O seu laboratrio tornou-se rapidamente um centro de investigao onde acorrem psiclogos e
estudantes de todo o Mundo. A trabalham e treinam psiclogos que depois fundam laboratrios ou departamentos onde divulgam as prticas da psicologia como nova cincia experimental. Esta
 a forma mais eficaz para Wundt atingir o seu principal objectivo: contribuir para o processo de autonomizao da psicologia, relativamente  filosofia. Na sua extensa obra - escreveu cerca de 54 mil
pginas impressas - descreve as suas experincias e desenvolve a sua teoria. Escreveu sobre fisiologia, filosofia, psicologia experimental, psicologia social. Dentro desta ltima rea, publica A Psicologia dos Povos. De entre os seus livros, destacar-nos: Os Elementos de Psicologia Fisiolgico; Os Contributos Para uma Teoria das Percepes Sensoriais. Manteve intensa actividade profissional at aos
85 anos, idade com que se reformou.
WUNDT E O ASSOCIACIONISMO
Influenciado pelas mais recentes descobertas da qumica - segundo as quais             TEXTO
todas as substncias qumicas so compostas por tomos que se combinam, formando molculas -, Wundt vai procurar decompor a mente, a conscincia, nos
seus elementos simples, que so as sensaes. Ele e os seus seguidores defendem Lima concepo atomista, segundo a qual as operaes, os processos mentais, no so mais do que a organizao ele sensaes elementares que se associam, procurando relacion-las com a estrutura do sistema nervoso.
Para Wundt, o objecto da psicologia  o estudo da mente, dos processos mentais, ela experincia consciente do Homem.  no seu laboratrio, na Universidade de Leipzig, que vai procurar conhecer os elementos constitutivos ela conscincia, a forma como se relacionam e associam, Da a designao de **(oncepcJio                        O seu discpulo Edvvard Titchener (1867-1927) vai designar a concepo do seu mestre por c@@i1'l1tl1rali,,,t@i, dado que o seu objectivo era o estudo da estrutura da conscincia.
Para atingir o SCLI objectivo - conhecer a conscincia -, Wundt utiliza como mtodo a                   controlada. Observadores treinados deveriam, no laboratrio, descrever as suas experincias, resultantes de Lima
situao experimental definida. Atravs da introspeco, os sujeitos experimentais descreviam o que sentiam, os seus estados subjectivos, resultantes de estmulos visuais, auditivos e tcteis.
Wundt e os seus colegas sujeitaram-se a vrias experincias. Numa       delas utilizaram um metrnomo': ouviam as batidas num determinado padro                e a seguir descreviam as suas sensaes. Por exemplo, Wundt relata que sentiu alguma tenso antes de as batidas comearem, uma leve excitao quando a velocidade aumentava e, finalmente, uma agradvel sensao quando o som terminava.
A concepo de psicologia defendida por Wundt apresenta a conscincia como objecto e a introspeco como mtodo. A psicologia teria como objecto a
experincia humana, estudada na perspectiva das experincias pessoais atravs da auto-observao, visando conhecer os seus elementos constituintes: as sensaes.
Durante muito tempo, o associaconsmo/estruturalismo foi a escola dominante nos EUA e na Alemanha.

Embora seja considerado por muitos o pai da psicologia experimental, no  contudo com Wundt que a psicologia adquire o estatuto de cincia autnoma.
As crticas de que Wundt foi alvo pelo facto de no ter rompido de forma decisiva com a psicologia tradicional, introspectiva, vo conduzir a uma redefinio do objecto e do mtodo da psicologia.
associacionismo, estruturalismo, conscincia, introspeco controlada, laboratrio, sensao.'
Ivan Petrovitch Pavlov nasceu em Riazan, na Rssia.    N-
Um acidente impediu-o de frequentar a escola at
aos onze anos, tendo sido o seu pai o seu professor. Depois de ter tirado o curso de Cincias, 
nomeado assistente no Laboratrio de Fisiologia do Instituto Veterinrio de Petrogrado. Em 1879, 
admitido como mdico na Academia Mdico-
-Cirrgica. Dez anos depois, inicia os seus  trabalhos
sobre digesto.  nomeado professor de       Fisiologia
na Academia de Medicina Militar em 189 1.
No ano de 1902, comea a trabalhar         sobre os         reflexos condicionados. Em 1903 faz uma comunicao no
Congresso Internacional de Medicina de Madrid sobre "A psicologia e a psicopatologia experimental nos animais".
Um ano depois, recebe o Prmio Nobel pelos seus estudos sobre a fisiologia da secreo gstrica.
No ano de 1924, a Academia de Cincias sovitica
fundou um instituto de fisiologia para Pavlov, que se veio a tornar um dos mais importantes centros
cientficos do mundo.
De entre as suas obras, destacamos:
Vinte Anos de Experincias Sobre o Estudo Objectivo
49-1936)        da Actividade Nervosa Superior; Fisiologia e Psicologia. Paviov manteve-se empenhado nas suas pesquisas at  data da
sua morte.
PAVLOV E A REFLEXOLOGIA
Pavlov, ao estudar as secrees gstricas, descobre que, para alm dos reflexos* inatos, como salivar ao ver alimento, reagir a luz e ao som, o reflexo rotular, etc., se podem desenvolver nos seres humanos e nos animais reflexos aprendidos. No decorrer de uma experincia sobre os reflexos digestivos, verifica que o co salivava no s quando via o alimento - reflexo inato -, mas tambm perante outros sinais com ele associados, corno, por exemplo, os passos do tratador, o som de uma campainha. Designou este comportamento por reflexo condicionado. A partir desta constatao Pavlov vai realizar um conjunto de experincias, as quais se encontram descritas na pgina 68 da 2.` parte.
Para Pavlov, aquilo que se denominava por esprito mais no era do que a actividade do crebro. Dedica-se, por isso, a estudar profundamente a actividade nervosa superior, estabelecendo um conjunto de leis fisiolgicas. Defende que  no crtex* cerebral que se formam, modificam e desaparecem os reflexos condicionados.
A psicologia, que deveria tomar a designao de reflexologia, CirCUnscre-ver-se-ia ao estudo dos reflexos. Os reflexos - inatos e condicionados - seriam o fundamento das respostas cios indivduos aos estmulos provenientes cio meio. E  a
partir elas Suas pesquisas sobre o condicionamento que Pavlov vai explicar os processos de aprendizagem, destacando-se o estudo sobre a aquisio da linguagem.
Os trabalhos de Pavlov representam UM grande passo na constituio da psicologia experimental objectiva. A afirmao '@seiii,l@icto,@ as teorias so vs ( ... ) procliffili-se as leis que governam os,1@icto,@@' reflecte de forma eloquente a orientao qUe dava as suas pesquisas.*/*

 tambm com PavIov que a psicologia se direcciona decisivamente para o
estudo do comportamento do animal e do ser humano.
No captulo sobre a aprendizagem, ters oportunidade de conhecer melhor as
concepes de PavIov.
aprendizagem, condicionamento, estmulo, reflexo, resposta.
John Watson nasceu na Carolina do Sul. Foi um        rICHA         B 1 aluno mdio, durante o seu percurso escolar, at chegar  Universidade de Chicago. Frequentou o
curso de Filosofia mas, desiludido com a orienta-
o, muda para Psicologia. Para suportar as suas despesas pessoais, aceita como trabalho a limpeza dos gabinetes da Universidade, bem como a vigilncia dos ratos brancos dos laboratrios de neurologia. Doutorou-se em Neuropsicologia, defendendo uma tese sobre a relao entre o comportamento dos ratos brancos e o sistema nervoso central. Como professor de psicologia animal, desenvolveu     1   WATSON
investigaes, fundamentalmente sobre o comportamento de ratos e macacos. So as suas experincias com animais, controladas de forma rigorosa e objectiva, que lhe vo inspirar o modelo de psicologia. Os mesmos procedimentos podero ser aplicados pelos psiclogos se estes se debruarem sobre o estudo do comportamento humano. Da que Watson assumisse claramente a abolio da barreira entre a psicologia humana e a psicologia animal.
O G R A F 1 C @1L    Com 29 anos foi leccionar na Universidade de
Baltimore, onde desenvolveu, durante 13 anos, o fundamental da sua pesquisa, instalando um labora-
trio de psicologia animal. Em 1913, publicou o artigo "A psicologia tal como
o behaviorista a v", onde apresenta os fundamen-
tos da sua teoria.
Com a Primeira Guerra Mundial, interrompeu a
sua actividade profissional para ingressar no
exrcito, participando numa campanha militar em Frana. Em 1918, retomou a investigao, estudando a pri- (1878-1958)         meira infncia. Um divrcio tumultuoso obrigou-o aabandonar a    Universidade. Ingressou numa agncia de publicidade e dedicou-se paralelamente  divulgao das suas teorias
junto de um pblico mais amplo. Depois de aposentado, retomou as suas investigaes em psicologia. As suas obras mais divulgadas so: Behavior: Uma Introduo  Psicologia Comporado; Behaviorismo. Morreu com 80 anos em Nova lorque.
WATSON E O BEHAVIORISIVIO
NX'atson  considerado o pai da psicologia cientfica ao demarcar-se de foi-ma radical de toda a psicologia tradicional, que tinha por objecto o estudo da conscincia e por mtodo a introspeco.
Watson no nega a existncia da conscincia, nem a possibilidade de o indivduo se auto-observar. Defende, contudo, que a analise dos estados de esprito, bem como a procura elas suas causas, s pode interessar ao sujeito no mbito da sua vida pessoal.
No seu artigo "A psicologia tal como o bchaviorista a v", Watson considera que, com WLindt, a psicologia cientfica teve urna falsa partida. O fundador do primeiro Laboratrio de Psicologia, ao pretender estudar os processos mentais, os contedos da conscincia, no conseguiu romper com as concepes tradicionais: "Tratou de apegar-se  tradio com unia das mos, enquanto que com a
outi-apuxava para o lado da cincia."
Para se constituir como cincia, a psicologia ter que cortar com todo o seu passado - concepo e mtodo - e conStiu_lir-se como um ramo objectivo e experimental da cincia.
John Watson pretendia para a psicologia o mesmo estatuto da biologia. Ora, para que a psicologia possa ser considerada uma cincia rigorosa e objectiva, o
psiclogo ter que assumir a atitude do cientista: trabalhar com dados provenientes de observaes objectivas, isto , pblicas, e portanto acessveis a qualquer outro observador. O psiclogo* ter que renunciar  introspeco e limitar-se, como acontece com outras cincias, a observao externa.

Segundo Watson, s se pode estudar directamente o comportamento obscr\,\ el (bebavor), isto , a resposta (R) de um indivduo a um dado estmulo (E) do ambiente.
Tal como em qualquer outra cincia, cabe ao psiclogo decompor o Seu objecto - o comportamento - nos seus elementos e explic-los de forma objectiva. Para atingir esta finalidade, deve recorrer ao intodo experimental.
Esta concepo de psicologia, defendida por Watson e seus seguidores, designa-se por bchaviorismo, comportamentalismo, condutismo ou teoria do comportamento. Da que encontres, nos textos de psicologia, qualquer uma destas designaes.
O quadro que se segue apresenta as principais diferenas entre as concepoes de Wundt: e Watson.
Quadro 2 -As concepes de Wundt e Watson
Autor
Objecto da psicologia
Mtodo
Finalidade
Wundt
Estudo da conscincia
lintrospeco controlada
Conhecer os e ementos mais
simples da mente
Watson
Estudo do comportamento do Homem e do an ma
Mtodo exper menta
Prever e controlar o compor tamento
NOO DE COMPORTAMENTO
Para Watson, a psicologia deveria estudar o comportamento do ser humano desde
o nascimento at  morte.
O estudo do comportamento consiste em estabelecer as relaes entre os est-
mulos e as respostas: @ E4R
Por estmulos entende-se o conjunto de excitaes que agem sobre o organismo. Um estmulo pode ser qualquer elemento ou objecto do meio externo Ou
qualquer modificao interna do organismo.

-Meio externo: raios luminosos, ondas sonoras, partculas que afectam o olfacto e o
gosto, vibraes mecnicas, etc. Estmulos -                    Ex.: a picada de uma agulha.
Meio interno:   movimentos dos msculos, secrees das glndulas, etc.
Ex.: contraces do estmago provocadas pela fome.
Em geral, o comportamento  determinado no por um estmulo, mas por um conjunto complexo de estmulos que se designa por situao.
A cada situao corresponde um dado comportamento, isto , um conjunto de respostas. A resposta  uma reaco muscular ou glandular, podendo ser de dois tipos:
Explcitas - so respostas directamente observveis: movimentos, voz, secrees externas. Respostas                    Ex.: lgrimas, saliva, suor... :Implcitas -   no so directamente observveis; so constitudas pelas respostas visce-
rais, pela actividade dos msculos lisos* (ex.: contraces do estmago), pelos batimentos do corao, pelas mmicas, esboos de gestos, etc.
Para os comportamentalistas, a resposta  tudo o que o animal ou o ser
humano faz: afastar a mo quando esta  picada por uma agulha, saltar quando se ouve inesperadamente um som alto, chorar quando se recebe uma m notcia, mas
tambm fazer planos para o futuro, escrever um livro, ter filhos, fazer uma escultura, um prdio, etc.
O comportamento, isto , o conjunto de respostas objectivarnente observveis,  determinado por um conjunto complexo de estmulos (situao) provenientes do meio fsico ou social em que o organismo se insere.
41
@ R=f(S)
* comportamento, a resposta (R),  funo (f), isto , depende da situao (S).
* estabelecimento das leis do comportamento resulta do estudo das variaes das respostas em funo da situao. O psiclogo, conhecendo o estmulo, dever ser capaz de: prever a resposta e se conhecer a resposta dever poder identificar o estmulo, a situao que a provocou.
Watson no nega que entre o estmulo e a resposta se passe algo no interior ,,TO1gE@@ do sujeito. Considerava, contudo, que tal no  objecto da psicologia.
Embora no negue a existncia de factores hereditrios - para ele, irrelevantes na formao da personalidade do indivduo -, considera que, no desenvolvimento da criana, so determinantes os factores do meio. O texto que se segue explcita esta concepo.
---Dem-me uma dzia de crianas sadias, bem constitudas e a espcie de mundo que preciso para as educar, e eu garanto que, tomando qualquer uma
delas ao acaso, prepar-la-ei para se tornar um especialsta que eu seleccione: um mdico, um comerciante, um advogado e, sim, at um pedinte ou ladro, independentemente dos seus talentos, inclinaes, tendncias, aptides, assim como da prqfisso e da raa dos seus antepassados. "
@XXP@ON
Para Watson, ns somos o que fazemos; e o que ns fazemos  o que o meio nos faz fazer.

APRECIAAO CRITICA
Podemos considerar a teoria do comportamento, bchaviorismo, um movimento
reVOILIcionrio que contribuiu de forma decisiva para a constituio da psicologia cientfica. Com Watson d-se a ruptura com a psicologia introspectiva, da cons-
cincia, definindo de forma inequvoca o seu objecto - o comportamento obscrvvel - e o seu mtodo - o mtodo experimental. Pode afirmar-se que  com
Watson que a psicologia adquire o estatuto de cincia.
aprendizagem, behaviorismo/comportamentalismo, estmulo-resposta, mtodo experimental.

Contudo, a necessidade de demarcao relativamente  psicologia da conscincia conduziu os beliavioristas a uma concepo limitada e simplista do comportamento. Ao reduzir a interpretao do comportamento  frmula E -> R, muitas condutas ficam por explicar. Por exemplo, as reaces desencadeadas pela sede escapam ao CSqUema proposto: eu no bebo quando vejo gua.  uma situao interna do meu organismo que desencadeia um conjunto ele comportamentos que me permitem atingir o objectivo: beber. Outros comportamentos mais complexos e especificarnente humanos, como a linguagem, o pensamento, os sentimentos, as emo-
coes, no so redutveis a frmula proposta pelos comportamentalistas.
De notar que os neol)cliavioristas vo integrar nas suas concepes algumas das crticas feitas, introduzindo outras variveis na explicao dos comportamentos. A teoria elo comportamento evolui com autores como: Skinner, Thorndikc, Guthrie, HulI, Tolman e Bandura.
Na pgina 27 encontras mais algumas crticas  concepo behaviorista.
No itinerrio que se segue apresenta-se uma panormica do beliaviorismo, localizando no teij livro as pginas onde se desenvolvem concepes desta corrente.
itinerrio
Paviov: biografia
p 18
Watson: biografia
P. 9
FTho,nclike: M
lei do efeito
1 2." parte
c i o @na, @n:,e n t ]o la  ric
a
a: d 2          rte
Concepo de
psicologia
P. 19
Skinner: condicionamento
operante p. 73 da 2." parte
_0b@jecto p. 20
Mtodo
p. 2 _@]
Concepo de comportamento
p. 20
Bandura: aprendizagem
social p, 76 da 2. pa@
Crticas a esta
concepo pp. 22 e 36
Concepo de personalidade p. 173 da 2.' parte

(1) l atentamente o texto que se segue e responde s questes que te colocamos.
'51 de nio que a maioria dospsclogos aceita  a seguinte: psicologia  a cincia do
comportamento humano e animal. Podesficar admirado com as palavras cincia, animal e comportamento Ser que a pscologia  realmente uma cincia?
Uma cincia  um coniunto de conhecimentos sistematizados, e a psicologia con-
tempornea, evidentemente, possui esse conjunto de conhecimentos. Este.foi obtido da mesma fi)rma que as outras cincias criam o seu conhecimento - atravs da observao cuidadosa e da mensurao de acontecimentos, muitas vezes com o auxlio de experinciasplarreadas espec@ficamente para isso.
A palavra comportamento est na nossa definio porque aprendemos, na pesquisa psicolgica, que o comportamento , a nica coisa que podemos estudar Por comportamento entendemos, geralmente, as respostas de uma pessoa ou de um animal diante de
uma situao. Tais respostas so quaisquer movimentos quefaz e que podem ser observa-
dos ou registados, em que se incluem as respostas verbais, escritas ou orais. Sob o aspecto fisiolgico, tais respostas incluem mudanas no ritmo cardaco, rio iWino de respirao, na
condutividade elctrica da pele e mesmo na composio sangunea. Tudo isto pode ser
estudado objectivamente. Mas no podemos observar uma mente, um pensamento ou um sentimento. Embora no duvidemos da sua existncia, no podemos atingi-los directamente. Tudo o que sabemos com segurana  o que uma pessoa Jaz, isto , como se com-
porta. Certamente, a partir do seu comporTamento, inferimos muita coisa a respeito do que ocorre dentro dela.,Uas tudo o quepodemos realmente estudar  esse comportamento.
Finalmente, consideremos a palavra animal na definio. Falando rigorosamente, os
seres humanos so animais, mas aqui queremos indicar outros animai         1s, e no os seres humanos. Xeste sentido, h duas razes para que a psicologia inclua o estado de animais.
Uma delas  que o comportamento animal  um campo legtimo de pesquisa, da mesma
maneira que a zoologia. Uma outra razo, ainda mais importante que essa,  que realmente precisamos de estudar o comportamento animal para compreender o comportamento humano. Por exemplo, no podemos criar crianas no escuro para ver como as experincias visuais iniciais influem na sua percepo de objectos. Os expelimentadores so muito limitados no uso de pessoas como 'cobaias'. Por isso, grandeparte do que sesabe sobrepe@,;soas.Ji obtido atrav& do estudo de animais.
Evidentemente, isso supe que os Homens e os animais sejam semelhantes: na reali-
dade, sob muitos aspectos  isso que ocorre. Por exemplo, os psiclogos esto certos d(, que os princpios bsicos de aprendizagem se aplicam, igualmente, a animais e Homens. Por
isso, asfirequentes rcyer@,@icias, neste livro, a animais no so Pouco importantes'. Por outro lado, a capacidade para falar, ou at para pensar, como um ser humano, est alm da capacidade dos animais. Portanto, existe um ponto em que a semelhana desaparece. Por isso, os psiclogosso cuidadosos ao aplicarem a seres humanos os resultados de estu-
dos com animais. "
MORGAN, C, T., Iniroduo  Psico1(@@ia, McGraw-1 IiII, 1978, pp. 2-3

1. 1. Qual , para o autor, o objecto da psicologia?
1.2.  "Ser que a psicologia  realmente uma cincia?". Diz que resposta daria o autor  per-
gunta formulada.
1.3.  Regista a definio de comportamento.
1.4.  O comportamento exprime-se atravs de respostas. Apresenta alguns tipos de resposta
referidos no texto.
1.5.  De acordo com o texto, a psicologia no pode estudar a mente. Porqu?
1.6.  Na definio de psicologia est includo o comportamento animal. justifica esta opo.
1.7.  Apresenta algumas crticas s concepes expressas no texto.
Wolfgang KhIer nasceu em 1887, em Reval, na              H A Rssia. Filho de pais alemes, efectuou os seu
estudos nas Universidades de Thbingen, Bona e
Berlim. Fez o doutoramento nesta ltima cidade e
foi nomeado professor do Instituto de Psicologia da Universidade de Frankfurt. Conheceu Max
Wertheimer e Kurt Kofka, futuros promotores do gestaltismo. Foi nomeado director da Academia das Cincias
da Prssia, vindo a dirigir a Estao de Pesquisas com Antropides nas ilhas Canrias, em 1913. Foi a que realizou numerosas experincias com maca-
cos as quais reflectiu no seu primeiro livro: A          KHLE Inteligncic dos Macacos Superiores. Em 1920, regressou  Alemanha e fundou, com Wertheimer e Kofka, uma revista de psicologia. Dois anos depois, foi nomeado director do Instituto de Psicologia em Berlim. Em 1929, publicou o livro Psicologia do Forma. Seis anos mais tarde, KhIer, como tantos outros cientistas e
artistas, viu-se obrigado a abandonar a Alemanha em virtude de
1,@ ter expressado, publicamente, a sua posio
contra o nazismo. Emigrou para os EUA, adoptando, nove anos mais tarde, a naturalidade ame-
ricana.
A encontrou a corrente behaviorista fortemente
implantada. As concepes dos gestaltistas foram encaradas com desconfiana porque no se enquadravam no esquema E 4 R. Enquanto Wertheimer se dedicou  investigao numa universidade, KhIer e Kofka polemizaram
com os psiclogos americanos, demonstrando a
oportunidade da sua teoria.A pertinncia das suas
1887-1967)      concepes foi progressivamente reconhecida
porque os gestaltistas associavam a uma fundamentada teoria uma
prtica experimental. Em 1959, KhIer foi nomeado presidente da Associao Americana de Psicologia. No ano de 1966, fez uma srie de conferncias em Princeton, que vieram a ser publicadas sob o ttulo
O Papel do Psicologia da Forma. KhIer morreu com 80 anos em New Hampshire.
KHLER E O GESTALTISMO
KhIer, Kotka (1886-1941) e Wertheimer (1838~1916) vo desenvolver todo um
conjunto de investigaes baseadas na noo de gestalt, termo geralmente traduzido por forma, mas tambm por organizao, estrutura, configurao.
O gestaltisilio, ou psicologia da i"or1ii@i, nasceu por oposio a psicologia do sculo XIX, que tinha por objecto os estados de conscincia. KhIer e os seus companheiros vo criticar, concretamente, Wundt que, tomando o modelo das outras cincias, procurava decompor os processos mentais nos seus elementos mais simples (concepo atomista). Se a fisiologia analisava os rgos, decompondo-os em tecidos e clulas, a psicologia deveria decompor os processos conscientes nos seus elementos constitutivos e enunciar as leis que regem as suas combinaes e relaes. Os elementos mais simples seriam as sensaes que, associadas, somadas, constituiriam a percepo*.

E contra esta concepo atomista, associacionista, que valoriza os elementos isolados, que os gestaltistas vo reagir invertendo o processo explicativo. Enquanto os associacionistas* partem das sensaes elementares para construir as percepes, os gestaltistas partem das estruturas, das formas: nos percepcionamos configuraes, isto , conjuntos organizados em totalidades. A teoria da forma TExToEzz" considera a percepo como um todo.
Unia melodia  ouvida como uma totalidade, como um conjunto; quando a
escutamos, no temos conscincia das notas que a compem. Quando perccpciono, por exemplo, um automvel, no vejo primeiro o tejadilho, depois as portas, em seguida as rodas - percepciono o automvel como um todo, como uina gestalt, sO em seguida passo  anlise dos elementos, dos pormenores.
O todo  percebido antes das partes que o constituem. A forma corresponde  maneira como as partes esto dispostas no todo.
 no contexto da teoria da forma que se podero explicar algumas iluses* ptico-geomtricas. Estas resultam da forma como as diferentes componentes de Lima figura se organizam nUM todo.
O todo no  a soma das suas partes - na realidade estas organizam-se segundo determinadas leis. Os elementos constitutivos de uma figura so agrupados espontaricamente. Esta organizao , Segundo os gestaltistas, essencialmente inata.
Quando olhamos para o cu, numa noite de Vero, percebemos as estrelas, mais ou menos   brilhantes, agrupadas em constelaes. A organizao das nossas
percepes sera estudada pelos gestaltistas que enunciam UM conjunto de leis'. No exemplo que acabmos de dar, est patente a lei da proximidade: perante elementos dispersos, temos tendncia a agrupar aqueles que se encontram mais prximos, para constituir uma forma; no caso, as constelaes.

Os psiclogos da forma pem em causa todo o tipo de explicao simplista. O comportamento humano, os
fenmenos psquicos so de uma grande complexidade, no sc podendo reduzir o complexo ao simples.  neste             . ... .
sentido que Khler e os seus companheiros vo criticar o
iriodelo behaviorista, porque decompe o comporta~ mento nos reflexos que o constituem. Por outro lado, o
esquema explicativo E 4 R  mecnico, no corresponde a realidade complexa do comportamento humano. Se so
reagisse ao mundo exterior de uma forma estereotipada, atravs de um conjunto de comportamentos aprendidos, de condicionamentos, o ser humano seria incapaz de qualquer comportamento mais adaptado. A actividade humana no  um    somatrio
de reaces a estmulos. Resulta de unia organizao determinada pelo mundo exterior, pela natureza das coisas, mas integrada na totalidade psicolgica do sujeito.
Ao modelo mecnico proposto pelos comportamentalistas, os gestaltistas opem um modelo dinmico.
APRECIAO CRTICA
Os gestaltistas desenvolveram sobretudo trabalhos experimentais sobre a percepo nos animais e em seres humanos, porque era o campo da psicologia mais acessvel  observao. Contudo, acabam por concluir que muitos dos processos inerentes a percepo so relevantes noutros domnios: na aprendizagem, na
memria, no pensamento. Assim a actividade mental s pode ser compreendida se encarada como um "todo", como totalidade dinmica.
O gestaltismo representa um progresso considervel nas concepes psicolgicas. Alis, as actuais correntes cognitivistas* tm por base concepes gestaltistas.
estrutura, gestalt/forma, organizao, percepo, totalidade.
(1) Os gestaltistas dedicaram-se sobretudo  anlise dos fenmenos da percepo. Apresen-
tamos-te algumas iluses <5ptico-geomtricas que derivam da forma como os elementos se organizam no todo. Observa-as.
1.1. Qual te parece maior: A ou B?
1.2. As linhas horizontais parecem-te
paralelas?
Iluso de T\/Iller-Lyer
Iluso de Hering

1,3- Qual dos crculos centrais te parece maior?
1.4. Qual dos dois rectngulos te
parece maior?
Procura explicar estas iluses  luz do gestaltismo.
Iluso de Ponzo
Iluso de Titchener
Sigmund Freud nasceu em Freiberg, na Morvia, (no antigo Imprio Austro-Hngaro). O pai era
comerciante e Freud foi o primeiro dos oito filhos do seu segundo casamento. Formou-se em Medicina, na Universidade de Viena, em 188 1, tendo-se especializado em Neuro-
Jogia. As dificuldades em prosseguir uma carreira
acadmica, devido ao facto de ser judeu e de ter
de sustentar uma famlia numerosa, levaram-no a
exercer clnica privada como psiquiatra*. Estudou durante um ano (1885-86) em          Paris, no
Hospital La Saiptrire, com o professor Jean Charcot. Este psiquiatra utilizava a hipnose     *  no         FREUD tratamento de perturbaes nervosas, especialmente a
histeria   Charcot recusava as explicaes dominantes para esta perturbao; a histeria no era especificamente feminina e no
tinha uma causa orgnica. So os trabalhos e as experincias desenvolvidas com Charcot
que vo fazer nascer a ideia de que existiria um pensamento sepa-
rado da conscincia.
Contudo, foi com Breuer, que utilizou a hipnose como terapia, que Freud aprofundou os seus conhecimentos, publicando, em
conjunto, estudos sobre histeria. Ambos consideravam que esta doena era provocada pela reteno, no inconsciente do doente,
de lembranas traumticas. Dado o seu carcter penoso, estas recordaes so reprimidas, no se podendo exprimir. A energia bloqueada manifesta-se em vrios sintomas* fsicos como paralisias, cegueira, perdas de memria, da fala. Durante o sono hipntico os doentes encontravam a origem das suas perturbaes e os
sintomas desapareciam. Por essa razo Breuer chamou a este
mtodo "catrtico", isto , purificador. Em 1896, Freud abandonou o trabalho conjunto com Breuer por duas razes: considerava a hipnose um mtodo limitado, com
resultados pouco durveis; por outro lado, Breuer no aceitava a
concepo de Freud, para quem a histeria - que passava a ser designada por psiconeurose - tinha origem sexual. Foi precisamente no ano de ruptura com Breuer que Freud utilizou pela
primeira vez, num artigo que publicou, o termo
psicanlise.Vai desenvolver sozinho as suas con-
cepes que iro constituir os fundamentos da teoria psicanaltica. Em 1900, publicou a sua primeira grande obra: A Interpretao dos Sonhos. Progressivamente as suas concepes tornavam-se conhecidas no meio
cientfico, tendo sido, em muitos casos, objecto de violentos ataques. Sigmund Freud dividiu-se em mltiplas actividades: deu aulas, proferiu conferncias, consultou os seus
doentes, registou as suas experincias e concep-
56-1939)        es. Alis, o seu trabalho clnico forneceu-lhe
muitos elementos para a construo da sua teoria. Outra fonte de informao e de dados resultava da anlise que fazia a si prprio, desde 1897 at  data da sua morte.
Apesar de os nazis terem ocupado Viena, Freud recusou-se a
abandonar a cidade. Contudo, pressionado pelos amigos, preocupados com a sua segurana e a da sua famlia, fixou-se em
Londres, acompanhado de sua filha Anna. Morreu com 83 anos,
vtima de cancro no maxilar.
A sua obra  muito vasta, encontrando-se organizada em 24 volu-
mes que abordam os mais variados temas: as tcnicas da psicanlise, a psicanlise aplicada s cincias sociais, os fundamentos teri-
cos da psicanlise, etc. Poderemos destacar alguns dos ttulos mais importantes: Psicopatologio do Vida Quotidiana; Trs EnsGios Sobre a Sexucilioade;
Cinco Lies Sobre a Psicanlise;A minha Vida e a PsicGnlise;Totem e TGbu.
A sua filha Anna Freud continuou a sua obra como eminente psicanalista. Entre os seus discpulos e continuadores celebrizaram-se
os nomes de Cari Jung, Alfred Aclier, Otto Rank, Wilheim Reich, Melanie Klein, W. R. Bion, D. W. Winnicott, entre outros. Quando acabares de estudar este autor, vers como a sua biografia est intimamente relacionada com o desenvolvimento da psicanlise. Alis,  o prprio Freud quem o admite: "A minha vida s
tem interesse nos suas relaes com a psicanlise."

FREUD E A PSICANLISE
raciocnios
@CONSCIENT
Foi na reflexo sobre os dados que recolheu junto dos seus
pacientes, das observaes que fez sobre si prprio, bem como do debate que sempre estabeleceu com investigadores, seus contem-                                                        CONSCIENTE porneos, que Freud foi procurar o significado mais profundo das perturbaes psicolgicas. Seria                   percepes impossvel compreender os pro-                  pensamentos cessos patolgicos se s se admi~ tisse a existncia do consciente.
IPR          T@ memria        fantasias          as, At ento, a concepo dominante                                                        -CONSCIENT @W de Homem definia-o como ser racional, que controlava os seus
impulsos atravs da vontade. o
constitudo pelas representaes presentes na nossa
conscincia e conhecido pel          a
introspeco, constitua o essencial, da vida mental do ser humano.
A grande revoluo introduzida por Freud consistiu na afirmao               pt           Nas
da existncia do iricoliscicruc -
zona elo psiquismo constituda por pulses*, tendncias e desejos fun-                                     pulses inatas
(lamentalmente de carcter afectivo-sexual, a qual no  passvel de conhecimento directo. A cons-                          medos cincia  atribudo um papel modesto - os processos psicolgicos mais detcrminantes ocorrem no inconsciente.
Freud compara o psiquismo humano a um icebergue: a sua parte visvel  muito pequena e corresponde ao consciente, sendo constituda por imagens, lembranas, ideias que se podem evocar e conhecer. Contudo, a parte submersa, que no se v, do icebergue  a maior e corresponde ao inconsciente, cabendo-lhe um
papel determinante no comportamento.
O pr-coivcicilte (subconsciente) faz a ligao entre o consciente e o incol]S-     TEXTO ciente e corresponde, na imagem do icebergue, a uma zona flutuante de passagem entre a parte visvel e a oculta e que varia o seu grau de cmcrso/imerso.  constitudo por contedos passveis de aceder a conscincia.
O material inconsciente tende a tornar-se consciente. Contudo, h todo um
conjunto de foras que se opem a esta passagem. Freud, na sua obra Introduo  Psicanlise, recorre novamente a uma imagem para melhor explicar a sua concepo: o nosso psiquismo seria constitudo por uma grande sala - o

inconsciente - e por uma pequena antecmara - o consciente. Na entrada da antecmara h um vigilante que inspecciona as pulses, os desejos, que querem passar. Se no lhe agradam, censura-os, impedindo a sua entrada, impossibilitando-os de se tornarer6 conscientes.
Existe, assim, uma cnsura que bloqueia a tomada de conscincia do material inconsciente, o qual po-4 ser, portanto, sujeito a um processo de rec@tlc,,tiiicilto. O
constitu     dos mecnismos de defesa* inerente ao equilbrio do individit, sendo, 1301111,   um processo normal. Todavia, a partir de determina-
1!i@ites,  res o          comportarticritos neurticos*.
p Posteriormente, Freud apresentou uma segunda teoria sobre a estruturao do aparelho psquico. Segundo esta teoria, o psiquisi-no organizava-se atravs das instncias id, ego e superego.
Ters oportunidade de estudar esta segunda tpica no captulo sobre o desenvolvimento (ver p. 28 da 2.@'parte).
A SEXUALIDADE
Foi o trabalho desenvolvido com os seus doentes que levou Freud a concluir que muitos dos sintomas neurticos estavam relacionados com a sexualidade, objecto de mltiplas represses e obstculos. A sua origem estaria ligada a experincias traumticas ocorridas na infncia.
Depois de ter afirmado que existia uma instncia inconsciente no PSiqLliSMO humano, Freud provocou um grande escndalo ao atribuir  SCXUalid.Ide um papel essencial na vida psquica humana. Alm disso, concluiii que CXiStC uma sextialidade infantil. A sexualidade no se iniciaria com o funcionarnento das glndulas sexuais na puberdade, mas exprimir-se-ia desde o nascimento.
"H ento, perguntareis, uina sexualidade infantil? No  a in ucia o perodo da vida em que.llta todo o instinto desta espcie? A esta questo respondo coni
um no decisivo. Mo, o instinto sexual no penetra nas crianas na poca da puberdade, tal conio, no Etangelho, o diabo entra nos porcos. A criana apresenta, desde a mais tenra idade, man@1@staes deste instinto---.
FREI 1), S., (inco Lious Sobre aI mago Editoia, s il, p.,@2
Freud, considerava ainda que o comportamento sexual adulto estava relacionado com as vivncias infantis.
A descoberta da sexualidade infantil ICV011 Freud a modificar as suas noes, distinguindo genital de sexual. A sexualidade no se limitaria ao acto sexual entre duas pessoas: a sexualidade era toda a actividade pulsional - a libido* - que tende a uma satisfao.
Para Freud, o desenvolvimento humano, desde a infncia  vida adulta,  explicado pela evoluo da psicossexualidade.
Quando estudares a psicologia do desenvolvimento iras aprofundar melhor esta questo.

APRECIAO CRTICA
A concepo freudiana representou Lima verdadeira revoluo cientfica. A ruptura operada pela psicanlise, que apresentava uni novo conceito de ser hUmano, , muitas vezes, comparada s revolues levadas a cabo por Coprnico e por Darwin.
A psicanlise  simultaneamente uma tcnica teraputica, um mtodo de investigao, bem corno um corpo autonomo de conceitos organizados nuiria teoria (consulta o
esqiicin@t da p. 72). Poderemos dizer que Freud explorou um
novo campo em psicologia - o inconsciente - apresentando uma viso dinmica do psiquismo. Por outro lado, recorreu a um novo mtodo: o mtodo psicanaltico (ver p. (S). Demarcava~se, assim, de uma psicologia centrada na conscincia, a psicologia introspectiva, bem como da psicologia behaviorista, centrada no mecanismo E 4 R. Alm disso, pela primeira vez se afirmou a existncia de uma sexualidade infantil.
O conceito de ser humano dominado por pulses, bem como a afirmao da existncia de uma sexualidade infantil provocaram, durante a sua vida e depois da sua
iriorte, as mais vivas c apaixonadas crticas, escandalizando os meios mais moralistas.
O nibito das concepes freudianaS Ultrapassou a psicologia. So muitas as
contribuies da psicanlise para o estudo das religies, dos mitos, dos modos de vida, da arte. Podemos afirmar que a psicanlise , ainda hoje, Lima teoria actuante impregnando a cultura contempornea.
inconsciente, mtodo psicanaltico, sexualidade, recalcamento.
(1) L a biografia de Freud e responde s questes que se seguem:
1.1. Explica a importncia que teve nas concepes de Freud o trabalho com Charcot.
1.2. Com que objectivo era utilizada a hipnose por Freud e Breuer?
1.3. Diz as razes que levaram Freud a abandonar a hipnose.
1.4. Identifica, na biografia, uma concepo inovadora apresentada por Freud.
"A psicanlise  usualmente creditada pela importncia que a partir dela se passou a atribuir s motivaes inconscientes ( ... ), s experincias infantis e seus r@flexos no adulto, ou ainda pelo relevo que atribui ao conflito. (... ) Com a teoria psicanaltica, acede-se, pela primeira vez,  tentativa de dar significado ao projecto de vida do sujeito individual na sua totalidade."
CORREIA JESUNO

itinerrio
2.1. Sublinha no texto as expresses que reflectem o carcter inovador da psicanlise.
2.2. Apresenta a estrutura do psiquismo proposta por Freud.
2.3. Esclarece em que consiste o recalcamento.
Propomos que vejas o filme "Para Alm da Alma" de John Huston, que tem como tema a vida
de Freud e o modo como construiu as bases da psicanlise. Confronta os dados do filme com o que aprendeste.
A psicanlise ensinou~nos que o papel essencial do processo de recalcamento no era suprimir, aniquilar a representao emanada da pulso, mas sim mant-la afastada da tomada de conscincia. Diremos ento que ela se encon-
tra no estado de representao inconsciente e estamos babilitados aprovar que ela tambm pode produzir efeitos inconscientes susceptveis at por vezes de alcanarfinalmente o consciente.( .. )
FREUD, S., Metaps),cbologie, Gallimard, 1985, p. 19
4.1. A partir da anlise do texto, esclarece em que consiste o recalcamento.
No itinerrio que se segue apresentamos-te uma panormica da psicanlise, localizando no teu livro as pginas onde se desenvolvem as concepes desta corrente.
Nova concepo
de psiquismo
p, 29
A import"ci@ da exualidad
p30
i-porta-ncir,a da pnf  ci.
3
Concepo de desenvolvimento
p. 28 da 2.` parte
O mnto< sica^alt
p 68
Concepo de
motivao
Os estdios de desenvolvimento
psicossexual p. 28 da 2.' parte
PD,
1.' t 0 @a
P.2
2" tpic p. 32 da 2.' parte
p
As pulses,
a libido
p. 128 da 2.` parte
Mecanismos de
defesa do ego p. 129 da 2.' parte
Personalidade e desenvolvimento
psicossexual p. 168 da 2.' parte

Jean Piaget nasceu em Neuchtel e morreu em
Genebra, na Sua, com 85 anos. Com dez anos, publicou um artigo sobre o pardal aibino e, durante            J a adolescncia, trabalhou na seco de moluscos              o@lb& de um museu, para alm de escrever artigos sobre zoologia. Formou-se em Cincias Naturais com 21
anos e, um ano depois, doutorou-se em Zoologia. Em Zurique, passou a interessar-se e a estudar psicologia e psiquiatria. Algum tempo depois, desenvolveu trabalhos no
Laboratrio de Alfred Binet, em Paris, investigando o desenvolvimento intelectual da criana a partir de testes elaborados pelo investigador francs.           PIAC ET
 este trabalho que o ir motivar a desenvolver as suas pesquisas na rea da psicologia do desenvolvimento. Com 27 anos, escreveu o seu primeiro livro de psicologia: A Linguagem e o Pensamento no Criana. Em 1925, ocupou o cargo de professor de Filosofia na sua cidade natal.
Na dcada de SO, fundou, congregando investigadores de vrios ramos do saber, o Centro Internacional de Epistemologia Gentica da Faculdade de Cincias da Universidade de Genebra, de onde saram importantes obras de psicologia cognitiva. Leccionou a disciplina de Psicologia da Criana, a partir de 1952, na Sorbonne, Paris. Durante esse perodo - cerca de onze anos -,
desenvolveu trabalhos sobre a inteligncia com o grupo de investigadores da Escola de Binet e Simon, autores do primeiro teste de inteligncia para crianas.
Piaget revolucionou as concepes de inteligncia e
de desenvolvimento cognitivo partindo de pesquisas centradas na observao e em dilogos que estabeleceu com as crianas. Interessou-se fundamental-
2.     mente pelas relaes que se estabelecem entre o
sujeito que conhece e o mundo que tenta conhecer. Considerou-se um epistemlogo gentico porque investigou a natureza e a gnese do conhecimento nos seus processos e estdios de desenvolvimento. Jean Piaget foi bilogo, zologo, filsofo, epistemlogo e psiclogo. Esta experincia de vida e uma
vasta cultura cientfica impregnaram a sua obra
890-1980)         com contribuies da biologia, ciberntica, mate-
mtica, filosofia e sociologia. Escreveu mais    de 100 livros e artigos, alguns dos quais contaram
com a colaborao de Barbel Inhelder. Entre eles, destacamos: Seis Estudos de Psicologio;A Construo do Real no Crianc;A Epistemologio Gentica; O Desenvolvimento da Noo de Tempo nG Criana; Do Lgico do Criana  Lgico do Adolescente; A Equilibrao dos Estruturas Cognitivas. Piaget desenvolveu estudos sobre os prprios processos metodolgicos, concretamente o mtodo clnico e a observao naturalista (ver pp. 53-55). Estes mtodos correspondem a importantes avanos na investigao em psicologia. At morrer, Piaget estudou, escreveu, participou em congressos, polmicas e debates pblicos. Foi uma personagem carismtica, pela forma empenhada, crtica, interdisciplinar e criativa como orientou as suas investigaes.
PIAGET E O CONSTRUTIVISMO'
Foi atravs da observao dos seus filhos e de outras crianas que Piaget procurou descobrir como  que o conhecimento se organiza e estrutura.  precisamente na rea do comportamento intelectual e cognitivo da criana e do adolescente que este investigador vai incidir os seus estudos.
As suas pesquisas levam-no a concluir que o conhecimento  um processo interactivo que envolve o sujeito e o meio e que decorre em etapas sequenciais que Piaget designa por estdios de desenvolvimento.
Piaget ultrapassa o debate dos que afirmavam o primado do sujeito, da com-
ponente hereditria e daqueles que afirmavam o primado do meio: atravs da observao e da experimentao vai demonstrar que h uma interaco entre ambos na construo do conhecimento. Para o construtivismo a vida psquica desenvolve-se atravs da troca entre o sujeito e o meio; o conhecimento advm das interaces sujeito/objecto, da que tambm se designe por interaccionismo.
PodenJis ainda encontrai as expresses 'interaccioilisilio' e "estruturalismo".

Piaget defende uma perspectiva psicogentica do conhecimento, atribuindo ao
indivduo um papel activo na construo do conhecimento. Assim, na polmica que ope o inatismo ao empirismo, ele prope uma dialctica interactiva:
estruturas mentais ;@ experincias,
Segundo Piaget, o desenvolvimento intelectual faz~se desde as reaces reflexas inatas at a idade adulta. Este processo desenvolve-se ao longo de quatro estdios. No captulo sobre o desenvolvimento, ters oportunidade de aprofundar esta qusto (ver pp. 15 e ss. de 2.' parte).
Demarca-se das concepes anteriores, nomeadamente das correntes inatista (que coloca a nfase na componente gentica), e behaviorista (que coloca a
nfase no meio) ao afirmar o carcter activo que o sujeito desempenha no pro~ cesso de conhecimento.
Concepo inatista
Segundo esta concepo, o sujeito  resultado das potencialidades transmitidas por hereditariedade. Existiriam estruturas inatas no sujeito que organizariam a
experincia do meio ambiente. O meio desempenharia um papel pouco relevante no seu desenvolvimento.
A corrente gestaltista, que j estudaste, defende que o sujeito organiza a experincia do meio a partir das suas estruturas inatas.
Sujeito 4 Meio
Concepo behaviorista
Segundo os behavioristas/comportanientalistas, o comportamento do ser humano e o seu desenvolvimento dependem totalmente do melo em que o sujeito se encontra inserido. O sujeito tem um
papel passivo no processo de conhecimento e
desenvolvimento. Esta concepo integra-se num
movimento mais amplo: o empirismo.*
Su@eito +- Meio
Concepo construtivista
O comportamento do indivduo, a inteligncia, resulta de uma construo progressiva do sujeito em interaco com o meio.
Sujeito -<-' Meio

A concepo construtivista/interaccionista de Piaget parte da tese de que o
conhecimento no depende nem s do sujeito nem s do objecto. As estruturas da inteligncia no so apenas inatas, mas produto de Lima construo contnua do sujeito. As estruturas intelectuais constroem-se de modo progressivo num processo de troca entre o sujeito e o meio.
`Se nos limitssemos s posies clssicas      s nos restaria pergu ntar se toda a in1@rmao c(@gnitiva emana dos o@Iectos e vem defira J@frmar o suieito como pensava o enipirisino tradicional, ou sepelo contrrio o stileito est desde o incio munido de estruturas endgenas que ela imporia ao objecto, conforme as diversas variedades de apriorisnio ou inatisino. (... ) Ora as primeiras lies da anlise p,@icogeiietica parecem contradizer estes pressupostos. Por um lado o conhecimento no procede nas suas origens nem de uni suleilo corisciente de si niesino, nem de um o@jecIo / constitudo (do ponto de vista do sul1eito) que se imporia a ele: ele resultaria de interaces que, produzindo-se a mei ,o caminho, entre os dois relevariani pois dos dois ao mesmo tempo por cansa de unia nd@Jrenciao compleia e nopor trocas entrefrmas distintas. "
PIAGETJ., L L@)ist@)noIogi(, Gnffi(liw PIT. s (1, pp. 11-1@
No itinerrio que SC segue apresenta~se Lima panormica do construtivismo, localizando no teu livro as paginas onde se desenvolvem as concepes desta corrente.
Piaget: biografia
pp. 33
itinerrio '
Concepo de com-
portamento/ conhecimento
p. 34
Concepo de desenvolvimento
p. 15 da 2.` parte
Observao naturalista
p. 53
Mtodo clnico
PP.55
Desenvolvimento
e adaptao p. 16 da 2.@ parte
Factores de desenvolvimento
7 da 2.' parte
Estdios de desenvolvimento
intelectual
p. 19 da 2.' parte
Desenvolvimento
cognitivo na adolescncia
p 52 da 2 parte


APRECIAO CRITICA ..........
Embora admirador das concepes fretidianas, Piaget critica a ausncia de rigor cientfico de certos conceitos da concepo psicanaltica.
Comea por apreciar a perspectiva de totalidade estruturada, apresentada pelos gestaltistas. Contudo, critica-os pelo papel passivo que atribuem ao sujeito e por no apresentarem uma perspectiva gentica do conhecimento.
Refuta radicalmente a concepo bebaviorista, dado que considera que o comportamento no pode ser explcado pela formula E 4 R. O sujeito  activo, atribuindo significados aos estmulos. A uma viso associacionista contrapos uma concepo construtivista atravs do processo de assimilao/acomodao (ver p, 10 ela 2.` parte).
A concepo piagetiana da gnese da inteligncia humana e do conhecimento tem em conta os aspectos biolgicos, psicolgicos, epistemolgicos. O construtivismo  uma corrente actual que reflecte uma perspectiva interdisciplinar, absolutamente indispensvel ao
estudo de processos to complexos.
construtivismo, desenvolvimento, estdio, interaccionismo, mtodo clnico. e h a v @
Quadro 3 - Correntes ern psicologia
Corrente
Objecto
Mtodos de investigao
Populao estudada
Autores
Associacionismol
Estados de
Introspeco
Observadores trei-
Wundt
Estruturalismo
conscincia
controlada
nados
Bebaviorismol
Comportamento
Mtodo
Seres humanos
Watson
Comportamentalismo
observv6 do
experimenta(
e animais
Skinner
ser humano e
Tolman
do animal
HuiH
Psicanlise
Inconsciente;
Mtodo
Pacientes
Freud
Estrutura psiqu ca;
psicanaKt@co
Acier
Funcionamento ps@-
Rank
qu@co
Jung

EVOLUO DO CONCEITO DE COMPORTAMENTO
o esquema explicativo proposto pelos behavioristas R = f (S) no resiste a constatao que podes fazer com exemplos do dia-a-dia, vividos ou observados
por ti. Essas situaes servem para pr em causa o rigoroso determinismo estmulo-resposta defendido pelos bebavioristas.
Perante uma mesma situao,  grande a possibilidade de surgirem respostas, reaces diferentes. Por exemplo, quando ocorre um acidente (S), as respostas dos sujeitos que o presenciam no so as mesmas: um pode socorrer a vtima (RI), outro procurar um telefone   para pedir assistncia (R2), outro, impressionado, afastar-se do local (R3), etc.
RI
S       R2
R3...
Alm disso, o mesmo sujeito, perante  a mesma situao, pode, em momentos
diferentes, comportar-se de forma distinta.
Por outro lado, situaes diferentes podem desencadear o mesmo tipo de res-
posta: uma criana pode chorar (R) porque caiu (SI), porque a me lhe recusou um gelado (S2), porque perdeu um brinquedo (S3)...
si
S2 -R
S3-
Uma das crticas mais contundentes ao conceito de comportamento defendido pelos bchavioristas foi a apresentada por Paul Fraisse e Jean Piaget que propunham uma interpretao mais dinmica do comportamento. O extracto que transcrevemos reflecte essa concepo:
"O que conta em definitivopara a explicao de uma conduta  a interaco que existe entre a situao e a maneira pela qual o sujeito a apreende em,funo da sua personalidade (do seu organismo, experincia, temperamento, neces-
sidades, etc.). "
FRAISSE, P., e PIAGET, J, Tratado de Psica1(4@ia hxpedmental, vol. 1, Fofense, 1963, 1). 75
Para estes psiclogos, o comportamento  a manifestao de uma personalidade (P) numa dada situao (S). O esquema explicativo que propem  mais adequado aos comportamentos humanos, dado que tem em conta quer as determinantes do meio quer a personalidade do sujeito.
R = f (S !+- P)
O comportamento depende da interaco entre a situao e a personalidade do sujeito. A dupla seta,      reflecte o carcter dinmico da relao: no se

pode encarar a personalidade independentemente da situao. Produto de um
processo complexo, no qual intervm factores internos e externos, a personalidade constri-se no contexto do meio, nas diferentes situaes vividas pelo sujeito. Por outro lado, o modo como a situao  encarada, interpretada, depende tambm da personalidade e das experiencias anteriores do indivduo.
O que  importante para explicar um comportamento  o modo como o indivduo integra os dados da situao, tendo em conta a sua personalidade e a sua experincia.
Outros autores chamaram a ateno para a complexidade do conceito de situao. Para eles, o que  importante para explicar um comportamento  o modo como o indivduo integra os dados da situao tendo em conta a sua personalidade e a sua experincia. Da que muitos psiclogos tenham chamado a ateno para a importncia das signil ,icae,,, isto , para aquilo que unia situao representa para um sujeito.
Roger Muechielli apresenta vrios exemplos que demonstram que o comportaniento se relaciona, necessariamente, com as significaes percebidas. Escolhemos UM que a seguir transcrevemos:
'Vm casal discute: o marido qfiriva a inulber, citando nnieros, que ela no precisa de trabalbar, que ele ganba que cbegue para as despesas da,1mlia, que a presena da me em casa  indsperisvel para os,filbos, sobretudo para a
mais nova, que tem s 4 anos, A inulber responde que no tirou uIn curso superior para passar a vida a lavar a loia e a roupa, e que, mesmo que tenba que gastar todo o seu salrio para pagar  empregada e a unia pessoa para tomar conta das crianas,, prJre desempenbar um papel mais qual@ficado na sociedade, utilizar as suas aptides intelectuais e os seus diplomas...  um cboque, um alrontamento entre duas concepes de vida defiamlia, dos papis do marido e da mulber, dos deveres e dos direitos de cada um no seio da.fai@ila e
-Ia sociedade. Quando o marido pensa que est a.llar ' me dos seus,filbos,, a
mulber ouve-ofialar 'como,1da do laK.
As palavras pronunciadas tornam-se dU@rentes e mudam de sentido quando entram no ouvido do outro. De resto, s unia iluso materialista nos poder levar a dizer que so @as mesmas palavras, pois tm uma sign@ficao para aquele que as diz e outra para o que as ouve. "
MI'CCHIELLI, R.,     I'@icoIogia hstriffinvI 1, Pwscn@i. 197 1, pp, 21-22 (adapt.)
Pode concluir-se, assim, que no  possvel compreender o comportamento de um sujeito se no compreendermos as significaOes que ele atribui quilo que o rodeia.

EVOLUO DA PSICOLOGIA
Ao estudares as principais correntes que atravessam a histria da psicologia pudeste constatar que o objecto desta cincia foi sofrendo uma evoluo a que correspondeu uma crescente complexidade. Como viste, o prprio conceito de comportamento foi evoluindo, ultrapassando-se assim a perspectiva reducionista defendida pelos comportamentalistas. O mbito da psicologia foi-se enriquecendo ao longo da sua histria ao integrar na sua rea de investigao outros objectos: a criana, o inconsciente, os processos patolgicos, os grupos, a cultura.
O quadro que se segue, onde constam os vrios ramos da psicologia,  o
melhor exemplo para demonstrar a diversidade do objecto de estudo desta cincia.
Quadro 4 - Ramos da psicologia'
Designao
rea de interveno - objectivos
Psicologia do desenvolvimento
Visa conhecer a dinm ca do desenvolvimento humano. Aborda as diferentes fases de maturao e processos de desenvolv mento, desde a vida intra-uterina at  morte.
Psicofisiologia
Procura estabelecer as inter-relaes entre o comportamento e os rgos receptores, o funcionamento do sistema nervoso e endcrino e os orgos efec@ores (msculos e glndulas),
Psicologia social
Estuda os processos de interaco entre o ---divduo e os outros, bem como a nteraco entre os grupos, o estudo das atitudes e o processo de social zao.
Psicologia comparada
Visa conhecer as variaes das caract&st cas que se manifestam entre diferentes gru pos soc ais ou tn cos, ou entre os ind vduos do mesmo grupo. Compara o comportamento humano e animal.
Psicologia clnica
Aprofunda o conhecimento do indivduo na sua s ngularidade: ana sa as suas reaces em funo da sua histria e contextos de vida.
Psicologia da educao
Aborda os aspectos ps co g cos da educa& das crianas e dos adu tos de todas as
idades (s tuaes fam ares e escolares, aprend zagem forma e informa, etc.).
Etologia
Estuda o an ma no seu meio natura, procurando conhecer o comportamento do an -
mal solado e em grupo (por exemplo: agressividade, defin co do terrtr o, comunica-
o, comportamento sexua, etc.),

(1) Comenta a seguinte afirmao: 'A psicologia  uma cincia com um longo passado e uma curta bisli@a.'@
C. B0HUR
Rev o friso cronolgico das pp. 12-13 e destaca os autores e correntes que entretanto estudaste.
Une com um trao o nome do investigador com o termo que lhe est mais associado:
E@h1er]-
P@ge@t .
L_s@ao
Identifica a que correntes pertencem os textos que se seguem. justifica a tua resposta.
A - ',umaparte num todo  outra coisa que estaparte isolada, ou num outro lodo, por causa daspropriedades que lbe vm do seu lugar e da suaJuno em cada um deles. "
B - "Todo o acto psquico comea por sei^ inconsciente e pode, col@forme cboca ou
no com resistncias, permanec-lo ou continuar a sua evoluo para a conscincia. "
C - 'Sendo dado o estmulo, a psicologia deve predizer a resposta; ou inversa mente, dada a resposta, a psicologia deve especificar a natureza do estmulo. A actividade
bumana reduz-se  dupla estimulo-resposta. "
D - 'As estruturas no so dadas  partida nem no esprito humano, nem no m undo
exterior, tal como ns o percepcionamos ou organizamos. Elas constroem-se por interacao entre as actividades do sujeito e as reaces do objecto.
"No b uma nica forma de compreender os seres bumanos. As pessoas so comple-
xas e tm muitas,facetas. Ospsiclogos tentam olbarpara o comportamento bumano a partir de d@Jrentes ngulos, deforma a terem umafotografia to complexa quanto possvel. Gomo resultado, existem diversas reas de interesse e investigao da psico-
N. HAYES
5. 1. A partir do texto procura justificar a diversidade de teorias em psicologia.
5.2. Mostra a importncia do processo de especializao da psicologia em diferentes ramos no
conhecimento do comportamento e dos processos mentais dos seres humanos.

ETODOS E TECNICAS
Definido o ob@ecto da psicologia e reconhecida a sua                     @s complexidade, vamos analisar os mtodos e tcnicas de investigao utilizados por esta cincia.
Durante muito tempo o nico mtodo utilizado em psicologia foi a introspeco - a observao interior feita pelo prOprio sujeito. Objecto de vrias crticas subscritas por aqueles que pretendiam um estatuto de cincia para a psicologia e integrando-se no pensamento dominante dos finais do sculo XIX, a introspeco vai ser posta em causa, adoptando-se o mtoei
O
-iniental para o estudo dos comportamentos. Os expei bchavioristas, como j estudaste, vo encontrar neste mtodo o instrumento privilegiado para a formulao de leis que permitiriam atingir o SCLI objectivo: prever o
comportamento em determinada situao.
Reconhecidas as limitaes do mtodo experimental, vo ser encontradas outras vias, Outras inetodologias que privilegiam a compreen~ so do comportamento humano na Sua globalidade e complexidade. Surgem assim novos mtodos que irs estudar mais adiante - o mtodo clnico e a observao naturalista.
Os testes, os inquritos, as entrevistas, as escalas de atitudes, entre outras, so tcnicas que iro ser adoptadas na investigao em psicologia.
Diferentes correntes, diferentes mtodos
Quando se coloca a questo sobre os mtodos adoptados, no podemos responder sem ter em conta as vrias correntes que atravessam a psicologia. Assim, enquanto Wundt recorreu  introspeco, os behavioristas introduziram o mtodo experimental na investigao do comportamento humano e animal. Em algumas pesquisas sobre a percepo e a aprendizagem, os gestaltistas recorreram tambm ao mtodo experimental socorrendo-se tambm da introspeco informal. Piaget,
nos seus estudos, procurando conhecer o processo elo desenvolvimento cognitivo adoptou o mtodo clnico e a observao naturalista.
Freud, que considerava fundamental a explorao do inconsciente, propoe um mtodo prprio: o mtodo psicanaltico.
O quadro da pagina 36 permite-te visualizar a relao entre as diferentes teorias e os mtodos adoptados: h uma estreita relao entre o que se pretende conhecer, a populao a analisar, as concepes defendidas pelas vrias teorias e
os mtodos utilizados.
Que mtodo(s) utilizar?
Actualmente, para se estudar um dado problema recorre-se, no apenas a um mtodo ou a uma tcnica de investigao, mas a vrios, procurando-se assim conhecer os problemas em toda a sua complexidade.
1
Tomemos uma questo muito discutida nos nossos dias, seguindo os passos para a sua investigao: porque  to frequente o fenmeno da violncia infantil?
Elaborao de uma hiptese
As crianas de determinada idade (por exemplo, dos 4 aos 9 anos) que vem, na televiso, Muitos filmes violentos tm atitudes mais agressivas.

Verificao da hiptese
Nesta etapa, podemos recorrer a diferentes mtodos e tcnicas de investigao. Atravs de inquritos* e entrevistas* aos pais de uma determinada amostra*, reco-
lhemos informaes sobre o tipo de programas que os filhos vem na televiso, tempo dirio ocupado a ver televiso e em que condies (sozinhos ou acompanhados, durao ... ),
junto dos professores, recolhemos informaes atravs de entrevistas e/ou inquritos sobre os comportamentos agressivos das crianas da amostra em anlise.
Nesta pesquisa, pode prever-se a utilizao da observao naturalista (observaco das crianas no recreio, na rua e noutras situaes de grupo); aplicao de testes projectivos (seleco e aplicao de testes adequados  pesquisa e a idade das crianas); mtodo experimental (comparar os comportamentos agressivos de um grupo de crianas que vem filmes violentos com outro equivalente, mas
cujas crianas no tm esse hbito).
Poderamos ainda seleccionar Lima criana particulaririente agressiva que v filmes violentos e sobre ela desenvolver um estudo de caso* individual e aprofundado - mtodo clnico.
Formulao da concluso
Poderamos concluir, nesta investigao Simulada, que as crianas que assistem sozinhas, durante mais tempo, a emisses violentas na televiso apresentam maior agressividade. A hipOtese foi confirmada.
No seria, contudo, legtimo retirar a concluso de que a violncia transmitida pela televiso  o nico factor explicativo do aumento dos comportamentos violentos nas crianas.
Poderamos aprofundar esta investigao levantando outras hipteses para identificar a influncia ele outros factores (familiares, sociocconOrnicos, culturais) que contribuiriam para explicar a violncia infantil,
Certamente que a complexidade ela questo nos obrigaria a recorrer a OUtrOS
campos do saber, concretamente,  sociologia e  antropologia.
Neste exemplo foram utilizados, para desenvolver a investigao, vrios mtodos e tcnicas: mtodo experimental e mtodo clnico, observao naturalista, inquritos, entrevistas, testes.
No processo de investigao, visando uma abordagem cientfica, a psicologia recorre a vrios mtodos e tcnicas:
Mtodo                         Mtodo introspectivo                 experimental
Mtodo clnico
Mtodos e tcnicas Observao                    de investigao
M
to ido
tic. psicana
Inquritos e          Testes entrevistas

MTODO INTRO!SPECTIVO
A analise interior feita pelo prprio sujeito - a
viste, o primeiro mtodo utilizado em psicologia. Foi Wundt forma sistemtica e controlada, recorreLi  introspeco para estudar os fenOmenos da conscincia.
As caractersticas deste mtodo ia vinham dando lugar a vrias crticas. Um dos crticos mais contundentes foi Augusto Comte (1798-1857). Para Cornte, a psicologia no podia pretender constituir-se como
cincia, porque o seu objecto - o estudo da conscincia, os fenmenos psquicos - no era susceptvel de ser estudado objectivamente. O ser humano poderia observar directamente todos os fenmenos excepto os que se passam em si prprio. A introspeco - observao interior - no tinha qualquer valor cientfico, dado que o sujeito que observa e o
objecto observado so o mesmo. Para Augusto Cornte "( ... ) o indivduo que pensa no se pode dividr em dois: um que raciocionaria enquanto o
outro se veria raciocinaK. A condio fundamental da observao cientfica  a distino clara entre observador e observado.
- foi,
quem,
como j ele Lima
Outras @      e Iiiiii(aOes foram apontadas ao mtodo introspectivo:
a mobilidade dos estados da conscincia dificulta a observao; s se
observa um fenOmeno psquico depois de ele ter acontecido. A introspecco , no fundo, uma retrospeco;
os dados da introspeco s podem ser comunicados atravs da lnguagem. Muitas vezes, o sujeito tem dificuldade em exprimir por palavras o
que sente;
os fenmenos psicolgicos, corno a emoo, a ira, a clera, no so compatveis com a introspeco. Se se est muito emocionado, no se consegue analisar a emoo;
o indivduo que pratica a introspeco  o nico que observa a sua experincia interna. A sua observao no pode ser controlada por outro observador;
o mtodo introspectivo no se pode aplicar aos domnios da psicologia infantil, da psicopatologia ou da psicologia animal;
s analisa os fenmenos conscientes, no permitindo aceder ao inconsciente, que segundo os psicanalistas influencia de modo determinante o
nosso comportamento;
s analisa os estados de conscincia no abordando o compo amento que
rt se manifesta em reaces a estmulos objectivamente observveis;

a tomada de conscincia de um determinado fenomeno implica a sua alterao. Ao analisar racionalmente um sentimento, uma emoo, estou a
modific-los.  este aspecto que Piaget destaca no texto que se segue.
"A ntrospeco mod@fica constantemente osfinmenos observados e isto em todos os nveis. ( ... ) Sob o aspecto qfictivo, sem dvida e a posteriori, a introspeco dos sen-
timentos modifica-os, querpelo,1cto de lhes acrescentar uma dimenso cogni       .-
tiva, querpor os subordinar aos valores que, sem o sujeto saber, dirigem a prpra introspeco. "
 o carcter subjectivo do mtodo introspectivo e o seu relativismo que vo con-
duzir a vigorosas reaces que preconizam a utilizao do mtodo experimental para estudar o comportamento. Com os comportamentalistas, a introspeco  banida como mtodo da psicologia.
Contudo, a introspeco  hoje utilizada corno complemento de Outros mtodos. O recurso  auto-observao pode fornecer dados sobre experiencias interiores como os sentimentos, as fantasias, os devaneios.  atravs da expresso verbal
- oral e escrita - que o sujeito traduzira o que pensa ou o que sente a propsito de questes que lhe so colocadas: Gostaria de terfilhos? O que sente quando o
insultam? Sente cimes?
As respostas dadas no podem ser encaradas pelo psiclogo como dados objectivos, requerendo, por isso, Lima anlise crtica, uma interpretao.
MTODO EXPERIMENTAL
A adopo do mtodo experimental correspondeu, como j referimos, a unia
necessidade de assegurar o carcter de cincia objectiva e rigorosa a psicologia seguindo o modelo das cincias da natureza.
 na segunda metade do sculo XIX que se iniciam as primeiras investigaes experimentais na rea da psicologia. Podemos afirmar que a primeira apli- cao do mtodo experimental em psicologia foi realizada por Gustav Fechner (1801-1887). No seu livro Elementos da Psicqrisica, descreveu varias experincias para estudar as sensaes, procurando estabelecer a relao entre a intensidade do estmulo e a intensidade da reaco. Concretamente, mediu e comparou os aumentos de estimulao e os de reaco, estabelecendo entre ambas uma relao matemtica. Foi o primeiro cientista a preocupar-se com a aplicao dos mtodos exactos das cincias da natureza ao estudo das relaes entre os processos mentais e os fenOmenos fsicos.
Considerado critrio de cientificidade, o mtodo experimental vai ser assumido pelos bchavioristas como o instrumento privilegiado para o conhecimento do comportamento humano e animal.
Contudo, esta concepo  limitadora e redutora. O mtodo experimental tem uma aplicao limitada a determinadas reas da investigao: no funcionamento do sistema nervoso, no estudo da percepo, bem corno em determinados aspectos da aprendizagem, memria, motivao e inteligncia.

A fisiologia, a aprendizagem e a memria, a percepo e algumas reas da psicologia social so as reas em que o mtodo experimental tem mais aplicao.
Ao longo do livro ters oportunidade de conhecer varias investigaes experimentais que permitiram chegar a vrias concluses sobre o comportamento.
Tal como nas outras cincias, chegou-se a enunciar leis em psicologia: da sen-
sao (lei de Fecl-mer), da percepo, da aprendizagem, da memria e do esquecimento, etc.
lnvestgao sobre o
sono a decorrer num  bo atr o.
Vamos analisar as diferentes etapas de elaborao de um plano experimental em que previamente se determina cuidadosamente qual a rea ou problema que se pretende estudar.
o investigador emite hiptese(s) - hiptese prvia; o investigador manipula e controla as variveis - experimentao; o investigador generaliza o que verificou num nmero restrito de casos a toda a populao - generalizao dos resultados.
O HIPTESE PRVIA
Quando esquematicamente se enunciam as fases do mtodo experimental, aparece a observao como a primeira etapa, seguida da enunciao da hiptese. Contudo,  raro uma observao ser feita sem ter como ponto de partida uma
hiptese prvia. Frequentemente a hiptese prvia orienta a observao e determina as tcnicas a utilizar.
@@O uso de uma lupteseprva representa apenas um 'reforo'aos mtodos do observador, mas tambm se pode ver neste uso uma necessidade absoluta:  possvel considerar que uma observao @fectuada sem biptese no  susceptvel de ter as suas tcnicas determinadas e que s poder,lrnecer dados no aproveitveis. "
REUCHUN, M., OsAlto(los em Psico1(@gia, Moraes. 1979. p. 142
A hiptese pode ser sugerida por uma observao pr-experimental. Pode tambm ser inspirada num conjunto de conhecimentos j estabelecidos, a partir de outros j existentes'.
7Igiins autores designam este tipo de hipteses por liip@)teses decluzidas,

No contexto do mtodo experimental, a hiptese  uma explicao possvel em que o investigador procura estabelecer uma relao de causa e efeito entre dois tipos de factos.
Apresentanios-te trs exemplos:
Uni psiclogo pretende estudar os factores que intervm no processo de aprendizagem de um rato no trajecto de um labirinto. Coloca como hiptese que quanto mais fome o rato tern menos erros comete.
2    Um psiclogo pretende verificar se um aumento no autoconceito* implica um aumento no rendimento escolar das crianas, recorrendo a um programa de formao do autoconceito.
Um psiclogo pretende verificar se ver programas violentos na televiso aumenta a agressividade nas crianas.
O carcter controlvel da hiptese  a sua caracterstica fundamental. As nicas hipteses vlidas so aquelas que apresentam consequncias susceptveis de serem verificadas. As hipteses so explicaes possveis, leis supostas, que necessitam de ser testadas, isto , verificadas experimentaliii ente.
O EXPERIMENTAO
" ,4
"O esptito do sbo encontra-se sempre, de algum modo, colocado entre duas observaes.- uma que serve de ponto de partda ao racocno e outra que lhe serve
de concluso, "
CLAME BERNARD
A @       -1@ @,! @,, @ consiste num conjunto de observaes realizadas em condies controladas com o objectivo de testar a validade (Ia hiptese.
Nesta fase o investigador vai controlar e manipular as variveis. Uma experincia  uma situao controlada em que o psiclogo manipula a varivel independente seleccionada para avaliar o seu efeito na varivel dependente. Isto , o investigador vai fazer variar um determinado factor, um dado - ,an,i\t 1                  e verifi-

car as alteraes dessa varivel no comportamento que est a estudar - varia\cl depeli(lelitc.
* Varivel dependente -  o que o investigador pretende analisar. As suas
variaes so consequncia de manipulao das variveis independentes.
* Varivel independente -  o conjunto dos factores, as condies experimen-
tais que so manipuladas, modificadas pelo investigador. So as causas hipotticas do comportamento que se pretende explicar.
No primeiro exemplo, a varivel dependente  o
nmero de erros que o rato comete (o psiclogo pretende conhecer um aspecto do comportamento que  a                          A aprendizagem). O nmero de horas de privao de alimento  a varivel independente.
No segundo exemplo que demos, a varivel depenciente  o rendimento escolar, a varivel independente o
aiitoconceito. O objectivo do psiclogo ser comprovar que a varivel independente tem efeito sobre a varivel dependente.
No decurso da experincia, o investigador aplica um
princpio bsico: faz variar apenas uma varivel independente'. S assim pode avaliar de que modo diferentes valores, graus e intensidades dessa varivel afectam o
4 comportamento. Por isso tem que manter constantes as
outras variveis ou condies para impedir que influenciem a varivel dependente.
No exemplo cio rato no labirinto, o experimentador           faz variar o nmero     de horas de privao de alimento. Todas as outras variveis devero ser mantidas constantes: o traado do labirinto, a intensidade da luz e da temperatura, o nvel do rudo (por exemplo, impedir que se produza um rudo sbito e inesperado), etc.
O controlo experimental
Ao planear a sua investigao, o psiclogo tem que se certificar que estao criadas as condies que assegurem que s o(s) factor(es) seleccionado(s) modifica(iii) os resultados que se esto a estudar. Isto , o investigador vai procurar controlar todas as variveis que o possam impedir de testar se a varivel independente influencia efectivamente a varivel dependente.
Nas experincias que envolvem seres humanos o investigador deve ter em conta:
as atitude,, e expectaffi as dos sujeitos - quando as pessoas sabem que esto a ser submetidas a Lima experincia, assumem frequentemente comportamentos que julgam ser adequados  situao. Procuram reagir de acordo com o que supem ser o desejo do experimentador; os eleitos cio cxl)criiiiciltt(lor - s vezes o experimentador influencia, invOlLintariamente, o comportamento dos sujeitos confundindo os efeitos da varivel independente. Esta influncia pode manifestar-se de vrias formas: informaes fornecidas antes da experincia, expresso das expectativas do cxperimentador relativamente ao comportamento dos sujeitos, sugestes expressas atravs da entoao da voz, de gestos de expresses faciais, etc. Ao planear a experincia, o psiclogo prev tcnicas para controlar estes factores. @1 Fxi@tem in\@estig@i(-)cs com niuitivariveis.

O isolamento e o controlo das variveis independentes so particularmente difceis quando se estuda o comportamento humano. Quando, por exemplo, analisamos a forma como o indivduo executa uma tarefa (varivel dependente) relacionando-a com a luminosidade do local de trabalho (varivel independente),  difcil controlar outras variveis como, por exemplo, a atert
tivao, a disponibilidade. o, a mo
-ariveis externas, Designamos por estranhas ou parasitas as condies ou
variveis que o  experimentador    no  considerou na hiptese que enunciou, mas
que afectam o resultado da Sua experincia. Da que procure eliminar, neutralizar ou controlar a influncia das variveis estranhas, de tal modo que possa assegurar que as respostas do sujeito dependem sO da varivel independente.
No caso de no ser possvel eliminar o seu efeito, o psiclogo dever deteri-ninar a sua influncia. No exemplo do rato no labirinto, os investigadores chegaram a con-
cluso que os odores deixados por outros animais sujeitos a experincias anteriores eram pistas que influenciavam o seu comportamento. Desodorizar o labirinto, aps cada experincia, foi o meio utilizado para anular o efeito desta varivel externa.
O grupo experimental e o grupo de controlo
Todos os participantes na experincia devem estar sujeitos  mesma situao, instrues, tarefas e mtodos. As condies fsicas do local devem ser as mesmas.
As instrues e tarefas determinadas pelo experimentador no podem variar.
Na sua pratica experimental, e sempre que possvel, o experimentador recorre a constituio do grupo experimental e do grupo de controlo ou testemunha. Esta  uma das formas de controlar o efeito das condies em que decorre a experincia.
O grupo experimental  aquele que  sujeito s mudanas da(s) varivel(eis) independente(s). TE-O flEZ"         O grupo de controlo ou grupo testemunha experimenta as mesmas condies do
grupo experimental, excepto na variao da varivel independente. Assim, supe-se que todas as diferenas registadas nas respostas sejam devidas  varivel independente. O grupo de controlo  utilizado como modelo-padro de comparao, dado que permite analisar o efeito da varivel independente no grupo experimental.
Por exemplo, se se pretende estudar o efeito da luminosidade (varivel independente) na produtividade do trabalho (varivel dependente), o grupo experimental trabalha com intensidade de luz varivel, enquanto o grupo testemunha trabalha com intensidade de luz constante. Todas as outras condies so uniformes.
Deve assegurar-se que a constituio destes grupos seja homognea, isto , equivalente em todas as caractersticas significativas para a investigao: operrios o@
COM o mesmo tipo de formao e experincia, crianas do mesmo nvel etrio, etc. Tem que se fazer, portanto, o controlo das caractersticas dos sujeitos.
Por exemplo, pretendamos estudar o efeito do rudo sobre a aprendizagem, na memorizao de uma lista de palavras. Teramos que assegurar que o grupo experimental (sujeito ao excesso de rudo) e o grupo de controlo (sujeito s con-
dies normais de rudo) fossem equivalentes. A idade pode ser um factor que

afecte a experincia. Neste caso, o experimentador ter que constituir grupos homogneos quanto  idade. Poder ter tambm em conta outros factores como, por exemplo, a habituao ou no do sujeito a determinados nveis de rudo.
O que se pretende estudar
O efeito do rudo na memorizao de listas de palavras
Grupo experimental (Sujeito ao excesso do r
Grupo de controlo (Sujeito s condies normais do rudo)
Mernorizao de listas de palavra
Amostra significativa
O psiclogo que estuda um determinado aspecto do comportamento procura descobrir leis gerais que se apliquem a todos os membros do grupo que pretende compreender.
Populao  o termo que designa todos os indivduos que perten- cem a um dado grupo: adolescentes de um determinado nvel socioeconmico, mulheres divorciadas, crianas que frequentam infantrios, trabalhadores imigrantes, etc. Dado que  impossvel analisar o com-
portamento de todas as pessoas, o investigador define uma amostra, isto , Uina parte seleccionada da populao que a representa.
Para que a amostra seja significativa e possibilite chegar a concluses vlidas, dever existir uma correspondncia entre a estrutura da amostra e a I*MO,      EM", estrutura da populao.
GENERALIZAO DOS RESULTADOS
Depois de submeter os dados recolhidos a tratamento estatstico, segue-se a
ltima etapa do mtodo experimental que  a gencralizao dos restiltados.
O investigador generaliza o que verificou num nmero limitado de indivduos (a amostra) a toda a populao a que se refere a investigao.
No entanto, nas cincias humanas e sociais, especialmente em psicologia, a
generalizao deve ser feita com rigor e prudncia. Uma generalizao abusiva pode conduzir a concepes e praticas que afectam a vida das pessoas.
Tipos de experincias
Como j estudaste, os primeiros psiclogos, no seu esforo de constiturem a psicologia como cincia, desenvolveram os seus trabalhos em laboratrio. As experincias em laboratrio assegurariam condies precisas e controladas para investigar as relaes entre a varivel dependente e independente.
De facto, a experincia em laboratrio  a que melhor permite controlar as
variaes de todos os factores. Contudo, apresenta, entre outras, as seguintes limitaes:
ao decorrer num ambiente artificial, o comportamento das pessoas pode sofrer distores; no laboratrio, esto ausentes variveis que existem no meio natural e que influenciam o comportamento.

Estas condicionantes limitam a generalizao das concluses a que o psiclogo chegou  vida real. Para ultrapassar estas dificuldades, os psiclogos realizam experincias em ambientes naturais - c\pei-k`n(la (1(@ campo ou em (,()Ilt("\to
ccologico. Neste tipo de experincias os efeitos das variveis independentes so avaliados sem que os indivduos saibam que esto a ser objecto de estudo. Contudo, estas experincias no permitem controlar todas as variveis, nem separar os diferentes factores.
Passamos  a transcrever uma experincia de campo.
K !L,        7-,-@ `
Toi realizada, no inetropolitario de Nova
x                           -e a Iorquc,  uma c perincia de campo sobl apatia  das testenuinbas. O psiclogo Irving Piliavin e os seus colaboradores testaram diversas bipteses a respeito do comportamento de socorro. Uma das bipteses wilin-
ciadas era a seguinte: o tipo de vtinia (varivel independente) influencia afrequncia e rapidez de resposta das testeinunbas a lima emergncia (variveis dependentes).
Nesse estudo, quatro equipas de estudanFe---ao P-- tes - cada uma composta por lima vtinia do sexo masculino, um modelo mascura-Se conhecer a r(@dcao das pessoas CUlno e (luas observadoras - entravain lias carruagens do metro. A vtima, ves-
a a gum que est tida com tini casaco militar e calas velbasficou junto a liin poste. Durante prostrado no ch,-qo,
a4@uin tempo segurava lima bengala eparecia sbria. Outras vezes tresandava a lcool e agarrava-se a lima garraj embrulbada (      ... ). Depois da partida do metro, a vtima cambaleava para a frente, desmaiava e caa deitada de costas no cho, olbando fixamente para o tecto. Em algumas das experincias, o
modelo levantava a vtima e sentava-a depois de terpa,,;sado algumas estaes. As observadoras anotavam a raa, o sexo e a posio de todos os passageiros, de lodos os que ajudavam, bem como a rapidez do primeiro movimento de socorro,
Os passageiros eram, em geral, testemuiibas sensveis. Socorriam espontaneamente o bomem, quando este parecia magoado em 62 de 65 experincias; ajudaram o bbado aparente em 19 de 38 experincias. Neste estudo, o tempo de reaco no aumentava quando bava maior nmero de testemunbas a offiar.
DAVIDOFF, L, 1?il@-o(liit@o  1'@ico1ogi(1, M(:Graw41i11, 19M, pp. @2-@
LIMITAOES DA APLICAAO DO METODO EXPERIMENTAL
Como j compreendeste, a aplicao do mtodo experimental apresenta varias limitaes na sua aplicao em psicologia, concretamente nos seres humanos. De entre as 1iwita@()(:- ineto(h)1()gica,, podemos destacar: dificuldades em isolar as variveis que interferem no comportamento, em controlar atitudes e expectativas dos sujeitos, em neutralizar os efeitos do experimentador.

Para alm destas limitaes metodolOgicas, colocam-se quc,@,tc,,, ctica,, quando a experimentao pe em causa a integridade fsica ou psicolgica de um ser
humano. No se pode, por exemplo, isolar uma criana de todo o contacto social para se avaliar a importncia dos factores sociais no comportamento; no se
pode provocar unia leso no crebro ou uma mutilao para se verificarem as suas consequncias no comportamento; no se podem submeter pessoas a prolongados e intensos perodos de tenso e stress para analisar o seu efeito na sade dos sujeitos.
No podendo provocar este tipo de situaes, o investigador recorrer  obscrvaao de situaes j existentes: registar os efeitos do isolamento social em crianas abandonadas; analisara os efeitos de leses ou mutilaes resultados de doenas ou acidentes, etc.  o que muitos autores designam por experincia invocada.
No tCLI livro encontrars algumas experincias invocadas: Broca localizou a
fala mima zona especfica do crebro a partir das observaes que fez em indivduos que sofreram leses cerebrais (ver p. ioo); Spitz estudou o efeitos afectivos da ausncia prolongada da me em crianas que se encontravam em asilos e orfanatos (ver P. @3 cia 2.` parte); Antnio Damsio parte da observao de doentes com
leses cerebrais para localizar no crebro diferentes funes e para investigar as
relaes entre a razo, a emoao e o crebro (ver p. 87).
---As condies tcncas, sociais e deontolgicas em que se desenvolve o trabalbo do psiclogo s raramente o autorizam a adoptar uma definio J11e@ ou
rigorosa de e:vpermentao. Isto , particularmente vlido para a psicologia buniana.
REUCHUN, op, cit, p. 11
O: m kf@@@W T
`Melamed e Siegel (1975) utilizaram um filme para reduzir a ansiedade das crianas face  bospitalizao para diferentes tipos de cirurgia. Ofilme consistia em 15 cenas que mostravam alguns dos acontecimentos queso mais comuns quando a criana  bospitalizada e apresentavam um modo de lidar com essas situaes. O grupo de controlo viu um
oUtrofilme, agradvel mas no relacionado com a situao bospitalar. Houve um decrs-
ci.mo si .gnificativo da ansiedade, pr e ps-operatria para as crianas na situao de tratamento que viram o primeirofilme, tal comofoi avaliado atravs de auto-relatos e observa-
ao comportamental.
T. M. BAPTISTA
Depois de leres o texto responde s questes que se seguem.
1. 1. Identifica o grupo experimental e o grupo de controlo da experincia descrita no texto.
1.2. Indica a(s) varivel(eis) independente(s) nesta experimentao.
1.3. Enuncia a hiptese que os investigadores teriam emitido antes da experimentao
descrita no texto.
1.4. Procura reconstituir o plano experimental que est na base desta experincia. Utiliza na
tua resposta os conceitos: hiptese prvia, experimentao, varivel dependente e inde-
pendente, grupo experimental e grupo de controlo.

@tir@errio
O itinerrio que se segue localiza, no livro, vrias aplicaes do mtodo experimental.
Fases do mtodo
p 45
Controlo experimental
p. 47
Limitaes da sua aplicao 
psicologia
P.50
tese ia
5 ip@ pr' [@p 4
r'm en]ta @@p 46:
Generalizao dos resultados
P.49
@peri ias
Pavlov: Reflexo condicionado
p. 68 da 2.' parte
Watson: Generalizao dos estmulos
p. 70 da 2.' parte
Thorndike: Lei do efeito
p. 72 da 2.' parte
Bandura: Aprendizagem
social
p. 76 da 21 parte
Fechner: relao E-R
p. 44 L - -
Asch: Interaco
grupal
147
Kurt Lewin: Redes de comunicao
p. 146
Skinner: Condicionalismo operante p. 73 da 2.` parte
OBSERVAO
A observao pode ser encarada como um mtodo, um instrumento ou uma etapa de outros mtodos. Em psicologia, o objecto da observao  o comportamento de um sujeito ou de um grupo. A observao psicolgica tem sido um elemento central, quer no processo de investigao, quer na prtica clnica e profissional do psiclogo.
Ao estudares o mtodo experimental, constataste que so muitas as limitaes que se colocam ao investigador, concretamente na fase da experimentao. Assim, muitas vezes o psiclogo tem que recorrer  observao sistemtica como mtodo, realizando tarefas idnticas as do experimentador: formulao de hipteses prvias, controlo e generalizao dos resultados. Tal como na experimentao, a observao pode ocorrer no laboratrio ou em contexto ecolgico. Por isso dis- tingUirnos observao laboratorial e observao naturalista.
Nestes dois tipos de observao, que em seguida analisaremos mais aprofundadamente, o observador no intervm, no participa na experincia. Por isso, designam-se, quanto ao papel do observador, por observaes no participantes. TE-O EN2~         Contudo, existe um outro tipo de observao em que o investigador, para reco-
lher dados, se integra na unidade social que vai estudar, ao longo de um determinado perodo de tempo, participando nas actividades quotidianas e situaes do meio a investigar. Este tipo de observao designa-se por observao participante, que valoriza a apreenso qualitativa dos comportamentos nos contextos sociais.

OBSERVAO LABORATORIAL
Os investigadores recorrem por vezes  obscrvao laboratorial quando necessitam de controlar alguns factores que influenciam o comportamento que est a ser estudado. o ambiente e a situao so determinados pelo investigador, para melhor controlar as variveis intervenientes.
Por exemplo, Bandura, um psiclogo que se
dedicou ao estudo da aprendizagem (ver p. 76 da
2.' parte), partiu da seguinte hiptese: muitos dos nossos comportamentos so aprendidos atravs da observao e da imitao. Desenvolveu ento observaes laboratoriais para testar a sua hiptese. Assim, um grupo de crianas dos 3 aos 6 anos observou adultos que gritavam e pontapeavam um boneco insuflvel. Mais tarde Bandura observou que este grupo de crianas quando brincava com o
boneco era duas vezes mais agressivo do que um
outro grupo que no tinha assistido a cena.
Com o objectivo de assegurar um maior nvel de sensibilidade e rigor no acto de observar, os investigadores utilizam vrios tipos de registos das observaes. Estes instrumentos podem ser grelhas de observaes, cmaras de vdeo, bem como instrumentos de observao e registo fsico.
Neste ltimo caso, os processos de observao e registo electrobiolgico podem fornecer dados importantes sobre aspectos do comportamento que de outro modo no poderiam ser observados e analisados como, por exemplo, medir o ritmo cardaco, a actividade muscular, respiratria e cerebral, as variaes de resistncia da pele, etc. Entre outros instrumentos, pode referir-se o cronoscpio electrnico*, o taquitoscpio*, o electrodermgrafo*.
A observao laboratorial apresenta, contudo, algumas limitaes: @t
o ambiente  artificial, afectando por isso o comportamento dos sujeitos; h comportamentos que no podem ser observados em laboratrio; o observador tende a comportar-se de acordo com o que julga ser as expectativas do observador. Por isso  que os psiclogos recorrem a outro tipo de observao - a observao naturalista.
OBSERVAO NATURALISTA
A observao naturalista ocupa um lugar muito especial em psicologia. Consiste na observao e descrio de comportamentos dos sujeitos no seu ambiente natural.  tambm designada por observao ecolgica pelo facto de o indivduo ser observado no seu contexto de vida, privilegiando assim o binmio indivduo-meio.
Pode imaginar-se a riqueza de uma observao psicolgica que ocorre, por exemplo, num jardim-de-infncia, onde o psiclogo observa as crianas a brincar (ou brinca mesmo com elas), a comer, a comunicar entre si e com os educadores, etc.

Piaget empregou, no mtodo clnico, a obserg@"        vao naturalista quando observava as crianas
no seu ambiente habitual. Propunha-lhes actividades e situaes problemticas, questionava-as, contrapunha argumentos para as poder observar. Ele pretendia, assim, entend-las na sua dimenW                          so qualitativa, contextual.
OS SCLIS filhos, Jacqueline, Laurent e
LUcienne, foram alvo das suas observaes directas e sistemticas, das quais recolheu e registou -PIaget                                       importantes dados.
Sob a  denominao de observao naturalista, podemos encontrar situaes em que o psiclogo no interfere no campo observado, ou observaes em que o investigador  muito activo, como as levadas a cabo por Piaget e a sua equipa.
A observao naturalista ope-se as observaes laboratoriais em que o investigador recorre a meios artificialmente construidos para melhor controlo das variveis intervementes. Os defensores da observao naturalista argumentam que o
mais importante  observar os comportamentos no seu meio de ocorrncia.
As observaes podem ser mais ou menos focalizadas. Assim, por exemplo, numa famlia, podem observar-se as relaes entre todos os membros que a com-
pem, s as relaes pais/filhos ou, ainda, observaes mais focalizadas, como, por exemplo, as manifestaes de carinho fsico entre pais e filhos.
O registo destas observaes pode tomar diversas formas como anotaes escritas, fotografias, registos udio e vdeo. Em muitos casos, O Psiclogo utiliza algumas tcnicas para observar sem que os observados tenham conscincia do facto: o
espelho unidireccional, o gravador udio e a cmara de vdeo escondidos. Noutras situaes, tais artifcios no so necessrios - a presena do observador  "esquecida", torna-se familiar, mantendo-se a espontaneidade dos comportamentos.
A preocupao com o rigor cientfico exige que a presena do observador e as
tcnicas por ele empregues para registo no prejudiquem a observao ou que sejam consciencializadas pelo investigador.
A observao naturalista pode processar-se em modalidades semelhantes s usadas
4
pelos etologistas*, como, por exemplo, as
observaes sobre o comportamento dos gansos feitas por Konrad Lorenz ou as obser vaes sobre o comportamento dos chimpanzs levadas a cabo por Jane Goodhall.
Todos os pormenores do comportaNI
mento so anotados, mesmo aqueles em
que, no momento da observao, se desconhece o  interesse ou o sentido. A necessidade de  sistematizar os dados da obserJane Goodiaii reg sta ovaao pode levaroinvestigador a definir previamente determinados itens comportamento dos chimpdnzs.    baseados nos objectivos de estudo e nas hipteses da pesquisa.
Os dados recolhidos atravs da observao naturalista podem ser tratados quaTEXTO& ~@ litativamente, por exemplo atravs da tcnica de anlise de contedo*, ou quanti-
131 tativamente.

Apresentamos-te, em seguida, uma grelha de observao que tem por objectivo registar as reaes do beb em presena de crianas da sua idade.
Quadro 5 - Grelha de observao do comportamento social do beb em presena de pares
Bebe     dade     Sexo
Estmulo
Resposta
Totais
Actividade
Beb o hou um outro Beb berrou com um outro Beb sorriu para um outro Beb tentou agarrar um outro Beb tocou um outro
(a)
V
Totais
u-) Beb era o primeiro a o har o outro            @) Beb respondi
a ao olhar do outro
14
METODO CLINICO
O tuctod() cliiico caracteriza-se por abranger um conjunto de metodologias e tcnicas diversificadas, privilegiadamente de ndole qualitativa, que pretendem estudar ern profundidade um indivduo, um assunto OU UM problema.
A psicologia, integrando-se no movimento que envolveu as cincias sociais e humanas, ao pretender afirmar-se como conhecimento objectivo e rigoroso, procurou utilizar mtodos e tcnicas semelhantes s utilizadas pelas cincias da natureza. O mtodo clnico vai surgir como reaco ao mtodo experimental, mais interessado em resultados finais quantitativos do que na anlise do processo em estudo.
Os investigadores clnicos consideram que muitos dos estudos laboratoriais e
experimentais, ao fragmentarem, ao descontextualizarem o Comportamento humano, para melhor controlarem as vari-
veis intervenientes, perdem a possibilidade de uina apreenso global e aprofundada.
Assim, o mtodo clnico visa a compreenso global do sujeito tendo em conta
a sua personalidade como um todo: todas as variveis que afectam a pessoa so con~
sideradas. Por isso o psiclogo clnico interessa-se pelo passado do sujeito, as suas perspectivas de futuro, os seus valores, as suas crenas, os seus afectos, os seus projectos...
Lembramos-te que, na poca em que dominava a aplicao do mtodo experi- 'EKTcfl@ mental em psicologia, a psicanlise optou por construir um mtodo onde os dados do saber advinham de Lima reconstruo do passado feita pela prpria pessoa, sujeita a uma interpretao do psicanalista.

Fretid, numa atitude de investigador clnico, escutava, compreendia e aprendia com os seus pacientes. Foi Anna O. (um caso de histeria que estudou conjuntamente com Breucr) quem, ao narrar os seus problemas, referiu o seu "teatrop1@vado", sugerindo a Freud a chave para o conceito de "mundo internd'. Esse ,Imundo interno" era o "teatro" onde se representavam conflitos e cenas dramticas.
Piaget, interessado em compreender como se desenvolvia a inteligncia na
criana, no fez estudos em extensas amostras. Pelo contrrio, observou e analisou algumas crianas individualmente e em grupo. Foi atravs do mtodo clnico
- tambm designado mtodo de explorao crtica - que procurou apreender o
processo. Assim, tentou conhecer os raciocnios empregues pelas crianas bem
como a lgica inerente as respostas que estas davam as questes c/ou s situaes problemticas com que ele as confrontava.
No eram, pois, as respostas dadas que interessavam a Piaget, mas antes o
modo como as crianas tinham chegado a elas, isto , o processo. Por isso, era
necessrio criar um clima interactivo, de confiana, de segurana. E Piaget foi, como investigador, um verdadeiro modelo de coMUnicao.
Comparando os processos metodolgicos destes dois precursores do mtodo clnico, sublinhamos que Freud, embora desenvolvesse Lima
pesquisa sobre as fantasias individuais e modos de funcionamento psquico, tinha fortes preocupaes teraputicas, enquanto Piaget desenvolveu um trabalho junto de crianas porque estava interessado numa determinada investigao -
conhecer o processo de desenvolvimento intelectual. Piaget no pretendia intervir no desenvolvimento nem era movido por preocupaes teraputicas.
TCNICAS DE OBSERVAO CLNICA
Geralmente, associa-se a palavra clnico a uma relao mdico-doente. Ora, para melhor compreenderes o que  o mtodo clnico,  preciso entenderes que esta designao abrange no s um mtodo usado na pesquisa psicolgica, mas
tambm determinadas intervenes do psiclogo em situaes de terapia, apoio, aconselliamento e orientao psicolgica.
Assim, o mtodo clnico  um conceito abrangente que se aplica a uma meto-
dologia para investigar e intervir, que pode incidir sobre sujeitos que tm, ou no, problemas psicolgicos, em pessoas individualmente, ou em grupo. Para alm disso, podem ser estudos breves ou longos,
O investigador, no mtodo clnico, pode empregar instrumentos e estratgias metodolgicos que lhe paream mais adequados ao objecto ou s hipteses em
estudo. Assim,  inerente a este mtodo a intersubjectividade, na medida em que o
psiclogo partilha com o sujeito os seus problemas e preocupaes, o uso da intuio e da introspeco. Uma das condies necessrias no mtodo clnico  a criao de um clima de empatia, segurana e compreenso entre os intervenientes.
A utilizao do mtodo clnico permite aprofundar o conhecimento de alguns contedos de difcil acesso, como sentimentos pessoais e pensamentos ntimos.
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Ao aplicar o mtodo clnico, o psiclogo, alm de adoptar determinadas atitudes, pode recorrer a vrias tcnicas, nomeadamente:
O mainnese e dados biogrficos-,           O entrevista clnica;
O ol),,cr\,,ic@,-to clnica;                O testes.

o Anamnese e dados biogrficos
A              o conjunto estruturado de informaes significativas passadas e
presentes relativas a uma pessoa. Estes dados so importantes para uma com-
preenso aprofundada da histria de vida de um indivduo.
Em certos casos - como quando se trata, por exemplo, de crianas -, o psiclogo recorre a Outras fontes para recolher dados e assim poder construir a biografia do observado.
' letra, a anamnese no  mais do que a rememorizao autobiogrfica; mas se, pelo recurso a outros documentos ou atravs de aproximaes sucessivas, qlstainos esquecimentos ou distores, voluntrias e sobretudo nvoluntrias, estas indicaes so ainda mais precisosas do que o estabelecimento de dados histricos ob/ectivos. "
F)Icj,clopa,dia UniveiNalis, corpus 15, France S.A.. 1985,1).383
o Entrevista clnica
A entreNsta clnica  um momento importante do exame psicolgico.
NUM clima de aceitao de algum que escuta, a pessoa quL ,corre a um apoio psicolgico pode expor livremente o que a preocupa. O psiclogo obtm no decorrer da(s) entrevista(s) informaes e tem, atravs desta tcnica, um campo rico para observar e intervir.
Para alm do que  dito, interessa ao psiclogo observar as atitudes, os comporta
-verbais da pessoa, mentos verbais e no                                                      M como  que esta descreve o que sente, como reage s questes que lhe so postas pelo psiclogo, etc.
A entrevista assume diferentes modalidades segundo a corrente terica que o psiclogo perfilha, o tipo de pessoa, local e outras
condies. Na entrevista clnica, o psiclogo pode conduzi-Ia de forma mais ou menos
estruturada. Assim, ou segue um plano preestabelecido, ou introduz questes ou
temas que estimulam o paciente a abordar assuntos significativos. Pode colher dados para completar a anarimese e conhecer o sentido que tm para o sujeito determinadas recordaes, acontecimentos ou sentimentos.
A entrevista clnica serve como meio de diagnstico e psicoterapia. Atravs da entrevista, a pessoa pode entender melhor o que (e porqu) a preocupa, compreender-se a si prpria, sentir-se segura e buscar energias e estratgias para a
resoluo dos seus problemas. Os problemas do paciente podem suscitar reaces conscientes e inconscientes ao psiclogo, que este dever saber controlar.

o Observao clnica
A o1),,,cr\ac@o clnica consiste numa observao directa dos comportamentos e
atitudes do sujeito com o objectivo de o compreender e aos seus problemas. Esta observao centrada na pessoa ocorre em todas as situaes possveis, isto , durante a entrevista clnica, a execuo de provas e de testes e nos diferentes contextos onde decorre a vida do sujeito ou do grupo.
o Testes no mtodo clnico
So, sobretudo, os testes de personalidade - concretamente os te,,tes I)rojectiN os
- que melhor respondem s necessidades do psiclogo clnico. Neste tipo de testes, o sujeito projecta, nas situaes em que  colocado, caractersticas da sua personalidade.
O psiclogo pode recorrer a outro tipo de testes, sobretudo para responder a
necessidades de diagnstico. A utilizao de testes estandardizados no mtodo cl-
nico deve ser rodeada de precaues: o sujeito no pode ser colocado, nem sen-
tir-se, numa situao de exame e julgamento. Se assim acontecesse, estaria em
causa a confiana interpessoal, a atitude clnica.
O texto que a seguir te apresentamos reflecte a preocupao partilhada por muitos psiclogos, relativamente  utilizao de determinadas tcnicas:
"Regra geral, o mtodo clnico d@fine-se mais pela adopo de certas atitudes do quepelo emprego de certas tcnicas.
Esta utilizao, segundo alguns clnicos, pode, pelo contrrio, transformar o
interlocutor do psiclogo num objecto em vez de Ibe deixar o seu estatuto de pessoa, por quem se deve ter simpatia e compreenso."
REUCIMIN, M., e HUTEAI:, M., Guid, de IFtudiant en 1111E 1980, P. 94

Quadro 6 - Comparao entre os mtodos experimental e clnico
Itens
Mtodo experimental
Mtodo clnico
Definio
Descr o da relao entre uma varive ndependente e uma vanvel dependente.
Estudo aprofundado de um caso.
Nmero de sujeitos estudados
Vrios em cada grupo
- grupo exper mental,
Gera mente um.
Atitude do investigador
Manipula a varivel independente,
Assume uma atitude de compreenso com o sujeito para favorecer o conhecimento.
Vantagens
Permite conhecer as re aes de causa e
efeito; permite estabelecer a relao entre a varivel dependente e a ---dependente.
Permite um conhecimento profundo e
abrangente de um sujeito ou de um proh ema.
(1) O mtodo experimental e o mtodo clnico representam dois modelos de investigao em
psicologia, que divergem em muitos aspectos. Propomos-te que relaciones as caractersticas que se encontram na coluna da direita com
cada um dos mtodos.
Mtodos
Caractersticas
A) Mtodo
experimental
B) Mtodo
clnico
1 .Estuda aprofundadamente um indivduo, um problema.
2. Estuda um aspecto do comportamento de um grupo representativo de uma
populao (amostra).
3. Privilegia os resultados.
4. Privileg os processos. S. Valoriza uma abordagem qualitativa.
6. Valoriza resultados quantitativos.
7. Visa a apreenso global, abrangente de um indivduo, de um problema.
8. Visa um aspecto especifico do comportamento.
9. Tem como objectivo a formulao de leis que permitam prever um dado
aspecto do comportamento.
10. Tem como objectivo compreender a pessoa na sua individual idade.
(2) "Considerar a conduta na sua per@pectivaprpria, safientar to fielmente quanto Possvel as maneiras de ser e re,5kgir de um ser bumano concreto e total mergulbado numa
situao, procurar estabelecer o sentido, a estrutura e a gnese, descobrir os conflitos que motivam essa conduta e os passos que tendem a resolver esses conflitos, tal S, em
resumo, oprograma dapsicologia clnica."
DANIEL LAGACHE
2.1. Caracteriza o mtodo clnico a partir do texto.
2.2. Apresenta as principais diferenas entre o mtodo clnico e o mtodo experimental.
2.3. Indica as principais funes do psiclogo clnico.
2.4. Apresenta duas vantagens e duas desvantagens da utilizao dos testes.


TESTES
O termo teste  muito familiar - associas, por certo, a palavra aos testes de
avaliao de conhecimentos, a que periodicamente ests sujeito. Eventualmente, quando frequentaste o 9.' ano e tiveste que optar por um agrupamento, subme~ teste-te talvez a uma bateria de testes num gabinete de orientao escolar.
O motorista do autocarro, o maquinista do comboio, o piloto, o bancrio, o operrio, o funcionrio de uma repartio, o oficial do exrcito, tambm podem ser submetidos a testes. Por isso,  comum dizer-se: "os testes vivem entre ns".

1 Apresentamos-te uma pequena histria dos testes. L atentamente o texto e responde s questes que te colocamos no fim.
Desde sempre se constatou que existem diferenas individuais do ponto de vista psicolgico. Contudo, foi preciso esperar pela segunda metade do sculo XIX para que estas diferenas fossem objecto de estudos cientficos. No momento em que a psicologia se constitui como cincia
experimental,  sentida a necessidade de se construir um instrumento que mea capacidades e
aptides de uma forma objectiva.
Foi Francis Galton (1822-1911) quem, pela primeira vez, conduziu investigaes sistemticas e estatsticas sobre as diferenas individuais, procurando medi-las e avali-las. Desenvolveu
estudos experimentais para medir a inteligncia atravs de testes sobre a discriminao senso-
rial. Estava convencido que havia uma correlao entre as capacidades sensoriais - fceis de medir - e a inteligncia. Por isso, organizava testes para medir a finura de discriminao de pesos, da sensibilidade aos sons altos, da discriminao visual, auditiva, etc.
Apesar de hoje se saber que, para se estudar a inteligncia, os testes de discriminao senso-
rial no tm interesse, a metodologia utilizada por Galton marcou decisivamente o mtodo psicomtrico.
 ao americano Cattell (1860-1944) que se deve a expresso de teste mental (1890).Tal como Galton, considerava ser possvel colher informaes sobre a inteligncia medindo os tem-
pos de reaco. Para obter estes dados, o examinador apresentava ao sujeito um estmulo visual: logo que fosse recebido, deveria pressionar um boto. O cronoscpio registava o tempo que o sujeito demorava a responder.
Alfred Binet (1857-1911) demarcou-se das concepes de Galton e Cattell             .
Interessou-se pelo estudo da inteligncia total do indivduo.
Assim, Binet e os seus colaboradores passam a estudar funes superiores: memria, imaginao, ateno, fora de vontade, etc. Seria ao nvel destas faculdades
que se estabeleceriam as verdadeiras diferenas entre os indivduos. O problema da medio da inteligncia e a distino do nvel mental das pessoas passaram a ser a
principal preocupao de Binet.                                                                      Alfred B
inet
Entretanto, surgiu uma oportunidade para Binet desenvolver o seu trabalho, as suas investigaes. Em 1904, o Ministrio da Instruo francs pretendia distinguir as crianas normais das
11 subnormais", para se facultar a estas ltimas um ensino especial.  precisamente para determinar, atravs de um processo objectivo, quais as crianas que deveriam frequentar escolas especiais que Binet, com a ajuda do seu colega Simon, constri a escala rntrica de inteligncia. Esta constitua um instrumento que media as capacidades intelectuais das crianas em idade
escolar, permitindo-lhes assim atingir o seu objectivo. Aplicada por outros psiclogos em vrios
pases, Binet foi revendo e reformulando a sua escala.
No captulo sobre inteligncia, abordaremos com mais pormenor este instrumento de avaliao da inteligncia.
Durante a Primeira Guerra Mundial, os psiclogos americanos aplicam, pela primeira vez, testes colectivos no exrcito para determinar a capacidade intelectual dos recrutas. Mais tarde, este tipo de testes foi tambm aplicado  indstria.

Os testes de personalidade surgem entre as duas guerras mundiais, estimulados pelo movimento psicanaltico. A Segunda Guerra Mundial provocou nos EUA um novo impulso de investigao experimental sobre os testes com o objectivo de os tornar mais eficazes para res-
ponder s necessidades de um exrcito mais sofisticado.
Como j dissemos, os testes, hoje, fazem parte do nosso quotidiano.
1. 1. Relaciona o aparecimento dos testes com a exigncia de rigor cientfico em psicologia.
1.2. Os testes vieram tambm responder a necessidades sentidas por diferentes instituies
sociais.
Baseado no texto, noutros dados ou na tua experincia pessoal, justifica a afirmao.
O QUE  UM TESTE?
Os psiclogos utilizam frequentemente os testes para avaliar determinados traos e caractersticas de uma dada populao.
No seu livro Os Testes Mentais, Pierre Pichot define o teste como "Uma situa-
ao padronizada que sertv de estmulo a um comportamento que  avaliado por comparao estatistica com o de individuos colocados na mesma situao, afim de classificar o sujeito, quer quantitativamente, quer tipologicamente". O indivduo que se submete a um teste - para avaliar a inteligncia, a memria, a personalidade - deve responder a questcs e executar um conjunto de tarefas em con-
dies bem definidas.
Como situao experimental que , todas as condies em que o teste decorre devem ser claramente definidas e aplicadas do mesmo modo a todos os indiv-
duos: o material do teste, as instrues, a atitude do psiclogo e o ambiente em
que se executa a prova.
O resultado do teste  constitudo pelo comportamento efectuado, que  dife~ rente conforme os casos: escrever uma resposta, executar uma tarefa, desenhar, responder a uma questo. A forma como o registo  feito deve ser definida e respeitada com rigor. O comportamento registado  avaliado estatisticamente e o
indivduo  classificado relativamente a um grupo de referncia.
As qualidades de um teste
Pierre Pichot, na obra acima citada, considera que os testes devem ter certas
,,caractersticas" comuns a um instrumento de medida, como, por exemplo, uma
balana. Assim, considera que um teste deve ter determinadas caractersticas, determinadas qualidades: padronizao, fidelidade, validade e sensibilidade.
Esta caracteristica refere-se ao modo como o teste  utilizado: as condies de aplicao, a cotao, a avaliao, devem ser rigorosamente as mesmas. Se a
padronizao no for respeitada em todas as etapas, os diferentes desempenhos entre os sujeitos no podero ser imputveis s diferenas individuais,

mas sero produto das variaes das condies. Por isso so estabelecidas nor-
mas de modo a assegurar a sua padronizao, a sua estandardizao.
2    W~de
 a qualidade que faz com que a mesma prova, aplicada duas vezes seguidas  mesma pessoa, d resultados idnticos. A fidelidade do teste  garantida pela objectividade da prova e da sua avaliao. Contudo,  difcil obter uma verdadeira fidelidade, dado que existem inmeros factores que entram em jogo: fadiga, motivao e empenho do sujeito, etc. Os resultados de um teste devem ser estveis, para poderem permitir previses.
3     Va~
Um teste mede aquilo que deve medir para permitir que se tirem concluses.  a sua validade que possibilita prever aquilo que se pretende prever. Por isso  to importante definir claramente o que  que um teste realmente mede.
4     Se~~
Um teste tem maior sensibilidade quando apreende e classifica discriminadamente as caractersticas que pretende avaliar.  tanto mais sensvel quanto mais escales de classificao de indivduos previr. A sensibilidade de um teste
depende da capacidade de notar variao entre estudos distintos.
TIPOS DE TESTES
De Lima forma muito simples, podemos distinguir trs tipos de testes:
* testes de inteligncia;
* testes de aptido;
* testes de personalidade.
o Testes de inteligncia
Os teste,,, de inteligncia, que podem ser verbais ou no-verbais, consistem numa srie de provas graduadas, que podem ser testes de compreenso, vocabulrio, composio de figuras oii objectos, classificao de gravuras, labirintos, etc.
Os testes de inteligncia podem permitir avaliar esta capacidade e a evoluo da inteligncia e das aptides em funo da idade'.

O Testes de aptido
Os testes de aptido, tambm designados por testes instrumentais, procuram estudar uma capacidade circunscrita.
As aptides so disposies para se efectuar, com mais ou menos eficcia, determinadas tarefas.
H testes que permitem avaliar as vrias capacidades do indivduo: testes de agilidade motora, lateralidade, memria, ateno, organizao da percepo visual, auditiva, de aptides mecnicas, capacidades de expresso oral e escrita, sentido de orientao, etc.
o Testes de personalidade
Os testes de personalidade tm por objectivo caracterizar aspectos da personalidade do sujeito. De entre as categorias de testes de personalidade, destacamos os questionrios e os testes projectivos.
Questionarios
Os questionrios so constitudos por um vasto conjunto de perguntas a que o sujeito responde "Silii"/"No" ou escolhe uma resposta entre as opes que lhe so apresentadas. As respostas sero dadas de acordo com as opinies, sentimentos, interesses do sujeito, o que permitir avaliar quantitativamente aspectos no intelectuais da personalidade.
Eventualmente j conheces os questionrios de interesses, que visam revelar os
interesses dos indivduos para determinado tipo de actividade. Este tipo de teste  muito utilizado na orientao escolar e profissional. Por exemplo, no questionrio de interesses de Kuder, que  constitudo por 168 questes, o sujeito tem de escolher, entre trs actividades, aquela que mais lhe agrada e aquela que inenos lhe agrada.
Ex.: A - Fazer exerccios fsicos num ginsio.
B - Ir a pesca. C -jogar  bola.
Uni outro tipo de questionrio procura identificar dimensoes importantes de personalidade. Concretamente, o questionrio de personalidade de Eysenck, cons-
titudo por 81 questes, visa integrar o sujeito em duas grandes categorias: introverso*/extroverso*. O indivduo ter que responder "Sim"/"No" a questes COMO:
O teu humor varia com facilidade?
Gostas de ambientes muito animados?
Testes projectivos
Visam revelar aspectos mais profundos da personalidade que se projectam nas situaes em que o sujeito  colocado. O material que constitui este tipo de teste, de ndole psicanaltica, deve permitir uma explorao livre e projectiva' por parte CIO Sujeito.
@1 V(@r CoT1@tito cit@ projec,.lo* no capftulo sobre a inoti\aao (\cr p 130 da 2,' parte).

O Teste Projectivo de Rorschach 
constitudo por dez manchas de tinta que so apresentadas ao sujeito, sendo-lhe pedido que diga aquilo que v. As figuras so simtricas e ambguas, o que permite que o sujeito as interprete projectando assim aspectos da sua personalidade. A avaliao  particularmente difcil, dada a inultiplicidade e complexidade das respostas e significados.                                                    -40
Iv
Os testes projectivos temticos tm por objectivo revelar contedos ela personalidade como por exemplo: desejos profundos, conflitos, reaces ao meio, etc.
O modelo mais utilizado  o TAT -
Teste de Apercepo Temtica -, publicado                                   v11
em 1935 por Murray. A aplicao deste teste consiste em apresentar ao sujeito Lima srie de figuras ambguas - desenhos, fotografias, gravuras, pinturas -1
pedindo-se-lhe que, a propsito de cada                                                 x unia, construa nina histria. Para os autores deste teste, o sujeito descreveria, de forma disfarada, aspectos da sua vida pessoal projectando a imagem que tem de si, o que gostaria de ser, o que os outros so c deveriam ser para ele, ctc. O CAT (Childivii AppCrceplion Test) de Bellak tem a estrutura cio TAT aplicada s crianas, sendo um dos testes projectivos mais utilizados.
Louis Corman construiu dentro desta linha um teste especialmente elaborado para crianas. Em dezoito pranchas so relatadas as aventuras de um porqUinho que tem unia pata negra. Da a designao do Teste da Pata Preta (PP). Vrias cenas, como as que vs na gravura, so        apresentadas  criana, suscita nelo-111 e Lima fantasia sobre contedos significativos na sua vida. A criana projecta os
seus sentimentos, conflitos, problemas, como rivalidade entre irmos, receio de ser abandonada, agressividade, etc.
Corman, que tambm  autor do Teste da Famlia, pede ao sujeito - criana OU adolescente - que desenhe uma famlia. Na imagem desenhada o indivduo poder projectar a sua prpria fantlia. O psic-
4 k k
logo ter em conta aspectos COMO: O tamanho das figuras, as expressOes e o
posicionarnento (Ias diferentes pessoas, o
lugar que a prpria criana ocupa, o
modo como se desenha a si prpria.

Desenho de uma
menina de 6 anos.
Quem est mais Contente?
- O meu pai porque gosta ao meu;rmo.
- Quem est mais tnste?
- Eu sou c mc;s tnste,
O psiclogo pode, depois, colocar algumas questes:
"Qual  o mais simptico de todos nesta,famlia?" "Qual  o menos simptico?" "Qual  o maisfeliz?" "Qual  o menosfeliz?", etc.
No Te,,te de Vi-ii,,tr,,licao dc Rosetiz\veig, o sujeito, face a uma situao representada graficamente, constri uma resposta. So apresentadas cenas frustrantes susceptveis de produzirem respostas de vrios tipos, O tipo de resposta dada fornece indicadores para melhor conhecer a personalidade do sujeito.
No captulo sobre a inteligncia e a memria, abordaremos novamente estes instrumentos de avaliao. As escalas de atitudes sero analisadas nas pginas 165 a 167.
Du
as figuras tiradas Teste de Rosenzvveg (provas para adultos).
Que horror! Voc quebrou o vaso favorito da minha me.

APRECIAO CRTICA SOBRE A APLICAO DOS TESTES
Os testes vieram responder a uma necessidade da psicologia: descrever quantitativamente os factos psicolgicos e os comportamentos. Para muitos autores -
Pierre Pichot  um deles -, foi graas aos testes que a psicologia escapou ao
carisma de cincia contemplativa.
Ao nvel da investigao, os testes so recursos importantes, dado que constituem instrumentos de avaliao e de classificao rpidos e econmicos e trazem
frequentemente para o processo de pesquisa uma segurana que lhe advm das suas caractersticas tcnicas, concretamente a quantficao dos resultados que permite o seu tratamento estatstico. Tambm j referimos o valor prtico de diagnstico dos testes que os tm tornado to divulgados no meio clnico, esco~
lar e empresarial.
Contudo, algumas objeces tm sido colocadas  aplicao dos testes, sobretudo como instrumento de diagnstico e de prognstico. O carcter esttico dos resultados obtidos no reflecte o carcter dinmico e complexo do psiquismo. Os testes valorizam o resultado e no tm em conta o processo, isto , a forma como
a pessoa o vivenciou, como sentiu a situao do teste, bem como dificilmente apreende os raciocnios e os sentimentos subjacentes s respostas dadas.
O ambiente artificial em que decorre a aplicao de um teste pode perturbar e
mesmo inibir o sujeito.
Outro aspecto apontado por vrios autores  o facto de os testes no terem em conta os condicionalismos sociais e culturais dos indivduos. A linguagem utilizada, o tipo de raciocnios que  valorizado e os contedos das provas favorecem os sujeitos mais familiarizados com as expressoes e os materiais utilizados'.
"O uso dos testes  muito delicado e  preciso guardar prudncia e circuns-
peco naformulao de uni veredicto psicomtrico.
1-'orque o psiquismo bumano  uma mquina demasiado coniplexa e niati-
zada para se deixar cristalizar em equaes definitvas. "
GAlIQUELIN, op. cil.
01 Semanalmente so publicados, nos jornais e revistas, "testes psicolgicos".
Recolhe um exemplar e imagina-te no papel de um psiclogo.  luz do que acabaste de estu-
dar, formula uma crtica ao "teste" que seleccionaste.
Contacta com o orientador escolar ou com o psiclogo da tua escola e procura saber que tipo de testes aplica e com que objectivos.
No captulo sobre a inteligncia esta questo ser novamente abordada.

MTODO PSICANALITICO
Quando leste a biografia ele Freud, verificaste que este abandonou o trabalho
conjunto com Breucr porque, entre outras razes, constatou que a Iiipnose era
uni intodo teraputico limitado por trs motivos:
nem tockis as pessoas eram susceptveis de ser hipnotizadas@
os resultados no cram dUrveis, porque as resistncias pessoais Cram evita-
(Ias e no analisadas;
o doente no tinlia uni papel acti\ o no processo de curj.
Foram estas limitaes que levaram Freud a descoberta de um mtodo ele
explorao do inconsciente: o mtodo psicanaltico.
DC UnIa forma sucinta, podemos dizer que a                 enquanto terapia, se
Ixiscia nos seguintes procedimentos:
* associaes livres;
* interpretao de sonhos, recordaes, emoes, fantasias, etc.;
* anlise dos actos falhados;
* processo de transferncia inerente  relao psicanalista/paciente.
Analisemos cada um destes procedimentos.
o Associaes livres
O paciente deveria dizer livremente o que Ilie vinlia  mente e expressar os afectos e as emoes sentidos, sem se preocupar com Lima descrio lgica ou
com o sentido elas suas afirmaes, nUITI processo de associaes livres.

18@
o A interpretao dos sonhos
Freud considerava que a interpretao dos sonhos era o melhor meio para atingir o inconsciente do paciente. TEXTOIEM2=WZ-~@     durante o sono que decorrem os sonhos. O controlo e a censura que o ego
e o superego exercem sobre os desejos inconscientes encontram~se atenuados.
O material recalcado liberta-se e o desejo, geralmente de natureza afectivo-sexual, pode realizar-se. Contudo, a censura no desaparece; est apenas atenuada. Da que o desejo s se possa realizar de uma forma simblica, distorcida. Existe, assim, um conjunto de mecanismos que visam disfarar o contedo inaceitvel do
sonho. Da Freud distinguir o contedo manifesto e o contedo latente do sonho.
O coiitedo iii@,iiiifc,,to consiste na descrio que o paciente faz do que sonhou. , por assim dizer, a histria do que se recorda. Contudo, o contedo
manifesto do sonho  apenas uma fachada e, por isso, requer uma interpretao:  o analista que vai procurar o sentido oculto, escondido, do sonho, isto , o cou-
tedo laterite, implcito. Este contedo latente consiste no significado profundo do sonho que  frequentemente incompreensvel para o sonhador.
O texto que de seguida te apresentamos aborda alguns dos aspectos da dimenso simblica do sonho.
"Os pais tm por smbolos o imperador e a imperatriz, o rei e a rainha ou outras
personagens eminentes;  assim que os sonhos ondefiguram os pais evoluem numa
atmo,@/era depiedade. Menos ternosso os sonhos em quefiguramfilbos, irmos ou
irms, que tm por smbolos pequenos animais. O nascimento  quase sempre representado por uma aco de que a gua  o principalfiactor- sonha-se que se sa
da gua, que se entra na gua, quese retira uma pessoa da gua (   ... ).

A morte iminente  substituda no sonho pela partida, por uma viagem de caminbo-de- ,ferro; a morte realizada exprime-se por certos pressgios obscuros e sinistros.
FRELTD, S., Introduction  la Psychana@yse, Kiyot, 197 1, pp. 157-158
Anlise dos actos falhados
 frequente no nosso dia-a-dia cometermos um conjunto de aces perturbadas, de ltpso,,@: esquecimento de objectos usuais, como as chaves, a carteira, o
casaco, a agenda; lapsos na linguagem, como trocar uma palavra por outra, no conseguir encontrar a palavra certa; a falsa leitura, isto , ler num texto uma palavra diferente da que est escrita; falsa audio, ouvir uma coisa que, de facto, no foi dita; certos tiques, como cofiar a barba, mexer no cabelo, tffintar o molho de chaves, etc. O lapso mais frequente consiste em dizer ou fazer exactamente o contrrio do que se pretende.
Freud dedica um livro a analisar os actos falhados: A Psicopatologia da vida Quotidiana. Considera que estes comportamentos perturbados tm um sentido de que o sujeito no tem conscincia. O seu significado s  esclarecido quando se
relacionam com os motivos inconscientes de quem os realiza. Os actos Ialhados resultam da interferncia de intenes diferentes que entram em conflito, So os desejos recalcados que do origem aos actos falhados. No livro que citmos, e
que te aconselhamos a ler, Freud apresenta muitos exemplos que ilustram estas manifestaes do inconsciente. Um dos episdios que conta  o de um mdico de Zurique que queria aproveitar um feriado para descansar, Contudo, tinha um
compromisso: fazer uma visita a Lucerna. Contrariado, apanha o comboio. Durante a viagem entretm-se a ler o jornal. Numa estao procede a um trans-
bordo, apanhando um outro comboio. Passado algum tempo, o revisor interrompe-lhe a leitura;  que ele tinha apanhado o comboio de volta para Zurique e
no para Lucerna.
O mdico manifestou, assim, o desejo reprimido de ficar em casa.
No processo teraputco, a anlise dos actos falhados vai permitir uma melhor interpretao dos sintomas neurticos do paciente. Assim, , com certeza, significativo se, por exemplo, o doente, ao falar da tia, diz a minha me ou, em vez de minha mulher, diz a minha irm.
o Processo da transferncia
A actualizao de sentimentos e emooes como desejos, medos, cimes, invejas, dios, ternura e amor, que na infncia eram dirigidos aos pais e aos irmos, so agora transferidos para a relao com o analista. As relaes imaturas infantis so como que repetidas e actualizadas atravs do processo de trati,',ferilcia*. Assim, a transferncia pode ser positiva ou negativa, conforme o tipo de sentimentos relativos ao terapeuta.
O psicanalista, sentindo e compreendendo (atravs do processo de contra~ transferncia*) esta passagem de sentimentos, vai, pela iiitcrl)ret@i("o, devolver ao
analisando a ligao desses sentimentos transfrenciais com o que se passou na sua infncia.

No esquema que se segue apresentam-se as diferentes dimenses e conceitos
da psicanlise.
Psicanlise
Pontos de ruptura
da psicanlise
Teoria sobre o psiquismo
Mtodo de investigao
Tcnica teraputica
Associaes livres
Interpretaes dos sonhos
Anlise dos actos falhados
Processo de transferncia
Nova concepo de psiquismo     1
Afirmao de uma sexualidade infantil
Concepo de um ser humano dominado
por pulses
Afirmao da importncia da infncia no
comportamento adulto
1 U tpica -
2.' tpica
Consciente
Pr-consciente
Inconsciente
ld
Ego Superego
01   A pintura de  Bosch   (1450-1516) tem sido objecto de mltiplas interpretaes. Pulses,
impulsos e tentaes mais profundas encontram-se reflectidos na sua obra, concretamente no jardim dos Delcias e nas Tentaes de Santo Anto. Os monstros que ele pinta correspondem, muitas vezes, s obsesses descritas pelos psicanalisandos.
1. 1. No Museu de Arte Antiga, em Lisboa, poders
010
encontrar o quadro Tentaes de SantoAnto. Se visitares este museu, propomos-te que te detenhas a observar esta pintura de Bosch. Se no, procura-a num livro de Histria da Arte.
..... -----                                'A psicanlise.funda-se na palavra."
2. 1. Concordas com esta afirmao? justifica a
tua resposta.
'Aquele que tem olhos para ver e ouvidos para ouvir convence-se que os mortais no podem esconder segredo algum. Aquele cuios lbios se calam tagarela com a ponta dos dedos, trai-se por todos os poros. E por isso que a tare de tornar conscientes as palies mais escondidas da alma pe@/eitamente realizvel.
FREUD
3. 1. A que "partes escondidas da t71ma" se refere Freud?
3.2. Indica o mtodo utilizado por Freud atravs do qual torna realizvel o "tornar conscientes
as portes mais escondidas da alma".
3.3. Ao abrir uma sesso, o conferencista declarou: "Est encerrado a sesso".
Como interpretas esta afirmao  luz da teoria freudiana? justifica a tua resposta.

INQURITOS E ENTREV151-AS
 sobretudo na rea ela psicologia social que os investigadores recorrem ao inqurito.  unia tcnica de investigao que consiste num conjunto de perguntas dirigidas a grupos de indivduos. Tern por objectivo confirmar, ou no, hipteses explicativas formuladas pelo investigador.
O inqUrito por questionrio  unia tcnica que permite obter, ele Lima forma rpida, informaes sobre opinies, atitudes, valores ou aspectos do comportamento (Ias pessoas.  constitudo por um conjunto de perguntas que traduziro os
objectivos elo inqurito.
A entrevista  tambm uma tcnica de investigao. Muitos dados podem ser
recolhidos atravs ele trs tipos ele entrevista:
Entrevista no directiva - Na conversa entre os interlocutores, a palavra circula livremente. O entrevistador deixa que o inquirido se exprima sem ele ter que intervir;  dada total liberdade ao entrevistado.
Entrevista semidirectiva - O entrevistador orienta-se por um guio com algumas questes numa ordem que pode mudar. Outras questes podem, inclusive, Surgir rio decorrer da entrevista.
Entrevista directiva - Neste tipo de entrevista as questes colocadas a diferentes pessoas so idnticas e ordenadas, ele modo a poder colher-se uma informao estandardizada.
investigaro compoilamento devrias maneiras.- observando-o tal como ele acontece em ambientes naturais, avaliando-o sstematica mente atravs de testes, questionrios e entrevistas, ou pela manipulao experimental de variveis pertinentes em laboratrio. (   ... ) Embora os psiclogos faam as suas observaes dentro ou
fiora de uni laboratrio, usem seres humanos ou animais, s@iam ou no.lrtemente influenciados por,lrtes tendncias tericas, o que ,facto  que todos eles procuram obter dadosfidedignos e objectivos.
MAAS
1. 1. Regista os mtodos e as tcnicas que o autor refere no texto.
1.2. Explica porque  que em psicologia os investigadores tm que recorrer a vrios mto-
dos e tcnicas.
1.3. Ser que pelo facto de a psicologia recorrer a diferentes mtodos e tcnicas pe em
causa o seu carcter cientfico? justifica a tua resposta.
no nos por isso mais conbecido.
HEGEL
2. 1. A partir desta afirmao, escreve um texto sobre as dificuldades especficas que se colo-
cam ao conhecimento do objecto da psicologia.
"Cada mtodo  uma linguagem e a realidade responde na lngua em que  perguntada. S uma constelao de mtodos pode captar o silncio quepersiste entre cada lngua quepergunta. "
BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS
3.1. Consideras que este extracto da obra Um Discurso Sobre as Cincias se pode aplicar ao
problema dos mtodos em psicologia? justifica a tua resposta.

PSICOLOGIA APLICADA3
Como sabes, a psicologia tem uma vertente prtica, aplicada, que se manifesta nas mais variadas reas da sociedade contempornea. Assim, poders encontrar um psiclogo na escola, no hospital, no tribunal, na fbrica, na universidade, num clube desportivo, mim centro de design de objectos e brinquedos, num
departamento de uma cmara municipal, no stafj'de um grupo poltico, num
departamento de um meio de comunicaao social, num consultrio, etc. A presena crescente dos psiclogos nas mais    diversas instituies sociais tem evidentes repercusses na vida de todos ns.
"Somos inj7lienciados pelos conceitos dos psiclogos na fi)rma como educa-
mos os filbos ou ensinamos os alunos, na nossa vida lmiliar e prQfssional, quando praticamos desporto ou quando nos relacionamos com os amigos, quando adquirimos os nossos bens de consumo, ou quando descodificamos as
mensagens dos polticos. Segundo observa sugestivamente Koch, 'militas pessoas deixaram de perceber os signfficados e intenes dos outros, i@/erem-nos, e quer a relao sela entre pais efilbos, quer entre amigos, prqJ@ssor e aluno, vendedor e cliente, as pessoas no mais comunicam, confiam, suspeitam, amam ou
odeiam, mas apenas tratam o outro
JESITNO---1. :., O QU' U PSiC010@1ia, DifUSO C1111L11_@11, 199-4,p,2.@ I
Iremos analisar sucintamente trs reas de interveno da psicologia:
no mbito do trabalho - psicologia organizacional; no mbito da educao - psicologia educacional; no mbito da sade - psicologia clnica.
PSICOLOGIA ORGANIZACIONAL
 psicologia organizacional, ou psicologia das organizaes, cabe analisar e compreender o
funcionamento das organizaes - empresas, instituies pblicas e privadas -, explicar e, se
possvel, prever a conduta dos grupos e dos indivduos no seu interior, os mecanismos de regulao interna, os problemas da motivao e liderana, a resoluo de conflitos.
Cabe ao psiclogo organizacional analisar a,
estrutura e o funcionamento das organizaes, as
relaces entre os indivduos e as tarefas, o nvel de satisfao e motivao dos trabalhadores, as
relaes entre estes e a hierarquia, a teia de relaes formais e informais que se estabelecem, os
conflitos aos vrios nveis, etc. Faz ainda parte da sua rca de interveno o recrutamento de pessoal, procurando, frequentemente a partir da anlise das tarefas, precisar as competncias necessarias para o exerccio das funes. As

mudanas decorrentes dos avanos tecnolgicos e de novas concepes de organizao do trabalho exigem do psiclogo planificao e acompanhamento de programas de formao contnua dos trabalhadores.
Para melhor compreenderes o mbito da psicologia organizacional, l a entre-
vista com o psiclogo Antnio Pgo qLIC se encontra na pgina 200.
Quadro 7 - Psicologia organizacional
Objectivos
Instituies de interveno
- Analisar a estrutura e funcionamenio das organ zaes.
- Explicar e prever o comportamento dos ind@viduos e dos grupos
no interior das organ@zaes.
- Anai sar as re@aes formais e informas entre os ndivii`duos e o
grupo.
- Estudar o clima, motivao e nivel de satisfao dos trabahadores.
- Empresas.
- Anaiisar a r&ao entre as tarefas e os individuos.
- Organizaes governamentais e no-gover
- Promover a optimizao do traba@ho.
namentais.
- Orientar o processo de seleco, recrutamento e formao dos
trabahadores,
- Analisar os processos de liderana,
- Part cipar no processo de avaliao institucionai.
nterv r nos processos inst tucionais,
PSICOLOGIA EDUCACIONAL
A psicologia c(ltic@icioii,,tl incide na teoria e na prtica da educao e abrange um campo de estudo e de interveno muito lato relacionando-se com os aspectos psicolgicos da educao, incluindo campos educativos diversos como a
escola e outras instituies educativas (creches, jardins-de-infncia, internatos, instituies de reeducao, actividades de tempos livres, etc.), a famlia, a sade, a justia, etc. Aborda os aspectos psicolgicos da educao das crianas e dos adultos de todas as idades. O psiclogo educacional intervm numa rea temtica e territorial mltipla e de grande complexidade.
-4-

A identidade profissional do psiclogo da educao nem sempre  clara e bem definida, e a diferenciao de outras especialidades nem sempre  fcil. Trabalha no s centrado na pessoa individual - logo, muito perto da psicologia clnica -
mas tambm em organizaes sociais - logo, perto da psicologia das organizaes. Podemos, no entanto, afirmar que a psicologia da educao tem unia abordagem com enfoque no desenvolvimento e na mudana, no prognstico, aconse-
lhamento e preveno.
Intervm, pois, na activao do desenvolvimento psicolgico e optimizao elos percursos, de forma que o sujeito possa atingir nveis mais elevados de maturao, procurando evitar e/ou colmatar desarmonias no processo de crescimento.
Todavia, o psiclogo da educao pode intervir, tal como o psiclogo clnico, em dificuldades de natureza mental e emocional. Desde as perturbaes de sono
e alimentares a comportamentos desviantes C junto de vtimas de maus tratos e de abusos sexuais, numa perspectiva ecILIcacional'.
A entrevista com a psicloga Lisete Barbosa esclarecer-te- melhor sobre o
@1ribito da psicologia da educao (ver p. 202).
Quadro 8 - Psicologia educacional
Objectivos
Instituies de interveno
Promover o desenvo vimento e a maturao ps colg ca.
nterv r nas o ficuldades de natureza mental e emocional.
Contr buir para a superao de d ficuldades de aprendizagem e
de adaptao ao conte>cto esco ar. Apoiar os agentes educativos nas questes psicopedaggcas: processo de ensino-aprendizagem, currcu os, re ao professor-aluno, escola-familia... Desenvo ver e rea zar a orientao esco ar e profissional,
Jard ns-de- nfncia Escolas e outras ns1@tuces educac onais, Internatos.
Instituies de educao especia. Autarqu as.
Parcerias nstituciona s: territr@os educat -
vos, equipas de educao especial, Consu trlos de orientao escolar e profissional.
PSICOLOGIA CLNICA
A psicologia clnica, embora j referenciada no sculo XIX, aparece como rea
autnoma nos EUA aps a Segunda Guerra Mundial.
O termo "clnica" tem sido usado com sentidos diferentes. Em investigao, o
mtodo clnico afirma-se como um conjunto metodolgico, privilegiadamente qualitativo, que tem em conta no s os dados obtidos na pesquisa, mas tambm o processo em estudo. Procura apreender o sujeito em toda a sua dimenso, tentando compreender a forma como vivencia os problemas.
Daniel Lagache caracteriza a psicologia clnica centrada no estudo aprofundado de casos (aconselhamento, cura e educao).
O psiclogo clnico vai - durante a psicoterapia e atravs da relao com o paciente - promover mais capacidade de anlise e compreenso dos seus senti-
mentos e comportamentos, assim como facilitar outras leituras das vivncias e das realidades e dar ao paciente capacidade de aco ao processo de mudana.

A psicologia clnica e a psicopatologia ou psicologia patolgica tm um campo comum: o estudo do indivduo e das suas perturbaes, dificuldades e problemas. Contudo ambas as designaes podem diferenciar-se, embora no seja fcil pois a
psicologia clnica est mais relacionada com o sofrimento, com as dificuldades comportamentais e com a sade mental; a psicopatologia abrange mais as doenas mentais' e a analise psicolgica dos fenmenos patolgicos.
L,
Esta dificuldade prende-se com uma outra que  a diviso entre o "normal" e o
11patolgico", entre a "sade" e a "doena". O conceito de "anormalidade" remete para normas e regras sociais e culturais e implica valores morais; da a dificuldade da sua definio.
A sade no  s ausncia de doena. A doena e a sade so, frequentemente, fases e aspectos da vida de uma mesma pessoa. A doena pode ainda corresponder a uma falta de adaptao  realidade interior e exterior ou mesmo a uma forma de se adaptar s ocorrncias e/ou circunstncias.
Ser oportuno fazer uma distino entre profissionais que intervm na rea da sade mental.
A experincia da Dr.' Fatima Sarsfield Cabral, reflectida na entrevista da pgina 204, dar-te- a possibilidade de compreender melhor as mltiplas reas de interveno do psiclogo clnico.
Quadro 9 - Psicologia clnica
Objectivos
Instituies de interveno
Diagnost cair perturbaes, d ficuldades e problemas de natureza psico g ca,
Rea zar anlise ps coigica dos fenmenos ps colgicos, Desenvolver psicoterapias ---div dua s e de grupo,
Hospitais gerais e psiquitricos. Cli`n cas privadas e consultrios.
Centros de Sade Mental.
Parcer as nstitucionais: sade pb@ ca, educao espec ai, etc, Centros de apoio  toxicodependncia. Organ smos prisionais,

SER PSICLOGO EM PORTUGAL
 a licenciatura em Psicologia que habilita uma pessoa a exercer a profisso de psiclogo. Para alm das vrias instituies privadas que facultam esta formao, o curso de Psicologia  ministrado por quatro universidades pblicas: as
Faculdades de Psicologia e Cincias da Educao das Universidades de Lisboa, Porto e Coimbra, e o Curso de Psicologia da Universidade do Minho.
No se conhi, @@e o nmero exacto de psiclogos em Portugal, mas estimativas
oscilam entre os trs mil e quinhentos e os cinco mil', que se dividem pelas diferentes reas de interveno: clnica, educacional, social e das organizaes...
So vrias as associaes que integram os psiclogos portugueses: Associao dos Psiclogos Portugueses (APPORT); Sociedade Portuguesa de Psicologia (ISPP); Associao Portuguesa de Psicologia (APP); Sindicato Nacional de Psiclogos (SNP).
Outras organizaes direccionam-se para reas mais especficas: Sociedade Portuguesa de Psicanlise; Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar; Sociedade Portuguesa de Terapia Comportamental; Sociedade Portuguesa de Psicologia Comunitria; Sociedade Portuguesa de Psicologia Clnica; Sociedade Portuguesa de Psicodrama; Sociedade Portuguesa de Psicodrama Psicanaltico de Grupo e
Sociedade Portuguesa de Psicossomtica.
De entre as vrias publicaes da especialidade, referiremos as mais importantes: Psicologia - Associao Portuguesa de Psicologia; Revista de Psicologia e de Cincias da Educao - Faculdade de Psicologia e de Cincias da Educao da Universidade do Porto; Psycbologica - Faculdade de Psicologia e de Cincias da Educao da Universidade de Coimbra; Anlise Psicolgica - Instituto Superior de Psicologia Aplicada; Cadernos de Consulta Psicolgica - Instituto de Con,;ulta
Psicolgica, Formao e Desenvolvimento da Faculdade de Psicologia e Cinias
da Educao da Universidade do Porto,
Os problemas ticos relativos  investigao e ao exerccio da profisso dos psiclogos tm sido objecto de reflexo e discusso por parte dos psiclogos portugueses. Este debate culminou com a elaborao de um cdigo deontolgico da responsabilidade da Comisso de tica e Deontologia da Associao dos Psiclogos Portugueses (APPORT), aprovado pela conveno desta associao em Dezembro de 1995. Este documento baseia-se nos quatro princpios adoptados pela Carta tica Europeia dos Psiclogos: competncia, responsabilidade, respeito pelos direitos e dignidade humana, e integridade. O cdigo deontolgico aprovado visa apoiar os psiclogos na resoluo dos problemas ticos encontrados na prtica da sua profisso.
1 -Jesuno, op. cit., p. 229.

A UNIDADE DA PSICOLOGIA
Y .. ) nos nossos dias, parecem existir tantas psicologias quantos ospsiclogos, dado queparece dificil encontrar uma definio consensual depsicologia. "
A. MUCCHIEL1,1
"Deve falar-se de psicologia ou de cincias psicolgicas? A psicologia reparte~ -se sempre por muitas psicologias, no s pela rivalidade dos seus representantes, mas tambm pela paixo que cada um sente pela sua disciplina ou pela convico sincera que o anima. "
1). IAGACHE

.rExToffi~
As questes que estes dois autores colocam traduzem uma preocupao para a
qual neste momento j sers sensvel. j abordaste concepes/teorias q     Lie muitas
vezes se opem: o behaviori'smo, a psicanlise, a psicologia introspectiva, o gestaltismo... j reconheceste que existem vrios ramos de investigao em psicologia: a psicologia do desenvolvimento, a psicologia social, a psicologia comparada,
entre outros.
Por outro lado, ao estudares os meios de pesquisa, pudeste constatar que a psicologia recorre a mtodos muito diversificados: o mtodo experimental, o
mtodo clnico, (@ mtodo psicanaltico, o mtodo introspectivo. Na sua dimenso aplicada, a psicologia tambm se especializa em vrias reas de interveno: psicologia clnica, organizacional, educacional, etc.
Da que a pergunta colocada por Lagache - "Deve,llar-,@e depsicologia ou de cincias psicolgicas?" - tenha toda a oportunidade. Este mesmo autor, na sua obra A Unidade da Psicologia, procura responder  questo. A diversidade de concepes organizadas em teorias, a existncia de tantos campos de investigaco, bem como o recurso a mtodos to diversificados resultam da complexidade do objecto da psicologia - o comportamento e os processos mentais.
O desenvolvimento da psicologia tem vindo progressivamente a permitir que se ultrapassem os riscos de uma fragmentao. As diferentes teorias tm alargado os seus conceitos bsicos abandonando perspectivas Linvocas e redutoras, incompatveis com o carcter global dos dados psquicos.
Mas os mtodos no se excluem, antes convergem para atingir o mesmo fim. Existe uma complernentaridade cios mtodos que, recorrendo a processos diferentes, visam o mesmo objectivo: compreender o comportamento humano nas suas
diferentes manifestaes.

Por OL]tfO lado, a diversificao da psicologia em diferentes campos reflecte a
necessidade de especializao na pesquisa. O ser humano pode ser estudado na perspectiva do seu desenvolvimento (psicologia do desenvolvimento), nas suas
diferenas (psicologia comparada), nas suas perturbaes (psicologia clnica), etc.
Na sua dimenso aplicada, as diferentes reas cruzam-se para tornar a inter-
veno mais eficaz: por exemplo, o psiclogo educacional partilha as reflexes do psiclogo clnico e organizacional.
Ser na diversidade de olhares, interpretaes e caminhos que a psicologia constri a sua unidade.
- assim que h@je, num perodo de tran,@ffirmaes aceleradas, a psicologia se
situa no imenso campo das cincias exactas, biologicas, naturais e humanas. Todas as disciplinas psicolgicas encontram lugar na psicologia, da psicologia fisiolgica a psicologia social. A diversidade, dos campos que a prtica nosfi)r@a a distinguir no impede o reconbecimento das suas sobreposies. A diversidade dos mtodos no compromete em nada o rigor cient@j7co. Pelo contrario,  a sua garanta: os problemas no so criados para os mtodos, mas sim os mtodos para osproblemas. -
LAGACHE, D., A Unidade da P.@icologi(i. Ed, 70, 1978, p, 20
Para reflectires mais aprofundadamente sobre estas questes, convidamos-te a
ler a entrevista corri o psiquiatra Jos Gameiro, na pgina seguinte.
(1 "Para explorar asfontes escondidas da memria, os especialistas recorrem a cliferentes
vias: a da psicologia experimental, a da entrevista aprqffindada, a da con/@ontao entre as recordaes conscientes e os testemunhos reais do passado e tambm a das
perfurbaes causadt-ispelas leses cerebrais. Nenhum destes mtodos constitui uma via
real do conhecimento, nem nenhum @ode ser excludo a priori. "
DORTIER, J.T., la Production des Sciences H^@ines", Sciences Hionaines, n.' 80, Fev. 1998
1. 1. A partir do texto, refere os mtodos e tcnicas que podem ser usados para se estudar
a memria.
1.2. Que meios utilizaria Freud para "explorar as fontes escondidas da memria"? Fundamenta
a tua resposta.
1.3. Comenta a frase sublinhada no texto, com base na complementaridade dos mtodos em
psicologia.
(2) 'A cincia  um conhecimento que tem ajaculdade de se aperfeioar
CARL SAGAN
2. 1. Comenta esta afirmao reportando-te  piuralidade de teorias e mtodos utilizados
em psicologia.

E N T R E V 1 S T A
corri
Jos Gameiro  psiquiatra com o grau de chefe de
clnica.  doutorado pela Faculdade de Psicologia e
Cincias da Educao da Universidade do Porto com
uma investigao sobre epistemologia da psiquiatria.  scio-fundador da Sociedade Portuguesa de Terapia
Familiar e piloto comercial de avio. Entre as suas
obras, podemos destacar: Terapia Familiar (em colabo-
rao); Voando Sobre a Psiquiatria; Quem Sai aos
Seus... (em colaborao); Os Meus, os Teus, e os
Nossos; Crnicas.
Pergunta - Como se coloca em psicologia o critrio de objectividade inerente ao
conhecimento cientfico?
Jos Gameiro - No creio que se
falar da psicologia como uma ciencia objectiva, no sentido da infalibilidade do
conhecimento adquirido. Todo o conheci-
mento deve ser falvel, isto , passvel de ser posto em cansa, dando origem a uni
novo conhecimento que faz avanar a cincia.
O conhecimento em psicologia  feito da interaco entre o observador e o observado. ITIu observador no  objectivo, porque nunca  neutro na sua relao com os
fenrnenos observados.
11. - Quais so, na sua opinio, as reas cientficas com as quais a psicologia estabelece relaes interdisciplinares privilegiadas?
.i ?@ - As inais importantes so a biologia, a niedicina e as cincias da educaao. A biologia, porque todos os nossos micros-
sistemas so biolgicos. Sem a compreenso elo nosso patrimnio gentico, do funcionamento celular, no  possvel estudar os mecanismos que presidein ao pensamento, a tristeza e  alegria.
A medicina, porque no  hoje possvel compreender a doena sem avaliar a con-
tribuio das causas psicolgicas para a sua
gnese. Fala-se mesmo de uma medicina
psicolgica quando se quer pr em evidn-
cia que tratar um doente  tambm cuidar
do sofrimento que acompanha a sua
doena fsica. As cincias da educao, porque educar  compreender a interaco entre a cognico, a fase de desenvolvimento psicossocial da criana e do jovem e a dinmica
grupal do contexto educativo.
P. - A psicologia foi/ atravessada por grandes paracligmas*. Qual  actualmente o paradigma dominante?
J. G. - Os diferentes paradigmas coexistem no tempo sendo a sua evoluo muito lenta. No se pode falar de uma ruptur     a paradigmtica na psicologia, mas assiste-se
,' -nergncia de um novo paradigma - o a ei
paradigma sistmico. Este paradignia  detectvel na preocupao de compreender a relao entre os diferen-
tes nveis ele funcionamento humano, do gentico ao social, elo inato ao adquirido,
O nosso comportamento no pode ser
explicado por reducionismos simples que

os paradigmas anteriores contemplavam. Numa caricatura, dir-se-ia que nenhum de ns age de uma certa forma porque os
genes assim o determinam ou porque os
nossos pais nos condicionaram para tal.
P. - O processo de especializao das cincias corresponde num determinado momento a um progresso. Contudo, no dizer de Edgar Morin, a hiperespecializao pode conduzir a um saber fragmentrio, a um "neo-obscurantismo". Considera
que se corre esse risco em psicologia?
J. G. - Penso que este risco est em vias
de ser ultrapassado. No me parece que a questo se possa pr na hiperespecializaco. Actualinente s  possvel investigao de ponta se se restringir fortemente a
rea a investigar. O problema est na
conjugao dos resultados com outros
dados oriundos de outras reas de investigao. , portanto, uma questo epistemolgica que ter de ser resolvida na
criao do dilogo entre as vrias disciplinas e entre os diferentes nveis de observao.
P. - Uma das reflexes mais estimulantes
em epistemologia refere-se aos efeitos no
conhecimento cientfico das estruturas
ideolgicas e das configuraes socioculturais. Como coloca estas questes relativamente  psicologia?
J. G. - O maior pecado do positivismo foi pensar que podia haver neutralidade no
conhecimento cientfico. O cientista trans-
porta, sempre, para a investigao o seu patrimnio ideolgico mergulhado no ambiente
sociocultural em que vive. A prpria deciso sobre o que investigar est sempre condicionada pelo tempo pessoal e social.
O psiclogo quando investiga, tal como
quando fala com um paciente, deve tomar conscincia da sua ausncia de neutrali-
dade e explicar a sua relao com o objecto investigado.



SCAR WILDE
" NO CREBRO QUE A PAPOILA SE REVELA VERMELHA, QUE A
MAA SE TORNA AROMTICA, QUE A COTOVIA CANTA."
1 i-or
A psicologia tem por objecto o
Z                   estudo do comportamento e dos esta-
dos mentais dos seres humanos em diferentes situaes e nos diferentes estdios de desenvolvimento. Para isso ter que recorrer  identificao das mltiplas variveis dependentes que intervm e explicam o comportamento.
Do comportamento mais simples ao mais complexo intervm o orga~
sua totalidade. nismo na
No extracto do livro Sentimento de Si, Antnio Damsio compara o
comportamento do organismo a uma orquestra em que intervm vrios sistemas.
"Poder ser til pensar no comportamento de um organismo como se fosse o
desempenbo de uma pea orquestral cuja partitura est a ser inventada  medida que vai sendo tocada. Tal como a musica que se ouve resulta de muitos grupos de instrumentos tocando em simultneo, tambm o comportamento de um organismo  o resultado de vrios sistemas biolgicos contribuindo as suas
actuaes deforma barmoniosa. Os diferentes grupos de instrumentos produzem diferentes tipos de som e executam melodias diferentes. Podem tocar continuamente ao longo de uma pea inteira ou estarem por vezes ausentes, durante um certo nmero de compassos. "
DANISIO, A., Sentimento de Si, Lisboa, Publicaes Europa-Amrica, 2000, p. 111
O comportamento resulta da fuso e contribuio de vrios sistemas biolgicos que actuam de forma integrada: os Orgos sensoriais, as glndLikis                  o ,,isteiria iicrN,oso, como poders constatar.
Estas estruturas, que tornam o comportamento humano diferente e nico, so produto de uma evoluo que assegurou a sobrevivncia da espcie humana. So estas caractersticas nicas, transmitidas por licreditaricelade, que so o suporte material dos nossos comportamentos, emoes, pensamento, imaginao.
Quando abordarmos a gentica iniciaremos um debate que percorrer outros captulos: saber o que em ns  determinado pela carga hereditria e o que  apreendido na interaco com o meio.
As questes relacionadas com o funcionamento do organismo e com o processo de transmisso hereditria so objecto de vrias reas do saber. O avano e
desenvolvimento da medicina, da biologia e da gentica tm contribudo para uma maior e melhor compreenso do organismo, esclarecendo as interdependncias do seu funcionamento com o nosso psiquismo. A importncia da estrutura biolgica do nosso comportamento explica e justifica as relaes interdisciplinares entre a fisiologia e a psicologia, Produto da interseco destas duas reas do saber

Surgiu, recentemente, a psicofisiologia, que procura atingir um objectivo fundamental: esclarecer os fundamentos biolgicos do comportamento.
Conclumos esta introduo mostrando que, por exemplo, na emoo, o orga~ nismo est envolvido em toda a sua totalidade.
Tor experincia prpria, o leitor sabe que as respostas que compem uma
emoo so muito variadas. Algumas so muito evidentes, quer em si, quer nos
outros. Pense nos msculos da,face, adoptando as configuraes caractersticas da alegria, da tristeza ou do medo; ou na pele do seu rosto, empalidecendo como
reaco a ms notcias; ou pense na forma como o seu corpo traduz alegria ou
entusiasmo; ou nas mos hmidas que traduzem ansiedade; ou no ritmo rpido do corao que se associa ao orgulho; ou no abrandamento, na quase paragem, durante uni momento de terror.
Outras respostas h que no so visveis, mas nem por isso so menos importantes, tais como a miriade de modificaes que ocorrem noutros rgos. Um dess@s exemplos  a secreo das bormonas       Um outro exemplo  a libertao de neurotransmissores
DAMSIO, A., ol). cit., p. 81

O organismo  um sisterna* aberto e em interaco constante com o meio ambiente. Para compreender o seu funcionamento, teremos que ter em conta as
interdependncias quer com o ambiente quer com os subsistemas que integra (sistemas nervoso, endcrino, digestivo, respiratrio, etc.).
Do ambiente o organismo recebe informao e energia que processa, distribuindo-a pelas diferentes componentes.
As respostas dadas pelo organismo visam quer a manuteno do meio interno quer a adaptao ao meio externo.
1 F'@;qLwlllatjzand():
E
Meio ,,bie,t,'
1
Processamento
ordenao) @(C'00" I--[
[
Me'o ann@bient@
Retroaco .
(feedbock)
Do meio ambiente o organismo recebe entradas Uripias) que so os estmulos. Estes so processados pelo centro coordenador (sistema nmoso), que interpreta as informaes recebidas e decide as respostas. O comportamento  o conjunto de respostas s estimulaes do meio: sadas (outputs).
Neste processo esto envolvidas vrias estruturas interdependentes':
Mecanismos de recepo - rgos receptores - rgos dos sentidos
Mecanismos de conexo - Centro coordenador - sistema nervoso
Mecanismos de reaco - rgos efectores - msculos e glndulas
Analisemos sucintamente cada um destes mecanismos.
MECANISMOS DE RECEPO
O crebro  o centro de deciso e de execuo; por isso tem que conhecer o que se passa no meio externo e no meio interno-.                                   #1-,"
O crebro mantm contacto com o exterior atravs de cinco rgos receptores, cuja funo  receber os estmulos. Estes mecanismos de recepo so altamente especializados, captando e codificando as informaes: a pele, o nariz, a lngua, os ouvidos e os olhos.
Para alm dos cinco sentidos, podemos ainda referir o sentido cinestsico, que nos
informa sobre as posies dos membros e de outras partes do corpo, quando nos move-
mos, e o sentido de equilbrio e de orientao, que  da responsabilidade do ouvido interno. F _-Para alm das referidas, lia ainda a considerar as vias de comunicao - os nenos e o sangue.
2 - O crebro s  alertado quando acontece algum disfuncionamento no meio interno, como, por exemplo, uma dor
de estmago, falta de ar, etc.

Todos estes sentidos actuam de forma combinada e integrada, permitindo ao
ser humano receber as informaes que o tornam apto a organizar o comportaniento, a agir e a adaptar-se ao meio.
MECANISMOS DE CONEXO
Compete ao sistema nervoso (central e perifrico) conduzir e interpretar as
inforinaes provenientes dos mecanismos de recepo, decidir e coordenar as respostas que sero concretizadas pelos mecanismos de reaco.
MECANISMOS DE REACO
 atravs dos rgos efectores - msculos e glndulas - que o comportamento se concretiza por movimentos e secrees.
Grande parte dos nossos comportamentos exprii-nem-se atravs de movimentos, como andar, pestanejar, sorrir, danar, escrever, etc. Os msculos esquc~ lticos' so os responsveis pelo movimento - ligados por tendes, obedecem  nossa vontade, accionando os ossos.  tambm este tipo de msculos que, ao
fazerem mover os olli(, , permitem a leitura deste texto.
As glndulas excrinas so providas de UM canal, pelo qual  lanada para o
exterior a secreo. Dentro deste tipo de glndulas podemos referir as glndulas lacrimais, as glndulas sudorparas e sebceas, as glndulas salivares, as gstricas, etc.
Assim como o movimento dos msculos constitui uma resposta, as secrees das glndulas tambm o so.
Contudo, as glndulas no se limitam a ser um rgo efector: desempenham um importante papel no equilbrio interno do organismo. Para alm das gln(lulas lex(')cl-iii@ts, existem as glndulas endcrinas, que sero objecto de uma abordagem prpria, a partir da pagina 112.
O ACTO REFLEXO
Para compreenderes melhor de que forma as funes dos rgos receptores, do sistema nervoso e dos rgos efectores esto relacionadas, vamos descrever o comportamento mais simples: o reflexo sensrio-niotor. Acompanha a descrio seguindo o esquema:
Espinal medul
Nervo sensor
Nervo motor
Receptor (pel                                                        1  Efector (msculo)
Estmulo                                                         o 1      Resposta
(picada da agulha)                                                     (afastamento da mo)

1 Nextrnio sensorial
Neurnio motor
Interneurnio
-envia a informao dos re-
ceptores da pele at  espinal medula.
- envia a mensagem da espinal medula accionando o msculo.
- transinite a informao do neuromo  sensorial ao neurmo motor.
Quando, inadvertidamente, te picas numa agulha, o que  que acontece? Retiras bruscamente a mo. Esta resposta automtica, involuntria, que funciona como um mecanismo de proteco, designa-se por acto reflexo.
O estn-luilo (picada da agulha) activou o rg-o       (a pele). As modificaes produzidas nos mecanismos ligados  sensao de dor activaram os nervos senso~
riais os quais transportam a mensagem a um centro nciw~ - a espinal medula.  aqui que  elaborada a resposta que  conduzida pelos nervos motores que activam os org@[o,,@ efectore,, - os msculos do brao contraem-se e a mo afasta-se.
ORGANIZAO DO SISTEMA NERVOSO
O sistema nervoso organiza-se em diferentes partes as quais te apresentamos em esquema. Vamos analisar cada uma destas estruturas em pormenor depois de descrevermos sucintamente o funcionamento dos neurnios, que so as suas unidades bsicas.
SISTEMA NERVOSO
SIST MA ERVOSO
CENTRAL
SISTEMA NERVOSO
PERIFRICO
Sistema nervoso
somtico
Sistema nervoso
autnomo
Espinal medula
Crebro
Nervos sensoriais
Nervos
motores
Diviso       Diviso simptica   parassimptica

UNIDADE BS1CA DO SISTEMA NERVOSO
Para compreenderes o modo como se processa a informao e como so
constitudas as estruturas do sistema nervoso, vamos analisar a sua unidade bsica: o ncuronio.
corpo ce1u@@r
O NEURNIO
O neurOnio  a unidade-base do sistema nervoso. Os neurnios diferem segundo as suas funes e localizao; contudo, podemos afirmar que o neurnio tpico apresenta trs componentes: o corpo celular ou soma, as dendrites e o axnio.
O corpo cchilar, rodeado por uma        fina membrana, inclui o
ncleo celular, que  a central de energia da clula.
Ramificaes finas - as delidritcs - prolongam-se para o exterior recebendo as mensagens dos neurnios vizinhos,         conduzindo-as para o corpo celular. O nmero de dendrites, que pode atingir as
centenas, varia segundo o tipo de neurnio.                           Axnio
O ixonjo  a fibra principal de sada - a sua extenso pode variar entre escassos 1,.ilmetros e um metro - que se prolonga a
partir do corpo celular e que termina    em ramificaes, chamadas terminais axnicas ou telodendrites. Nas extremidades destas situam-se os botes ou bolbos. Alguns    axnios esto cobertos por uma camada de substncia branca de matria gorda, a bainha de mielina, que permite uma mais rpida transmisso da mensagem. Outros so apenas constitudos pela substncia cinzenta.
Para o neurnio manter a sua actividade e assegurar as si-ias funcoes tem de ser alimentado com oxignio e glicose. So as clulas gliais ou clulas de glia que alimentam, isolam e controlam o crescimento dos neurOnios. A interrupo da alimentao do neurnio provoca a sua morte.
Todos os neurnios esto presentes no momento do nascimento. O desenvolvimento fsico provoca o crescimento dos neLirnios que aumentam de tamanho, desenvolvendo-se o nmero de axnios e dentrites, assim como a quantidade de conexes que se estabelecem. Contudo, diferentemente das outras clulas do corpo, os neurnios no se dividem nem se reproduzem, sendo portanto insubstituveis.
Tipos de neurnios
Do ponto de vista funcional, podemos distinguir trs tipos de neurnios:
liclirollio.,        ou "C1]"oriai'@ - recolhem a informao do meio exterior OU interior e conduzem-na ao sistema nervoso central, isto , transportam a
mensagem da periferia  espinal medula e ao crebro;
!,( wmw@-            ou moton--, - transmitem a informao do sistema ner-
voso central para os rgos efectores (msculos ou glndulas);
i i@ tiromo,, de concxl_io - interpretam as informaes e elaboram as respostas.

O CREBRO
"O crebro  um tear encantado onde mlbes de lanaderas,fulgurantes (impulsos nervosos) tecem um padro disperso, um
padro sempre cbeio de sentido e todavia nunca duradouro; uma barmonia de subpadres em constante mutao.
SIR CHARLES SHERRINGTON
Constitudo por cerca de um bilio de clulas, das quais cem mil milhes so neurnios interligados em  rede, o crebro trata simultanearn ente um nmero incalculvel de informao. Se   pensares que cada um dos ncurnios pode ter at 5000 sinapses, compreenders que alguns psicofsilogos considerem que o nmero de interligacoes possveis no cerebro  superior ao nmero total das partculas atmicas que compem o Universo. (THOMPSON, R., Introduo  Psic@fisio1ogia, 1984).
 no crebro que reside a memria, a aprendizagem, o pensamento, a linguagem, a criatividade;  no crebro que vemos, OLIViMOS, sentimos e cheiramos;  tambm no crebro que o sono e o sonho habitam;  tambm a que a fome, a sede, a temperatura so controladas. Podemos, por isso, dizer que o crebro contribui de forma decisiva para o comportamento humano. (Na entrevista da pgina 107 so referidos alguns meios para estudar o crebro.)
ESTRUTURAS E FUNES DO CREBRO
Geralmente divide-se o crebro ou encfalo em trs estruturas, que se interligam funcionando de forma integrada e unificada: o metencfalo ou crebro posterior, o mesencfalo ou crebro mdio e o protencfalo ou crebro atiterior.
A cada Lima destas estruturas correspondem diferentes componentes:
Crebro posterior
Crebro mdio
boibo raquidiano
protuberncia
formao retic
Crebro anterior
t
sistema lmbico
crebro
O modelo que se segue representa as principais estruturas cio sistema nervoso central.  medida que fores identificando as vrias estruturas e respectivas funes, localiza-as na figura

6 Corpo caloso Liga os dois licrinsfrios.
Crtex cerebral
4 Amgdala
Relacionada com as exprcs,@)es e anifes
n^ de emoao e @n do
2 Hipotlamo
Em relao directa corri a
hipOfisc, regula o sistema
endcrino, a fome, a sede, o impulso sexual, ete.
ao reticular penha um papel me na ateno. ia, sono e estado de
9 Tlamo
Recebe e transmite informaes te e par o criex cerebral.
Estabelece ligaes entre 3s
diferentes estruturas cio sistema nervoso central,
Apresentamos-te em seguida algumas funes destas estruturas, dando particular ateno ao crtex cerebral, tendo em conta o seu papel no comportamento humano.
CREBRO POSTERIOR
O crebro posterior ou metencfalo  constitudo por bolbo raquidiano, cere-
belo e protuberncia. Vamos localizar e descrever as principais funes destas estruturas.
Bolbo raquidiano
Os nervos que ligam a espinal medula ao crebro passam pelo bolho racItiidiano. Esta estrutura, que, como podes observar na figura,  um prolongamento da espinal medula, tem um papel importante na recepo de informaes que provm da cabea, como a viso, a audio, o gosto... Comanda ainda funes vitais como o ritmo cardaco, a respirao e a presso arterial, influenciando tambm o sono e a tosse.
Cerebelo
O cerchelo  constitudo por dois hemisfrios, que desempenham um impor-
221 tante papel na manuteno do equilbrio e na coordenao da actividade motora. Uma leso no cerebelo provoca descoordenao motora, desequilbrio e perda do tnus muscular. Controlar os movimentos precisos que permitem actividades como
jogar ping-pong, tocar violino e at cantar.

Protuberncia
A protuberncia, como o nome indica,  uma salincia inclinada acima do I)olbo raquidiano.  o local de passagem de fibras nervosas que uncin os diferentes nveis do sistema nervoso central. Desempenha tambm LIIII papel importante no mecanismo do sono.
CREBRO MDIO
O crebro mdio ou mesencfalo  unia estrutura que liga o crebro anterior ao crebro posterior.  aqui que se situa o ncleo da formao reticular: esta estrutura, formada por um conjunto de ncleos, desempenha um importante papel nas funes da ateno*, memria, sono e estado de alerta.
Investigaes recentes vieram demonstrar que a formao reticular desempenha LIIII papel importante na rcgula@o das funes cardaca, pulmonar e intesti-
nal, bem como na percepo da dor. Alguns dos seus ncleos tm influncia na regulao homeosttica.*
CREBRO ANTERIOR
O crebro anterior ou protencfalo  constitudo pelo tlamo, hipotlamo, sistema lmbico e crtex cerebraL Analisemos as funes de cada uma destas estruturas.
Tlamo
O tlamo  constitudo por sulistncia cinzenta e esta situado perto elo centro do crebro.  ao tlamo que chegam a maior parte das informaes visuais, auditivas e tcteis, retransmitindo-as para as respectivas reas do crtex cerebral.
 pelo tlamo que passam as respostas cio cOrtex cerebral que so enviadas para o cerebelo e para o bolbo raqUidiano. Sensaes como a presso e a temperatura extremas e a dor so processadas ao nvel do tlamo.
Corn outras estruturas nervosas, desempenha uni papel importante na regulaco do sono e do estado de alerta.
Hipotlamo
O Iiil)ot,,'tl@iiiio'  constitudo por um pequeno grupo de ncleos que se encon-
tram sol) o tIamo. Est em ligao com a hipfise e pesa cerca de quatro gramas. Desempenha um papel fundamental na regula@o da temperatura do corpo, do sono, da viglia, da fome, da sede, do impulso sexual. Controla ainda a Circulao sangunea.  sede de emoes como o medo e a clera.
Actua sobre a hipfisc, organizando os ajUstamentos endcrinos que permitem Lima resposta adequada a uma situao de emergncia,
Quando estudarmos a motivao (captulo @) aprofunclaremos o estudo das funcoes do hipotlamo.

Hipocampo
Sistema lmbico                                                  Corpo caloso
O sistema lmbico'  constitudo, entre         Tlamo                            Hipotlamo outras, pelas seguintes estruturas: o hipocampo, a amgdala e o bolbo olfactivo*.
Este sistema tem um papel importante na experincia e expresso da emoo, na motivao e nos comportamentos agressivos. , por isso, considerado o
Boibo olfactivo crebro das emoes. Na agressividade parece que diferentes estruturas desempenham papis opostos, assegurando assim                    M. um equilbrio dinmico. A ablao da amgdala desencadeou comportamentos                                                  Hipfise dceis em macacos.
Ser pela aco conjunta das estruturas                                  Amigdala do sistema lmbico com o sistema nervoso simptico que o organismo  capaz de responder a situaes de agresso com origem no meio ambiente.
Analisaremos sucintamente a funo de duas estruturas do sistema lmbico: a amgdala e o hipocampo.
A amgdala, constituda por duas estruturas simtricas localizadas em cada hemisfrio cerebral, tem um papel importante nas manifestaes de agresso e medo.
Investigaes desenvolvidas pelo neurologista Antnio Damsio vieram demonstrar a importncia da amgdala na percepo das emoes faciais, concre~
tamente a expresso de medo.
Uma doente que apresentava graves leses nas duas estruturas da amgdala dos dois hemisfrios era incapaz de reconhecer as emoes quando estas se misturavam numa nica expresso facial. Concretamente, no conseguia reconhecer a
expresso do medo.
O hipcampo desempenha um importante papel na memria retendo as informaes.  uma das zonas mais afectadas pela doena de Alzheimer. Esta doena  uma forma de demncia manifestada por vrios sintomas como: no reconhecimento das pessoas prximas; esquecimento do prprio nome; incapacidade progressiva de realizar tarefas simples, etc.
O hipocampo e a amgdala tm funes complementares do ponto de vista emocional. Por exemplo,  o hipocampo que te permite reconhecer a tua professora do 1.' ciclo, mas  a amgdala que acrescenta se gostas ou no dela.
Crtex cerebral
O interior do crebro  constitudo por uma substncia branca e o exterior por uma fina camada de substncia cinzenta.  esta camada exterior que reveste a superfcie dos hemisfrios cerebrais que constitui o crtex cerebral* propriamente TExTOE~_ dito.  graas ao crtex cerebral que  possvel pensar, falar, perceber o que se                 24 ouve e o que se v.  o crtex cerebral que nos torna humanos. Est dividido em dois hemisfrios - o esquerdo e o direito - ligados por um feixe de fibras nervo~ sas denominado corpo caloso.
@1 --o termo -'Imbico" foi utilizado pela primeira vez por Paul Broca.

O corpo caloso  constitudo por densas fibras nervosas que permitem a trans-
misso rpida de informaes entre os dois hemisfrios.
Enquanto que o hemisfrio direito controla a parte esquerda do corpo, o
hemisfrio esquerdo controla a parte direita. Assim, os receptores, por exemplo, da mo direita, do ouvido direito, do p direito, etc., enviam informao para o
hemisfrio esquerdo, que por sua vez envia respostas motoras para a parte direita do corpo. Relativamente ao hemisfrio direito, passa-se o contrrio. De referir que as informaes dos dois olhos so transmitidas para os dois hemisfrios.
O texto que se segue acentua a importncia do crtex cerebral no comportamento.
"O crtex cerebral do florno sapiens', muito maior do que o de qualquer outra espcie, acrescentou tudo o que  distintamente bumano. O crtex cere-
bral  a sede do pensamento: contm os centros que renem e compreendem o
que os sentidos percebem. Acrescenta a um sentimento o que pensamos dele - e
permite-nos ter sentimentos sobre ideias, arte, smbolos, imagens.
A vantagem para a sobrevivncia deve~se ao dom do crtex em criar Wratgias, planear a longo prazo ou outras operaes mentais. Alm disso, os
trunfos da arte, civilizao e cultura so todosfiruto do crtex. "
GOLEMAN, D., InIch@ncia P'Mocional, Objectiva, 1995, p. 2@ (aclapt,)
Os lobos cerebrais
-mxTotgM"         nalisemos mais aprofundadamente o crtex cerebral e as respectivas funes.
2 eg   A
Cada hemisfrio  constitudo por quatro lobos cerebrais: lobo frontal, parietal, occipital e temporal. Estes so, por sua vez, constitudos por circunvolues. Eo   grande nmero de circurivolues que d ao crebro um aspecto enrugado, que  permite que uma grande quantidade de substncia ocupe uma pequena rea na caixa craniana.
Cada um dos lobos tem funes especficas, no sendo contudo estanques. Muitas funes implicam o contributo de mais de um lobo cerebral como ters oportunidade de constatar mais  frente.
Lobo frontal
Lobo parietal
Assim:
o lobo frontal coordena, entre outras, as actividades motoras;
o lobo parietal coordena as sensa-
coes relacionadas com a pele;
o lobo occipital coordena a viso;
Lobo temporal o lobo terilporal coordena a audio.
Lobo occi.pital

Reconhece-se hoje que  possvel distinguir, nos diferentes lobos cerebrais, dois tipos de reas funcionais: as arcas primarias, sensoriais ou de projeco e as
reas secundrias, psicossensoriais ou de associao.
As arcas primrias, sensoriais ou de projeco so reas que recebem as infor-
maes sensoriais, isto , as mensagens que tm origem nos rgos dos sentidos. So tambm reas que tm funes motoras.
As Jir(-x,, secundrias, psicossensoriais ou de associao interpretam e coorde-
nam as informaes recebidas pelas reas primrias. So as reas de coordenao que ocupam a maior parte do crtex cerebral.
Tm sido feitas mltiplas investigaes que procuram estabelecer as relaes entre as reas cerebrais e as funes principais e os comportamentos. Assim, esto j identificadas e localizadas reas relativas aos movimentos voluntrios,  audio,  viso, ao tacto, ao olfacto, ao paladar, bem como ao processamento da informao.
Estes diferentes tipos de reas funcionam como um todo: os comportamentos conscientes envolvem a actividade integrada do crtex na sua totalidade.
Analisemos, com mais profundidade, alguns tipos de reas e as respectivas funes:
OAs reas niotoras que so responsveis pelos movimentos; Cas reas soma-
tossensoriais que se relacionam com a sensibilidade; C) as reas visuais que nos permitem ver e reconhecer os objectos; Cas arcas auditivas que possibilitam que ouamos os sons e reconheamos as palavras faladas. Finalizaremos come as arcas pr-froiltais responsveis pelas capacidades superiores dos seres humanos.

Area motora
Pescoo Sob@ ancelhas
Olho
Cara
Libios
i de actvidade
O reas tnotoras
A arca niotora primria est localizada no lobo frontal, sendo responsvel pelos movimentos corporais: a rea do hemisfrio esquerdo controla a zona direita do corpo e a
rea do hemisfrio direito controla a zona esquerda do corpo. T1011c0 Anci [@'_1 o     joe ho PL@nI.                         A superfcie da rea motora no  proporcional ao
Tornozelo  tamanho da rea do corpo, mas  multiplicidade de Dedos      movimentos a executar. A gravura junto apresenta o dos ps
mapa do @'homnculo" cerebral, proposto por Winder Penfield e sua equipa. Estes investigadores construram um
mapa que representa a proporo que cada parte do corpo Ocupa na rea motora. A podes reconhecer que as maiores reas correspondem a mo e aos lbios porque so reas que envolvem maior controlo nos movimentos musculares e so responsveis por movimentos mais finos e precisos. As reas correspondentes aos ps ou aos ombros ocupam, como vs, menor extenso. Uma leso na rea motora primria provoca paralisia da parte correspondente no lado oposto do corpo - paralisia cortical.
A rea motora secundria ou psicomotora (que se encontra em frente da rea motora primria)  responsvel pela coordenao dos movimentos, assegurando a
sua eficcia. Uma leso nesta rea pode provocar apraxia: o indivduo no consegue vestir-se, utilizar objectos ou coordenar e seleccionar os movimentos para efectuar determinada     tarefa.  tambm nesta rea que se situa a rea de escrita:
possibilita a coordenao de movimentos para registar sinais grficos. A leso deste centro provoca a agrafia, isto , a incapacidade de escrever.
Ainda na rea motora secundria esta localizada a rea motora da linguagem. Foi Paul Broca quem, em 1861, apresentou, em Frana, a comunidade cientfica o crebro de um homem que perdera a
fala. A autpsia revelara uma leso na @,                               terceira circurivoluo do lobo frontal
es
querdo, perto do crtex motor, que comanda os movimentos da lngua, da garganta e   de outras zonas   da cara utilizadas para falar. Outros casos analisados confirmaram a    localizao da rea da linguagem articulada que se passou ento a
designar rea de Broca.
Leses nesta rea provocam perturbaes caracterizadas pela dificuldade em
formar palavras, pela lentido na expresso verbal, por uma articulao dbil e
incorrecta (afsia de Broca).
Ligada a esta rea por fibras nervosas est localizada a rea deNVernicke. Foi descoberta em 1874 por Carl Wernicke, situando-se na zona temporal esquerda, perto da rea auditiva. Uma leso nesta rea no impede que a pessoa fale. Contudo para um indivduo afectado as palavras emitidas no tm sentido e tem dificuldade em compreender a linguagem falada pelas outras pessoas (afasia de Wernicke).

reas somatossensoriais rea
 na rea soniatossensorial, tambm designada rea sen-
sorial ou crtex das sensaes musculares e articulares, que convergem as mensagens relativas  sensibilidade tctil,
Tro o  Anca dolorosa, do frio, do calor, bem como a conscincia da                                                          nc4      joelho localizao das diferentes partes do corpo.                                                           Pescoo            Perna
Winder Pcnfield identificou esta rea paralela  rea                                        M.@Brao
Dedos                     p motora. Quanto mais sensvel  uma regio corporal, maior                                    Polegar
Dedos  a rea que lhe  dedicada. Na gravura podes constatar,                                    Olho                         dos ps por exemplo, que os ll)ios se projectam numa rea muito                               Nariz                           Genitais
Cara
mais ampla do que o brao ou a perna. Uma leso nesta             Lbios;
Dentes rea primria provoca a perda de sensibilidade da rea cor
Gengivas respondente do corpo - anestesia cortical.                       Queix.I@@I@,
Por detrs desta rea encontra-se a rea somatossensorial secundria, que coordena e sintetiza as mensagens da pele        Lingua e dos inusculos, integrando-as de forma organizada. Uma       leso nesta  rea provoca a agnosia sornatestsica ou somatossensorial, isto ,    a incapacidade de o
indivduo reconhecer os objectos atravs do tacto: os dados no so sintetizados e o objecto no  identificado.
reas visuais
A rea @isijaI primria est situada no lobo occipital.  a que so recebidas as
triensagens captadas pelos olhos - da a designao de retina cerebral. Uma leso nesta rea provoca a impossibilidade de receber informaes dos estmulos visuais - cegueira cortical.
A arca visual secundria, situada acima da primaria, permite a coordenao dos dados elementares e o reconhecimento dos objectos. Se uma leso ocorrer na rea visual secundria ou psicovisual, o indivduo  incapaz de identificar os
objectos (agnosia visual)'.
 tambm nesta rea que se encontra localizado o centro de reconhecimento da palavra escrita. Uma leso neste centro impossibilita o indivduo de ler um texto, dado que no reconhece as letras, apesar de ver os sinais grficos. A este tipo de leso d-se o nome de alexia* ou cegueira verbal.
Uma leso na rea
^isual pode provo-
car a perda de caracter@st cas do
mundo visual.
Nestes desenhos, o pac ente perdeu a
capacidade de dist ngu r as cores a banana, o tomate e as fobas tm cores semelhantes.
@s perturbaes podem ser de vria ordem: o indivduo pode ter afectada a percepo das cores, dos movimentos, das formas, etc.

reas auditivas
As impresses auditivas so recebidas no lobo temporal, na sua parte superior, conforme podes ver na imagem da pgina 98.  na arca auditiva primria que so recebidos os sons elementares, detectando caractersticas como volume e altura.
A arca au(IitiN,@i secundria ou psico@itiditiN,@,i interpreta, identifica e analisa os dados recebidos, reconhecendo um som completo, quer seja de palavras faladas, quer de uma melodia. Uma leso na primeira rea provoca a surdez cortical - a
pessoa deixa de ouvir os sons. Se for danificada a rea auditiva secundria, o indivduo ouve os sons, mas  incapaz de lhes atribuir um significado - agnosia auditiva.
reas pr-frontais
As reas pr-frontais ou crebro pr-frontal situam-se nos lobos frontais e apresentam-se particularmente desenvolvidas no ser humano - representam entre 40% e 45% do volume total do crebro.
Esta rea estabelece relaes com todas as outras zonas do crebro. Surge
como um rgo coordenador e unificador da actividade cerebral, responsvel pelo pensamento abstracto, ateno, reflexo, imaginao e pelas capacidades de planificar, prever e deliberar.
So reas que asseguram ainda a constncia da personalidade. Antonio Damsio, no seu livro O Erro de Descartes, relata os efeitos de leses pr-frontais, descrevendo pormenorizadamente o caso de Elliot que, entre outras, tinha seriamente afectada a capacidade de sentir emoes. Nos doze casos que analisou at
1993, Antnio Damsio constatou que existia uma "associao entre deficincia na tomada de decises e perda de emoes e sentimentos".
A complexidade da relao entre as reas cerebrais e as respectivas funes (que ns procuramos enunciar de forma acessvel)  a questo que o Doutor Manuel Laranjeira aborda na segunda pergunta da entrevista que encontrars na pg. 107.

O escritor Jos Cardoso Pires foi vtima de um acidente vascular cerebral. Depois de recuperado, relatou a sua experincia no livro De Profundis, Valsa Lenta, que tambm te aconselhamos a ler. Para alm do seu inegvel interesse literrio, este livro constitui um importante documento sobre algumas das conse-
quncias de acidentes cerebrais no comportamento.
Propomos-te a leitura do extracto que se segue:
`O relatrio neurotgico.foi terminante: acidente cerebral de gravidade muito acentuada, um cogulo de sangue que tinba subido (do corao?) at  zona nobre do crebro, bloqueando duramente a artria. No era um problema bemorrgco, antesfosse, epor isso no havia o recurso  cirurgia com largas perpectivas de soluo, explicou a Edite um especialista do Servio de Neurologia. Assim, acrescentou ele, a situao apresentava~se bastante d@rIc1, um caso de squemia* com recuperao lenta efirequentemente incompleta. Do ponto de vista motor nada que suscitassepreocupa6es, o doente bastava-se a si
prprio. Mas o centro da,ffila e da escrita estava prq/@tndamente afectado e
podia conduzir a uma sobrevivnca em ncomunicablidade total.
Incomunicabilidade, pois. Incomunicabldade total. Nem voz, nem escrita e
nem leitura to-pouco. "
111 RESj. G, 1)e Profundis, l'alsa Lenta, Doin Quixote, 1997, p. 29
O quadro que se segue regista, em sntese, as principais funes das diferentes reas cerebrais, bem como as consequncias de leses.
Quadro 10 - reas primrias e secundrias
reas
reas
Conse-
secundrias,
Conse-
primrias, sensoriais ou
Funes
quricias
psicossenso-
Funes
quncias
das leses
riais ou de
das leses
de projeco
associaao
rea motora primria
Responsvel pelo movimento do corpo
Paralisia corticai
rea motora secundria
Responsvel pela coordenao dos movimentos corporais
Apraxia
rea somatossenso-
Recebe as informaes que tm origem
Anestesia
rea somatossensorial
Coordena as mensa-
Agnosia
rial primria
na pele e nos msculos
secundria
gens recebidas
sensorl
Coordena os dados
rea visua) primria
Recebe as mensagens captadas pelos olhos

Crebro direito/crebro esquerdo
O crebro humano est dividido, como o de todos os mamferos, em dois
hemisfrios: hemisfrio direito e hemisfrio esquerdo. O hemisfrio direito
comanda a actividade motora e sensorial da parte esquerda do corpo; o
hemisfrio esquerdo por sua vez controla a parte direita. Contudo,
enquanto que nos animais os dois hemisfrios do crebro desempenham sensivelmente as mesmas funes, nos seres humanos especiali-
zaram-se em funes diferentes.
As investigaes de Broca constituram as primeiras provas da especializao dos hemisfrios. Broca descobriu que a linguagem falada estava situada no hemisfrio esquerdo. Durante muito tempo este hemisfrio foi considerado a zona dominante, pois, para alm de controlar a funo da linguagem, dirige e comanda os movimentos da zona direita @B-,,@, 182-4  do corpo, a habilidade manual.'
1880), pione ro da anafom a funciona do crebro.          Na dcada de 60 foram clarificadas as funes de cada hemisfrio, concreta-
mente atravs das investigaes de Roger Sperry e da sua equipa, no Instituto de
Neurologia da Califrnia. Doentes epilpticos, que resistiam aos tratamentos cls-
sicos, foram submetidos a uma interveno cirrgica que consistia em seccionar a
estrutura nervosa que tine os dois hemisfrios: o corpo caloso. Deste modo os
dois hemisfrios deixaram de comunicar, sendo possvel identificar as funes de cada um.
Foi ento que se comeou a compreender a importncia do hemisfrio direito. Uma leso nesta rea no impede a comunicao, que permanece quase normal. Contudo, surgem graves perturbaes: impossibilidade de perceber e construir figuras tridimensionais, incapacidade de reconhecer rostos familiares (prosopagnosia)*, bem como perturbaes afectivas e de personalidade. Estas e outras descobertas
afastaram a ideia de que o hemisfrio direito  uma zona menor, subalterna.
Hoje pode afirmar-se que os hemisfrios cerebrais possuem formas diferentes de processar a informao e organizar as respostas. O hemisfrio esquerdo  res-
ponsvel pela linguagem verbal (escrita e falada), pelo pensamento lgico e pelo clculo. O hemisfrio direito controla a percepo das relaes espaciais, a forma-
ao de imagens, o pensamento concreto. Contudo, no podemos esquecer que o
crebro funciona como uma unidade: nos comportamentos mais complexos os
dois hemisfrios esto envolvidos, completando-se.
As investigaes de Antinio Damsio e da sua equipa tm confirmado o papel complementar dos hemisfrios cerebrais.
@l - Nos esquerdinos o controlo do movimento e da sensibilidade  feito pelo hemisfrio direito.

Os ''campos de cancI te@', segundo Ga 1.
A unidade funcional do crebro
Vener -o<Bere,olncia
Desde muito cedo os seres huma-             conscinciaSentid, dical Capacidado
de pe,sar
nos procuraram relacionar os compor-                                Alegria
Cuidado tamentos do Homem com diferentes             g ---o     Disc,i-  Musicalidade Espir-
arcas do crebro.                                         1.p  Impulso      @emJd.
ro-, Ardor de  desor criador da da cor
c..ba,e No sculo XIX, o mdico Franz                                     dia
nu-o
Joseph Gall defendia que as "bossas"          Amor
do crnio se relacionavam com deter-
minadas aptides e caractersticas da
personalidade. Acreditava que o cr-
nio se modelava de acordo com as
circurivolues cerebrais. A partir de observaes empricas que registava, desenhou o mapa dos sentimentos e do
carcter, onde localizou a rea do "amo@', da "ambio", do "patrioti,@mo", da
pelo l.,inbo"... Esta concepo, sem qualquer fundamento cientfico, fazia crer, contudo, que seria possvel identificar em diferentes reas do crebro deter-
minadas funes psquicas.
Desde ento procurou-se construir um mapa do crtex cerebral onde, de uma
maneira muito precisa, se procuravam localizar determinadas funes. A concepo rgida de localizao cerebral tem de ser posta de parte, como j preconizava Egas Moniz, premio Nobel da Medicina (l o texto da proposta de ti-alialho da p. 106).
Como j vimos existem no crebro zonas que comandam e coordenam deter-
minadas funes e comportamentos. Acabmos precisamente de estudar o
carcter especializado de determinadas zonas. Contudo estas reas no so estan-
ques e compartimentadas.
Descobriu-se, por exemplo, que funes perdidas devido a leses podem ser
retomadas. Ora, a recuperao da funo no  da responsabil idade da regeneraco das clulas nervosas da rea lesionada, dado que tal no  possvel, Parece assim existir o que os investigadores designam por fiiiicao @icarii1te ou Imico de
@tjpliicia do crebro: as reas vizinhas da zona lesionada entram em aco podendo vir a substitu-la. Assim se explica, por exemplo, a recuperao de certas afasias.
Por outro lado, h funes que contam com o recurso de vrias reas do cre-
bro: a linguagem, o pensamento, a aprendizagem, a memria, a afectividade.
Estas funes, devido  sua complexidade, implicam o funcionamento integrado do crebro.
Este  um exemplo que demonstra que o crebro funciona de modo iritcractivo
c            O crebro  um sistema complexo e unitrio, cujas componentes, apesar de  especializadas em determinadas funes, mantm relaes de interdependncia, funcionando de modo integrado. O crebro  um todo maior do que a
sortia das suas partes.


A) Completa a legenda do quadro.
Sistema nervoso
Sistema nervoso central
Sistema nervoso perifrico
"De cada vez que um msculo,funciona, que um olho olha, o crebro trabalha.
Associa os elementos de informao, compara-os, integra-os no conhecimento que possui dofenmeno. Reconstitui, imagina... Ao fim e ao cabo,  ele que decide o comportamento.
Science et Avenir
"Podemos concluir que passmos de uma viso patchwork (localizaes) para uma
viso network (redefuncional).
MANUEL LARANJEIRA
2.1. Demonstra a importncia do crebro no comportamento humano, dando exemplos.
2.2. Diz por que razo podemos afirmar que o segundo texto reflecte uma crtica a uma
concepo rgida das localizaes cerebrais.
L atentamente o texto e responde s questes que se seguem.
"O crebro , um rgo muito especial em que as conexes mltplas de neurOnios nos
qfastam das noes excessivas de localizao. (... ) A concepo ifgida de localizao cerebral deve serposta departe (... ). A mecnica cerebral no tem afixidez nem a rigidez de uma mquina. Os centros nervosos mostram precisamente o contrrio. So
dotados de grandeplasticidade e capazes de substituies desconcertantes, embora tendendo semprepara o restabelecmento defun(5es comprometidas.
EGAS MONIZ
3.1. Que concepo  criticada por Egas Moniz? Explica, sumariamente, essa concepo.
3.2. Indica as principais crticas apontadas pelo investigador.
Comenta a seguinte afirmao:
"Tudo age sobre o crebro e o crebro age sobre tudo.
CHAUCHARI)

E N T R E V 1 S T A
MMM. VRIM- MM, =M
Manuel Laranjeira licenciou-se em Medicina pela Universidade do Porto, em 1977, tendo-se especializado em Neurocirurgia. Doutorou-se, em 1997, em Cincias Mdicas. Frequentou vrios estgios nesta rea, em Marselha (1984), em Zurique (1986), em
Detroit (1989), tendo sido bolseiro da Fundao Calouste Gulbenkian em 1986 e 1989.
Lecciona a cadeira de Neurofisiologia no Instituto de
Cincias Biomdicas de Abel Salazar da Universidade
do Porto.
Pergunta - Muitas pessoas so vtimas de acidentes e apresentam tetra ou paraplegias. A que se deve esta incapacidade?
Manuel Laranjeira - Estas leses ao nvel
ele uma parte do sistema nervoso central, a inedula, produzem seco das vias motoras (pirainidal e extra piramidal), impedindo a
ligao entre o encfalo e os msculos.
Como estas fibras no voltam a crescer, fica definitivaiu ente interrompido este circuito.
- H possibilidade de recuperao?
- Podernos, com o conhecimento actual, consider-las irreversveis. No
entanto, a experimentao animal abre alguma esperana. Investigadores suos,
com a utilizao de duas substncias qumicas, unia ---factor de crescimento", outra anticorpo de substncias medulares, trenadoras do crescimento, conseguiram produzir algum crescimento em fibras medulares
lesadas. Por outro lado, investigadores japoneses conseguiram reparar medulas de ratos com medula de embries. Estes estu-
dos ainda no tiveram aplicaco no
Hornein. Em Frana esto a iniciar-se ensaios clnicos, com drogas protectoras nCLironais que, quando injectadas nas primeiras horas aps o acidente, podem dimi~ nuir o grau de leso medular. Hoje, corri a
introduo de incios de diagnostico mais
precisos (RMN, TAC), o desenvolvimento das tcnicas cirrgicas e anestsicas, j  possvel detectar precocemente leses que tm tratamento cirrgico e reduzir desta forma a morbilidade destas leses.
P. - Considera que existe uma clara e definida topografia do crebro?
@1 71 - A partir da segunda metade do sculo XIX, com base no mtodo experimental, dispondo da observao das alteraes provocadas por leses cerebrais e
com a identificao dos netirnios, em
1824, foi possvel fazer unia anlise da
citoarquitectura do crtex.
Tendo como base critrios anatmicos e funcionais, Brodinan props, no incio
deste sculo, uma cartografia que se tor-
nou clebre. Propunha dois tipos de reas: -reas primrias", sensitiva e motora, e
"reas associativas". Estas ltituas tinham
funes mais abstractas, sendo responsveis por aspectos psicolgicos e intelec-
tuais. Comea assim a "idade ele ouro" das
localizaes cerebrais, atribuindo a cada
parte circunscrita do crebro uma funo. Podei-nos comparar esta representao com uma pintura de Czanne, em que as reas corticais eram representadas por diferentes cores. A palavra normalmente atribuda a
esta representao  de um patchivork. Com o desenvolvimento (Ia neurofisiologia

e das tcnicas de imagem cerebral, tais como o TEP e recentemente a RNIN funcio-
nal,  possvel hoje ter uma noo diferente do funcionamento cortical. Primeiro, a noo linear que tnhamos das varias funes modificou-se. Uma funo, por exemplo, "ver", no  uma funo isolada, mas depende de factores sequenciais como detectar, identificar e interpretar os vrios estmulos. Por isso, aquilo que Brodirian considerava as trs areas visuais
no lobo occipital transformou~se hoje em
32 cartas visuais justapostas sobre quase metade do crtex, circulando entre elas informao atravs de 187 conexes, muitas delas bidireccionais. Podemos afirmar
que as reas de Brodirian foram, pouco a
pouco, subdivididas e as vrias funes redistribudas. Digamos que passamos para uma representao pictural do crtex tipo pontilistal. Isto no invalida que um dos
precursores da teoria das localizaes, Broca, no tivesse afirmado que localizar um dfice no implicava localizar uma funo.
Podemos concluir que passmos de uma viso patcbwork (localizaes) para uma viso network (rede funcional).
P. - Na sua prtica de neurocirurgio, que problemas concretos se levantam quando faz uma operao ao crebro?
M. L. - Os problemas que se levantam
dependem do rgo que tratamos. Como trabalhamos com clulas que no se reproduzein, a agresso cirrgica tem que ser
reduzida ao mnimo. Sabemos que o cre-
bro tem uma grande plasticidade, o que no implica que os neurnios que destrui-nos sejam inteis. No entanto,  possvel
hoje sabermos que crianas com menos de
trs anos, a quem foi retirado um hemisf-
rio para tratamento de epilepsias de difcil controlo, conseguem ter um bom desen-
volvimento mental e intelectual. Isto
implica que haja outras reas que desenvolvam essas capacidades. Com a introdu-
co da microcirurgia, a agresso cirrgica reduziu-se, uma vez que os nossos gestos passaram a ser mais precisos. Para atimen-
tar a capacidade tcnica do neurocirurgio,
a sua formao hoje passa pelo treino microcirrgico a nvel do laboratrio, com
o estudo de anatomia e de ncurofisiologia. Com o uso do microscpio,  hoje possvel tratar patologias, do tipo vascular, tumoral e outras, com menos riscos e com menor morbilidade e mortalidade. Por outro lado, conseguimos operar leses em reas que anteriormente eram inacessveis.  evidente que para muitas doenas do foro oncolgico a sua cura permanece distante, mas
conseguimos melhorar a qualidade de vida dos doentes.
Para o xito de um acto cirrgico  necessrio fazer Lima planificao perfeita, que engloba o conhecimento das altera-
es anatmicas produzidas pelas leses. Na elaborao desta planificao contamos com os meios de diagnstico (RMN e TACangiografia), mas que s nos do uma
viso bidimensional. Por outro lado, temos
que prever os riscos e as solues para cada um deles.
Penso que os desafios contm duas
vertentes: uma, a tcnica, com a melhoria
das capacidades microcirrgicas dos neuro-
cirurgies, e a outra, novas descobertas biolgicas, com melhor compreenso das vrias patologias e respectivo tratamento.

SISTEMA NERVOSO PERIFRICO
O sisterila nervoso perifrico  constitudo por estruturas nervosas que condu-
zem a informao da periferia para os centros nervosos e as respostas destes para a periferia:  este sistema que constitui a rede de comunicao entre os rgos receptores o sistema nervoso central e os rgos efectores. Sem este sistema o
crebro ficaria isolado do meio interno e externo.
O sistema nervoso perifrico compe-se de duas partes: sistema nervoso soii]',  ,I-
tico e sistema nervoso .itit(')lloliio. Cada um destes sistemas  composto por diferentes estruturas com funes especficas.
NERVOS SENSORIAIS
SISTEMA NERVOSO SOMTICO
NERVOS MOTORES
SISTEMA NERVOSO PERIFRICO
DIVISO SIMPTICA
SISTEMA NERVOSO AUTNOMO -
DIVISAC) PARASSIMPATICA
SISTEMA NERVOSO SOMTICO
O sistema nervoso somtico  formado pelas fibras de neurnios agrupadas em nervos: sensoriais ou aferentes e motores ou eferentes.
 graas aos nervos sensoriais que o sistema nervoso central recebe informa-
es provenientes dos rgos receptores: os sons, os odores, a temperatura, etc.
 atravs dos nervos motores que as mensagens, que tm origem no crebro
ou na espinal medula, chegam aos msculos e as glndulas, orientando os mais
diversos comportamentos: andar, pestanejar, danar, escrever, chorar...
O sistema nervoso somtico e o crebro trabalham em conjunto de forma a
assegurar o comportamento. Por exemplo, os nadadores quando vo iniciar uma prova esto atentos ao sinal de partida. So os nervos sensoriais dos ouvi-
dos que enviam a mensagem ao crebro, que a interpreta e decide. O crebro
envia a mensagem atravs dos nervos motores que accionam os msculos e os
atletas lanam-se  gua.

SISTEMA NERVOSO AUTNOMO
O sistema nervoso autnomo  responsvel pelo controlo das glndulas e das actividades involuntrias como o ritmo cardaco, a respirao, a digesto, a presso arterial, a actividade dos msculos lisos.
Como podes observar na figura, ao longo da coluna vertebral h duas cadeias de gnglios nervosos de onde partem os nervos que estabelecem a ligao entre o
sistema nervoso central, as glndulas e msculos lisos.  um sistema que funciona de modo autom@ ico. Quando fazernos um exerccio fsico, por exemplo, assegura o aumento do ritmo cardaco, para que uma maior quantidade de sangue aflua aos msculos, assegurando assim um maior fornecimento de oxignio, portanto, mais energia.
O sistema nervoso autnomo - composto por duas divises ou ramos que estimulam vrios rgos e glndulas: a diviso simptica e a diviso parassimptica.
SISTEMA NERVOSO
SIMPTICO (excita)
SISTEMA NERVOSO PARASSIMPTICO (inibe)

Os seus efeitos so, geralmente, antagnicos; quando funcionam ao mesmo
tempo, estabelece-se entre ambos um equilbrio.
A divis ao simptica  mais activa quando so necessrias mais energias: em
situao de perigo, de tenso, de angstia. O parassimptico assegura o reaprovisionamento e conservao de energia do organismo.
Numa situao de medo, o simptico acelera o ritmo cardaco, aumenta o nvel de glicose no sangue, dilata os brnquios tornando a respirao mais rpida, dilata as artrias coronrias, provoca a vasoconstrio da pele, inibe a digesto, etc.
Compreendes agora melhor a origem de alguns sintomas que j experimentaste em situaes de tenso: boca e garganta secas, corao a bater depressa, dores de barriga...
Nos momentos de distenso, domina a diviso parassimptica: os batimentos do corao diminuem, ocorre a vasodilatao, que provoca um abaixamento da tenso arterial, d-se a contraco dos brnquios, que torna a respirao mais lenta, estimula a digesto...
Na maior parte dos rgos intervm as duas divises. Por exemplo: a diviso simptica acelera o ritmo cardaco e a parassimptica diminui-o.  o funcionamento antagnico deste sistema que assegura o equilbrio do meio interno do nosso organismo.
pa@avraS nervos, neurnio, reflexo, sistema nervoso autnomo, sistema nervoso central, sistema nervoso perifrico.
Antnio Damsio  um neurologista portugus que dirige, na Universidade de lowa, nos EUA, um instituto exclusivamente dedicado ao estudo de doenas neurolgicas. Com a equipa de vinte cientistas que dirige e com a sua mulher Hanna Darnsio direcciona-se para a definio do
mapa das funes do crebro a partir do estudo de doentes com leses cerebrais.
No seu livro O Erro de Descartes, Antnio Darnsio chama a ateno para o papel fundamental que as emoes e as reaces viscerais desempenham no comportamento do ser humano e, consequentemente, no processo de adaptao. Contrariamente  ideia generalizada de que os
sentimentos e as emoes perturbam negativamente a razo, Antnio Darnsio considera que a
razo pura  um mito: sem emoes no  possvel fazer opes racionais.
Enquanto Descartes afirmava que os processos mentais eram independentes do corpo, do organismo, Antnio Damsio defende que as reaces emotivas, intuitivas, so indispensveis ao
funcionamento da razo. Assim, considera que a clebre mxima cartesiana "Penso, logo existo" deveria ser substituda por "Existo e por isso posso pensar".
(1)  Comenta as afirmaes do autor que a seguir transcrevemos:
"Os sentimentos, juntamente com as emoes que lhe do orJgem, no so um luxo (... ). So os nossos guias internos. Os sentimentos permitem-nos vislumbrar o nosso
organismo em pleno andamento biolgico, so um reflexo dos mecanismos da prpria vida, enquanto desenvolvem as respectivas tarefas. Se no fosse a possibilidade de sen-
tir os estados corporais inerentemente predestinados para serem dolorosos ou agradveis, no baveria sofrimento nem xtase, nem desejo, nem piedade, nem tragdia, nem glria na condio bumana.
ANTNIO DAMSIO


Hipfise
Glnc@ supr@
SISTEMA ENDiliCRINO
O @;i"1('n]a en(lo,crino tem um papel fundamental no
comportamento, interagindo com o sistema nervoso.
Enquanto o sistema nervoso envia as mensagens para todo o corpo atravs de sinais elctricos, as glndulas endcrinas utilizam as liorniorias que lanam directamente no fluxo sanguneo. Estes mensageiros qumicos so conrais duzidos pelo sangue s mais diversas partes do corpo.
Durante muito tempo pensou-se que o sistema endcrino
Pncreas e o sistema nervoso funcionavam ind e pende ntementc.
Hoje, sabe-se que existe uma troca de informao, uma
aco concertada entre o sistema endcrino e o sistema Ovrio (fe.inino) nervoso autnomo, que interactuain funcionando de Uma
forma integrada, sol) influncia do hipotlamo. Testiculo    O sistema endcrino afecta o crescimento, a sexuali- (masculino)
dade, a emotividade... Da a importncia do seu estudo em psicologia. Vamos  analisar o papel de algumas ---L'Uidulas endcrina," no comportamento huniano: a hipfisc, o pncreas, a tiride, as supra-renais e as glndulas sexuais.
HIPFISE
A           ou glndula pituitria, encontra-se situada na base do crebro, pesando cerca de 600 mg.  constituda por dois lbulos, encontrando-se ligada ao Iiipotlamo atravs do peclnculo hipofisrio.
A hipfise actua em ligao com o liipot@,'lanio na regulao das concentraes de grande parte das horirionas.  considerada a glndula-iliestra, "o crebro endocrino", porque, atravs das estimulinas, produzidas pelo lbulo anterior, controla a
actividade da tiride, das supra-renais, dos testculos e dos ovrios.
A insuficincia do funcionamento da hipfise, durante a infncia,  responsvel pelo nanismo* ou estatura abaixo do normal. O Seu hiperfuncionamento pro-
voca o gigantismo*. A acromegalia, que se manifesta pelo crescimento exagerado dos ps, das mos, do crnio e dos maxilares, ocorre se o hiperfuncionamcnto da hipfisc sc d aps a adolescncia.
O hipotIamo e a hipfise constituem um sistema coordenado que, atravs da variedade dos seus dispositivos de regulao, assegura comportamentos indispensveis  vida: a fome, a sede, a temperatura, a actividade sexual e a reproduo.
PNCREAS
A insulina  a hormona produzida pelo p@ncrcas que interfere no nvel da taxa
de acar no sangue, baixando-o. A hipofuno desta glndula provoca a diabetes.

TIRIDE
A tiride encontra-se localizada  frente da parte superior da traqueia. Uma (Ias hormonas produzidas pela tiride  a tiroxina, que regulariza o metabolismo celular, interagindo com o sistema nervoso simptico e com outras glndulas. Uma carncia de tiroxina pode provocar, nas crianas, o cretinismo, caracterizado por um crescimento raqutico e um atraso mental. O hipofuncionamento da tirOide pode provocar nos adultos aumento de peso, letargia e sensao permanente de fadiga.
As pessoas que segregam grandes quantidades de tiroxina apresentam sintomas ele hiperexcitabilidade, irritabilidade, insnias e perda de peso.
SUPRA-RENAIS
As -L'Mdtj1a@,             esto localizadas na parte superior dos rins e segregam, entre outras, a adrenalina e a noradrenalina. Esta ltima aumenta a tenso arterial e age como um neurotransmissor no sistema nervoso.
Em situaes de stress ou de perigo, a adrenalina lanada no sangue mobiliza as
energias, produzindo efeitos semelhantes aos do sistema nervoso simptico: a ten-
so arterial sobe, modifica-se a distribuio do sangue, aumenta a tenso nos msculos. A energia necessria  suprida pela glicose libertada pelo fgado. As glndulas supra-renais desempenham um importante papel quando experimentamos a
sensao de medo, ansiedade e angstia.
GLNDULAS SEXUAIS                                      V-
As glnchilas sexuais desempenham uni papel fundamental no desenvolvi_ mento e no comportamento humanos.
Na mulher so os ovrios que produzern a progesterona e os estrognios. No homem so os testculos que produzem a testosterona.
 no decurso da puberdade que as        hormonas sexuais ou gnadas desenca- A testosterona 
deiam grandes transformaes.                                                            nd spensvel 
espermatognese.

@A p,,gelema  ^^ gregada pe os
A testosterona favorece o crescimento muscular e sseo, bem como o desenvolvimento dos caracteres sexuais primrios, isto , os traos fsicos que distinguem os
sexos;  directamente responsvel pela reproduo, concretamente a produo A
dos espermatozides pelos testculos. Paralelamente, ocorre o desenvolvimento de caracteres sexuais secundrios: o crescimento dos rgos sexuais, o cresci-
men
to dos plos axilares e pbicos, da barba, a mudana de voz...
O  termo  estrognio designa   as hormonas sexuais femininas que provocam as
mudanas pubertrias (menstruao) e a capacidade de reproduo.
A progesterona estimula o desenvolvimento dos rgos sexuais e permite o
prosseguimento da gravidez. So os estrognios que desencadeiam o aparecimento dos caracteres sexuais secundrios: o alargamento das ancas, o desenvolvimento dos seios, o crescimento dos plos axilares e pbicos...
AS HORMONAS, O HIPOTLAMO E O COMPORTAMENTO SEXUAL
TXT0W@            Existe Lima relao entre o coiiil)ort@,iiiiciito sexual, o hipotlamo e as hormo-
2 7
nas sexuais, quer nos seres humanos, quer nos outros animais. A importncia do hipot@,Lianio no comportamento sexual tem sido largamente demonstrada. A estimulao  de  determinadas   zonas do hipotlamo desperta, entre outras respostas,
o impulso sexual. Existem ainda clulas que influenciam o comportamento sexual, tendo em conta o
4@
nvel de hormonas sexuais no sanM
gue.
As ---Iandulis, sexuais tm Lima influncia decisiva no comportamento.  Por exemplo, a ablao das glndulas sexuais em animais domesJOI,
ticos altera completamente o seu COMportamento.
Os efeitos de castrao no homem, p
aticados antes da puberdade,      so r
evidentes: no ocorrem os caracteres sexuais secundrios e o impulso sexual desaparece. So tambm conhecidas as alteraes psicolgicas decorrentes da castrao - desde a Antiguidade so descritos os comportamentos particulares dos eunucos,

Enquanto que existe uma relao directa entre o funcionamento hormonal e o comportamento sexual nos animais inferiores, nos animais superiores - por exemplo,
nos macacos - este processo  complexo e indirecto.
Concretamente, no ser humano no existe uma relao mecnica de causa-
-efeito. Por exemplo, a resposta sexual da mulher  independente do controlo hormonal: mulheres que se submetem a uma ablao dos ovrios continuam a ter
um comportamento sexual normal. Por outro lado, o desejo sexual no desaparece aps a menopausa.
Muitos homens a quem foram removidos, por razes mdicas, os testculos continuaram a ter um desempenho sexual normal durante muitos anos. Estes exemplos vm demonstrar que, na expresso da sexualidade humana, os factores psicolgicos se sobrepem aos factores biolgicos.
A sexualidade humana no se reduz  testosterona,  progesterona e aos estrognios.  por isso que as disfunes sexuais s raramente tm origem em disfuncoes hormonais. A sexualidade do adulto depende fundamentalmente das suas
vivncias, da sua histria de vida e da influncia social.
No captulo sobre o desenvolvimento abordars a concepo de Freud sobre a
Sexualidade, que passa pela distino entre a genitalidade resultante das modificaes hormonais que ocorrem na puberdade e a sexualidade que j se manifesta na criana.
A partir deste itinerrio podes explorar, em diferentes captulos, a questo do comportamento sexual.
itinerrio
Componente
lgica
Comportamento sexual
como motivao
combinada
p. 1 15 da I' parte
O papelda socializao/ aprendizagem
p. 137
Estdios de desenvolvimento
psicossexual p. 28 da 2.' parte
As pulses,
a libido
p, 128 da 2.' parte
Personalidade e desenvolvimento
psicossexual p. 169 da 2.' parte
Modificaes fisid@
cas/psicolgicas na
adolescncia
p. 50 da 2.' parte

Quadro 11 -As funes das glndulas endcrinas
Glndulas endcrinas
Funes
Hipfise
Controla a actlvidade da t ride, das supra-renais e das glndulas sexuais. lnfluencia o crescimento. Coordena, com o hipotlamo a fome, a sede, a actividade sexual, a reproduo.
Pncreas
- Regula o nve de acar no sangue,
Tiride
- Regula o metabo smo ce ular,
Supra-renais
Actuam na activao das energias corporais: aumento da presso do sangue e da tenso muscular Dom nam nas situaes de ansiedade, medo ou angstia.
Sexuais
So responsve s pelas carac@er@st cas sexua s secundr@as. Proporcionam a ovulao/produo de esperma. Impulsionam o comportamento sexual.
gindulas sexuais, hipfise, hormonas, pncreas, supra^renais, tiride.
(1) Liga, com um trao, as estruturas do sistema nervoso (de A a H) com as respectivas funes.
A - Boibo raquidiano B  - Espinal medula
C  - Cerebelo D  - Crebro pr-frontal
E  - Nervos motores
F  - Sistema lmbico
1 .Actua nas situaes de tenso.
2. Conduzem as mensagens dos centros nervosos para
os rgos efectores.
3. Controla os processos mentais mais complexos.
4. Comanda o ritmo cardaco, a respirao e a presso
arterial.
S. Liga os dois hemisfrios cerebrais assegurando a parti-
lha das informaes.
6.  o centro coordenador de actividades reflexas. G - Sistema nervoso simptico      7. Desempenha um papel importante na emoo, motiva-
o e agressividade. H -Corpo caloso                    8. Assegura a manuteno do equilbrio e a coordenao
da actividade motora.
"O sistema endcrino, tal como o sistema nervoso,  uma hierarquia, uma integrao funcional de equilbrios bormonais, e a hip@fise representa o seu mais alto nvel de
integrao glandular
JEAN DELAY
2. 1. D dois exemplos que demonstrem que as hormonas produzidas pelas glndulas tm
influncia no comportamento.
2.2. Explica porque  que a hipfise "representa o mais alto nvel de integrao glandular".
2.3. D exemplos que mostrem que a hipfise e o hipotlamo tm correlaes estreitas ao
nvel do funcionamento e influncia no comportamento humano.
2.4. Apresenta sumariamente o que acontece ao nvel dos sistemas nervoso e do sistema
endcrino numa situao de medo.

AGENUICA
Nesta pintura de Henri Rousseau (1844-1910) podes observar diferentes organismos vivos: plantas, animais, seres humanos.
Cada um destes seres apresenta caractersticas prprias da sua espcie. Por sua
vez, geram seres semelhantes, que herdam estruturas que determinam, por exem-
plo, que as aves voem, que os peixes nadem, que os seres humanos falem.
Este processo  explicado pela hereditariedade, isto , pela transmisso da informao gentica de uma gerao para a seguinte.
TRANSMISSO GENTICA
A informao biolgica dos traos e caracteristicas est presente nos cromosso-
mas do indivduo, No interior dos cromossornas* - que esto localizados no
ncleo das clulas - encontram-se os geiics* que desempenham um papel fundamental na transmisso dos caracteres hereditrios.
Os genes so constitudos por molculas de ADN* - cido desoxirribonucleico.
O ADN apresenta a forma de uma espiral dupla, isto , de duas cadeias entrelaadas uma na outra. Em todos os seres vivos - dos Unicelulares ao Homem - cada elemento da cadeia  composto por um grupo desoxirribose, fosfato e por uma base azotada'.  a sequncia das quatro "bases" que determina a informao gentica que definir se o novo organismo ir ter penas, escamas ou plos, ps, asas ou barbatanas.
Urna das particularidades do AM  copiar-se a si prprio: quando uma clula se divide, as novas clulas recebem uma cpia do ADN da clula-me. O cdigo gentico  por isso idntico em cada clula, a menos que surjam mutaes causa-
das por influncia do meio ambiente (por exemplo, radiaes). A este processo de diviso celular que permite a reproduo do cdigo gentico em novas clulas d-se o nome de mitose.
@1 adenina (A); guanina (G); citosina (C) e timina (T).


Contudo,  atravs de um outro processo - a meiose     que ns recebemos 23 cromossomas do pai e 23 cromossomas da me. Quando um vulo  fecundado TEXTOffi25ZZER2 por um espermatozide, forma~se o ovo ou zigoto com 46 cromossomas, isto ,
28, 23 pares de cromossomas caractersticos da espcie humana'.
O par 23  diferente nos dois sexos; na mulher  constitudo por dois cromossomas X; no homem esse par  formado por um cromossoma X C UM Y. Da me recebe sempre o cromossoma X: se o vulo  fecundado por um espermatozide (JUC tem UM cromossoma Y, nascera um rapaz; se  fecundado por uni espermatozide C0111 UM cromossoma X, nascer urna rapariga.
ou 01
6  7 8  9  i 11 12
#A 44 A4                                      11 31              &A
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21 22
@MWh,,
O ESTUDO DA HEREDITARIEDADE HUMANA
O estudo da hereditariedade humana apresenta grandes limitaes: no se podem fazer cruzamentos experimentais entre seres humanos, como acontece na gentica animal. Por outro lado, o nmero de cromossomas da espcie humana  muito elev,ido, o que torna O SCLI conhecimento mais difcil. Alm disso, a fecundidade  muito fraca e o perodo que separa as geraes  muito longo, o que dificulta a aplicao de leis estatsticas. Por isso os geneticistas recorrem a vrios mtodos: o estudo das rvores gencalgicas, o estudo dos gmeos monozigticos e a anlise do ADN.

O estudo dos glnicos monozigOticos*  um mtodo que fornece dados muito valiosos aos investigadores. Esclareamos o que so gmeos monozigticos univitelinos ou verdadeiros.
O vulo fecundado - zigoto - transporta as mensagens genticas do pai e da me. Nalguns casos acontece que o zigoto se divide em duas clulas que se separam e que geram dois indivduos com a mesma constituio gentica - os gmeos rrionozigticos. Os gnicos dizigticos` so, como o prprio nome indica, resultado da fecundao de dois vulos. A sua constituio gentica no  mais seme-
lhante do que a de simples irmos ou irms.
O estudo dos gmeos monozigticos permite avaliar as influncias da hereditariedade e do meio, dado que o patrimnio gentico  o mesmo. Qualquer diferena entre gmeos verdadeiros  devida ao meio e  interaco estabelecida com
esse meio.
O estudo da hereditariedade humana socorre~se, actualmente, de outros mtodos, concretamente de tcnicas modernas de biologia molecular que permitem proceder a uma anlise precisa do AM. As investigaes desenvolvidas no lti-
mos anos permitiram decifrar o genoma humano.
O estudo das rvores gciic@il(')gic@,ts foi durante muito tempo o meio mais usado para se estudar a transmisso dos caracteres hereditrios.
Para construir uma rvore gencalgica, temos que fazer a histria do indivduo atravs dos pais, dos avs, dos bisavs, etc. Pela anlise desta histria, pode investigar-se como  que determinada caracterstica  transmitida ao longo de geraes.
HEREDITARIEDADE ESPECFICA E INDIVIDUAL
Os indivduos que pertencem  mesma espcie apresentam caractersticas comuns.  a hereditariedade especfica que  responsvel pela transmisso dos caracteres que distinguem Lima espcie das outras e que assegura, por exemplo, que um casal de gatos gera um gato, e que um homem e uma mulher geram um ser humano.
@@ram1)m dcsignado@ bi\ ite1in0@, I)CtCfOZigtiCOS OU g111COS f@11S0S.

A licreditariedade especfica assegura o patrimnio gentico comum a uma populao, determinando a sua constituio e alguns comportamentos.  graas  hereditariedade especfica que as abelhas constroem a colmeia, as cegonhas migram, os castores constroem os diques. Estes padres fixos de comportamento so determinados pela hereditariedade especfica.
Contudo, cada indivduo de uma espcie apresenta caractersticas prprias que o distinguem de todos os outros elementos. Dentro de uma espcie existem variaes de hereditariedade que tornam um indivduo nico.
Para alm dos gmeos monozigticos, todos os seres humanos so geneticamente distintos, existindo uma grande diversidade no seio da espcie humana: cada ser humano  distinto de todos os outros. Estas diferenas permitem-nos falar de uma licreditariedade indi\,idual,
Podemos, pois, afirmar que cada um de ns tem a sua hereditariedade especfica e a sua hereditariedade individual.
HEREDITARIEDADE E MEIO
Ao estudarmos os mecanismos de transi-nisso hereditria, PrOCLIrlnOS explicar as diferenas entre as espcies e entre os indivduos.
Contudo, j faz parte do senso comum considerar o meio como factor corresponsvel na determinao dessas caractersticas.  grande a polmica em torno de saber qual dos factores -                        e mais importante na determinao das capacidades e comportamentos de um indivduo.  a questo que vamos tentar esclarecer.
NOAO DE GENOTIPO E FENTIPO
Como j vimos, ns herdamos uni conjunto de genes provenientes dos nossos progenitores. Designamos por ---cuo[ipo o
patrimnio liereditrio com que fomos dotados. C       ntudo, as
caractersticas de um indivduo no dependem apenas do cdigo gentico que recebem aquando da sua concepo - ele sofre a influncia do meio ambiente. Designamos por 1'cii(')til)o todas as
caractersticas fisiolgicas e psicolgicas que um indivduo apresenta. O fenOtipo corresponde  "aparncia" do indivduo, ao
conjunto de traos que resulta da interaco entre o gentipo e o meio.
O fentipo  o resultado da aco concertada de dois factores:
a informao gentica;
a influncia do meio.
O gentipo pode contribuir para a possibilidade de desenvolver membros longos e grande massa muscular. Contudo, a subnutrio ou a falta de exerccio impediro o desenvolvimento das capacidades atlticas.

A INFLUNCIA DO MEIO
Podemos considerar que o meio engloba todos os elementos externos que intervm no desenvolvimento de um indivduo. Neste sentido pode afirmar-se que, desde que  concebido at morrer, o indivduo sofre influncia do ambiente. A noo de meio, de ambiente, alargou-se ao meio intra~uterino. Vejamos a sua
influncia no desenvolvimento.
O meio intra-uterino
Desde o incio da vida, o meio comea a actuar sobre o novo ser - da a importncia do meio intra-titeririo, onde a criana se vai desenvolver ao longo de
nove meses.
Dado que o sangue do feto  o mesmo da me, o regime alimentar e a sade materna influenciam o desenvolvimento do corpo e do crebro do beb. A subnutrio grave pode ter como consequncia um retardamento no desenvolvimento cerebral e, portanto, futuras limitaes mentais.
Certas doenas da me - diabetes, sfilis, toxoplasmose, rubola, sida, etc. -
podem determinar perturbaes fsicas e/ou mentais na criana.
Os produtos qumicos - por exemplo, medicamentos ingeridos pela me -, ao serem incorporados na corrente sangunea, podem afectar de diferentes maneiras o desenvolvimento d-,i criana. So conhecidas as deformaes fsicas (crianas sem braos ou sem pernas) produzidas por um tranquilizante usado pelas grvidas na dcada de 50 - a talidomida.
Os bebs de mes toxicodependentes (em herona e cocana, por exemplo) podem tornar-se dependentes da droga ainda no tero materno, apresentando, ao
nascer, sintomas de carncia tais como irritabilidade, inquietao, vmitos, convul~ ses, insnias.
A ingesto de lcool em
quantidade, durante a gravidez, pode provocar o que se designa por sndroma alcolica fetal: problemas de coordenao motora, distores nas articula~ coes, anomalias faciais, inteligncia subnormal...
O estado emocional da me tambm pode ser um elemento perturbador. Sabe~se hoje que, quando a me vive uma crise emocional grave, os movimentos do feto aumentam muito significativamente. Estudos de correlao sugerem que bebs cujas mes viveram situaes de grande stress durante a gravidez apresentam grande instabilidade e excesso de choro, durante a
primeira infncia.

3                     15 ------              4 -s@s
A maturao
A ru-aturao  o conjunto de transformaes fisiolgicas que decorrem desde a fecundao at ao final do desenvolvimento do indivduo. Consiste numa sequncia de mudanas "programadas" nos vrios sistemas biolgicos - sistemas
nervoso, endcrino, muscular, sseo...
As potencialidades para o desenvolvimento realizam_se  medida que a criana cresce, segundo um
determinado programa. Assim, no se pode ensinar uma criana de cinco meses a andar porque ela ainda no possui as estruturas nervosas, musculares e psicolgicas para o fazer. Pela mesma razo, uma criana s comea a construir frases por volta dos dois anos  e
a ler e a escrever cerca dos seis anos.
Contudo, neste processo no est presente apenas o programa gentico: o meio tem um papel vital em
todo o processo, concretamente ao nvel da maturaao do sistema nervoso. Como podes observar na
imagem, que apresenta seces do tecido nervoso do crtex cerebral, os neurnios aumentam de tamanho desenvolvendo-se o nmero de axnios e dendrites. D-se um processo de maturao das clulas nervosas tor-
nando-se mais complexas as conexes que se estabelecem entre elas. Neste processo uma criana gravemente subnutrida pode ver reduzido o nmero de neurnios cerebrais.  por isso que uma boa alimentao, nos primeiros anos de vida,  fundamental para o desenvolvimento e capacidade intelectual da criana.
Tambm o desenvolvimento psicomotor, essencial para todas as capacidades humanas, passa por etapas definidas segundo uma determinada sequncia. Contudo, este processo est dependente da estimulao sensorial e afectiva.
Estudos feitos em crianas que vivem em instituies tipo internato, onde so
pouco acompanhadas e estimuladas durante os primeiros tempos de vida, demonstram que estas possuem frequentemente menos habilidades motoras, dificuldade em relacionar-se com as pessoas, passividade, dfices no desenvolvimento intelectual. Se a privao de estmulos se mantm, estes dfices podem tornar-se irreversveis.
Assim, podemos concluir que a hereditariedade proporciona potencialidades que precisam de um meio favorvel para se desenvolver. Por exemplo, as crianas selvagens criadas entre animais sem contacto humano so incapazes de andar, falar e agir como seres humanos.
(1) Contacta com um Centro de Sade, Maternidade ou um Centro Materno-Infantil ou uma
delegao da Associao para o Planeamento da Famlia (APF).
1.1. Entrevista um tcnico (mdico, enfermeiro, assistente social ou psiclogo) para obteres
mais dados sobre o assunto que acabmos de tratar. Completa a informao recolhendo material de divulgao sobre os cuidados materno-infantis.

H ERDADO/ADQUI RIDO
O que  que do nosso comportamento, das nossas ideias, sentimentos, emoes e conscincia  determinado pela carga gentica? O que  aprendido no con-
texto da interaco do indivduo com o meio social? Dito de outro modo: o que  inato e o que  adquirido? Esta  uma das questes mais polmicas que atravessam no s a psicologia como outras cincias.
A questo do carcter da inteligncia  uma das mais discutidas.  esta tambm a questo que vamos abordar de seguida.
HEREDITARIEDADE E INTELIGNCIA
Uma das questes que tm provocado mais controvrsia e debate  a de saber at que ponto a inteligncia dos indivduos  determinada pela fiereditariedade ou
pelo meio. As repercusses educativas, polticas e sociais da questo colocam~na muito para alm do domnio da cincia. Desta esperar-se~iam respostas objectivas e concludentes; contudo, a complexidade do problema - distinguir claramente o
que  devido ao meio e o que  devido  hereditariedade - s permite respostas aproximadas. Vamos, muito sucintamente, referir alguns estudos sobre a questo.
Teria sido Francis Galton o primeiro a investigar o assunto com alguma intencionalidade e mtodo. Em 1869, desenvolveu um estudo para conhecer at que                     29
ponto o factor gentico determinava a inteligncia. Constatou que determinadas famlias, como a sua, reuniam pessoas cujo trabalho reflectiria um alto nvel de inteligncia. Mais ainda, concluiu que os parentes mais prximos de indivduos ilustres tinham tendncia a ser mais bem sucedidos do que os mais distantes. Assim concluiu que a inteligncia era determinada pela hereditariedade.
Este trabalho, que esquece os factores relacionados com o meio na determinao do nvel intelectual, deu incio a uma srie de investigaes sobre o assunto.
Na dcada de 20, Terman desenvolveu um estudo, envolvendo centenas de crianas, em que procurava estabelecer uma correlao entre o quociente de inteligncia (Q1) e o sucesso na vida. Para alm desta investigao, Terman e
Merril correlacionaram o quociente de inteligncia mdio das crianas com a profisso dos pais. O estudo foi feito numa amostra representativa da populao branca dos EUA.

Pelo quadro podes constatar que existe uma correlao entre o Q1 e o nvel socioeconmico. Este estudo cliama a ateno para a influncia que um meio estimulante que responda s necessidades cognitivas tem no desenvolvimento intelectual. Estes dados foram confirmados em estudos desenvolvidos na populao negra, bem como em pases europeus e no Japo.
Quadro 12 - Quocientes de inteligncia relacionados com a profisso do pai
Profisso do pai
Q1 mdio das crianas
Liberal
16
Sem@i beral e. administrat va                                                                       111
Escritrio, comrcio, profisso especial zada
107
Semiespecializada, escriturrio, empresas comerc ais importantes
104
Certo nve de especializao
99
Operrios indiferenciados
96
CARDOSO, A., FRIS, A, e FACHADA, O., Rumos da P,@icologia, Ruirio, 1992, p. 181
Noutro estudo recente obteve-se uma correlao de +O,43 entre a qualidade do meio familiar e o QI. Esta correlao indica que quanto mais elevada  a quali~ dade do meio familiar mais elevado  tambm o Q1 da criana.

Quadro 13 - Correlao entre os Q1
Parentesco
N.' de estudos
Correlao mdia
Crianas sem parentesco criadas separadamente
4
-O,01
Pais e filhos adoptivos
3
+O,20
Crands sem parentesco criadas em conjunto
5
+O,24
Irmos cnados separadamente
33
+O,47
Irmos crados em conjunto
36
+ O,55
Gmeos idnt cos cr ados separadamente
4
+O,75
Gmeos @dnticos criados em conjunto
14
+O,87
Avs e netos
3
+O,27
Pais e fijhos
@ 3
+O,50
SPRINTIJALL N. e SPRINTHALI, R., NicO1(@qia Educacionat, NNlcGr@iw-Hill, 1993, p, @r53
Pela anlise do quadro podemos concluir que o Q1 esta relacionado com fac~
tores hereditrios e ambientais.
Podemos concluir que a componente gentica  um factor muito importante no
desenvolvimento e capacidade intelectual. Contudo, os factores do meio desempenham um papel decisivo na determinao do modo como a componente gentica se expressar. Retomaremos a questo no captulo sobre a inteligncia.
"Todo o comportamento humano, incluindo o comportamento inteligente,  produto da hereditariedade em interaco com o meio e com o tempo. Este  um
dos axiomas bsicos da psicologia e em nenhuma rea a validade deste axioma
, to evidente como no domnio da inteligncia. "
SPRINTI1ALL N. e SPRINTHALL, R., oi). cit- p, 4,@,@
A hereditariedade e o meio no so realidades independentes. So dois plos de uma realidade - o indivduo - que interagem determinando o desenvolvimento
orgnico, psicomotor, a linguagem, a inteligncia, a afectividade...

itinerrio @
Terminamos com um texto que sintetiza e ilustra a relao indissocivel entre hereditariedade/meio.
"( ... ) h, seguramente, uma base gentica para a ansiedade, como, de resto, para todas as caracteifsticas humanas. Herdamos no apenas a cor dos olhos ou o tom dapele, mas tambm muitas outras caractedsticas, nomeadamente psicolgicas. Assim, h pessoas que nascem psicologicamente predispostas para serem, por exem-
plo, mais activas ou maispassivas, mais ou menos impulsivas, mais ou menos obsessivas, mais ou menos alegres e, certamente tambm, mais tensas ou mais calmas.
No entanto, o que somos psicologicamente num determinado momento da vida no se restringe ao que recebemos como herana gentica. Esta d, obviamente, predisposes para certas tendncias, mas sobre esse "terreno" vai acontecer muita coisa ao longo da vida;  sobre essa base que a cri   1ana vai.  vi.ver, sentir, amar, ter medo, interagir, aprender, sofrer, ganhar autonomia progressivamente, crescer, enfim. E as experincias que se vo adquirindo e acumulando vo deixando memria e moldando comportamentos e atitudes, vo interagir com as predisposies genticas e definir, finalmente, o que cada pessoa  em cada momento.
Isto quer dizer que dois gmeos verdadeiros, com a mesma berana gentica, educados em dois contextos diferentes, seguramente se tran,@frmam em duaspe,,Noas psicologicamente muito diversas e milhares de exemplos confirmam isso. Dizendo de outra,forma, em relao  modelagem desentimentos, comportamentos e atitudes, h uma grandeparte que depende defiactores educativos e sococulturais. "
PEREIRA, A. S., EsteMedo Sem Sentido.... Edintcr@ 1998, pp. 100-101
O debate sobre o papel da hereditariedade e do meio na definio do comportamento e das capacidades humanas manifesta~se em vrias vertentes. Neste itinerrio desenvolvemos trs possibilidades de explorao: o comportamento sexual, a personalidade e a inteligncia.
Influncias hereditrias
p. 162 da 2.' parte
Meio social
p. 163 da 2.` parte
Experincias
pessoais P. 165 da 2.` parte


(1) 'A hereditariedade e o meio no representam realidades independentes cujas aces se
associam, no so variveis autnomas, mas sim dois plos de uma dialctica que origina e organiza essa luz de um lado e de outro'que  o indivduo. "
LUCIEN MALSON
1.1. Explica porque  que o autor afirma que a hereditariedade e o meio "no so variveis
autnomas". Recorre a exemplos para ilustrar a tua resposta.
1.2. Esclarece os conceitos de gentipo e de fentipo.
1.3. Indica os meios utilizados pelos investigadores para avaliarem a influncia da hereditarie-
dade no comportamento.
G@ 'Se dois homens tomados ao acaso da populao diferem sempre mais ou menos um do
outro, , em primeiro lugar, porque receberam dos pas heranas diferentes, mas  tambm porque desde o ovoforam submetidos a circunstncias dissemelbantes. "
JEAN ROSTAND
2. 1. A partir do texto, explica a diversidade dos comportamentos.
"Toda a pessoa  o resultado de uma complexa histria de desenvolvimento, em que se entrelaam factores hereditrios e experienciais. Comea a vida como uma clula nica, cujo potencial hereditrio total se apresenta em forma de mecanismos meticulosamente codificados. Durante o curso da sua existncia, um nmero imenso de acontecimentos multiculturais interage com o potencial herdado, para produzir um organismo cada vez mais complexo.
C. TELFORD e J. SAWREY
3.1. A partir do texto, mostra que o comportamento humano resulta de factores heredit-
rios e de factores ambientais.
(4) "Esta questo levou a um longo debate que repercute a controvrsia natureza-cultura. H quem considere que aquilo em que nos tornamos depois do nascimento  firuto, principalmente, do meio e da aprendizagem. De modo alternativo, h quem pense que o principal rumo do desenvolvimento humano , em grande medida, predeterminado pela nossa natureza biolgica hereditria, um desabrochar de potencialidades que sempre existiram.
GLEITMANN
4. 1. Explica de que modo a controvrsia reflectida no texto  hoje superada.
4.2. Apresenta um exemplo que justifique a tua resposta.

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HERMAN MELVILLE
"NO PODEMOS VIVER ISOLADOS PORQUE AS NOSSAS VIDAS
ESTAO LIGADAS POR MIL LAOS INVISIVEIS."
A psicologia social tem como objecto os processos psicolgicos que tm origem no grupo. Sero as interaces entre os indivduos, entre os indivduos e o grupo e entre os grupos o objecto da psicologia social.
Os psiclogos sociais vo procurar conhecer a natureza e as causas dos nossos
comportamentos, pensamentos, sentimentos que se revelam nas situaes sociais.
Porque nos comportamos de determinado modo, como formamos e mudamos as nossas atitudes e crenas, porque tomamos determinadas decises, como reagimos, o que pensamos sobre os outros... so algumas das questes que a psicologia

social aborda. De uma forma muito genrica, poderamos dizer com Moscovici: "Os psiclogos sociais tendem a definir o seu campo como o dos estudos da interaco social." Para conhecer a forma como estas interaces se desenrolam e se cruzam, a
psicologia social estabelece relaes interdisciplinares com outras reas do saber, concretamente com a sociologia e a antropologia.
Desde o nascimento at  morte o ser humano est marcado e marca a sociedade em que se encontra inserido.  dificil entender o comportamento humano sem ser num contexto social, em interaco com os outros. Ser aceite pelos outros, ter um grupo de pertena com afinidades e padres de comportamento comuns, ocupar um lugar na sociedade so fortes motivaes sociais que determinam a vida de cada um. Inerente a este viver em sociedade, o indivduo submete-se a normas, a padres de conduta, ao sistema de valores. A necessidade de ser aceite, de se
integrar so alguns factores que o levam a submeter-se s diferentes formas de presso social.
 o conjunto dos processos complexos inerentes  interdependncia do indivdUO e da sociedade que constitui o objecto deste captulo. E podemos comear com um pequeno texto de Edgar Morin.
Y .. ) os indivduos,fazem a sociedade, quefaz os indivduos. Os indivduos dependem da sociedade, que depende deles. Indivduos e sociedade coproduzem-se num circuito recursvo permanente em que cada termo  ao mesmo tempo produtorIproduto, causalefeito, fim/meo do outro. "
MORIN, E., Os Problemas do Fim do S@cu1o, Editorial Notcias, 1987, p. 88

HOMEM COMO SER SOCIAL
- 1,1^
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No captulo anterior reconhecemos que partilhamos uma herana gentica que nos define como seres humanos. A nossa estrutura cerebral permite-nos desenvol-
ver a linguagem e interpretar os estmulos provenientes do meio. Contudo no basta esta herana gentica para nos tornarmos humanos. O exemplo das crianas TMO,RY,@"    selvagens  disso prova.
3o   Todos os seres humanos sentem fome e sede, frio e calor, todos os seres
humanos dormem e sonham, sorriem e choram, amam e odeiam. Quando estuda-
res a psicologia do desenvolvimento, reconhecers algumas regularidades: a
importncia da relao me~filho, a reaco do beb ao rosto humano, a estra-
nheza a pessoas no familiares, expresses de pensamento mgico em crianas pequenas, etc.
"Um visitante que chegasse do espao e que descesse em qualquer lugar descobriria seres humanos que praticam desportos, que intervm em jogos, danas e
fiestas, que cantam e professam cultos, que vivem em famlias e formam grupos.

Ser humano significa ser mais parecido do que diferente.  o conjunto destas tendncias de conduta universal que define a natureza humana.
Entre as nossas semelhanas, a mais importante - o trao distintivo da con-
duta da nossa espcie -  a nossa enorme capacidade para aprender e nos adaptarmos. Por irnico que parea, esta semelhana fundamental possibilita a
diversidade humana. "
MYERS, D. G., Psicologia, Mdica Pan-Americana, 1994, p. 523
 precisamente a capacidade de o ser humano se adaptar ao meio, transformando-o, que o distingue dos outros animais. Enquanto que estes esto dotados de mecanismos biolgicos que, por exemplo, os defendem do frio, o ser humano teve que construir abrigos, produzir roupas que o protegessem das temperaturas extremas e das intempries. Para assegurar a sua sobrevivncia, desenvolveu aces sobre o meio e das quais resultou tudo o que nos rodeia: os campos cultivados, as casas, as estradas, o vesturio, a electricidade, as mesas, os pratos, os lpis, os automveis, os medicamentos, etc.  a fraqueza biolgica que obriga o
ser humano a intervir no meio, a produzir cultura.
Contudo, a cultura no se manifesta apenas nas produes materiais: as formas de comportamento, os usos e os costumes, os sistemas de valores, as formas de expresso, as normas polticas, religiosas e morais, a concepo de mundo e
de morte, o conjunto dos saberes organizados nas cincias, a organizao social constituem ciffiura.  na capacidade de o ser humano se adaptar ao meio e de transmitir s geraes seguintes as suas conquistas,  na sua capacidade de aprender que reside a linha que distingue o ser humano do animal.
Mscha Titicv usa o termo cultura @para descrever a srie completa de instrumentos no geneticamente adquiridos pelo ser humano, assim como todas as facetas do comportamento adquiridas aps o nascimento".
TITIEV, M., Iniroduo  Antropologia Cultural, F. C. Gulbenisi2n, 1985, p. 13
Edgar Morin, por sua vez, considera:
'@A cultura no  um mero suplemento de que us"1@uem as sociedades buma~ nas por contraste com as sociedades animais.  ela que institui as regras-normas que organizam a sociedade e governam os comportamentos dos individuos,constitu o capital colectivo dos conhecimentos adquiridos, dos saberes prticos aprendidos, das experincias vividas, da memria bi,@trco-mtca, da prpria identidade de uma sociedade,
MORIN, E., 'Para uma Sociologia do Conlieciiiiento', Sociolqgia - Problemas e Prticas, n.' 6, 1989, p. 19
As componentes biolgicas e culturais esto, no ser humano, intimamente ligadas. Edgar Morin considera: " O Homem como um ser bio     O cultural".
t

RELATIVIDADE CULTURAL
TEXMOEZ123=2r4    A cultura  um fenmeno universal que se manifesta em todas as sociedades
humanas como forma de responder s necessidades dos seres humanos. A fome, a sede, o impulso sexual, a procriao, a comunicao so necessidades bsicas cuja realizaao assume diferentes concretizaes ao longo da histria e ainda hoje se
manifestam de diferentes maneiras em diferentes lugares. O mesmo se passa com a organizao do trabalho, a educao, as leis, as regras de convvio, a vida nos grupos sociais, a msica, a arte, a dana. Isto , no existe uniformidade na resposta a todas essas necessidades: no h uma cultura, mas vrias culturas.
No existe uniformidade nas respostas s vrias situaes e contextos com que as comunidades humanas se deparam. Da podermos falar de relatividade cultural: so diversos os modos de sobreviver, viver e conviver. As diferentes culturas reflectem formas especficas como as comunidades humanas, ao longo do tempo
* nos diferentes espaos, organizam a vida social. A cultura varia assim no espao
* no tempo.
Tomemos como exemplo o acto de chorar:  um acto que envolve, por um lado, uma componente biolgica, que se concretiza no funcionamento das glndulas lacrimais, e, por outro lado, Lima componente psicolgica - choro porque estou triste, choro de raiva, de dor, de emoo, de alegria. Contudo, chorar  uma
expresso que, na nossa sociedade, esta sobretudo confinada  mulher, porque ,,um bomem no cbora". 'fXTOEM~13l,      Mas nem sempre foi assim. Anne Vincent Buffault, no seu livro Histria das Lgrimas (1994), refere que, no sculo XVIII, os homens demonstravam a sua emoo chorando, ao ler um romance, ao ver uma pea de teatro, quando viviam situaes de dor ou at de alegria.  no sculo XIX que os imperativos burgUeses pen i em causa o choro como forma de expresso. A partir de ento, regras e
normas limitam o homem ocidental de chorar, pelo menos em pblico. Mas,
mesmo nos nossos dias, a forma como se chora, quando e porque se chora varia
nas diferentes culturas.

PADRES DE CULTURA
A diversidade cultural manifesta-se em diferentes padres culturais: o que
comemos e quando comemos, o modo como nos cumprimentamos, os hbitos de higiene, as relaes entre pais e filhos, homens e mulheres, o modo como ocupamos os tempos livres constituem comportamentos padronizados previstos numa
determinada sociedade.
Podemos definir padro de cultura como o conjunto de comportamentos comuns aos membros de uma cultura, de um grupo social.
"A histria da vida individual de cada pessoa , acima de tudo, uma acomodao aos padres deforma e de medida tradicionalmente transmitidos na sua comunidade de gerao em gerao. Desde que o indivduo vem ao mundo, os
costumes do ambiente em que nasceu moldam a sua experincia dos,factos e a
sua conduta. Quando comea a falar, ele  o fruto da sua cultura, e quando crescido,  capaz de tomar parte nas actividades desta, os hbitos dela so os seus hbitos, as crenas dela as suas crenas, as i   .ncapacidades dela as suas
incapacidades. Todo aquele que nasa num grupo do lado oposto do globo adquirir a milsima parte dessa herana. Nenhum outro problema social nos
cabe mais fiorosamente conhecer do que este papel que o costume desempenha na Jormao do individuo."
BENEDICT, R., Os Padres de Cultura, Livros do Brasil, s/d
Ruth BenediCt Utiliza o termo " compulso social" para designar o carcter -Y0
-33 "e34 normativo dos padres de cultura. Os prprios conceitos de bem e de mal, de con-
veniente e de inconveniente, as manifestaes de afectividade e at a forma de ver e de pensar so condicionados pela cultura em que se est inserido. Geralmente, o
indivduo no tem conscincia da existncia dos padres de cultura, estando con-
victo que o seu comportamento (escolher um disco, Lima roupa, uma refeio, etc.) exprime to~s os seus gostos e desejos pessoais.
ACULTURAO
As Culturas no so nem rgidas nem fechadas: reflectem os processos de desenvolvimento da sociedade, as suas aquisies e mudanas. Por outro lado, cada cultura relaciona e reinterpreta o seu sistema, no contacto com culturas diferentes.
A aCUlturao designa os processos complexos de contacto cultural atravs dos quais as sociedades ou os grupos sociais assimilam hbitos e valores culturais de outras sociedades ou de outros grupos. A aculturao  o
conjunto de mudanas culturais que se produzem nos
modelos originais devido ao contacto contnuo com outros modelos.
A colonizao e a emigrao so dois bons exemplos do processo de aculturao, que se caracteriza pela reformulao das prticas, costumes e crenas originais a partir dos valores e das normas da sociedade dominante.

Nos nossos dias, os meios de comunicao social, o turismo, a emigrao, as
trocas comerciais, a deslocao de populaes tm proporcionado a transmisso de novos modelos comportamentais na alimentao, no vesturio, na msica, na
arte, na tecnologia, na prpria lngua. Alguns destes modelos comportamentais so fcil e rapidamente assimilados e reintegrados, mas outros so rejeitados. Cada cultura, a partir dos prprios referentes e projectos culturais, faz uma seleco.
Sobre este assunto, aconselhamos-te a ler a entrevista com a antroploga Eglantina Monteiro (ver p. 172).
D  E
Tara a maioria daspessoas, apalavra 'cultura'indica um alto nvel artstico ou intelectual, o progresso da arte ou da cincia, a literatura, a filosofia, a expresso do gnio de um povo. Para o cientista social, o conceito engloba tudo isso e muito mais; pode dizer-se que abrange tudo quanto uma pessoa obtm como membro de uma sociedade, todos os
bbitos e aptides adquiridos por tradio, assim como todos os objectos materiais .fabricados pela comunidade. A cultura manifesta-se em obras de arte ou de erudio, mas tambm na cozinba e nas roupas, na natureza das nossas relaes familiares e
sociais, no nosso sistema de valores, na nossa educao, na nossa ideia de bem ou de mal, na nossa maneira de construir casas, nas nossas aspiraes e confiana no futuro, na nossa atitude em relao aos estrangeiros.
OTTO KLINEBERG
1.1. Define cultura.
1.2. Faz uma lista com as manifestaes de cultura que encontras no texto.
Edgar Morin afirma que "todo o acta humano , ao mesmo tempo, totalmente biolgico e total-
mente culturar'.
2.1. Identifica e caracteriza as componentes culturais em comportamentos que tm uma evi-
dente matriz biolgica: a fome, a sede, o sono, o impulso sexual.
2.2. Faz uma lista de alguns comportamentos que reflictam os padres de cultura portuguesa
contempornea.
(3)   A Histria apresenta inmeros casos em que o processo de aculturao ocorreu de forma violenta: em que o patrimnio cultural de um povo foi parcial ou totalmente destruido.  o
que se designa aculturao por destruio ou desculturao. Em muitos casos, o etnocdio
cr @i --ego       C1@,e         foi acompanhado de genocdio, isto , do extermnio fsico de uma populao. Contudo, s     c,1
q,.e          estes processos no se confinam ao passado: acontecimentos contemporneos so expres-
ses de aculturao por destruio.
Propomos-te que:
3.1. Recordes episdios da Histria universal em que ocorreram este tipo de fenmenos;
3.2. Recolhas na imprensa diria notcias que exprimam, na tua opinio, processos de acultu-
rao por destruio.

SOCIALIZAO
'A partir do primeiro momento do nascimento, um beb comea a sentir o
impacto da cultura: na maneira como vem ao mundo; na maneira como o
cordo umbilical  cortado e amarrado; na firma como  lavado e segurado e
na maneira como  ei@faixado ou vestido. Um pouco mais tarde, uma criana recm~nascida comea a comportar-se boculturalmente e,  medida que vai crescendo, ir abandonando os aspectos puramente biolgicos e aceitando os
valores culturais...
Por muito que as sociedades e as culturas procurem satiqzer as exigncias infantis, no b nenbum grupo de seres bumanos que abandone instantaneamente as suas ocupaes para alimentar uma criana ao primeiro sinal de fiome, ou Ibe permita uma liberdade muscular absolutamente ilimitada, ou que lhe deixe, sempre, fazer as suas necessidades quando e onde quiser Mais cedo ou mais tarde a criana tem de aprender a comer, a mover-se e afazer as suas
necessidades de acordo com um conjunto predeterminado de coisas consideradas prprias e imprprias que prevalece na sua sociedade. "
TITIEV, M., op, cit, 1985
O processo de incluso de uma criana na cultura a que pertence inicia-se logo no momento do seu nascimento: o modo como  assistida no parto, a
maneira como  lavada, tratada e vestida so j marcas da cultura em que a criana nasce.
Designamos por socializao o processo de integrao do indivduo numa nmE="3, determinada sociedade.  atravs da socializao que o sujeito apreende e assi-
mila comportamentos, regras, normas, valores, rituais, formas de estar, de comunicar e de se relacionar com os outros.

A socializao  um processo contnuo que decorre ao longo de toda a vida e termina quando o indivduo morre.  um processo presente em todas as sociedades humanas, um processo dinmico, interactivo e permanente de integrao social.
MT0ESM"           Geralmente faz-se uma distino entre socializao primria e socializao
secundria. Por socializao primaria designa-se a que ocorre fundamentalmente durante a infncia.  neste perodo que a criana aprende com os outros, seguindo os modelos sociais, os hbitos alimentares, de higiene, as regras de linguagem, de relacionamento, isto , o conjunto de comportamentos socialmente aceites e considerados indispensveis  vida em sociedade.
A socializao secundria compreende o processo de integrao do indivduo nas
situaes sociais especficas que vo ocorrendo ao longo da sua vida: quando inicia ou muda de profisso, quando se casa ou se divorcia, quando tem um filho, quando ingressa num grupo cultural ou desportivo, quando se inscreve num sindicato ou partido poltico, etc. Em todas estas situaes a pessoa tem que adoptar novos papis, novos modos de agir, interiorizar normas e modelos, enfim, socializar-se.
Segundo determinados autores, a socializao primria assegura os "saberes de base", enquanto a secundria corresponde  aquisio dos "saberes especafizados" no tendo esta ltima portanto o carcter de generalidade que caracteriza a primeira.
AGENTES DE SOCIALIZAO
A socializao envolve um processo de aprendizagem que se realiza ao longo da vida atravs de vrios agentes como a famlia, a escola, o grupo de pares, os
meios de comunicao social, as organizaes religiosas, os partidos polticos, isto , todas as instituies sociais.
 no grupo em que nasce - a famlia - que decorre o processo inicial de integrao social: a criana aprende os horrios alimentares, os gostos, os hbitos de higiene C Outros, a linguagem, os valores, as atitudes, as normas de comportamento. O processo de socializao obriga a que a criana adapte os seus comportamentos biologicamente determinados s prticas culturais do grupo social a que pertence. Por isso, este processo no ocorre sem dificuldades. Os valores, as atitudes, os conhecimentos adquiridos no seio da famlia visam tornar o indivduo apto a responder de forma adequada a diferentes situaes sociais. Por tudo isto a
famlia  o agente prioritrio da socializao.
Na nossa sociedade  cada vez mais importante o papel das creches e dos jardins-de-infncia como agentes de socializao.  nesses espaos que a criana exercita desde logo comportamentos e hbitos de trabalho.
A escola  a instituio que transmite os conhecimentos cientficos e tcnicos
que iro permitir ao indivduo exercer um papel no aparelho produtivo. Contudo, a escola tem uma outra funo essencial: veicular as normas sociais, as noes ticas bsicas, os ideais da sociedade. Ser todo este conjunto de aquisies que ir facilitar a insero social do indivduo. Nas sociedades industrializadas, a escolarizao tem-se prolongado, assumindo a escola, por isso, cada vez mais importncia no processo ele socializao.
@I --Entre esses saberes especializados" esto saberes especJ@cos c, depapis directci ou iiidirccla@iieiit(, eii@-(tiz(idos na
diviso de IrubaIbo'@ A @i(liiisio (lestes saberes  essencial no processo de mudana social. (Peter Berger e Thonias Luckinarin, citados por DUBAR, G. ASoci(tIiza@,o, Porto Eclitora, 1997, 1), 96)

 no grupo de pares, isto , grupos de pessoas de idade aproximada, que se
desenvolvern relaes de solidariedade e cooperaao e se adquirem sentimentos de reciprocidade e tambm de autonomia, interdependncia e identidade social,
Os conflitos que ocorrem durante as brincadeiras ou trabalhos daro  criana a conscincia da existncia dos outros, que lhe manifestam os seus interesses e
desejos prprios.
"Sem a possibilidade de encontrar indivduos que lhes sejam iguais, as crianas no aprendem competncias de comunicao eficazes, no adquirem as competncias necessrias para modelar as suas aces agressivas, tm dfficuldades
com a socializao sexual e esto em desvantagem com respeito ,formao de valores morais. "
HARTUP, W. W., Puers PlaY, and Pathology, NewsIetter, S.R.C.D. Ine, 1997
Na adolescncia, por sua vez, o grUPO de pares vai ter um papel fundamental t@K`@,EM"37 no processo de socializao e de construo da identidade social.
Os ilicios (]e comunicao social - televiso, rdio, cinema, revistas e jornais
- tornaram-se, na sociedade contempornea, importantes agentes de socializao. A televiso assume um papel particularmente importante: os filmes, as telenovelas, a publicidade veiculam modelos de comportamento, posteriormente imitados e reproduzidos.
Outras instituies como as igrejas, as empresas, os partidos polticos, os sindicatos e o exrcito intervm tambm no processo de socializao.
Concluindo, o processo de socializao no termina com a infncia - socializao primria.  um processo que ocorre ao longo da vida, sempre que o indiv-
duo se adapta a uma nova situao e interioriza novos papis.
'A criana humana , no momento do seu nascimento, um serpuramente biolgico,
sobre o qual a cultura ainda no actuou.
Constitui um terreno virgem, pronto a receber qualquer tipo de influncia cultural, assim como aprender qualquer lngua. Subtrada ao ambiente, cultural e lingustico normal, no desenvolver condutas que, para alm da sua morfologia, permitem reco-
nbecer a sua humanidade, como o demonstraram os casos excepcionais conhecidos das crianas selvagens ou das crianas isoladas.
DROZ e RICHELLE

Depois de leres atentamente o texto responde s seguintes questes:
1.1. Desde quando  que a cultura comea a actuar sobre um indivduo?
1.2. Que tipo de comportamento ter uma criana que no contacte com o meio social?
1.3. Relaciona o processo de socializao com os padres de cultura.
Procura numa biblioteca livros que relatem casos de crianas selvagens ou isoladas. Podes comear por ler As Crianas Selvagens de Lucien Maison.
'Desde a nascena, todo o indivduo comea a receber a herana cultural, que asse-
gura a sua formao, a sua orientao, o seu desenvolvimento de ser social. A herana cultural no vem unicamente sobrepor-se  hereditariedade gentica. Combina-se com esta.
EDGAR MORIN
3. 1. A partir da afirmao mostra, referindo exemplos, que a herana cultural e a hereditarie-
dade gentica se combinam desde o nascimento.
3.2. Explica de que modo a herana cultural  transmitida.
O caso da criana selvagem descrito por Itard  um dos mais conhecidos. Em 1789,  encontrada uma criana selvagem do sexo masculino na floresta de Aveyron, em Frana.  conduzida para o Instituto dos Surdos-Mudos, em Paris, onde os mdicos lhe diagnosticaram idiotia de origem biolgica. Contudo, Itard tem uma outra concepo: o comportamento da criana seria explicado pela ausncia do contacto social. Consegue que a criana lhe seja confiada, e 
na casa do mdico que o jovem Victor viver at aos 18 anos. Apoiado pela sua governanta, o mdico desenvolve um programa de integrao no meio social, descrevendo pormenorizadamente todo o processo em relatrios. So estes que serviro de base para a realizao do filme "O Menino Selvagem" de Franois Truffaut.
Propomos-te que vejas o filme e que respondas s questes que te colocamos.
4.1. Descreve e explica o modo de locomoo da criana quando  encontrada, bem como
os progressos que registou.
4.2. Regista o processo de adaptao ao meio social:  alimentao, s regras de higiene, 
utilizao de roupa, ao contacto com os outros.
4.3. Descreve os progressos e dificuldades de Victor no desenvolvimento da concentrao,
na emisso de palavras, no desempenho de tarefas.
4.4. Descreve e comenta as relaes de afectividade queVictor progressivamente exprime.
111 @ffizado, Fw,,o@1 Tlllfflt @. @@ @@ @ILI, dsempenhou o papel de Vietor.

OS GRUPOS  2
CONCEITO DE GRUPO
Os seres humanos vivem em sociedade, integrados em grupos. Esta afirmao pode ser facilmente confirmada pela tua    experincia pessoal: acordaste no
seio de um grupo, a famlia; assistes  aula de psicologia integrado num grupo, a turma; se praticas um desporto ou uma actividade cultural, integras-te num outro grupo; se  noite vais  discoteca, acompanhas o teu
grupo de amigos. Alm disso, ainda podes pertencer a outros grupos sociais:  associaco de estudantes da tua escola, a um grupo musical, a um partido poltico, a um grupo              religioso...
Distingues, por certo, estes conjuntos de pessoas de outras "coleces" de indivduos com quem contactas: as pessoas que viajam contigo no autocarro, os espectadores de um
jogo de futebol ou de um filme a que assistes, os participantes da manifestao em que te integras, etc.
Estes conjuntos de pessoas, isto , estes agrupamentos sociais, so distintos uns dos     @tr outros, no tendo a mesma composio, finali~ dade e organizao. Da que se estabeleam em psicologia social distines entre multido*, ajuntamento*, manifestao* e grupos sociais.  sobre estes ltimos que vamos reflectir.
Podemos dizer que um grupo  uma unidade social,  um conjunto de indivduos, mais ou menos estruturado, com objectivos e interesses comuns cujos elementos estabelecem entre si relaes, isto , interagem.
Assim, um conjunto de pessoas constituem um grupo quando estas:
interagem com frequncia;
partilham de normas e valores comuns;
participam de um sistema de papis;
cooperam para atingir determinado objectivo; reconhecem e so reconhecidas pelos outros como pertencentes ao grupo.
A psicologia social vai procurar conhecer e caracterizar o comportamento das pessoas enquanto membros de um grupo. A complexidade da questo reside no
facto de, no interior dos grupos, se desenvolverem mltiplas interaces. Alm disso, uma mesma pessoa pode pertencer a vrios grupos.

Kurt Lewin (1890-1947) representa graficamente esta situao:
( - pessoa
1 - fmilia
3 - partido poltico
4 - clube
A pessoa (1@ pertence a grupos muito diferentes quanto  dimenso,  composio,  estrutura, aos papis desempenhados, ao contexto, as normas a que obedece, etc.
TIPOS DE GRUPOS
Podemos distinguir os grupos segundo mltiplas variveis. A dimenso do grupo,
os seus objectivos e tarefas, a sua funo social determinam o tipo de interaco e
comunicao que os seus elementos estabelecem. Assim, distinguem-se geralmente dois tipos de grupos: os grupos primrios e os grupos secundrios, que se diferenciam fundamentalmente pelo tipo de relacionamento.
Os grupos primrios so grupos de pequenas dimenses, caracterizados fundamentalmente por motivaes afectivas. A comunicao  directa, face a face. As relaoes so muito frequentes, caracterizando-se pela informalidade e espontaneidade.
Ex.: famlia, grupo de amigos, turma, grupo de vizinhos... Nos grupos secundrios, geralmente formados por um maior nmero de elementos que os grupos primrios, a comunicao e as relaes que se estabelecem no so directas. O relacionamento est marcado pela formalidade e impessoalidade e determinado pelos papis desempenhados.
Ex.: empresas, sindicatos, partidos polticos, associaes recreativas, etc. Tal como as pessoas, tambm os grupos interagem entre si, cooperam e
influenciam-se reciprocamente. A vida social reflecte a teia complexa entre os
diferentes tipos de grupos.
'Vm grupo  um envelope que mantm juntos os indivduos. Enquanto este envelope
nofor constitudo, pode encontrar-se um agregado bumano, mas no b grupo. "
DIDIER ANZIEU
1. 1. Distingue o grupo de outros agrupamentos sociais.
1.2. Faz uma lista dos grupos a que pertences.
(2) Os grupos constituem-se para atingir determinadas funes sociais: grupos desportivos, polticos, econmicos, religiosos, recreativos, culturais, etc.
2. 1. Recorta de um jornal dirio ou semanrio notcias ou anncios onde apaream diferen-
tes tipos de grupos sociais.
2.2. Identifica-os e caracteriza-os.

LIDERANA
No interior dos grupos estabelece-se uma diviso de funes e relaes de cooperao entre os seus membros.
O tipo de tarefas, estrutura, organizao e normas varia. Contudo, h um elemento comum a quase todos os grupos
- a existncia de um coordenador, de um lder. Mesmo nos grupos mais pequenos, h a tendncia para se escolher entre os seus membros um elemento (ou mais) que coor-
dene a actividade colectiva, para melhor atingir os objectivos definidos, para afirmar o prprio grupo.
Desde o grupo de amigos aos partidos polticos, aos bandos, aos grupos religiosos, s empresas e instituies, existem indivduos que desempenham funes de liderana de forma espordica ou continuada, de modo formal ou
informal. Frequentemente, os grupos tm dois ou mais lderes, normalmente com funes diferentes. Podemos dizer que a liderana  inerente ao grupo e  organizao.
Podemos, com Hersey e Blaulhand, definir liderana
como o 'processo de exercer influncias sobre um indivduo ou grupo de ndividuos, nos e@forospara a realizao de objectivos em determinada situao".
ESTILOS DE LIDERANA
No CXiStC UM estilo nico de liderana: h diferentes formas de o lder exercer a sua influncia e poder, de se relacionar com os elementos do grupo. Diferentes estilos de liderana geram diferentes tipos de lder, diferentes atitudes no interior dos grupos, diferentes comportamentos individuais.
Durante muito tempo vingou a ideia de que um lder teria que ter um conjunto de caractersticas pessoais que seriam necessrias e suficientes para exercer o seu
papel. At h bem pouco tempo, fazia parte do senso comum a ideia de que um
lder j nascia feito e predestinado para exercer o seu papel. Assim, a inteligncia, a personalidade, a facilidade de comunicao e at o porte fsico (serem mais altos do que os outros) seriam factores decisivos para o exerccio do poder.
Esta concepo acabou por ser abandonada depois de investigadores terem elaborado listas com centenas de caractersticas comparando-as com alguns lderes histricos como Cristo, Joana D'Arc, Lincoln, Mahatma Gandhi, Indira Ganclhi, Napoleo, Hitler. Constataram que no existe uma personalidade-padro e que Muitas das caractersticas que se encontram nos lderes esto presentes noutros elementos dos grupos os quais, no entanto, nunca assumiriam a liderana.
Kurt Lewin desenvolveu, nos EUA, em 1939, um conjunto de investigaes comff@"4="-,, Lippitt e White sobre atmosferas de liderana, aplicando o mtodo experimental.
O seu trabalho foi orientado no estudo da relao do lder com os elementos do grUPO. Pretendia observar e comparar os efeitos dos diferentes tipos de liderana no comportamento, qual o desempenho de tarefas e qual o nvel de satisfao do grupo. O grupo objecto da experincia so adolescentes que executam trabalhos

manuais. A varivel independente  o tipo de lder que vai ser simulado pelos experimentadores, que representaro trs tipos: autoritrio, permissivo e democr-
tico. Os resultados apontaram para um grau de satisfao maior no grupo de liderana democrtica. Estes trs tipos de liderana so ainda uma referncia possvel de classificao, embora existam outras.
Vamos analisar ento os trs tipos de lder propostos por Kurt Lewin: lder autoritrio, lder permissivo e lder democrtico.
Lder autoritrio
No estilo de liderana autoritria ou autocrtica o lder toma decises sem consultar o grupo. Alm de fixar as tarefas de cada um, determina tambm o modo de as concretizar. No h espao para a iniciativa pessoal, sendo este tipo de liderana gerador de conflitos, de atitudes de agressividade, de frustrao, de submisso e desinteresse, entre outras. A produtividade  elevada, mas a realizao das tarefas no  acompanhada de satisfao.
Lder permissivo'
No estilo de liderana permissiva, o lder funciona como elemento do grupo e
s intervm se for solicitado.  o grupo que levanta os problemas, discute as solues e decide. O lder no intervm na diviso de tarefas, limtando-se a sua acti-
vidade a fornecer informaes, se a sua interveno for requerida. Nos grupos com este tipo de lder, quando o grupo no tem capacidade de auto-organizao, podem surgir frequentes discusses, com um desempenho das tarefas pouco satisfatrio.
Lder democrtico
No tipo de liderana democrtica, o grupo participa na discusso da programao do trabalho, na diviso das tarefas, sendo as decises tomadas colectivamente. O lder assume uma atitude de apoio, integrando-se no grupo, sugerindo alternativas sem, contudo, as impor. Procura ser objectivo nas apreciaes que faz do desempenho dos elementos do grupo e reenvia~lhe snteses dos processos desenvolvidos. Um bom lder democrtico  aquele que  capaz de sentir o que se esta a passar no grupo sendo capaz de tomar as atitudes adequadas para ajudar o grupo a ultrapassar os seus problemas. A produtividade  boa mas, sobretudo, constata-se uma maior satisfao e criatividade no desempenho das tarefas, uma
maior interveno pessoal, bem como o desenvolvimento da solidariedade entre os participantes.
Tambm designado por laissez-faire que se traduz,  letra, por "deixar fazer".

O quadro que a seguir te apresentamos permite comparar mais facilmente os
diferentes estilos de liderana segundo Kurt Lewin.
Quadro 14 - Estilos de liderana
Autoritria
Permissiva
Democrtica
O 'der fixa as directrizes, sem qualquer participao do grupo.
H liberdade completa para as decises grupais ou individuais, com participao mnima do lder.
As directrizes so debatidas e decididas pelo grupo, estimulado e assistido pelo lder.
O lder determina as providncias e
as tcnicas para a execuo das tarefas, cada uma por sua vez,  medida que se tornam necessrias, e de modo imprevisive para o grupo.
A participao do lder no debate  limitada, apresentando apenas materiais variados ao grupo. Pode fornecer informaes desde que solicitadas.
O grupo esboa as providncias e as
tcnicas para atingir o alvo, solicitando aconselhamento tcnico ao lder quando necessrio, passando este a sugerir alternativas para o
grupo escolher, surgindo novas perspectvas com os debates.
O lder determina a tarefa que cada um deve executar e qual o seu com-
panheiro de trabalho.
Tanto a diviso das tarefas como a escolha dos companheiros ficam totalmente a cargo do grupo. Absoluta fafta de participao do lder
A divso das tarefas fica ao critrio do prprio grupo e cada membro tem liberdade de escolher os seus companheiros de trabalho.
O lder  dominador e "pessoal" nos elogios e nas crticas ao trabalho de cada membro.
O lder no tenta avaliar ou regular o
curso dos acontecimentos. O der somente comenta as actividades dos membros quando solicitado.
O Uder procura ser um membro normal do grupo. O lder  "objectivo" e imita-se aos "factos'' nas suas crit cas e elog os.
MONTEIRO, M. e Q(jElRS, I., Psicosociologia 1, Porto Editora, 2000, p. 237
IIII
(1) Identifica os diferentes tipos de liderana representados nos esquemas.
3.
G@ Adepto ou no de um clube desportivo, conheces o funcionamento de uma equipa de
futebol.
2.1. Indica as caractersticas que permitem classificar uma equipa de futebol como um grupo.
2.2. Qual  a funo do capito de equipa? Relaciona o seu papel com o conceito de
liderana.

O conjunto de processos que envolvem as trocas entre os membros de um grupo - a interaco grupal - varia segundo a dimenso do grupo, segundo o
nmero de interaces que se podem estabelecer.
O nmero de relaes que se estabelecem no interior do grupo aumenta com
a sua dimenso. Assim se um grupo  composto por duas pessoas - dade* -, estabelece-se uma relao em que se desenvolvem interaces pessoais, onde predomina a cooperao. H, geralmente, concesses recprocas, sendo a troca
social favorecida. O aumento do nmero de elementos do grupo implica um
aumento considervel no nmero de interaces.
Grupo com 2 elementos
1 relao
Grupo com 4 elementos
6 relaes
Como vs nos esquemas, o nmero de relaes entre os elementos de um grupo aumenta muito mais rapidamente que o nmero de indivduos. Numa turma de 30 alunos podem estabelecer-se 435 relaes'.
Kurt Lewin interessa-se particularmente pelos fenmenos de interaco grupal afirmando que todos os grupos tm uma dinmica prpria. Acentua que um
grupo no  um somatrio de pessoas, mas sim uma totalidade dinmica, isto , um conjunto de indivduos interdependentes que estabelecem entre si relaes dinmicas. Assim, para estudar o comportamento de um grupo no nos podemos limitar a analisar as caractersticas individuais dos elementos que o compem.
Segundo este autor, o comportamento do grupo e dos seus elementos seria explicado pela interdependncia das foras em jogo num determinado momento. A dinmica de grupo centra-se no presente; o passado s tem importncia pelas marcas existentes no que se est a passar naquele momento.
 no contexto da interaco grupal que ocorre a influncia do grupo e os
comportamentos conformistas.
O texto que se segue esclarece o conceito de dinmica de grupo.
"O estudo da dinmica dos grupos esfora-se por explicar as mudanas que se produzem no seio dos grupos, como resultado de foras ou condies que nfluenciam o grupo tomado como um todo. A dinmica dos grupos influencia tambm os processos segundo os quas o comportamento individual  modificado pela experincia do grupo e tenta clarificar a razo de certas coisas se produzirem nos grupos, os grupos se comportarem de determinado modo e os seus mem-
bros reagirem de uma certa maneira. (  ...)
Mas a dinmica dos grupos no se limita a descrever as propriedades dos grupos e os acontecimentos que lbe esto ligados; tambm se interessa pela forma como os,1nmenos observados dependem de outrosfienmenos, ou procura descobrir os princpios que definem quais as condies que os produzem e
@i Fte nmero resulta (Ia aplicao da frmula @7 01 - 1) em que n  o njyiero de indivduo,@.
2

quais os efeitos. Toca, por isso, todas as cincias sociais e visa melhorar ofuncionamento dos grupos de todas as espcies, oferecendo-lbes um conhecimento seguro das leis que governam a sua vida.
BANY, M. eJOHNSON, L LT., D),namiclite des Groupes et Fllication - Le Groupe Classe, Dunod, 1971, pp. 14-15
INFLUNCIA DO GRUPO
T,fcil seguira opinio da maioria.
SNECA (sc. VII)
A influncia  uma dimenso da interaco que se estabelece no interior do grupo pelo facto de se estar junto do outro. A interaco implica que os sujeitos ajam uns sobre os outros. Os indivduos modelam o seu comportamento segundo as normas e os valores dos grupos a que pertencem: na famlia, na escola, no
grupo de trabalho, nos grupos de lazer...  nos grupos que se realizam as aprendizagens,  nos grupos que emergem os modelos e se exercitam os papis sociais. Alis, a vida em grupo implica obedincia s suas normas formais e informais. A sua no aceitao por um elemento pode conduzir a atitudes de repreenso, represso e at rejeio.
O conceito de influncia tem sido objecto de vrios estudos experimentais, procurando esclarecer os processos que levam o indivduo a conformar-se com as
normas e as opinies do grupo. Solomon Asch desenvolveu, na dcada de 1950, uma srie de experincias que tinham por objecto avaliar o nvel de independncia ou dependncia de um sujeito face a um grupo numa situao em que se exercem presses no sentido da uniformidade de resposta e de comportamento. Organizou a experincia que passamos a descrever:
Asch reuniu, num laboratrio, sete pessoas para participar numa experincia sobre discriminao visual. Sentadas  volta de uma mesa, os participantes deveriam avaliar o comprimento da linha de um carto (A) com as trs linhas de outro carto (B).
Apenas um dos sete participantes era um sujeito "ingnuo", isto , desconhecia os verdadeiros objectivos da experincia. Os outros eram cmplices do experimentador, comportando-se de acordo com as suas indicaes.
A experinc a de Asch,

Asch perguntou ao sujeito se a linha X era do mesmo com-
primento das linhas A, B e C. De notar que o investigador colocou o sujeito "ingnuo" na sexta posio, pelo que este ouvia as cinco opinies anteriores. Os participantes cmplices davam uma resposta errada, previamente combinada. A questo era saber se o sujeito "ingnuo" do grupo diria o que realmente estava a ver ou seria influenciado pela opinio unnime do grupo, conformando-se e dando a resposta errada. Asch L  A    B   c      concluiu que 75% das pessoas aceitaram a resposta errada,
pelo menos urna vez, desprezando assim a evidncia do que viam.  Esta e outras experincias levaram o investigador a esclarecer um dos processos de influncia social - o conformismo.
CONFORMISMO E INCONFORMISMO
Por confrinisnio entende-se o processo que leva um indivduo a modificar o seu comportamento, as suas atitudes, por influncia ou presso do grupo. Mesmo face a tarefas claras e inequvocas, os indivduos tendem a conformar-se com a norma do grupo.
Como acabmos de constatar pela experincia de Asch, um dos efeitos do grupo  o conformismo face as normas, atitudes, opinies, valores e comportamentos assumidos colectivamente. Diz-se que uma pessoa  conformista quando se com-
porta em sintoma com as expectativas do grupo. Quando, embora reconhecendo essas expectativas, age de forma oposta, a pessoa mostra inconformidade,  considerada independente.
Existem presses sociais mais ou menos explcitas para a conformidade social. A recusa ou transgresso conduz ao isolamento social,  marginalizao e a aplicao de sanes.
O iii(,)iiix)i-iiii,,iiio designa a atitude de no seguir o que est socialmente estabelecido, no corresponder s expectativas dos outros. Se o indivduo no cum-
pre com as normas prescritas para o seu papel, pode sofrer sanes negativas, que podem ir da crtica  punio formal ou mesmo at  marginalizao.
Nos grupos coesos h, regra geral, maior tendncia para atitudes conformistas por parte dos seus membros.
Temos tentado identificar os factores mais relevantes que ajudem a explicar as
razes que levam as pessoas a conformarem-se, ou no, com as opinies do grupo. A dimenso do grupo  um desses factores. Asch e outros autores desenvolveram experincias com grupos de diferentes tamanhos, concluindo que haveria uma tendncia maior  influncia nos grupos com maior nmero de elementos. A unanimidade de opinies do grupo  tambm um factor que favorece o
conformismo. Na experincia que descrevemos, o sujeito "ingnuo" ouve primeiro a opinio de todos os outros e, face  inexistncia de opinies divergentes, aceita na maior parte das vezes a opinio da maioria.

Constatou tambm que determinados factores pessoais, como a auto-estima*, interferem neste processo de influncia social. As pessoas com um nvel elevado de auto-estima tendem a manifestar independncia nas suas posies. Pessoas com auto-estima mais baixa, com menos autoconfiana, apresentam com mais frequncia comportamentos conformistas.
Vrios investigadores tm tentado identificar outros factores que expliquem a
tendncia para o conformismo, concretamente a varivel de gnero* e variveis de personalidade. Contudo, os estudos levados a cabo no permitem tirar concluses concludentes sobre o papel destas variveis nos comportamentos conformistas.
A distino entre conformismo e inconformismo no nos pode conduzir  con-
cepo de que existem pessoas totalmente conformadas ou totalmente inconformadas. Por exemplo, os adolescentes apresentam, frequentemente, comportamentos inconformistas relativamente ao grupo familiar e apresentam grande conformismo no interior dos grupos de jovens a que pertencem.
Moscovici chama a ateno para a importncia das minorias activas como
agentes de mudana social. Fazem parte da nossa histria recente movimentos que protagonizam atitudes inconformistas face  sociedade e aos valores estabelecidos. Os beamiks, na dcada de 1950, os bippies, na dcada de 1960, so exem-
plos de movimentos de contracultura e que puseram em causa os padres de comportamento vigentes.
O movimento de contestao dos estudantes, iniciado em Frana, em Maio de
1968, rapidamente se alargou as fbricas, pondo em causa o sistema de ensino, as relaes de trabalho, as instituies sociais, o sistema poltico, os valores dominantes.
Man fes@aes estudant s em Par s, Ma o de @ 968.
Muitos aspectos do nosso viver actual esto marcados pelas mudanas radicais introduzidas por estes movimentos, quer ao nvel das mentalidades, quer ao nvel dos comportamentos. Alias, a histria da Humanidade tem sido construda, em
grande parte, por processos de ruptura, integrao e reclaborao das inovaes introduzidas pelas minorias activas.
comunicao, conformismo, inconformismo, interaco, liderana.


"O grupo  uma unidade colectiva real, mas parcial, directamente observvel e fundada em atitudes contnuas e activas, tendo uma tarefa comum a realizar, unidade de atitudes, de obras e de condutas que constitui um quadro social estruturvel, tendendo para uma coeso relatva das manifestaes de sociabilidade.
GURVITCH
IA, A partir do texto, regista as caractersticas que um conjunto de pessoas devem ter para
ser considerado um grupo.
1.2. Explica a importncia dos grupos no processo de socializao.
1.3. Distingue grupos primrios de grupos secundrios.
1.4. Diz o que entendes por rede de comunicao no interior de um grupo.
1.5. Procura explicar o conformismo na situao de grupo.
itinerrio
(2) Propomos-te que vejas o filme de Robert Zemeckis "O Nufrago" com Tom Hanks e Helen
Hunt. Procura interpretar alguns dos comportamentos da personagem principal tendo em
conta o que aprendeste neste captulo.
Este itinerrio reflecte a importncia que os grupos sociais tm nas atitudes e nos comportamentos humanos. Sugerimos-te que consultes outros captulos.
Estatutos e papis sociais
p. 153
Os grupos e o
processo de socializao
p.138
Afiliao p. 1 18 da 2,1 Parte
ierarquia de Maslow p 124 da 2.' Parte
O grupo de pares na adolescncia
p. 55 da 2.' Parte

OS ESTATUTOS E OS PAPEIS SOC1A1S@
O termo "papel" no te  estranho dado que  muito frequente a sua utilizao na linguagem comum. Assim, fala-se do papel dos professores na educao, do papel da mulher na sociedade contempornea, do papel dos gestores nas organizaes. Tambm se diz, por exemplo: Bjrk desempenha um excelente papel no
filme 'Dancer in the Dark" e Tom Hanks no "O Na@frago" ou a actriz Eunice Muoz desempenha papis muito diferentes nas personagens que interpreta.
Tal como no teatro, o indivduo representa o papel segundo as regras definidas pelo "cenrio@' em que se encontra: o de me de famlia, o de professora da escola, o de rnembro do sindicato... A pessoa desempenha vrios papis, isto , adopta comportamentos diversos nas diferentes situaes.
Podemos, pois, definir papel social como o conjunto de comportamentos que o indivduo apresenta como membro de uma sociedade. A noo de papel social aparece ligada  de estatuto. Por isso, vamos esclarecer estes conceitos.
ESTATUTO SOCIAL
Cada um de ns ociipa uma posio nos diferentes grupos sociais a que pertence.  o conjunto das posies sociais que vai determinar o estatuto, isto , a posio que o indivduo ocupa num grupo, na hierarquia social. O estatuto per~ mite esperar um conjunto de comportamentos por parte dos outros.
Ora, o indivduo tem tantos estatutos quantos os grupos sociais a que pertence. O esquema que se segue reflecte esta situao.
Membro de famlia                                       Professora
Membro de um sindicato                               Militante de um partido
Scia de um clube
Analisemos concretamente o estatuto profissional ser professora.
O estatuto profissional da pessoa 13 permite-lhe, por exemplo, esperar dos alunos, dos colegas, dos funcionrios e dos encarregados de educao um con-
junto de comportamentos.
Alunos
Colegas
Funcionrios
Encarregados de educao

O estatuto profissional confere-lhe direitos, determinando com preciso os
comportamentos dos outros actores sociais.
Transcrevemos a definio de estatuto apresentada por Stoetzel: "o estatuto vem a ser o conjunto de comportamentos com que legitimamente o indivduo pode contar da parte dos outros" (Psicologia Social, Nacional, s/d, p. 205).
O estatuto de me, de membro de um sindicato, de um clube mostra que uma
pessoa tem mltiplos estatutos, a cada um dos quais correspondem expectativas de comportamentos por parte dos outros.
Muitos autores designam o estatuto profissional, na nossa sociedade, por estatuto principal dado que marcaria a participao e a posio da pessoa nos outros
grupos sociais.
ESTATUTO ADQUIRIDO E ATRIBUDO
Estabelece-se geralmente uma distino entre os estatutos adquiridos e os atri-
budos ou prescritos.
Designam-se por estatutos a(lquirdos aqueles que a pessoa possui tendo con-
tribudo para a sua obteno. No exemplo apresentado, as capacidades, aptides, personalidade e vontade da pessoa contriburam para a aquisio do seu estatuto
ele professora. Contudo, convm no esquecer que o nvel de instruo da famlia a que a pessoa pertence, bem como a sua classe social facilitam ou dificultam a aquisio de estatutos socialmente mais valorizados.
Para alm disso, a pessoa possu estatutos atribudos ou prescritos, isto  o
conjunto de estatutos que o indivduo tem sem nada ter feito para os adquirir. A idade, a etnia e o gnero sexual so exemplos de estatutos atribudos que esca-
pam, portanto, ao controlo do indivduo.
De uni modo geral, nas diferentes sociedades, os estatutos e papis so determinados pela idade, esperando-se diferentes comportamentos nos diferentes estadios de desenvolvimento: uma criana tem um estatuto diferente do de um adulto. j estudaste e provavelmente sentes que o estatuto de um adolescente, na
nossa sociedade,  muito indefinido. Por outro lado, nas sociedades industrializadas, a velhice corresponde uma baixa de estatuto; afastados do processo produtivo, os velhos so marginalizados pelo sistema social.
A etnia  um exemplo de estatuto atribudo. Minorias tnicas, como os ciganos, tm um estatuto inferior ao dos outros cidados em diferentes pases. Na ndia, onde est estabelecido uni sistema de castas, o estatuto social  determinado pelo nascimento.
A pertena de gnero, ainda hoje, determina o estatuto e a atribuio de papis, impondo modelos de papis sociais e sexuais. Porque se parte do pressuposto de que o homem e a mulher tm caractersticas psicolgicas diferentes, biologicamente

determinadas, diferenciam-se os papis desempenhados por cada um dos gneros. Como consequncia,  geralmente atribudo um estatuto inferior a mulher. Considera-se, por exemplo, que determinadas profisses, socialmente mais valorizadas, devem ser desempenhadas por homens: cirurgio, empresrio, gestor; a mulher cabem estatutos mais precrios e com menor reconhecimento social.
A distino, de forma absoluta, entre estatutos atribudos e adquiridos  artificial dado que, na prtica, os dois tipos de estatutos esto interligados. Em muitas sociedades, os estatutos atribudos a um indivduo - ser do gnero masculino, branco e jovem adulto - so pr-requisitos para poder adquirir um estatuto socialmente mais valorizado.
Eis unia questo que merece a nossa ateno e reflexo.
PAPEL SOCIAL
A cada estatuto corresponde um papel social. O papel*  o conjunto de com-
portainentos esperados de UM indivduo com um determinado estatuto. Sabendo a posio que uma pessoa ocupa num grupo, numa organizao, esperamos que ela se comporte de determinada maneira, segundo os modelos sociais.
Retomando a definico de StoetZel (op. cit., p. 206), diramos que "o papel [do indivduo]  o conjunto de comportamentos com que legitimamente os outros con-
tam daparte dele@'.
No nosso exemplo, poderamos representar graficamente o papel social da pessoa O, tendo em conta o seu estatuto de professora:
Alunos
Colegas
Funcionrios
Encarregados de educao
Ao participar, como j vimos, em diferentes grupos sociais, onde exerce fun-
es especficas, o indivduo desempenha diversos papis que so condicionados pelos esquemas sociais. Nos diferentes contextos, a pessoa ter que condicionar o
Seu comportamento aos modelo,, sociais. Da que, desde que saibamos a posio que a pessoa ocupa, esperamos que ela se comporte de determinado modo. Se estivermos doentes e recorrermos a um hospital, temos expectativas relativamente ao comportamento do mdico, isto , esperamos que ele respeite os atributos
centrais do seu papel: que oua as nossas queixas, que nos examine, que interprete os sintomas num diagnostico, que, se necessrio, nos prescreva uma medi-
cao, etc. Contudo, se encontrarmos, dias depois, o mdico num outro contexto
- num restaurante, por exemplo -, com certeza que a inter-relao ser diferente.

O desempenho do papel  avaliado de acordo com as expectativas, atitudes, crenas e representaes sociais relativas  noo deste papel. Numa dada sociedade, os papis sociais prescrevem todo um conjunto de comportamentos, isto , tm um carcter normativo. Assim, h expectativas relativamente ao papel do professor na sala de aula, do jogador na equipa de futebol, do deputado na
Assembleia da Repblica, do pai na famlia, etc. Todas as sociedades possuem padres de comportamento prprios, de tal forma institucionalizados que os seus
membros sabem quais as reaces que um seu comportamento poder provocar -
expectativa de conduta.
O conhecimento do sistema de papis permite e implica o ajustamento dos comportamentos, respondendo assim s expectativas sociais. De notar que o
papel resulta da interaco entre as expectativas sociais e a personalidade do sujeito. Assim, reconheces certamente que os teus professores tm formas diferentes de concretizar o seu papel. Na representao do seu papel, reflectem o seu carcter, as suas atitudes, a sua concepo de mundo... A personalidade da pessoa no e anulada no desempenho do papel: cada um modifica-o e adapta-o dentro de uma determinada margem.
Estatuto
Papel
Conjunto de comportamentos que um indivduo espera da parte dos outros tendo em conta
a sua posio no grupo.
Conjunto de comportamentos que os outros esperam do ind vduo tendo em conta a sua
pos o no grupo.
O texto que SC SCgLIC relaciona estatuto, papel e conformismo.
"Se encontrasse algum pela primeira vez, e se esse algum puse,,Ne de repente a itio dentro da sua boca, ficaria por certo bastante suipreendido. Ou ento, suponha que umapessoa que nunca viu antes o manda despir-se. A sua reaco seria d@ficil de prever. F, no entanto, todos ns j passmos por situaes desse tipo sem pestan@lar Quando o indivduo que lhe coloca a mo tia boca  um dentista, ou quando o estranho que o manda despir  um mdico, a situao apresenta-se num contexto em que esse comportamento  esperado.
Os psiclogos sociais utilizam os termos estatuto e papel para descrever este tipo de comportamento esperado. O estatuto  a posio que ocupamos na hierarquia deprestigo da sociedade. Papel  o comportamento que se espera de ns devido ao estatuto particular que temos. O cot@Jbrmsmo  essencial ao estatuto e
aopapel, porque o estatuto nos cria uma obrigao de agir (representar opapel) da maneira que a sociedade espera (cot@Jrmsmo com as expectativas sociais). "
SPRINTHALL N. e SPRINTHA1,1--- R., PsicoI(@@ia (lu Adolescente, F. C. (,iill)enki@in, 1994, p. 189

CONFLITOS
Cada pessoa desempenha simultaneamente vrios papis, o que pode gerar coti'lito,s. Em determinadas situaes e momentos, podem no ser possveis comportamentos compatveis entre dois ou mais papis. Cria-se, neste caso, um con-
flito interpapis: a satisfao das expectativas relativas a um papel implica a incapacidade de responder s expectativas do outro. Por exemplo, um indivduo pode pertencer a um grupo religioso que interdite os seus membros de usar armas A e ser obrigado, por lei, a incorporar-se no exrcito [1.
Podemos representar graficamente este conflito:
s
O sujeito $ tem que, simultanea~ mente, responder s exigncias do papel A e do papel [1. Se o papel de membro de uma comunidade religiosa  o mais
importante, optar por no cumprir a lei, sofrendo as consequncias. Ao optar, provavelmente, o conflito desaparece.
O conflito entre papis pode tambm surgir quando, por exemplo, um emigrante tem um papel social no seu pas e
vai ocupar outra posio social no pas que o acolhe. Fala-se, neste caso, de descontiiitiiciaele de papis, que pode tambm ocorrer quando uma pessoa ocupa um lugar de direco numa empresa e  despromovido, ou quando um poltico deixa de ocupar um cargo pblico e
passa a cidado comum.
Nalguns casos, um papel pode exigir mais de um comportamento, o que pode gerar conflitos. Por exemplo, o encarregado de uma seco de uma fbrica tem de, simultaneamente, assegurar o nvel de produo definido pela administrao e, ao mesmo tempo, proporcionar condies para que os seus subordinados apreciem o trabalho. Fala-se, neste caso, de conflitos intrapapel. Pontualmente, podem viver-se conflitos de papis: uma pessoa muito ocupada profissionalmente sente que devia dar mais ateno aos filhos; o aluno que, durante o teste, hesita em deixar copiar o colega, etc.
No processo de atribuio e assuno de papis podem ocorrer situaes que vo desde dificuldades, desadaptaes at  rejeio e revolta.

como a adeso a um grupo poltico ou religioso, atravs da aquisio de determinados objectos, etc. Por outro lado, se conhecermos a atitude de uma pessoa, por exemplo, face  religio catlica, ser possvel descrever, compreender e at prever alguns aspectos do seu comportamento.
COMPONENTES DAS ATITUDES
BOAs FRIA
Numa atitude podemos considerar trs componentes: a cognitiva, a afectiva e a comportamental.
O Componente cognitiva - uma atitude inclui um con-
junto de ideias, juizos, crenas sobre um objecto. A crena refere-se  informao que aceitamos sobre uma situao, um acontecimento, um conceito.  o que acreditamos como verdadeiro acerca do objecto.
O Componente afectiva - ao possuir uma atitude, a pes-
soa desenvolve sentimentos positivos ou negativos relativamente ao objecto. Est ligada ao sistema de valores, sendo a sua dimenso emocional.
O Componente comportamental - a atitude predispe a
pessoa a comportar-se de determinado modo.  constituda pelo conjunto de reaces de um sujeito relativamente ao objecto da atitude.
1 om1@Sk0 NUM%A1 LUID CONIR   ,
Por exemplo, uma atitude negativa relativamente ao
tabaco pode basear-se numa crena de que h uma relao entre o tabaco e o cancro pulmonar (componente cognitiva). A pessoa que partilha desta crena no gosta do fumo e experimenta sentimentos desagradveis em ambientes onde as pessoas fumam (componente afectiva). A esta atitude esto, frequentemente, associados alguns destes comportamentos: a pessoa no fuma, tenta convencer os outros a no fumar, participa, por exemplo, em campanhas contra o tabaco (componente comportamental).
Se a pessoa partilhar da crena de que o tabaco atenua o stress, provavelmente as componentes afectiva e comportamental sero diferentes.
No esquema que se segue apresentamos-te as diferentes componentes ou elementos das atitudes face  sida:
Elemento cognitivo (crena de que a sida  fatal)
Medido por tcnicas como questionrios e inquritos
Elemento afectivo
( assustador contrair sida)
Medido por tcnicas fisiolgicas (ritmos cardacos, respirao, etc.)
Elemento comportamental (mudana de prticas sexuais)
Medido por tcnicas como questionrios e inquritos ou
por mundana de comportamento
HITFMAN, K., VERNOY, M. e VERNOY, J., Rq,chology in Aclion, John Wiley & Sons Ine, 1994 (adapt.)

Contudo, a psicologia social tem enfatizado o carcter complexo das atitudes. A propsito do exemplo dado sobre o tabaco, conheces talvez casos de pessoas que, apesar de associarem o tabaco ao prejuzo da sade, continuam a fumar, tentando frequentemente compatibilizar esta crena com o reconhecimento de que o
tabaco estimula o trabalho, favorece o convvio, etc.
As atitudes permitem que o sujeito organize e classifique os objectos do meio, bem como os conhecimentos e as necessidades. So, por isso, facilitadoras da adaptao  realidade, contribuindo para a estabilidade da personalidade das pessoas, dado o seu carcter relativamente permanente.
Em geral, o indivduo considera que as suas atitudes so correctas e, por isso, devem ser aceites como tal. Quando as atitudes so partilhadas pelos grupos a que o indivduo pertence e pelas pessoas com quem se relaciona, este considera-as naturalmente verdadeiras.
Sou contra o servio militar obrigatrio. Sou a favor da proteco dasflorestas. Sou contra a pena de morte. Sou contra as touradas. Sou afavor da eutansia.
1.1. Estas afirmaes exprimem atitudes. Identifica atitudes que tu partilhes e tenta reconhe-
cer as suas componentes cognitiva, afectiva e comportamental.
FORMAO E DESENVOLVIMENTO DAS ATITUDES
As atitudes no nascem connosco: so adquiridas no processo de integrao do indivduo na
sociedade, isto , so apreendidas no meio social. Fazendo parte de Lima cultura, comunidade e famlia, o indivduo adquire, geralmente, sem ter conscincia, as atitudes predominantes, aceitando-as como as melhores.
Durante a infncia, as atitudes so moldadas, fundamentalmente, pelos pais. Estes so a pri~ ineira fonte das crenas das crianas. Vrios estudos demonstram que os filhos partilham das atitudes dos seus progenitores, especialmente as
que se relacionam com a poltica e a religio. A medida que a criana cresce, esta influncia diminui.  sobretudo a partir da adolescncia que assumem grande importncia, na formao das atitudes, os pares, isto , as pessoas de idade aproximada com quem os jovens convivem.
Outra fonte importante no desenvolvimento das atitudes  a educao formal e informal que

decorre na instituio escolar.  um factor constante e decisivo, assumindo cada vez maior importncia, dado o prolongamento da escolaridade na nossa sociedade.
Os meios (te coinunicao social, grandes veculos de informao na sociedade contempornea, contribuem para a formao das atitudes. Especialmente a televiso, atravs dos filmes, telenovelas, publicidade e informao, influencia o processo de desenvolvimento das atitudes face s relaes interpessoais,  concepo de vida, ao lazer, ao trabalho, etc. Expresses lingusticas, gostos, gestos so adoptados pelas pessoas atravs de processos de imitao e identificao. Alguns autores consideram contudo que, por si s, os mass media no criam atitudes; antes, apoiam e reforam atitudes j formadas pelos outros meios de influncia (pais, pares, educao formal e informal, grupos, etc.).
A imitao, a identificao, o reforo e a gratificao dos pais, pares e professores, bem como do grupo sociocultural, so determinantes na formao das atitudes. Subjacentes  formao das atitudes esto os processos de aprendizagem, que estudars mais adiante.
Ser entre o fim da adolescncia e os 30 anos que as atitudes tomam a sua
forma "final", sendo menor a probabilidade de mudana nos anos seguintes. Sears designou por perodo critico o perodo em que as atitudes se cristalizam. Isto no significa, no entanto, que as atitudes no mudem ou que no se possam adquirir novas atitudes.
MUDANA DE ATITUDES
A nuidanca (te affindes depende basicamente de novas informaes e/ou afectos relativos ao objecto. Mas a forma como o indivduo reage a essas informaes varia em funo das atitudes em causa:  mais fcil mudar-se a atitude relativamente a um objecto sobre o qual se tem um sentimento fraco ou sobre o qual se
tem pouca informao. Por outro lado,  tambm mais fcil modificar-se uma atitude relativa a pessoas, situaes, objectos que no fazem parte da experincia prxima e imediata do sujeito.
Saca - Vidas
o lcooi mata
Ministrio da Administrao Interna                                                                DIRECO-GERA@ DE YlAO

Por vezes, uma experincia traumtica possibilita a formao ou modificao das atitudes. Se um indivduo for assaltado por um cigano, este facto pode determinar uma atitude hostil face aos elementos desta etna. Mas se um elemento da sua famlia for ajudado por um cigano, poder-se- desenvolver uma
atitude positiva relativamente a este grupo.
A propaganda e a publicidade tm por objectivo influenciar as nossas ati-
tudes e comportamentos, So transmitidas mensagens que visam persuadir as
pessoas a formar uma atitude e, conse-
quentemente, a comportarem-se de determinada maneira'. Para o conseguir,  importante que a fonte da mensagem seja credvel, tenha prestgio e
poder. Por isso, muitos anncios publicitrios associam aos seus produtos frases como: est provado cientificamente;      be good. be bad. just be. este produto  aconselhado pelos mdi-        cK lia. A fragrncla para homem ou mulher. Calvin Klein, cos;  utilizado pela maioria dos consu~
mdores da UE... Figuras prestigiadas junto do pblico so frequentemente usadas para promover um produto declarando que o utilizam.
O apelo ao medo  tambm, muitas vezes, utilizado como forma de persuaso. Nas campanhas polticas,  comum ouvir-se que se o partido X ganhar as eleies os impostos subiro, a indstria entrar em crise, o desemprego aumen-
tar... Podemos ainda recorrer a outros exemplos: a campanha a favor da utilizao do cinto de segurana, por exemplo, recorreu ao medo, associando a sua no utilizao a acidentes graves. O mesmo se passa nas campanhas sobre segurana no trabalho.
Organizaes estatais e instituies no-governamentais promovem campanhas que visam a sensibilizao do pblico no sentido da mudana de atitudes. Recordemos algumas dessas campanhas: contra o trabalho infantil; de preveno rodoviria; contra o abandono dos animais; pelos direitos humanos (por exemplo, em Timor); de vacinao; contra a discriminao dos seropositivos; de preveno da sida; contra a violncia domstica; contra o racismo; pelas unies de facto, etc.
@-_Falamos de processos de mudana das atitudes por persuaso quando o processo  intencional.

(1) A publicidade  um meio que pode favorecer mudanas de atitudes. Reproduzimos alguns anncios a diferentes produtos em que o homem aparece com novas
atitudes relativamente aos filhos.
Propomos-te que:
1.1. Analises e discutas o material que te apresentamos.
1.2. Recolhas em jornais, revistas e televiso anncios que podem conduzir a mudanas de
atitudes.
Procura identificar as intenes e processos utilizados.

MEDIDA DAS ATITUDES
As escalas ele atitudes constituem uma das tcnicas utilizadas para medir a qualidade, o grau de intensidade e a direco das atitudes. Baseiam-se no pressuposto de que se podem medir atravs das opinies. Para isso,  necessrio encontrar indicadores adequados, isto , indicadores que sejam relevantes para a
atitude que vai ser medida.
Uma das escalas mais utilizadas, devido a sua economia e facilidade de aplicao, foi desenvolvida por Lickert.  uma tcnica de papel e lpis, em que se pede ao inquirido que analise o que pensa sobre um determinado assunto, manifestando a intensidade do seu acordo ou desacordo.
Prope-se Lima frase, relativamente a qual o inquirido regista a sua opinio.  um processo de auto-avaliao. Damos-te um exemplo:
consumidores de droga devem ser criminalmente responsabifizados.
Cloricordo totalmente                              Discordo totalilicrite
Coiicordo relativamente                            Discordo rCk1ti@a111C11tC
Foram desenvolvidas escalas para medir as atitudes relativamente  guerra, a religio,  famlia, ao sexo, a grupos tnicos,  satisfao no emprego, etc. Apresentamos-te, a ttulo de exemplo, duas escalas de atitudes: a escala de Thurstone, para medir atitudes face  Igreja, e uma escala para avaliar a atitude face  influncia da hereditariedade e do meio no comportamento, personalidade e aptides. Esta escala segue o modelo da de Lickert (ver p. 167).

Quadro 15 - Escala de Thurstone para medir atitudes face  Igreja
Este estudo pretende analisar as atitudes face  Igreja. Ir encontrar 24 frases que expressam atitudes face  Igreja, Faa um visto (V) se concordar com a frase. Faa uma cruz (X) se discordar da frase, Se no conseguir decidir, pode marcar a frase com um ponto de interrogao (?). Isto no  um exame. Sobre esta questo as pessoas tm posies diferentes acerca do que est certo ou errado. Por favor, indique a sua atitude fazendo um visto quando concordar e uma cruz quando discordar.
Valor da escalai
N.'
Item
3,3
1
Gosto da minha Igreja porque h l um esprito de amizade.
5,1
2
Gosto das cerimnias que se realizam na minha Igreja, mas no sinto a falta delas quando
estou fora.
8,8
3
Respeito as crenas dos membros de qualquer Igreja, mas acho que  tudo "treta".
6,1
4
Sinto necessidade da religio, mas no encontro o que quero em nenhuma Igreja.
8,3
5
Acho que os ensinamentos da Igreja so demasiado superficiais para terem algum signifi-
cado social.
11,O
6
Acho que a Igreja  uma parasita da sociedade.
6,7
7
Acredito na sinceridade e na bondade sem nenhumas cerimnias religiosas.
3,1
8
No compreendo os clogmas ou credos da Igreja, mas acho que a Igreja me ajuda a ser
mais honesto e respeitvel.
9,6
9
Acho que a Igreja  um obstculo  religio, porque ainda depende da magia, da supersti-
o e de mitos.
9,2
10
Acho que a Igreja tenta impor uma srie de clogmas ultrapassados e de supersties
medievais.
4,O
11
Quando vou  Igreja gosto de assistir a uma bela cerimnia ritual acompanhada de boa
msica.
O,8
12
Acho que a Igreja perpetua os valores que so mais importantes para a sua filosofia de vida.
5,6
13
s vezes acho que a Igreja e a religio so necessrias, mas outras vezes duvido disso.
7,5
14
Acho que se gasta demasiado dinheiro com a Igreja, em comparao com os beneficios

Quadro 16 Escala para avaliar a atitude face  influncia da hereditariedade e do meio no comportamento
-2o o
o U
1. Numa reunio familiar, para si  muito importante procurar traos de personalidade passados de avs para
pais e destes para filhos.
2. Ao decidir sobre a escolha de um curso na Universidade, o factor mais importante seria o sucesso obtido
pelos pais elou familiares em diversos cursos.
3. Ao decidir entre ir  pera ou a um jogo de futebol, seria aconselhvel saber como  que as geraes anterio-
res se sentiam relativamente a estes dois espectculos.
4. Se uma pessoa est a ter muita dificuldade em aprender Matemtica, deveria procurar, em primeiro lugar, uma
explicao na sua histria familiar. H um tio ou uma tia, pai ou me que sempre tiveram problemas com a Matemtica?
S. Para se ter realmente sucesso na vida o melhor caminho a percorrer seria seguir as pegadas da famlia. No se
pode fazer uma carteira de pele com uma orelha de porco.
6. O sucesso ou insucesso das experincias de uma pessoa est realmente nas "cartas". Afinal de contas, a maior
parte dos delinquentes juvenis no tm origem numa famlia cujos pais revelam uma tendncia para a delinquncia?
7. Qualquer pessoa pode ter sucesso em qualquer campo com o ensino certo e muita motivao.
8. Mostre-me um msico com sucesso e eu mostrar-lhe-ei algum que foi reforado positivamente em todos os
passos do seu trajecto.
9. Se examinar os antecedentes de qualquer pessoa famosa, encontrar algures um mentor paciente ou um pro-
fessor que cultivou esse sucesso.
10. Quando uma pessoa falha, no se pode realmente dizer que ele ou ela so culpados. Muito provavelmente
encontra-se uma histria de ensino ou paternidade inadequada. No culpe a vtima.
11. O problema com a educao especial no reside de todo nas crianas. Os rtulos  que so os culpados.
Todos acreditam que essa criana aprende lentamente e, por isso, essa criana actua como tal.  uma profecia auto-realizada.
12.A motivao e o impulso determinam quem atinge um nvel quase perfeito.A aptido contribui pouco. Afinal,
Thomas Edison disse que a genialidade  1 % de inspirao e 99% de suor.
13. Acho que  importante consultar diariamente o meu horscopo, especialmente se vou enfrentar situaes
que exigem decises importantes.
14. Os traos de carcter como a introverso e a extroverso so transmitidos atravs de uma ampla cadeia evo-
lutiva que est claramente fixada na altura do nascimento.
1 S. Se quer ter sucesso, siga o conselho de ir viver para o litoral; a o clima  mais propcio ao sucesso.
16. As pessoas que passam todo o tempo a pesquisar o passado, traando a sua rvore genealgica  procura da
pedra Rosetta das suas personalidades, esto a perder o seu tempo.
(-e Depois de teres contactado com exemplos de escalas de atitudes, propomos-te que tentes construir um modelo em que procures avaliar as atitudes face  energia nuclear, ao consumo,
ao servio militar obrigatrio... Ao optares pelo tema, lembra-te que, antes de elaborar a escala, ters de conhecer bem o
assunto para determinares os itens significativos da atitude que pretendes avaliar. Podes, posteriormente, aplic-la a uma amostra da populao da tua escola.

ESTEREOTIPOS E PRECONCEITOS
Integrados numa comunidade, pertencendo a vrios grupos sociais, encaramos
acontecimentos, pessoas e grupos segundo determinadas interpretaes que reflectem esquemas mentais, representaes, categorias. Os esteretipos e os preconceitos so dois componentes de um processo que se designa por categorizao e que consiste em esquematizar a realidade social, em organizar em categorias estabelecendo-se assim uma diferenciao social. Os psiclogos sociais tm desenvolvido investigaes sobre a sua formao e expresso porque os quadros de interpretao que fornecem sobre a realidade influenciam fortemente o comportamento das pessoas.
Estas elaboraes mentais formam-se no processo de socializao atravs dos seus diferentes agentes: a famlia, a escola, os grupos de pares, os meios de comunicao social, etc. Esto presentes em todas as culturas, em todas as sociedades e manifestam-se na forma de pensar e de agir.
Vamos analisar em seguida os conceitos de estereotipo e preconceito:
ESTERETIPOS
Se consultares um dicionrio, vers que a palavra esteretipo tem origem em dois vocbulos gregos: stere, "slido", + tJpos, "molde".  um termo utilizado para designar "impresso, obra impressa numa chapa de caracteresfixos".
No processo de impresso corresponde ao molde que permite duplicar ima-
40 gens e textos.
O termo foi utilizado pela primeira vez pelo jornalista poltico Walter Lipprnann na obra Public Opinion, publicada em 1922, para quem os esteretipos eram "imagens que se tm na cabea", isto , "moldes" cognitivos que reprodu-

zem imagens sobre as pessoas ou grupos sociais a que se referem. Em psicologia social, designa uma concepo simplificada e relativamente rgida manifestada por uma pessoa ou grupo.
Os esteretipos so ideias feitas que resultam de generalizaes e/ou de especificaes, tendentes a considerar que todos os membros de um agrupamento social, de um grupo, se comportam do mesmo modo ou tm as mesmas caracteristicas.  um conjunto de crenas que nos leva a classificar pessoas ou grupos sociais.
Reconheces, com certeza, os esteretipos sexuais: os homens so encarados como racionais, independentes, dominadores, seguros; as mulheres so, pelo con-
trrio, emotivas, carentes, dceis, sensveis. Assim, os esteretipos tm proporcionado aos homens assumir papis sociais mais activos e desafiantes e s mulheres papis de suporte e de dependncia.
Estas ideias simplificadas, que abrangem diferentes grupos, como, por exem-
plo, toxicodependentes, rabes, padres, ingleses, ciganos, judeus, negros.--- so transmitidas como "ideias feitas" pelo meio cultural e social. So assimiladas sem que o indivduo tenha conscincia, apresentando-se como verdades indiscutveis.
No processo de formao dos esteretipos relativamente a grupos sociais h uma relao entre o tipo de interaco que se estabelece entre os grupos. Assim, se os gru pos tm uma relao de competio entre si, a tendncia  dominar um esteretipo negativo. Se a relao  de cooperao, a tendncia  para dominar um esteretipo positivo. Em muitos casos, as pessoas que estereotipam as outras fazerti-no para satisfazer a sua necessidade de estatuto de superioridade. , muitas vezes, um mecanismo de defesa para proteco da auto-imagem.
PRECONCEITOS
Como o prprio nome indica, o preconceito " um conceitoformado antecipadamente e sem,fundamento srio ou razovel". Em psicologia social, designa uma
atitude que deriva de pre-julgamentos e que conduz os sujeitos a avaliarem, na
maior parte da vezes de forma negativa, pessoas ou grupos sociais, comportamen- TEXT0GE@@ tos que conduzem  discriminao, a segregao.
 uma disposio adquirida cujo objectivo  o estabelecimento de uma diferenciao social.
"No plano cognitivo, o preconceito est ligado a expectativas segundo as quais o grupo em causa agir mal no trabalho ou adoptar comportamentos criminosos. Noplano ajctivo, opreconceito est associado  evitao,  agressividade,  discriminao.
RATHUS, op. cil., p. 424
Adquiridos no processo de socializao, os preconceitos so aprendidos, referindo-se muitas vezes a realidades ou grupos com quem o indivduo nunca contactou.
O preconceito pode tambm surgir para fornecer uma explicao para uma determinada situao social. Por exemplo, quando recentemente aumentou o nvel do desemprego nos pases europeus mais desenvolvidos, aumentaram os preconceitos relativamente s minorias imigrantes - argelinos, turcos, rabes e, nalguns casos, portugueses. A agresso  deslocada para as minorias, que surgem como bode expiatrio' para explicar uma situao social negativa. O preconceito racial ou tnico conduz, em
geral,  discriminao de pessoas por pertencerem a raas ou etnias diferentes.
@l Bode que os sacerdotes da religio hebraica faziam carregar com os pecados do povo de Israel, no Dia das Expiaes.

H 1     -T O R 1 A @.~ D....E. A"# 'i, Miguel
PESSOA      O LECTIVA
Terminamos este assunto com um extracto de um livro de Amin Maalouf:
"Porfacilidade englobamos as pessoas mais diversas no mesmo vocbulo; por fiacilidade tambm, atrbumos-1bes crimes, actos colectivos, opinies colectivas -
"os srvios massacraram-      "os ingleses destruram...    "osjudeus colfflscaram... ", "os negros incendiaram...      "os rabes recusaram-       Emitimos friamente juizos sobre esta ou aquela populao que consideramos "trabalhadora", "hbil", ou
'preguiosa ", ",@usceptvel", "manhosa ", "orgulhosa ", ou "obstinada ", juizos que terminam muitas vezes em sangue. "
MAALOIT, A., Identidades Assassinas, DifeL 1998, pp- 30-31

D E                      11
"Quando identificamos as atitudes como predisposies adquiridas para agir, pensar e
sentir de certa maneira, estamos a indicar que elas so aprendidas; contudo, a maio-
ria das atitudes no so adquiridas formal ou conscientemente. Pelo contrrio, elas so adquiridas incidentalmente do nosso meio social. A maioria das nossas atitudes so absorvidas dos que nos cercam sem que estejamos conscientes dofacto. "
SAWREY e TELFORD
L atentamente o texto e responde s seguintes questes:
1. 1. Define atitude.
1.2. Relaciona o processo de formao das atitudes com o processo de socializao.
1.3. Identifica as componentes das atitudes.
Toram entrevistados alunos do 2.' ciclo de 1669 escolas. Separadamente foram entrevistados 1992 pais para procurar confirmar com eles o que os filhos relataram. Algumas questes abordavam a afiliao religiosa epoltica defilbos epais. Como nos
estudos anteriores, o maior de todos os acordos foi sobre a aflao religiosa: 749,6 dos estudantes tinham a mesma afliao - catlicos, protestantes e judeus - que os pais. Uma percentagem desprezvel tinha mudado de religio. Encontrou-se um acordo semelhante, porm no to forte, no tocante a pardos polti~ cos: 60% dos estudantes que citaram um parlido escolheram o mesmo que os seus pais. Alguns haviam passado para um estatuto independente, mas menos de 10% tinham ingressado noutro parlido. Resultados semelhantes tinham sido encontrados na gerao anterior
MORGAN
2. 1. Comenta os dados do texto.
2.2. Identifica os agentes que contribuem para a formao das atitudes.
2.3. Discute a questo da mudana das atitudes.
"O esteretpo  elaborado a partir de caractersticas julgadas reais, mas que na verdade no existem.
(. ..) O uso de esteretpos permite enveredar por um atalho fcil, por economia de pensamento.
CORNATON
... de um dedal de factos, os seres humanos precipitam-se a fazer generalizaes do tamanho de uma banheira. "
ALLPORT
3. 1. Comenta os textos, esclarecendo o conceito de esteretipo.
3.2. Explica como se formam os esteretipos e os preconceitos.

E N T R E V 1 S T A
Dr.a Eglantina Monteiro
Eglantina Monteiro  responsvel pela seco de Arte Moderna e Contempornea do Museu de Faro.  assistente de Antropologia no Departamento       de
Arqueologia e Histria da Universidade do Algarve.
Tem desenvolvido vrios trabalhos na rea da cultura
material, museologia e antropologia da Arte.
Comissariou, em 1992, a exposio "Artefactos
- Reflexes Ps-Modernas", em 1994, Melansios
"Memria da Amaznia: Afirmao de Etncidade       e em 1997 "Memrias da Amazna: Expresses          de Identidade e Afirmao tnica" (Manaus - Brasil). Em 1999 comissariou a exposio "Dimenses da      vida na Terra: trabalhos de Maria Jos de Oliveira" no Museu de Arte Antiga. Em 2000 realizou o documentrio "Sem perder o fio" (Centro Cultural do Azinhal).
Pergunta - Existe a ideia generalizada de que  progressiva a homogeneizao das
culturas. Concorda?
Eglantina Monteiro - A ideia de que todas as culturas, por via da industrializao e dos meios de comunicao de mas-
sas, iriam perder as suas caractersticas prprias, tornando-se semelhantes ou equivalentes umas s outras, faz parte do pensamento hegemOnico e autoritrio do
Ocidente. Ou seja, l nas sociedades que resistiram ao contacto com os europeus, que no desapareceram - como aconteceu
coitt os povos amerndios que habitavam as costas das Amricas ou com muitos dos
habitantes das ilhas do Pacfico, entre outros genocdios promovidos pelo Ocidente -, a cultura local no foi pura e
simplesmente substituda pelo sistema eco-
nrnico, pelas instituies polticas, pelas crenas e pelos valores do Ocidente. A rea-
lidade  muito mais complexa. Por exem-
plo, ser que a introduo de relgios e
despertadores mudou a concepo que os ndios da Amaznia tinham do tempo? Ser que eles o utilizam do mesmo modo que
um operrio ou um quadro de uma
empresa de uma grande cidade o utiliza? O
dia ficou compartimentado em horas de
trabalho, horas de sono e horas de lazer?
Ser que o movimento do Sol, as estaes do ano, a correspondncia simblica, com
as suas inmeras consequncias prticas, a iniciao, o nascimento, a morte, os mitos j no fazem mais sentido? Estas mesmas questes se podem levantar relativamente aos objectos no ocidentais trazidos para o
Ocidente. Por exemplo, os objectos de um
culto africano ou oceaniano, uma vez no
Ocidente, no so integrados no nosso uni-
verso religioso; transformamo-los em curiosidades, em documentos, em obras de arte,
e assim os admiramos nos museus de his-
tria natural, nos museus de antropologia ou nos museus de arte. Atribumos-lhes
valores que eles no tinham originalmente. Re interpreta mo- los, projectamos neles os
nossos valores e as nossas ideias. Enfim,
podemos dizer que no  seguro que as ideias, os valores e as vises do mundo se
propaguem to depressa, e to facilmente, quanto os objectos.

P. - Hoje em dia, fala-se muito em identidade cultural, contudo, temos dificuldade
em apreender o seu sentido ou significa-
dos. Como define identidade cultural?
E. M. - Falar hoje de identidade cultural no  a mesma coisa que h 100 anos atrs, quando este conceito emergiu intimamente ligado  construo dos estados-nao. A famosa "identidade nacional", o ser do
povo portugus,  uma noo mais ou menos essencialista, como algo que um
grupo, ou um indivduo, tem em si e por si, e que se transmite de gerao em gerao. Mas hoje vivemos num mundo interli-
gado por mltiplos canais, num processo de interferncias entre vrias tradies culrurais, o que no implica homogencizao global. A nossa identidade  multifacetada.
Um indivduo, ou um grupo, tem uma variedade de possibilidades. Cada um pode ser muitas coisas diferentes, e este senti-
mento plural est na base da emergencia, um pouco por todo o Mundo, de grupos que reivindicam uma diferena cultural. Na Europa, os Curdos, os Bascos, os Irlandeses, os Checos, os Bsnios; no Mxico, os Chiapanecos; no Brasil, os povos que habitam a Amaznia, a Rondnia ou o
Acre. Estes e muitos mais parecem renascer
de uma morte, ou da assimilao que a
construo dos Estados modernos implicou. Estas distines tnicas esto normalmente associadas com antagonismos entre grupos, com desigualdades de poder e de
riqueza material, e s emergem de uma
forma visvel atravs da luta. Estes no rei-
vindicam o passado, que, na maior parte dos casos, teve de ser reinventado, mas um
futuro. Assim, neste contexto, a identidade
cultural no parece ser mais a reproduo do passado, possibilitada simplesmente pela transmisso, de gerao em gerao, de hbitos, crenas e lngua, mas a recons-
truo, a reinveno de si prprio, cultural, social e politicamente, no presente, o que implica a construo de uma tica social
pluralista, muito distinta da tica
assimilacionista e colonial.
P. - A socializa-
o das crianas
ser um dos tra-
os distintivios
das culturas? O
seu contacto com
sociedades no
ocidentais con-
firma esta ideia?
E. M. - Sim, a interiorizao dos valores polticos, ticos, religiosos e estticos, a ideia do Mundo e dos comportamentos correctos so fundamentais em qualquer sociedade, incluindo a nossa, claro. Por exemplo, entre os bijags (os habitantes do arquiplago com o mesmo nome em frente
 Guin-Bissau), os homens, ao longo da vida, passam por 17 iniciaes e as mulhe-
res por 10. A cada uma delas corresponde um conjunto mais ou menos complexo, mais ou menos difcil, de prticas que tm a ver com o que um homem ou uma
mulher, de uma determinada idade, devem saber e fazer. Cada classe de idade tem os
seus saberes, deveres e direitos prprios, que neste caso se inscrevem no prprio corpo; as vestes, o penteado, os enfeites
ou a ausencia destes identificam o indiv-
duo. As prticas iniciticas acontecem fora da aldeia, na floresta e, conforme o nvel
etrio, podem demorar apenas algumas semanas ou ento vrios anos. Os homens aprendem a caar, a danar, a fazer msica, a esculpir mscaras, a seduzir as mulheres, a construir canoas, a identificar as plantas curativas e as venenosas, aprendem a his-
tria do grupo e a construo do mundo. As mulheres tambm na floresta aprendem, nos seus rituais iniciticos, entre outras coisas, a lidar com o sobrenatural e a orientar os mortos. Em Bijags, o sagrado  assunto de mulheres.

1


@TEXTOS
Biografias      ................................................................................................................................... 177
Psiclogo, Psiquiatra            ................................................................................................................. 178
Vulgarizao dos dados cientficos da psicologia                          ................................................................... 178
Wunctt e a psicologia             ................................................................................................................ 179 Comportarnentalisnio e a educao                      ......................................................................................... 179
* psicologia prtica            .................................................................................................................. 180
* Gestaltismo           .........  ............................................................................................................... 180
* caso de Anna O             . ................................................................................................................... 180
Construtivisino         ........................................................................................................................... 181
* significado da cognio: a definio de Piager                          ................................................................... 181
* experincia de Hawthorne                    ................................................................................................... 181
Amostra       ...................................................................................................................................... 183
Observao participante               ........................................................................................................... 183
Anlise de contedo              ................................................................................................................. 184
Mtodo clnico          ........................................................................................................................... 184
Estudo de caso          .......................................................................................................................... 184
Entrevista clnica         ....................................................................................................................... 185
Mtodo psicanaltico             ................................................................................................................. 185
Interpretao psicanaltica              ........................................................................................................ 185
Questionrio: adolescncia e relaes interpessoais em meio urbano                                        .................................   186
Histrias de amor           ...................................................................................................................... 188
* psicologia  uma cincia?                 ..................................................................................................... 189
* iniportncia do cerebelo                ....................................................................................................... 190
Funes do hipocampo e (ta amgdala                         ................................................................................... 190
* crtex cerebral e o comportamento                        .................................................................................... 190
* papel dos lobos frontais                ....................................................................................................... igo
Hipfise, hipotlamo e comportamento                        ......................................................................... 11  ....... 191
A sexualidade humana                ............................................................................................................. 191
Trissoniia 21        .............................................................................................................................. 192
Inteligncia: a "democracia" dos genes                      ................................................................................... 192
As crianas selvagens             ................................................................................................................ 193
Padres de cultura e interaces sociais                      ................................................................................. 193
A velhice em diferentes culturas                  .............................................................................................. 193
Padres de cultura            .................................................................................................................... 194
Etnocentrismo           ............................................................................................................................ 194
Socializao e culturas             .............................................................................................................. 195
O processo de socializao                 ...................................................................................................... 195
Biografia de Kurt Lewin              ............................................................................................................ 195
Os adolescentes e os grupos                 .................................................................................................... 196
Atitude      ....................................................................................................................................... 196
Esteretipos        ............................................................................................................................... 197
Esteretipos, preconceitos e informao                       ................................................................................. 197

TEXTOS                F, 1NIE                                                                                             177
ADILER, Alfred (1870-19@7) - Psiquiatra austraco, forniou-se em Medicina, tendo aderido em 1902  Sociedade Psicanaltica de Viena, Acabou por se afastar ele Freud Por, entre outros motivos, no concordar com a
origem sexual elas neuroses defendida pelo fundador (Ia psicanlise.
Criou, com os, seus seguidores, uni movimento novo qu(-- designou por psicologia individual, fundando em
1914 a Revue de R@;Vcbo1ogie 1ndividue11e. ---Ser bomem ser i;?Jr@or"  unia das afirinaes que melhof resumem
a sua teoria: o sentimento de inferioridade seria universal e dele resultaria Lima n(--cessidade de a  ,irmao elo eu, que Pode conduzir a Comportamentos compensatrios entre os quais o sentimento de superioridade, o esqueciine,nto (Ia realidade ou realizaes superiores.
FREUD, Anna (1895-1982) - Psicanalista austro-inglesa,  a filha mais nova de Fretid que o acompanha como discpula e assistente. En-i 1922 integra a Associao Internacional de Psicanlise. O seu livro lhe 1,,'go and
e@/'1)e,                              ortante para o elesenvolvimento da psicanlise ao enumerar e .fi,nsu contribuiu de forma inip caracterizar os eliferentes "mecanismos de defesa do ego".
Viu-se obrigada a procurar exlio em Inglaterra, em 1938, aconipanhando o seu pai, devido s perseguies que sofreram na ustria Pelo facto de serem judeus. Durante muitos anos foi a responsvel pela edio (Ia revista 1-@st,cboana1Vtic Studt, ofthe Child.
GARDNER, Howard (1940) - Psiclogo norte-americano contemporneo, considera que os testes de inteligncia s0 medem tini eleterininado tipo de inteligncia. Apresenta unia teoria - a teoria das inteligncias mltiplas segundo a qual existem sete tipos de inteligncia que actuam de forma independente: inteligncia lingustica, lgico-inaterntica, espacial, musical, corporal-cinestsica, interpessoal e intrapessoal. Na sua opinio, todas estas aptides deveriam ser valorizadas. De entre a sua obra pode destacar-se: Intch@jncias jVItil)las e Arie, Ment(, e Crebro.
JAMES, William (1842-1910) - Psiclogo e filsofo norte-americano, fundou o primeiro Laboratrio de Psicologia nos El IA. Em 1890 publica a sua obra funelamental Princpios de Psicologici, defendendo que a psico logia deveria ser prtica, til e eficaz. Desenvolveu investigaes em animais, recorrendo ao mtodo experimental. Defendeu urria concepo psicofisiolgica das cinoes, segundo a qual estas no so produto dos sentimentos, mas provocadas pela tornada de conscincia ete reaces orgnicas. Tem tinia concepo dinmica de I)siqiiisiiio considerando que os processos mentais eleveriam s(@r estudados como processos contnuos - a
rente da conscincia " - e no como soniatrio ele elementos simples.
JUNG, Carl (1875-1961) - Psiquiatra e indico suo, encontrou Frcud em 1906 aderindo s SUaS COnCCpCS Manteve Lima colaborao com o fundador ela psicanlise durante cinco anos. Acabou por romper com o movi-
inento psicanaltico por encarar de modo diferente a natureza do inconsciente e ela libido e por no concordar que as neuroses tivessem origem sexual.
Na sua teoria destaca-se o conceito (te "fficonsciente colcctivo" que seria comuni a todos os povos e que se manifesta nos mitos, religies, folclore, costumes, etc. Fundamentou este conceito tias inmeras viagens que fez em que estudou religies primitivas e outras inanifestaes.
KLEIN, Melanie (1882-1960) - Psicartalista austraca, estudou Medicina, Arte e Histria. Iniciou o seu estudo
sobre psicanlise en-i Budapeste, mas a partir de 1925 desenvolveu o seu trabalho em Londres.
Foi a primeira psicanalista a aplicar as tcnicas analticas a crianas, considerando que estas tanibm podiam ace-
der ao inconsciente atravs da linguagen-i ou do jogo. Publicou em 1960 The P,@tychoana1V1';is oJ'Children. interessou-se sobretudo pelo penodo pr-eclipiano, valorizando a relao que a criana estabelece com a me. Afirmava que existia, desde o nascimento, uni ego capaz (te sentir a angstia e empregar os mecanismos de defesa (to ego.
K~BERG, Lawrence (1927-1987) - Psiclogo norte-americano doutorou-se, em 1958, em Psicologia com
Lima tese sobre o raciocnio moral nas crianas e adolescentes.
Apresentou urna teoria inovadora sobre o desenvolvimento moral bascada em profundos estudos sobre crianas, adolescentes e adultos. Considerou que o desenvolvimento moral se desenrolava em seis estdios, independenternente da cultura, grupo social ou pas. Cada estdio apresentaria caractersticas prprias, estando relacionado com a idade e representando um sistema de organizao mais compreensivo e qualitativamente diferente (to estdio anterior. De entre a sua obra pode destacar-se A Psicologia do Desenvolvimento Moral.

TEXTOS
LORENZ, Konrad (1903-1963) - Etlogo austraco, forntou-se em Medicina e em Filosofia, tendo-se especializado em Zoologia. Desenvolveu o conceito de "inil)dnting" ou "cunhagem", que designa o fenmeno que surge aps o nascimento de animais como gansos e patos e que consiste na resposta do recm-nascido em seguir o primeiro objecto mvel que percepciona. Constatou que, por exemplo, os gansos, logo depois de nas-
cer, no seguem apenas a me, mas qualquer coisa que se inova, corno, por exemplo, o prprio Lorertz.
Em 1973 recebeu o Prernio Nobel da Fisiologia e da Medicina, conjuntamente com Niko Tinbergert e Karl
von Frisch. O trabalho levado a cabo por estes investigadores contribuiu para que a etologia definisse o seu
objecto ele estudo no campo das cincias.
REICH, WilheIm (1897-1957) - Psiclogo austraco, interessou-se por biologia, sexologia e psicanlise. Em Viena foi assistente ele Freud, de quem acabou por se afastar porque considerava que a psicoterapia deveria ter em conta quer a dimenso fsica quer a psicolgica. Com o ascenso do nazismo abandonou Berlim. Desenvolveu
tinia teoria em que procurava integrar concepes da psicanlise e do marxismo na anlise de comportamentos individuais e colectivos. Incompreendido, acabou por ser expulso da Internacional Comunista e da Associao Psicarialtica Internacional. De entre as suas obras pode destacar-se O Aparecimento da Moral Sexual, A Lula Sexual da,juventudc, Psicologia de Massas do Fascismo onde desenvolve concepes que chocaram a sociedade
de ento. Polmico e controverso, foi uma figura marcante na histria da psicologia.
VYGOTSKY, Lev (1896-1934) - Lev Semenovich Vygotsky nasceu em 1896, na Rssia, no niestilo ano que Piaget, e morreu tuberculoso aos 37 anos. A sua carreira de psiclogo durou apenas 10 anos durante os quais investigou, (@@,screvcu, formou professores, viajou, conversou... e mareou a psicologia do desenvolvimento e da
educaOo.  frequentemente referido que este autor, em Moscovo, no tinha casa e vivia na cave do instituto de Psicologia.
Apresenta tinia viso interaccionista do desenvolviniento, unia psicologia (te orientao sociocultural. * sujeito  descrito como activo e o desenvolvimento cognitivo dependente de processos sociais e culturais. * linguagem, o pensamento, a memria so construidos socialmente nas relaes interpessoais. A vida social, nomeadamente corri os adultos, vai proporcionar aprendizagens que proporcionam desenvolvimentos num processo relacional, mas tambm com espaos mais individuais e de interiorizao das aquisies.
 um autor que a psicologia contempornea continua avidamente a explorar.
PSICOLOGO, PSIQUIATRA
Psiclogo - licenciado em Psicologia, tem um conjunto de conhecimentos tericos e prticos para o exerc-
cio profissional no domnio da psicologia (educacional, clnica, organizacional, etc.). Os psiclogos clnicos desenvolvem aces de diagnstico, aconselliamento e psicoterapia.
Psiquiatra - licenciado em Medicina, especializado em Psicopatologia, ocupa-se do diagnstico, tratamento e preveno de distrbios mentais.
TEXTO I.E" VULGARIZAO DOS DADOS CIENTFICOS DA PSICOLOGIA
2
ornais e revistas  cada vez mais comum encontrar, a propsito dos mais variados icontecimentos, interpretaes que vo buscar  psicologia a sua justificao e saber.
Artigos na imprensa, programas na rdio e na televiso analisam questes e problemas, procurando veicular orientaes, atitudes, valores, comportamentos considerados mais adequados:
*Como rcagirperante o insucesso escolar?
*Como orientar a educao dosfilhos?
*Quejzer mima situao de divrcio?
*Como reagir com os adolescentes?
*Como lidar com a ansiedade?
*Como conseguir ultrapassar situaes de stress?

TEXTOS
 frequente a publicao de "testes" que tm a pretenso de caracterizar personalidades e comportamentos (Ias pessoas:
* Verfficasc s introvertida,
* Consideras~te uma pessoa de sucesso?
* s ciumento?
Nas seces de desporto dos vrios jornais e nos jornais desportivos, a terminologia psicolgica est frequentemente presente. No futebol, a propsito da dispensa de um treinador, fala-se de chicotada psicolgica: se um
jogador  transferido para um clube estrangeiro, comenta-se, em artigos, a necessidade do acompanhamento da famlia para assegurar o equilbrio psicolgico do atleta.
Especula-se sobre desajustamentos da equipa com a personalidade do treinador, comenta-se a frustrao ela direco do clube, a culpabilidade sentida pelo jogador que falhou um golo...
So inmeros os exemplos que reflectem, de forma mais ou menos explcita, que o quotidiano das pessoas est marcado por uma cultura psicolgica. H, por assim dizer, uma apropriao de dados cientficos que as pessoas utilizam para interpretar os seus estados e comportamentos, segundo as suas necessidades, expectativas e
interesses. O grande consumo e popularidade destas divulgaes relacionam-se com a segurana que delas advm para grande nmero de indivduos.
Uiu dos aspectos positivos desta apropriao  ter facilitado a ultrapassagem de mltiplos preconceitos que se colocam relativamente  utilizao do apoio tcnico dos psiclogos. Para um nmero cada vez maior de pessoas, o recurso ao psiclogo deixou de ser encarado como uma manifestao de patologia.
Contudo, esta acessibilidade dos saberes de psicologia tem aspectos negativos. A excessiva vulgarizao adulterou o rigor dos conceitos e teorias explicativas. Ao simplific~los, transformou~os em esquemas redutores, mecnicos, geradores de esteretipos e preconceitos.
A simplificao extrema e o carcter pragmtico destas divulgaes reflectidas em receitas, conselhos, modos de ser e fazer traduzem-se numa normalizao, muitas vezes instrumento de controlo social.
A psicologizao abusiva, que se desenrola nestes cenrios ele vulgarizao, constitui obstculo  compreenso aprofundada dos comportamentos da vida mental, afectiva e relacional. A complexidade da componente psicolgica dos seres humanos no se compadece com as simplificaes e as vulgarizaes correntes."
MONTEIRO, M. e RIBEIRO DOS SANTOS, M., Psicologia 1, Pono Editora. 199@, pp. 41-@2
TExTofiEM" WUNI)T E A PSICOLOGIA
3
"A questo fundamental colocada por Wundt era: 'Quais so os componentes da experincia ou da mente?.
Segundo ele a resposta era: sensaes e sentimentos. Num dado momento posso experimentar o sabor de uma
ptima refeio, o som de uma bela msica e sentir algum prazer. Este conjunto constitui uma experiencia unica,
mas essa experincia mantm, contudo, os elementos separados. (... ) A questo colocada por WuncIt acerca dos componentes da experincia era filosfica e algumas das suas
reflexes acerca dos elementos da mente no eram muito diferentes dos escritos dos filsofos que o antecede-
ram. Mas Wundt, diferentemente dos filsofos, tentou testar as suas afirmaes coligindo dados. Apresentou vrios tipos de luzes e sons e pediu s pessoas que relatassem a intensidade e qualidade das suas sensaes. Media as alteraes nas experincias das pessoas  medida que inodificava os estmulos."
KALAT, J., Introduction to Ntchologv, Brooks Cole, 1993, p. 21
TExToMEM" COMPORTAMENTALISMO E EDUCAO
4
"As concepes de PavIov tiveram grande influncia na elaborao da teoria behaviorista. Tal como o fisiologista russo, Watson considerava que o ser humano e o animal, para alm dos reflexos inatos, tm reflexos aprendidos.
O comportamento humano seria o resultado da soma dos reflexos inatos e condicionados. A personalidade seria o produto da acumulao dos condicionamentos sofridos pelo indivduo ao longo do tempo.

1                 TEXTOS
i a
Para Watson, a prinieira infinacia revestia-se de unia grande importncia:  nesse perodo (.1a vida que se organizani as primeiras aprendizagens, isto , os primeiros cone] icionarnentos. Por isso, muitos clistrbios coniportainciliais cios adultos trn origena rios hbitos inturiorizados em criana. Por esta razo, Watson vai interessar-se pelas questes ele eCILICaa0.
En-i 1928, publica G'itidalos Psicolgicos elo Bebe e, (Ia Criana, onde reafirma a importncia elos prinieiros
anos na formao do indivduo. abordando o papel que os pais desempenham nesta fase da vida.
Na seta opinio, os meti\ duos no so pessoalmente responsveis pelos seus actos, clado que so produto (to meio cru (file vivern. 1jina das consequencias desta concepo  a atitude que Watson tinha face aos delinquerites e criminosos: vtimas ele um meio adverso, deveriaiu ser subilletidos a 11111 progratria (te reeducao, isto , sujeitos a um recondicionarnento.---
MONTEIRO, M, e RIBEIRO DOS SANTOS, NI., Psicologia, t>orio 1'ditor@i, 1998, p. 21
wx-ro EM" A PSICOLOGIA PRTICA
Sen---i possvel adquirir Lima psicologia pessoal fundada no borri senso a partir (l observaao (tas pessoas? A respOsta  afirmativa, corri a condio de as observarmos sisternaticamente e durante um longo perodo ele tempo. De facto, cada indivduo estrutura para si mesmo uni certo saber psicolgico', quer isso rcsulte, ou no, ele ustudos. (,onio nos orientaramos na nossa vida social se no pudssemos predizer com mais ou menos segurana as respostas e os efeitos possveis elos estmulos? Quanto mais observamos os outros, ruciliores psiclogos nos tornamos e inelhor nos adaptarnos aos outros - e cerca de metade elos combates por urna vida mais bein adaptada deriva (testa possibilidade (te nos entendermos com os outros. No  necessrio ter estudado as respostas condicionaelas - por muito til que seja este estudo - para aprender psicologia prtica."
\X,ATSON, -1.. "[, B(,hai'wrisin(@', in BONNAFONT, C. (org.), Os 10 Grandw da  Verbo, 1984.1). 58
TEXTO E@@ O GESTALTISMO
6t
"O conceito terico central da psicologia (Ia forma ou Gestali  o de campo, no sentido de uni campo ckaromagntico. Invert(--ndo completarriente o ponto (te vista associacionista, segundo o qual liaveria primeiro elementos isola(los ou sensaes e depois ligaes entre eles sol) a forma de associaes, a teoria da forma parte ela percepo como uni todo (uma melodia, Lima fsionorma, uma figura geomtrica). Mesmo nos casos em que a figura parece consistir nuiu elemento nico, como um ponto negro marcado sobre inua folha branca, intervm ainda unia tota1idad@ porque o ponto  unia figura que SC destaca cio fundo. Os gestaltistas encontraram ento as leis dessas totalidades, tais como as de sc-A,2-cgao entre asfiguras e o,@.l@indo.@, as de 'boas,1@)rnias'olj de preqIlncia (as boas formas so simples, regulares, simtricas, etc.), as de @ftitos consecutivos (totalidades no tempo), etc. "
111AGET, J,, A Psiulogia, Bertrand, 197(),1). 18
O CASO DE ANNA O.
doente de Breiter era unia rapariga dotada de unia cultura e de aptides pouco vulgares, tendo adoecido quando tratava do pai ternamente ainado. Quando Brcuer principiou a ocupar-se (to caso (tela, apresentava UM
quadro clnico v,,iniado de paralisias com contraces, de inil)ies e (te estados ele confuso mental. Urna observaco casual levou o mdico a apefcel)er-se de que era possvel libert-la de unia dessas perturbaes (Ia conscincia quando a punharri em con(-lies ele exprimir verbalmente o fantastria afectivo que a dominava nesse momento. Breucr extraiu de tal observao um mtodo teraputico. Mergulhava a doente nurna hipnose profunda e deixava-a contar, de cada vez, o que oprimia o seu esprito. (       ... ) En-i estado de hipnose descobria iiiic(liatiiii(-,nte as relaes procuradas. Revelou-se que todos esses Nintonias remontavam a acontecimentos que a tinham impressionado vivatriente, ocorridos na poca em que tratava do pai enfermo. (          ... ) De maneira geral, as coisas passarani-
-se assim: z11 cabeceira (to pai, vira-se obrigada a reprimir tini pensamento ou um impulso, em lugar do qual, mais tarde, apareceu como representante o sintoma (        ... ) Quando a doente durante a hipnos(@ se recordava alucinatoriaincute (te tal situao, e lograva, desse modo, realizar imediatamente o acto psquico outrora reprimido exteriori~ zundo livremente o seu afecto, o sintoma era varrido e no voltava a aparecer. Foi por este mtodo elite Bwuer conseguiu, aps um trabalho longo e difcil, livrar a doente (te todos os seus sintomas."
FREUD, S., ,thi t,ie, et la Ps-t,chanal.tse, Idcs, s/d, pp, 21-29

TEXTOS::
CONSTRUTIVISMO
concepao criada por Piaget segundo a qual as estruturas da inteligncia, para alm de inatas, so produto (l unia construao elo indivcluo, decorrente ela sita aco sobre o inuio. Para este autor a percepo constri-se a partir ele fragmentos passageiros ele informao sensorial, sendo a percepo, inais do (lil(-L11T1@1 resposta directa a estmulos, uma construo corri base em operaes cognitivas e afectivas.---
MESQ1 tTA. R. e DI IARTE, F., 1)icioiiri(, de                11k1tano Editora, 1996, 1). 46
TEXTO              O SIGNIFICADO DA COGNIO: A DEFINIO DE PIAGET
de descreveririos os estdios ele desenvolvimento cognitivo,  in-rportante explicar exactarriente o (file
O terino cognio significavj para Piagei. Essencialinente, cognio, pensatriento ou procssainento racional  considerado iiiii processo activo e interactivo. A inente, em linguagem corrente, no  unia simples folha (l papel em I)r,,inco na qual o incio escreve; i-nas tanibm no  uni dispositivo completamente separado que existe nuiu isolaniento glorioso.
Isto significa que a cognio  iiiii processo permanente, de avanos e recuos, entre a pssoa e o incio. Tambrri pode ser descrita como um processo dialctico, o que significa eliw a cognio nunca ocorre inteira-
mente (-Icntro' da criana nem  completamente resultado ele estiratilao exterior. Pode ainda descrever~se a cogniao conto o mecanismo regulador que liga as pessoas ao nieio. A ideia mais importante em todas estas
diferntes descries  (fite o processo cognitivo  activo e no passivo. A pessoa afecta o meio e o meio afecta
a pessoa, simultancatriente. Quando descrevemos as implicaes especficas desta definio voltamos continuainente a este ponto bsico. A criana no  uni organismo vazio, nem a aprendizagem consiste em encher passivainente uni recipiente vazio.---
SPRINTHALL, N. e SPRINTHALL R., Nicologia 1,'(Iiic(icioii(il, McGr@iw-Hill, 1993, p 102
TUTOEM~_            A EXPERINCIA DE HAWTHORNE
1927. o Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA iniciou uma experincia numa fbrica (l equiparnentos
* componentes telefnicos - a Western Electric Company - situada no bairro (l Hawtliorne, em Chicago.
Esta experincia, orientada por Elton Mavo (1880-1949), visava determinar a correlao entre a prodztii,ilad(,
* a iluminao do local de traballio. Esta investigao decorreu em quatro fases.
1.'fase
Nesta primeira fase foram escolhidos dois grupos de operrios: um grupo experimental, que trabalhou com
intensidade de luz varivel, e uni grupo de controlo, que trabalhou corri intensidade constante. Contudo, os
experitii(--ntadores no encontraraiu unia relao directa entre a varivel dependente - a produtividade - e a
varivel inelependente - a iluminao do local de trabalho. Constataram a presena de outros factores, outras variveis difceis d(@ isolar.
Concretaniente, feconheceram a existncia de uni factor psicolgico com que no contavam ao iniciar a experincia: os operrios reagiram (l acordo com as suas suposies pessoais, considerando necessrio produzir mais quando a intensidade (ta luz era maior. Esta situao foi comprovada quando os experinic-ntadores trocaram as
lnipadas por outras da mesma potncia, fazendo crer aos operrios que a intensidade variava. Verificou-se um
nvel de rendimento proporcional  intensidade de luz sob a qual os operrios supunham trabalhar.
Conclurain ento que a relao entre as condies fsicas e a produtividade dos operrios podia ser afectada
por condies psicolgicas. Os investigadores procuraram ento isolar ou eliminar (Ia experincia o factor psicolgico, encarado apenas negativarriente. Assim, estenderam a experincia  verificao de outros aspectos basicamente fisiolgicos tais como: o efeito da fadiga, ela mudana de horrio e ela introduo de intervalos na produtividade do trabalho.


2.O fase
Na segunda fase da experincia foram seleccionadas seis operrias para constiturem o grupo experimental. Este grupo estava separado do restante departamento - grupo de controlo - por unia diviso de madeira. A tarefa a realizar - niontagem de reles - era igualmente executada pelos dois grupos, introduzindo-se um ineca-
nismo que permitia medir a produo.
O grupo experimental, para alm do supervisor comum ao grupo de controlo, tinha uni observador que perinanecia na sala, que observava e organizava o trabalho, assegurando o esprito de cooperao das operrias. As operrias que constituam o grupo experimental foram informadas sobre os objectivos da experincia, sendo-lhes participados os resultados. As modificaes da situao do trabalho - reduo do horrio, perodo de descanso, lanches, etc. - eram subinetidos  sua aprovao.
A pesquisa feita sol)fe o grupo experimental foi dividida em doze perodos experinientais, onde diferentes variveis forairi controladas.
Os investigadores concluram que no eram as condies fsicas de trabalho que determinavam as modifica-
coes na produtividade. Havia um factor, que j aparecera na experincia sobre iluminao, que no podia ape-
nas ser explicado pelas condies de trabalho. Seria necessrio identificar os factores responsveis pelas modificaoes no ritmo (.te produo dos operrios.
Esta experincia conduziu a algumas concluses: as operrias gostavam de pertencer ao grupo experimental porque a superviso era mais branda e o trabalho decorria com mais liberdade e menor ansiedade; o ambiente
entre elas era amistoso, sendo permitida a conversa durante o trabalho, desenvolvendo~se um esprito de equipa. Criararri-se amizades que se prolongaram fora da fbrica.
V fase
Alertados para a diferena de atitudes entre as operrias do grupo experiniental e as do grupo de controlo, os
investigadores afastarani-se do objectivo inicial da experincia - verificar o efeito das condi@cs fsicas do trabalho na produtividade - para se fixarem no estudo das relaes humanas no trabalho.
Em 1928, iniciou-se um Programa de Entrevistas para obter conhecimentos sobre as atitudes, sentimentos e
opinies dos operrios relativamente ao seu trabalho. Este programa decorreu entre 1928 e 1930, tendo sido entrevistados 2116 empregados.
A investigao revelou a existncia de uma organizao informal dos operrios que se manifestava atravs de:
- produo controlada por padres determinados pelos prprios operrios e que no eram ultrapassados poi-
nenhum deles; os operrios que excediam esses padres eram punidos pelo grupo;
- liderana informal por certos operrios que mantinham unidos os grupos e asseguravain o respeito pelas
regras (te conduta. etc.
A organizao informal assegurava a unio dos operrios ligados por laos de lealdade. Muitas vezes a lealdade para com o grupo e a lealdade para com a empresa gerava situaes de conflito, tenso e inquietao. Este fenmeno foi objecto de estudo numa quarta fase da experincia.
4.1 fase
Nesta fase constituiu-se uni grupo experimental - nove operadores, nove soldadores e dois inspectores -
pertencente  seco de montagem de terminais para estaes telefnicas, que passou a trabalhar numa sala especial.
Dentro da sala permanecia um observador e havia um entrevistador, do lado de fora, que entrevistava esporadicamente os operrios.
A experincia decorreu entre Novembro de 1931 e Maio de 1932, visando analisar a organizao informal dos operrios.
O sistema de pagamento baseava-se na produo do grupo e os salrios s podiam ser aumentados se a produo total tambm aumentasse.


Ao fim de algum tempo o observador constatou que:
* logo que os operrios atingiam o que julgavam ser a sua produo normal, diminuam o seu ritmo de trabalho:
* davam informaes sobre a sua produo de tal maneira que a produo em excesso ele um dia pudesse
ser contada nuni (lia deficitrio.
Concluiu-se que os operrios desenvolveram sentimentos de solidariedade dentro do grupo, considerando delator aquele que prejudicasse um companheiro e pressionando os mais rpidos para baixarem o seu ritmo de produo.
Esta fase da experincia possibilitou o estudo das relaes entre a organizao informal dos trabalhadores e a
organizao formal da f4[)rica."
MONTEIRO, M. e QUEIRS, L, Psicossociologia 1, Ilorto Editora, 2000, pp. 295-297
TEx-roffin~ - AMOSTRA
11!
"Geralmente, utilizam-se duas tcnicas de aniostragem: a amostragem aleatria e a arnostragem representativa. Amostragem aleatria (tambm designada probabilstica ou casual) -  obtida ao acaso entre a populao que se pretende estudar. Todas as pessoas do grupo considerado tm a mesma probabilidade de ser seleccionadas.
Anicostragem representativa - neste tipo de amostra so escolhidos indivduos que reflectem as caractersticas da populao. A escolha dos elementos que integram a amostra faz-se segundo determinados critrios definio-los pelo investigador: idade, sexo, estado civil, crena  religiosa, regio, etc. Ao seleccionar-se a amostra, deve-se incluir percentagens de inclivducos semelhantes em determinadas caractensticas que representam a populao.
Por exemplo, um psiclogo pretendia conhecer a atitude dos estudantes da Faculdade de Cincias face  contracepo. Queria determinar, concretamente, se a religio catlica influenciava a atittide face aos mtodos contraceptivos. Suponhamos que 70% da populao - estudantes da Faculdade de Cincias - professam a religio catlica. Na amostra, o experimentador teria que assegurar a mesma percentagem de catlicos."
MONTEIRO, M. e RIBEIRO DOS SANTOS, M., Psicologia 1, 1995, p. 53
TwrojEMZME.1@ OBSERVAAO PARTICIPANTE
12@
Lus Fernandes, professor da Faculdade de Psicologia e Cincias da Educao cl Universidade do Porto, desenvolveu, em 1985, uni trabalho de investigao sobre a toxicodependncia. Fez uma pcsoluisa intensiva no Porto, no bairro da Ribeira-Barredo, ao longo de quatro anos, e no bairro do Aleixo, durante um ano. A sua experincia  relatada no captulo "Territrios psicotrpicos", integrado no livro Dizer as Drogas, Ouvir as Drogas.
Tendo em conta o objecto de estudo, o investigador teve de agir quase clandestinamente - ---o investigador dc,sarmado.foi o principal instrumento de recolha de dados, da sua anlise e da sua codificao e sntese".
---A clandestinidade e a quotidiancidade intersticial da droga, ao mesmo tempo que comprometem a eficcia das irictodologias clssicas no confronto com este objecto (nomeadamente as tcnicas formais de inqurito e as
baseadas em amostras representativas), reclamam a adopo de posies perceptivas proximais. Algumas das tcnicas de pesquisa de terreno, nomeadamente as de inspirao e tradio antropolgicas, que fazem da presena do investigador nos contextos naturais o principal instrumento de recolha de dados, so as mais adequadas para superar a habitual posio distal com que o fenmeno  olhado. So por isso as que temos adoptado. Longas horas de permanncia no terreno, recurso  interaco em contexto, s diferentes modalidades da observao directa, desde a mais distanciada  participante; ateno ao acontecimento inopinado, ao dado sbito que surge no decorrer de uma conversa, ao fluxo quotidiano dos factos nas unidades de estudo seleccionadas; recurso aos indivduos conhecedores das redes sociais, tanto para a penetrao que permite o contacto proximal, como para os contactos para o estabelecimento de biografias de utilizadores de drogas; recolha documental, tanto sobre as unidades de estudo como sobre os comportamentos centrais em anlise; recurso  tcnica fotogrfica para o registo de dimenses ecolgicas das matrizes ambientais em que decorre a observao, mas tambm
para a prpria induo da observao (uma vez que o registo fotogrfico no  s mais pormenorizado e exaus-
tivo,  qualitativamente diferente)."
AGRA, C., Dizer a Droga, Ouviras Drogas, Radicrio, 1993, p. 73

TEXTOS
MUMULMIM, ~-,
'rxTOEEM" ANLISE DE CONTEDO
---Os (lados colhidos na investiga0o psicolgica atravs, por exemplo, de observaes natura listas, entrevistas, inquritos de questes abertas so subtrietidos a uni tratamento qualitativo.
A analise de contedo  um importante recurso metodolgico que consta de uni conjunto de tcnicas e de procedimento,,; que permitern trabalhar dados diversificados recolhidos atravs de: observaes, respostas a questionrios e diferentes tipos dc@ documentos e materiais.
Foi definido por Bereison como "uma tcnica de init@stigao que, atrav,; de uma d@scrio obl(,ctiva, sislemetica e qitantitativa elo contedo man@/esto das comunicaes, tni porfinalidade a iizteipretco deslas coniu-
1 ic(Ic@ -.
A utilizao (li anlise de contedo permite fazer sublinhar determinados aspectos e/ou revelar outros inais
ocultos, imprimindo ao estudo inais rigor, organizando os dados em categorias ele significao. Enibora actual~ nienk, o seu principal interesse seja o tratamento qualitativo de dados (como analisar a frequncia de determinacLis palavras ou conceitos inira discurso), podeni, se necessrio, quantificar-se as incidncias com que certos
leinas surgem no discurso.
Assim, mim questionrio, se um sujeito responde empregando palavras como: talvez,                           evenInabnent>, po,,Nit,tli@icnie, queni sabe... e terapos verbais no condicional, podemos inferir que ele no esta seguro da resposta (fite deve dai-, que  unia pessoa indecisa.
A anlise de contt-do tem a qualidade de permitir a apreenso daquilo que est subjacente ,to que  manifesto.
desenhos, redaces de uni aluno ao longo do ano escolar, poesias de adolescentes, objectos decorativos dos quartos de crianas e de jovens... so tambm passveis de um tratamento pela tcnica de anlise de contedo."
MONTEIRO, M, e RIBEIRO DOS SANTOS. N1,--- Psico1(,@@ia 1, Porto Editoni, 1995,1)1).80-8-
TExToSEM" METODO CLINICO ,@4
---Considerar a conduta na sua perspectiva prpria, salientar tao fielmente quanto possvel as maneiras de ser e reagir de um ser humano concreto e total, inergulhado nunia situao, procurar estabelecer o s(--nticlo, ,i estru-
tura e a gnese, descobrir os conflitos que motivam essa conduta e os passos que tendem a resolver esses conflitos, tal  em resumo o programa da psicologia clnica. (... ) Pelo estudo elos casos, o psiclogo aprende a abordar os seres humanos, a lev-los a expressar se, a
representar a sua vida e a sua conduta a favor (Ia interpretao compreensiva dos comportamentos considerados como significativos e expressivos. O psiclogo encontra no estudo dos casos uni contacto directo com os probluinas humanos."
LAGACHE, D., AI nida(1ee1aP_ico1(@gia, E(lies 70, 19-O, 1)p@ 22-23
ESTUDO DE CASO
o estudo de caso visa, 'no s dar urna descrio de uma pessoa, da sua situao e dos seus probleirias, mas tambm procura esclarecer a origem e o desenvolvimento, tendo a anatimese como finaliclade a identificao das cansas e ela gnese desses probleinas^ (Huber, 1993). Mas a esta concepo pragmtica que evidencia a investigao holstica dos elementos, interessando-se mais pelo indivcluo do que pelo sintoma, outros preferem definies mais amplas. Assim, C. Revault I)'Allon(--s (1989) insiste na noo de 'histria ele vida': ,O (@Studo de caso procura evidenciar a lgica de unia histria de vida singular, a braos com situaes cotriplexas que precisam de leituras a diferentes nveis, com utilizao de instrumentos conceptuais adaptados. Por isso, ele no tem j essencialmente corno referncia a anairmese e o diagnostico e liberta-se dos constrangimentos de urna psicologia mdica, inantendo-se clnico e psicopatolgico' (p. 69). As duas orientaes so prximas; uma
procura integrar os dados reportando-os ao inclivduo e evitando fragnient-lo, a outra tenta restituir a singulari~ dade interior libertando-se da objectivao. Essas duas posies no so opostas mas correspondem a tempos OU a objectos diferentes: a primeira  avaliativa enquanto a segunda se inscreve numa concepo teraputica ou
nuin Processo ilLIstrativo."
PEDINIE1,11 J. L., 1ntrodu@o  11@ico1(@qa Unica, Clitriepsi, 1999, pp. 78-77

TEXTOS
TEXTO =~ ENTREVISTA CLNICA
16^
"O investigador confronta crianas de vrias idades corri a seguinte demonstrao: une as mos e, repetidaincrite, comprime as palinas Lima contra a outra, produzinclo Lima ligeira corrente de ar que, habitualmente, colhe a criana de surpresa. O psiclogo pergunta ento  criana qual ser a origem dusse ar. Um dilogo entre uni menino (te seis trios e incio e o psiclogo decorreu ela seguinte maneira:
Psiclogo.    - O quc  que estou a.fazer? (','riana,  - A e@frgar as me),,;.
11@ic1ogo:   - O que  que tu ouves? (-,'rit@ina: - 1 Im estalo. p'sic/e@4Jo: - Ilorqu o estalo? Criana:     - Por causa das mos.
1-@@ic/e4@o. - Quc esto as mos a,lzer? Criana.     - Bateni uma na outra e issoftIZ com que soprei]]. Psiclogo:    - E o que  que sopra? Criana:     - O vertio, Psiclogo:    - Donde veiv o vento? Criana:     - Das mos. Rsiclogo:    - E o vento das mos? Criana:     - De dentro da pele. P,,;ic(')1e@go: - Donde?
C'riana.    -Da carn, que e@/ por baixo, Psiclogo:    - E ondo, esta esse vento? Criana.     - Pelo colpo lodo.
O mtodo de Piaget reala a flexibilidade e evita constranger os processos naturais de pensamento da criana. Portanto, Piaget no se interessa em padronizar as suas tarefas ou perguntas. Duas crianas jamais so expostas a unia sequncia idntica de tarefas ou perguntas."
HYN1AN, R., Natureza da hwesligao Psico1o@@ica, Zaliar, 1967, pp. 66-6' (adapt.)
nXTO EM~_          METODO PSICANALITICO '171
tratamento psicanaltico no comporta seno Lima troca de palavras entre o analisado e o mdico. O
paciente fala, conta os acontecimentos da sua vida passada e as suas emoes. O rndico esfora-se por dirigir a
rriarcha das ideias do paciente, desperta recordaes, orienta a sua ateno em certos sentidos, d-lhe explicaes e observa as reaces ele corripreenso ou incomprecriso que provoca no doente. ( ...)
As palavras faziam primitivamente parte ela inagia e nos nossos dias a palavra guarda muito do seu poder de outrora, (,em palavras uni Homem pode tornar o seu sernelhante feliz ou lev-lo ao desespero, e  com a ajuda (ls palavras elite o mestre transmite o seu saber aos alunos, que o orador empolga os auditores e determina os
seus juizos e decises.@'
FREUT), S., Miroductiwi  Ia J@@1,chwia1rse@ Payot, 1976, pp. 15-16
TEXTOEM" INTERPRETAO PSICANALTICA
18
mtodo de interpretao psicanaltico procura o "contedo latente-, dissimulado sol) o contedo mani-
festo e por ele mascarado, Para ---revelar o ,;e),ilido'@  preciso transpor de um registo para o outro com a ajuda de iiin cdigo cuja teoria fornece os conceitos. O mtodo utilizado  o mtodo de anlise de contedo chamada ---anlise simblica comi chavo, ".  um mtodo que consiste em subStitUir OS ,,,i-i-li)olos ou as metforas pelos seus
representantes. As cliaves siinl-)OlicaS utilizadas pela psicanlise so bastante conhecidas. Numa histria ou num
sonho, se as no conhecemos, a sua procura cfcctua-se@ assim: situamo-nos ele incio no domnio da vida afectiva e sexual, fazemos a seguir unia 'reduo inetafrica' dos principais elementos elo sonho (     ... ).

TEXTOS
No mtodo psicanaltico, para descobrir o que pode representar um elemento concreto do discurso, peiguntamos o que ele- poderia representar no campo da vida afectiva e sexual. Depois de feita esta -reduo inetafrica', de seguida lemos a histria substituindo os elementos da histria por aquilo que eles representam."
MUCCHIELLI, A.,                  Paris, PU, 199.@, PI). 41-42
TEXTO             QUES`IIONRIO: ADOLESCNCIA E RELAES INTERPESSOAIS EM MEIO URBANO
Transcrevemos parte de um questionrio sobre adolescncia e relaes interpessoais em meio urbano. Este
questionrio inscre-se num tfabalho de investigao (Ia responsabilidade do Gabinete de Preveno da Toxicodependncia, da Cmara Municipal de Lisboa, em colaborao com o Grupo de Ecologia Social do Laboratrio Nacional de Engenharia Civil. Os primeiros resultados foram trabalhados em 1993 numa populao cOnstituda por alunos do 10.` e 11.` anos (a amostra incluiu 2018 indivduos).
e Amigos
1. Tem algum que considere um amigo especial?
2. Tem LIIII grupo de amigos?
ionamento afectivo)
3. O seu grupo de amigos , aproximadamente, constitudo por quantas pessoas?
4. O seu grupo de amigos  essencialmente composto por:
5. O seu grupo de amigos , erri geral, formado por:
6. Como conheceu o actual grupo de amigos?
pessoas.
7. Que locais costuma frequentar com os seus amigos?

T ' t
Relacionamento com os amigos
1. Qual o tipo de relao que estabelece com os seus amigos?
2. Como  para si estar com outros jovens que no conhece?
3. Espera que as outras pessoas gostem de si assim que o(a) conhecem?
4. Falar dos seus problemas ou sentimentos com os amigos  para si:
5. Falar dos seus problemas OLI sentimentos com os seus conhecidos  para si:
6. Nas situaOes referidas nos pontos 4 e 5 desta seco, acha que  habitualmente:
9 Relacionamento afectivo
1. Actualmente existe algum, de entre as pessoas que conhece, com quem tenha um relacionamento mais pr-
ximo, como, por exemplo, namorado(a)?
1.1. Se respondeu SINI, com quantas pessoas tem esse tipo de relao?
pessoas.
2. Onde conheceu a pessoa que  mais importante para si neste momento?
@ \,[ @ " ()1@I          .' \,i 111m11,1 'x@                     @, \()'@          @
3. Com que frequncia costuma estar com essa pessoa?

TEXTOS
TEX-F<>EEWE2ff,Z- @ HISTRIAS DE AMOR
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 ,TEXTO$
-   -  w -
TE-OfiRE" A PSICOLOGIA  UMA CINCIA?
Humaines: O senhor  um (losprincipais r(-pre,,;(,iitant(@s,51a psicologia cieni@ftcaftanc( )lnu. Alias, ji prc@';i(k'n1e (Ia Associao (/(-, Psicologici Cien1@jic-a (,&, Lngua Franc(--@w. Como  que podeinos (kfinfi- esta cor-
rente 1e ij11'e'J1@(o?
Mare Richelle: No penso que possa desenvolver aqui um grande debaw episteniolgico, mas resurninia a
clitesto c,@ni @iJgunias palavras. O essencial (lu unia pcos@  -to cientfica, em psicologia,  adoptar o postulado episteniolewico da verificao elos factos. Dito ele outro niodo, cles(@@nvolvein-se                         t@labora-se c@ventL1"1l1ner1tC unia teoria, ti-ias no creio que estas hipOteses ou estas teorias sejam validas enquanto no forem subluctidas 
prova elos factos. Esta coperao pode confirinar ou infirinar a hipOtese. No ltimo caso, sO a podt@rcmos rejeitar.
O p(-1-CUrsO cientfico consiste pois num ir e vir constante entre a reflexao tetica e uma verificaco na realidade,
SH: Como e, quese opera essa 1,er@j7caco?
MR: Esto  disposiao elo inkestigador diferentes instrumentos que relevarti essencialirientu ele cluas gr@mdes estratgias: a obse-ivao e a exp(-@rinientao. Ainda qui(-- eu prOprio seja tini experinientador, sei inuito beni que a exi->criiiient2i(;o no  possvel em todos os clortimios. No  apenas vc@rdade em psicologia: o gelogo c@ o
astrofisico geralmente no fazem experincias, fazeiri obser,@aes, niciocinain sobre elas, testam a validade des-
tes raciocnios a partir ele novas observaes, utc.
Eni psicologia, escolher observar mais cio que experimentar pode tarribm corresponder a urna posio episteniolgica especfica que visa no deturp@n- o objecto de estudo retirando-o elo seu meio natural. Com efeito, sul)ineter as condutas humanas a tini trabalho experimental  j tinta maneira de moclificar o objecto de estudo.
O mesmo acontece na psicologia animal, na tradio da etologia. O eStUdo dos comportartientos sociais nos
inacacos nao se pode fazer seno pela observao no terreno.
SH. ,No  raro cntre os proprios psiclogos opor-se a perspccliva expernental e a perspectiva clnica.
MR: No penso que essa oposio se@ja fundarritmtada. A pc@rspectiva clnica  LIMb111 LIIII 1110(lo de verificara
justeza real dc@ Linia interpretao, a adequao dc@ unia interveno psicoterapUtiCa. Recuso pois a separao eni dois c,,inipos que s@riarn por lu]] lado a psicologia experiniental ele 1@,iJ)oratrio, coni os mtodos inais rigorosos scinelhantes -aos do bilogo e do fsico, e@ por outro lado a abordagc@ni adoptada pt@Jos clnicos.
SH.- Poler-in-ia clar (lois c@1cc'n1plos (,/(,' 1'c'r@ftcao cie1?t@17ca, wn para a observae> e ontropara ci t@.1(:o?
MR: No que respeita  ObSCrV3O, LIIII cios domnios niais desenvolvidos  o t@.@tudo cio Col]II)ol-t@ili](--nto (Li criana no sc@u ineio 'mItLMW, isto , na creclic, no r(@creio e ,iincla na tamlia, Ilor c@xcnipJo, lia o@studos fioscimmte-s sobre a aquisico (ia lingUagern ou sobre s relae-s entrt@ a criana e o seu anibienw que no podem ser
c@l'ecniados seno ptIa observaco directa da criana no s(@u incio quotidiano.
Existerti igualmente situaes mwrniedirias entre a observao e a expcrirn(@ntaao, I)or exemplo, os p,@'icc)logos CStUd31",t111 C01110  "LIC aS PeSSOaS rCallia111 ','1 agresso que testenrunharani nutri p,,ir(lii<@ ele estacionarnento. Em vez
-)1t@s siiiitjl-las recorrendo a colaboraclores elo investigador.ele esperar que essas agresses ocorram,  riais sin-iI

i@O         TEkTOS
TE-offiM" A IMPORTNCIA. DO CEREBELO
22
"O cerebelo. Um dos sectores mais transparentes mas tambm mais misteriosos do crebro. Est obviamente
ligado  construo dos movimentos precisos. Sem cerebelo no  possvel acertar no alvo e ainda menos cantar, tocar um instrumento ou jogar tnis. Todavia, tambm est ligado aos processos cognitivos, talvez em particular durante o crescimento. Tem a ver com os processos de busca mental - por exemplo, quando procuramos na
memria uma palavra especfica ou urna certa imagem de um objecto. A notvel ausncia de disfunes cognitivas graves aps a sua ablao sugere que o papel que desempenha na cognio  subtil e de nvel superior, embora esta impresso possa resultar de observaes inadequadas. O cerebelo tem uma manifesta redundncia
anatmica e funcional, o que permite que, mesmo aps leses extensas, uma pequena parte do cerebelo possa suprir uma boa parte das suas funes normais."
DANISIO, A., O Sentimento de Si, Publicaes Europa-Amrica, 2000, p. 189
T"Y*EZ="2, FUNES DO HIPOCAMPO E DA AMGDALA
"A principal contribuio do hipocampo est em fornecer uma memria precisa de contexto vital para o significado emocional;  o hipocampo que reconhece o significado de, por exemplo, um urso no jardim zoolgico
ou no nosso quintal.
Enquanto o hipocampo recorda os factos puros, a amgdala retm o sabor emocional que os acompanha. Se tentamos ultrapassar um carro numa estrada de faixa dupla e por pouco escapamos a um embate frontal, o hipocampo retm os pormenores especficos do incidente, como, por exemplo, em que parte da estrada estvamos, quem ia connosco, corno era o outro carro. Mas  a amgdala que da em diante enviar uma onda de ansiedade
que nos percorre o corpo ele todas as vezes que tentamos ultrapassar um carro em circunstncias sentelhantes."
GOLEMAN, D., Inteligncia Emocional, Objectiva, 1995, p. 34
T tXTO ^ZEZZ"24    O CRTEX CEREBRAL E O COMPORTAMENTO E
cOrtex cerebral do Homo sapiens, muito maior do que o de qualquer outra espcie, acrescentou tudo o
que  distintamente humano. O crtex cerebral  a sede do pensamento: contm os centros que renem e compreendem o que os sentidos percebem. Acrescenta a um sentimento o que pensamos dele - e permite-nos ter sentimentos sobre ideias, arte, smbolos, imagens. (... ) A vantagem para a sobrevivncia deve-se ao dom do crtex em criar estratgias, planear a longo prazo ou outras operaes mentais. Alm disso, os triunfos da arte, civilizao e cultura so todos fruto do crtex.---
GOLEMAN, D., inteligncia Emocional, Objectiva, 1995, p. 25 (adapt.)
TEXTO UEM" O PAPEL DOS LOBOS FRONTAIS
25
lobos frontais podem estar relacionados com funes humanas peculiares de dois modos diferentes. Se controlam a antecipao do futuro, devem ser os locais da preocupao, da ansiedade.  por este motivo que o
corte transversal dos lobos frontais reduz a ansiedade. Mas a lobotomia pr-frontal tambm reduz grandemente a
capacidade humana do paciente. O preo que pagamos pela antecipao do futuro  a ansiedade que sentimos
a seu respeito. (...)
A outra possvel funo dos lobos frontais  possibilitar a postura humana bpede. A nossa posio vertical talvez no tenha sido possvel antes do desenvolvimento dos lobos frontais. O facto de nos mantermos de p libertou-nos as mos para a manipulao, o que levou a um aperfeioamento das caractersticas culturais e fisio-
lgicas humanas. Num sentido muito real, a civilizao pode ser um produto dos lobos frontais."
SAGAN, C., Os I)rage@ do den, Gradivj, 1985, p. 80

TEXTOS
Lr~UM
T",roff,;M" HIPFISE, HIPOTLAMO E COMPORTAMENTO
26
"O hipotlanio, que actua sobre a hipfis(@!, atravs ela libertao dos factores hipotalmicos, tambm teril
outras funes muito importantes, pois no hipotlamo encontra-se o centro regulador ela temperatura do corpo, o centro que regula o sono, e ainda  sede de Ctilooes COrno o medo e a clera.
Imagine o que aconteceria se um dos homens que governam o mundo sofresse de uma alterao patolgica do flipotlairio... De que maneira as conseqUncias dessa patologia - tais como sonol&ncia extreiria, epilepsia, 'diabetes inspida' (produo abundante de urina) e alteraes das caracter,,@tjcas sexuais - afectariam as (-lecises
(lesse lidei- e o curso da Histria?
Ora, Napoleo Bonaparte, imperador francs do incio do sc. XIX,  um exemplo ele estadista (leste tipo. Quando jovem, Napoleo era magro, encarava o sono corno Lima perda de tempo (dormia s .3 a 4 horas por dia), os seus OffiOs Ura111 ViVOS, o seu temperamento era imperioso.
Quando tinha 40 anos, a sua aparncia era j radicalmente diferente: a face tornara-se raacia, rosada, arreciondada, com aspecto feminino; depsitos de gordura apareceram no queixo e no peito.
Tinha necessidade de dormir constantemente, e frequenteiriente fazia-o durante o dia, em longos perodos. Tinha ataques de choro e de fria, perdeu o desejo sexual e sofria de sentimentos contra diffirios de- grandeza e
de fraqueza.
O prprio Napoleo notava as mudanas, e dizia ao seu mdico pessoal: 'Repare que braos amorosos eu
tenho! Que pele brarica e macia, sem um nico plo! Que peitos arredondados! Sou mesmo uma I)cleza!,..'
Aps a sua niorte, a auto sia confirmou as suas caractersticas femininas. O corpo tinha uma espessa camada
p de gordura; tinfia poucos plos na sua pele, o cabelo era escasso, fino e acetinado. o pnis e testculos eram
pequenos, o pbis tini-ia caractersticas femininas, os ombros eram estreitos e as ancas largas. Isto , o imperador tinha as caractersticas sexuais secundrias alteradas; sofria de distrofia adiposo~genital, unia doena do hipotlauto que provoca desarranjos na hipfise e nas ad-renais, tirctide e rgos sexuais.
Com esta viso de Napoleo podemos explicar a sua derrota na Rssia? Em 1812, o exrcito francs retirou-
-se, derrotado, da Rssia. Seria devido a Napoleo ser incapaz de tornar urna deciso de jtaqLie? Teria esperado em demasia? Uni ano mais tarde, em Dresden, a sua indeciso converteu unta vitria eiu derrota, mais unia vez, quando, to invs de perseguir o inimigo, parou e retrocedeu.
Na batalha de Leipzig, ele no estava no campo de guerra porque dormia. Waterloo foi a batalha final: Napoleo retardou o ataque por 6 horas, enquanto Wellington, o comandante
ingls, recebia reforos. A maior parte do tempo, Napoleo dormia num sof! Ele estava fsica e mentalmente
acabado aos 45 anos.
A cLICda elo Imprio francs pode ter sido provocada pela anomalia liipotaliiiic@i de Napoleo. Que curso teria seguido a HistOria europia e inundial se o imperador tivesse sido tratado da stia doena? Neste niorriente s0 se pode especular...-
ALBUE, R. e MONTEIRO, A- Re,@u1ao Bio1@@,ica, Porto felitora, 199_@, pp. 115-117
nx,r0W@@ o M-- A SEXUALIDADE HUMANA
Entre\ ista com Juan Diclier Vincent, professor no Instituto 1 Iniversitrio de Frana e director do Instituto
Alfred Fessard.  tutor dos livros La Biologie dwPassions e La Chairel IeDiable (E(I. Odile Jacob, 1994).
que , que a s(,,xii@ilicla(l(, humana diverge da sexualidade anunal?
Ao nvel biolgico, as sexualidades hLimjna e animal so extreiriamente semelhantes. O ser humano possui com efeito os mesmos nctirnios e sintetiza as mesmas liornionas cerebrais que os gorilas, os chimpanzs e, sobretudo. os bonobos, considerados hoje os mais prximos do nosso antepassado comum. Mas, no decurso da
evoluo, o ser fruinario realizou uni salto qualitativo maior que permitiu que o seu crebro - concretamente o
seu neocrtex - se desenvolvesse de um modo extraordinrio, dotando-o de novas faculdades: as de categorizar, realizar operaes abstractas, associar os objectos s palavras... E de passar assim a unia escala superior na sua

--#n-
TEXTOS
capacidade (te socializaao. Transformou-se por isso mim ser emocional, quer dizer, um ser dotado ela capaci- @1ide acrescida ele exprimir as suas emoes e descodificar as (tos outros. Da decorre o aparecimento dc uma
diferena fundamental em relao aos outros primaras na sua capacidade eni apreender o mundo e em se rela-
cionar com os outros. E isto repercute-se necessariamente na sua maneira (k@ viver a sexualidade.
Oser bumano escapa assim s limitaes da sua mati-iz biolgica?
O ser huniano inantni-se em parte condicionado pelas suas horntonas e as suas pulses. Mas o seu neocor-
tex tem a possibilidade (te ultrapassar o domnio dos imperativos biolgicos. No ser humano, o sexo  sobretudo uina questo (te representaes. Estas constroem-se passo a passo durante a infncia a medida que se forma o ,,eu crebro, na base da sua vivncia afectiva, dos seus prazeres, dos seus sofrimentos. Um homem no sente
desejo ele cada vez que esta em contacto com as feromonas femininas, como  o caso dos animais.
A aproxiniao entre dois seres  dominada pela representao que se faz do ser miado. Enquanto que o artinial
est envolvido no morriento presente, o ser humano antecipa surti cessar a partir dos dados do seu iinaginrio. Torna-se assira senhor dos seus desejos e da sua sexualidade."
Entre\,ista conclijyida j)or SyKa VAISMAN, S., Sc ience ei l'ie, n." 200, Sei. 199-
Tr:XTOfiZM" TRISSOMIA 21
28
tenha sido descrita pela prirrieira vez no sc. XIX na Gr-Bretanha, a sndrorne de Down  unia
doena to antiga quanto o prpfio Homern. Devido s ntidas semelhanas fisionmicas encontradas entre
estas crianas e os indivduo,,, mongis, john L. Down usou o termo 'inongolisnio' para descrever a sua aparn-
cia. j na segunda metade deste sculo, em 1959, uni investigador francs descobriu que esta doena  unia croniossopatia e que resulta da presena de uni crotriossorna 21 supranumerrio (em vez (tos dois habituais, uni
proveniente do pai e outro da me, estas pessoas tn-i trs). A partir da, esta doena gentica passou a desig---Ir-se correctamente por trissomia 21. Nos indivduos com trissomia 21, lia uma incidncia muito elevada (te
anomalias associadas.  til distinguir trs dimenses: a orgnica, a de desenvolvimento e ainda o lado emo-
tivo-comportamental. A nvel orgnico, destaca-se o aspecto caracterstico das pessoas corri sndrome ele Down:
cabea pequena, tendas palpebrais orientadas para fora e para cinta (tal como os povos orientais), orelhas pequenas e de implantao baixa, pescoo curto. lngua grande, baixa estatura e hipotonia (falta de fora inus-
cular). Muitas vezes tm uma malformao cardaca congnita, perturbaes no sistema digestivo. Na infncia
tn-i inais propenso a desenvolver leticemia e a ter convulses do que as crianas sem problernas significativos. Em segundo lugar, relativamente ao dest@nvol\,iiiiento, tm um dfice cognitivo, perturbaes de linguagem e
algunias dificuldades na motricidade fina. Do ponto (te vista emocional e comportamental, so criancas com
---na enorme capacidade para a interaco social, so inuito comunicativas e tm um trao (te carcter comuiu
que  a boa disposio."
PAUIA, INI., Trissor@)ia 21: O ariror e os erros dos croiiro,@soirra.@', Nolcias mt@@aZ1nu. jan. 1998
TEXTOEM" INTELIGNCIA: A "DEMOCRACILA" DOS GENES
B. DevIm e os seus colaboradores, o perodo fetal desempenha tini papel essencial na formao cio crebro (-to indivduo e por conseguinte na sua inteligncia futura. Recordam vrios estudos que mostrarani
que o Q1 pode ser afectado pelo anibiente pr-natal: o consumo de lcool, de tabaco ou de drogas pela me
podem baixar o Ql, enquanto que complementos alimentares especficos podem aunient-lo. (       ...)
B. DevIm t- os seus colegas concluem da sua investigao estatstica que no tomar em linha (te conta o
anibiente pr-natal conduz a uma sobrestimao da influncia da hereditariedade.
Matt McGue, investigador do departamento do Instituto de Gentica (Ia Universidade de Minesota, comenta
OS resultados de B. DevIin, afirmando: 'urna melboria dojncionamento cogniffi,opode constituir 11177 b(,r1.@@cio iii(-,st)erado, de iniciativas de sade pblica que visam melhorar a alimenlao niaterna e reduzir a exposio


pr-natal a substncias txicas'. No seu artigo intitulado 'A democracia dos gencs', este autor conclui a este
propOsito: As                          actuais sobre opapc1 do inato e do adquirido no Q1 conve)@gcmpara uma conc(y)@o segundo a qual as aptid)(-@@ intelectuais tm por base uma biologiafiwIe, mas maleveL-
LECOMTE. 1, ---Iiiteligncij: A deiiiocracia' cios geties'.            11uj?iaiw@s, ri.' ---, No\, 199-
TFXT*EM" AS CRIANAS SELVAGENS
i-egie,,@ da ndia, oride os casos de crianas-lobos foram relativamente numerosos. descobriram-se, cin
1920, duas irieninas - Amala e Karnala de Mio-Inapore - que viviaiu nUina famlia de lobos. A prinicira, a inais nova,
morreu uni ano depois; .1 sCgUnda. Karriala, que deveria ter uns oito arios, viveu at fins ele 1929. Segundo a descri-
o elo reverendo Singli, que as recolheu, elas nada tinhain de humano, e o seu cOniportarriento cra exactamente senielhante ao dos pequenos lobOS, SeUS irlIlOS: incapazes (te permanecerem ele p, caminhavam a quatro patas, apetiadas nos cotovelos e nos joelhos paua percorrerem pequerios trajectos e apoiadas nas inaos e nos ps quando o trajecto cra longo e rpido; aperias se alinientavam ele carne tresca ou putrefacta, coirriain o@ bebiani como os ani-
niais, acocoradas, corri a cabea lanada para a frente, sorvendo os lquidos com a lngua. Passavarir o dia esconcli-
das e prostradas,  sorribra; ete noite, pelo contrrio, eram activas e davam saltos, tentavam fugir c@ uivavam, realinente, (:orno os lobos. Nunca choravam ou riam, caracteristica que se encontra em todas as crianas selvagens. Reint(--grada na sociedade dos ilomens onde viveu oito anos, Karriala humaniza-se lentamente, irias, note-se, sem
nunca recuperar o atraso: passaram seis mos antes (te conseguir caminhar na posio erecta. Na altura cl morte apenas clispete de UtuaS cinquenta palavras. Contudo, se esses progressos so lentos, so tambm contnuos e reali-
Zalu-SC SinlUltancaniente em todos os sectores da sua personalidade. Surgem atitudes afectivas: Karriala chora, pela prinieira vez, quando morre a irm, torna-se, pouco a pouco, capaz de sentir afeioe,,, pelas pessoas que cuidam dela, especialmente pela senhora Singh; sorTi quando lhe falam. A sua inteligncia desperta tambm: consegue conirmicar corri as outras pessoas, por meio de gestos, gradualmente reforados com algumas palavras simples de uni vocabulrio rUdimentar; consegue compreender e (@XCCLItar ordens simples, (--tc. No entanto. a dar crdito a
outro observador, o bispo Pakenham Walsh, que viu Karriala seis anos depois de ser encontrada, a criana m            -to
tonrava qualquer iniciativa de contacto, nunca utilizava espontaneamente as palavras que aprendera e, especialiii(--nte, mergulhava norma atitude de total indiferena, mal as pessoas deixavam de a solicitar."
REYNIOND-RIVER, B., O D@-@st,nt)o1i,7ieiitoSocia1 (Ia Cria?ia , do A(Iolesctide, Aster, 1977, pp. 11-12
TExToEn=" PADRES DE CULTURA E INTERACES SOCIAIS
3-,
"No Pacfico, encoraja-se nas crianas a ddiva:  difcil fazer usar culos a unia criana mope porque ela d-os d(@ imediato aos seus companheiros. Na frica Negra, reprimem-se as perguntas aos inais novos, porque faz parte da boa educao no pr abertamente em dvida a palavra dos adultos. Na escola e na viola quotidiana francesas, o perguntar  encorajado, irias dentro de limites cuidadosamente controlados pelos aclultos. Nas tribos da Ariraznia, ainda guerreiras em 1950, promove-se a resislncia, apreciada pela tendncia as ferrad(--Ias de formigas."
CHA.NIAIX M. N., "Existent-ils des forines originelles ile trarisniissiort elii sa\@oir?", POI k ti." 105, Maro 2000, P. 18
TEXTO EMM~_ A VELHICE EM DIFERENTES CULTURAS
321
culturas em que a velhice  respeitada como plenitude da viela, outras em que se recusa como velharia. Os Masai da frica Oriental, como tantos outros povos, atribuem um valor especial aos ancios e regem a sua
organizao social  base do respeito por tal valor. O envelhecili-lento, que outros povos como o nosso temeril o-,
evitarri devido ao marasmo fsico e intelectual da terceira idade, para os Masai torna-se num ideal de prestgio e
ele inecanismo das classes de idade para a distribUiO C CXCrCCiO 110 Poder."
BERNARDI, B., Iiiti-odi@o tios Estudos ENio    Ec1j(@s -O. 1992, p, 35


TEXTOS
TXTOM@@ PADRES DE CULTURA
331
-Lavar-se ou orar, para o muulmano ou para ns, comporta sries previsveis de actos e significaes. Chamamos a tais sries patterns (da velha palavra francesa pairon, "modelo"). Esses patterois ou padres nao sio
infinitos: so limitados pelo espao e pelos volumes do corpo humano, bern como pelas possibilidades oferecidas pelo espao geogrfico e social. A cultura transfornia a natureza e torna-se, por sua vez, utria segunda natureza. Ela  Lima teoria iniplcita: comer com os dedos ou corri uni garfo , em si, uni acto indiferente; entretanto a antropologia pode revelar, atrs (Ia escolha ele utria dessas atitudes, um raciocnio. Alguns ritos so ento privilegiados (apertar a mo ou lev~la ao corao), constituindo uni cdigo e uma mensagern."
AI TZ1AS---1. M., A Antrq)o1o@@oa       Cifiti ix, 1978, 1). 100
TEXTOM" ETNOCENTRISMO
-O (@tnocciitrisiiio  urna atitude que leva o indivduo a considerar que o grupo tnico a (fite pertence  superior. Gerador (te esteretipos e preconceitos o etnocentrisnio conduz, frequenterriente, ao racismo, teoria e
prtica que parte elo pressuposto de que h ---raas" superiores.
Parece-nos oportuna a transcrio (tos dois priniciros artigos da Declarao dei I,NF,@C,'O Sobre a Raa c, os
M-cconceitos Raciais.
Artigo /.'
1. 7dos os Homens pertencem a mesma e@pcie e tem a mesma origem. Todos,1zem paiw- integrante da huniani-
dade.
2@ A identidade da origem no qJcia em nada ajculdade que os seres humanos /em de viver d@1@,rewemen1e,
nem o direito de osHomense osgrupos bumanosserem d@1ren1es, dose conservarem d@l`eren1ese de seremper cebidos como tal. Contudo, a diversidade defin-inas de vida e o direito  d@@-rena no podem, em caso
nenbum, servir do- pretexto aos preconceitos raciais: eles no podem legitimar, nem do, direito ncm de.jcto, qualquerprtica que sela discriminatria, neinj ndamentar polticas ditas do, desenvolviniento separado@ que no so, ria realidade, seno umaji-nia inais aguda do, racismo.
7odos ospovos do Mundoso dotados depotenciais iguais, permitindo-lhes atingir qualquer nvel do, desenvolvimento intelectual, tcuico, social, econmico, cultural epoltico, e as dij@,renas entre (15 suas realizae@s explicani-se inteiraniente porjctores geogr@ftcos, histricos, econo51nicos, sociais e culturais. Mis d@1rcnas nopodem, em caso algum, servir de pretexto a nenhuma c1assU@cao hierarquizada das naes e dospovos.
Artigo 2.'
L  Toda a teoria do, .1@ndcndo a superioridade ou ii,?fcrioridade de um grupo humano, oujndamentandojuzos de
valor sobre uina olU@,r(,iiciao social, .l1.sa e contrria s regras moral,,; e s normas cient@ftcas rcconhccidas.
2. O racismo tem por base a.l@l,,;a ideia de que as relaes discriminatrias entre grupas so moral e cient@ftca-
uMInte just@ficveis, nian@fi@,;ta-se por disposies legislativas ou regi da mentos discriminatrios, assim como atra-
vew do, crenas e actos anti-sociaLs, entrava o 1,@senvolvimento das suas vitimas,            aqueles que os pem em
prtica, divid, as naes no s(,uprprio seio, eigrava as tenses internacionais e ameaa a paz mundial.
Dectarao<) da UNL.SCOSobre a Maa e os llrcconcitos Raciais.
Paris, Agosto, 197,7'


TgxtOEEM= SOCIALIZAO E CULTURAS
351
"C) inventrio dos mtodos de socializao de um grande numero de culturas revela uma gama muito grande tanto no que diz respeito ao momento em que a cultura intervm para modelar um determinado tipo de com-
portainento, como no que diz respeito  maneira, mais ou menos severa ou permissiva. A severidade e a precocidade num certo domnio pode ir de par com a perinissividade num outro:  raro que uma cultura se deixe,
neste aspecto, qualificar de uma forma geral (... ).
No limite poder se- dizer que nenhum comportamento da criana escapa  influncia da aculturao e que, consequenternente, toda a psicologia do desenvolvimento  obrigada a integrar os factores culturais: o desenvol-
vimento humano no  mais concebvel fora de uma cultura tal como a vida terrestre fora da atmosfera."
BERTHOUI) et al.. Itanuel de Nychulogie, Marffiga, 1994, p. 102, 5.` ed.
Trzxyozm"@e,       O PROCESSO DE SOCILALIZAO
---As relaes das crianas entre si exercem, de facto, uma influncia deterininante sobre a socializao do jovem. , no entanto, com os seus iguais que a criana adquirir gradualmente a independncia e a autonomia, o sentido da reciprocidade, da solidariedade, da justia, de todas as qualidades indispensveis  vida em grupo e  cooperao. ( ...)
As colises e os conflitos vo desempenhar, nas relaes entre as crianas, um importante papel. So eles que, obrigando a criana a ter em conta a existncia (tos companheiros, quebraro o isolamento relativo no qual, como vimos, ela vive. Aquele que, com ou sem inteno, pisa o castelo de areia que o seu vizinho est a cons-
truir, ou que se apropria dos seus brinquedos, ou ainda que o empurra para tomar o seu lugar junto da profes- sora, depressa se apercebe que ele existe, e que, contrariamente ao que poderia pensar, este vizinho no  urna
simples pedra de jogo que possa manejar  vontade. Tais colises entre as actividades das diferentes crianas obrigam-nas a tomar gradualmente conscincia da personalidade das outras, a contar com os seus interesses, os seus desejos e a sua vontade."
REYMOND-RIVER, B., O Desent,oli.,imei@to Social da Cilana e do Adolescente, Aster, 1977, pp.
,MTp@
BIOGRAFIA DE KURT LEWIN
"Ktirt Lewin nasceu na Prssia. Em 1905, frequenta o ensino secundrio em Bt--
no curso de Medicina. Contudo, abandona esta especialidade, tendo-se dout, na Universidade de Berlini, enquanto professor, que contacta cotri
Wertheimer e Kliler. Neste perodo desenvolve trabalhos experimer,* tade. Perseguido pelos nazis, refugia-se, em 1933, nos EUA, tei,
universidades americanas.
Como j acontecera na Alemanha, utilizando longo, cia sobre os seus alunos, muitos dos quais se torn-            @
Neste segundo perodo, abandona a quar' ria de conjunto do corriportamento indi,-' der, o comportamento relu que ser consi,
campo. Avana com um conceito que  ce@                            o
inclui a globalidade dos factos que determinai.
A teoria de campo ser aplicada ao estudo
cologia social, que deu lugar a mltiplas investiga,
Na procura de rigor, Lewin vai aplicar o mtod(-
grupos onde observou, experimentou e estudou o com, e as leis que lhes esto subjacentes (action researcb).

TEXTOS
LOUO ""
Interessado pela teintica da resistncia  mudana, desenvolveu com a sua equipa uni trabalho corri
grupos d(@ donas de casa sobre a iriodificaco dos hbitos alimentares, (Iiiu ficou clebre. A falta de carne, na
Sc,unda Guerra Mundial, levou o (,ov(@rno =ericano a lanar prograinas que criassem novos hhitos dc alimen-
tao, noineadamente o aproveitarriento das vsceras dos animais e o aurnento elo consurno dos legumes.
L(@,win ps a hiptese ele intervir em grupo (aproveitndo a dinn-iica entre as (lonas ele casa) ser mais el         ,icaz
que fazer conferncias ou intervenes individualizadas. Ele detectou que estas intilhet---es                   atitudes que as @ofastassein das normas e hbitos culturais e, portanto, para que nuidassern, era necessrio debater em grupo,
intervir no contexto.
Erri l94@,, cria o Centro de 1)esquisa de 1)iniiiica de Grupos, no MIT, instituto ele Tecnologia da IJniversici@i(le d(@ MassachilsettS, que continuou os seus trabalhos inesino depois ela sua morte. A sua cobra est coligida eni:
A h,oria Dinmica da Per,@ort(lida(lc-: Princpios da Psico1(@@ia ]bpo1(@gica e Resoluo de Conflitos Sociais: Pap@is
lia            de Grupo. Graas  sua personalidade viva,       inteligente, atenta ao outro, adversa (s) vaidade(s),       torna-se urna figura carisintica, sendo elt- prprio iiiii inodelo de liderana e de animao de grupos.
1@nia reflexa(-) sobre a sua vida de refugiado judeu (a sua me morreu mini campo de concentrao) levoLi-o a interessar-se pela CUltUra (1@s minorias e da sua sol)revivn(-ia. Estudoll as interaces que se estabelecern entre
os grupos judeus ininoritrios e a cialtura inaioritria, assim como foi sensvel aos processos de rejeio, de @wtodesvalorizao, s referncias coalturais na educao dos filhos. Ele conclui que Lima ininoria sobrevive quando entende profundarriente a SLI21 histria cultural e desenvolve entre os seus irtembros laos solidrios e Lima estru-
tura (@ i(Jentidad(@ de grupo.,'
NIONTEIRO, NI. e RIBEIRO DOS SANTOS, M., P@iCo1oga 1, Ilorto ELjitor@1, 199@, pp. 1-O-1-1
TEXTO                              OS ADOLESCENTES E OS GRUPOS
descobrimos que estainos ss,                                                            sozinhos, o mais frequente  entrarmos em panico. Atiramo-nos para O extremo oposto e rnistirran-io-nos eni Igrupos - clubes, equipas, sociceLi(les, categorias. l)(@ -pente comeamos a vestir-nos exactainente como os outros:  a inelhor maneira de se ser invisvel. (-) iriodo
,no se cosem os remendos nas blue jeans toi-mi-se fundarnental. Se no sabernos fazer isso, ento est-se d(@
E ele\ (@ estar-s(@ dentro. Esta frasu  (fira, no acham? Estar dentro. 1)entro de quo@? l)o gortipo. Com os oti(ros.
Toajuntos. Salvos pelo nmero. Eu no sou cu. Sou um s do basquetebol. Llin nipaz popular. Sou o amigo vimePs arfligOS. SOLI LIM bluso negro numa Honda. Fao parte Sou utri joveir). No podem ver-ine, s0 conse-
explic-Pos, EstjInos safos. nopode.                                                                             1,F (@ 111 N, ['. K., Mo Lo i @@e de St io N c @ 1 h 11 @7 1, Ed i t o ri a 1 F r@1 gil 1 (@ 11 tos, 19-O, pp. 9- 10
@ ATITUDE
1, Toda a t(,ona d<,
valor sobre uma o,,psio para responder favorvel ou desfavoravelmente a iiiii objecto, pessoa, instituio ou
@en).  tim constructo terico e, conio tal, s pod(@ ser estudado a partir dos ('01nportarnen-
2. O racismo tilin Por t,,as que indiciarn avaliaes positivas ou negativas. As atitoades so compostas por elemen-
m(,,nte,1ustU@cvf,i,s, im,,hes, ideias) aos quais se aliam avaliaes ou afectos (valores) e So precursoras do Com-
v(@,; cle cr(,nas e actos aha direco. prtica, divick, as itaes ),,) longo do processo de socializao, isto , resultarn das aprendizagens que o indiv-
-ante a infncia, adolescncia e juventitele, na famlia, na escola e (,em os meios de
relativamente estveis,  possvel modific-las atravs ele processos de normaliza-
determinantes nesta mudanca a creclibilidade do emissor, a tonalidade afectiva
,) r(@ceptor (mais ou menos susceptvel de ser influenciado).


Foram desenvolvidas tcnicas prprias de avaliao e rnensurao das atitudes - escalas de atitudes, que so basicamente de dois tipos: Thurstorte e Lickert."
PESTANA, E. e PSCOA, A., 1)icionilo Breiv do, T@@ico1(@@ia, Eclitorial PreNena, 1998
@MX1"12@"'"40      ESTERETIPOS
"Os esteretipos pressupem uma forma de economia e de simplificao na percepo (Ia realidade j que permitem reduzir a sua complexidade atravs da categorizao. Recorre-se a tipos e a generalidades nessa tarefa
de simplificao (... ). Mas os esteretipos, para alm desta funo cognitiva, tm unia funo defensiva. No se
trata de estruturas asspticas ou neutras, dado que servem para defender a nossa posio na sociedade: 'uni padro de esteretipos no  neutro. No  simplesmente um modo de pr ordem na confuso florescente e activa da realidade. No  um simples atalho.  todas estas coisas e algo mais.  unia garantia do respeito relativaniente a ns prprios;  a projeco sobre o mundo dos nossos prprios valores, (Ia nossa posio e dos nos-
sos direitos. Os esteretipos so, por isso, muito marcados pelos sentimentos que lhe esto ligados. So a forta-
leza da nossa tradio e, por detrs das suas defesas, podemos sentir-nos seguros na posio que ocupamos' (l,ippman, Public Opinion, 1922, p. 42).
A funo defensiva no se reduz aos indivduos, servindo para que certos grupos mantenharri a sua posio dominante sobre os outros. A este propsito, cito A Poltica, de Aristteles, em que o filsofo recomenda aos
gregos ter urna viso dos escravos que garantisse a manuteno da escrava tura. 11
MORALES, J. F., P,@icologia,@ocitil, McGraw-Hill, 1994, p. 291
'f1@X,T0RE" ESTERETIPOS, PRECONCEITOS E INFORMAO
41
"A nossa relao com o exterior passa no s pelos media inforinacionais, mas tambm pelos nossos siste-
mas de ideias, que recebem, filtram e triam o que nos fornecem os media. Quando no temos opinio formada ou preconceito prvio, somos extremamente abertos s informaes. Quando no possumos estrutura mental ou
ideolgica capaz de a assimilar ou inscrever, a inforinao transforina-se em rudo.
Em contrapartida, quando dispomos de ideias firmes e definitivas, somos muito mais acolhedores para todas as informaes que as confirmem, mas muitssimo desconfiados para corri as que as contrariem.
Mais ainda, somos capazes de resistir s informaes no conformes com a nossa ideologia, recebendo essas
informaes no como informaes mas como mentiras. (   ...)
Os nossos esquentas mentais filtram a informao: ignoramos, censuramos, repudiamos e desintegramos o
que no queremos saber. Os Alemes que quiseram ignorar a existncia dos campos nazis ignoraram-na, e, em
1945, as populaes alemas receberam como mentiras de propaganda as imagens e os relatos dos campos (ta rflorte; os Franceses que quiseram ignorar a tortura na Arglia ignoraram-na.
Durante um ano implorei  minha amiga C. que lesse O Arquiplago do Gulag. No tinha tempo, mas encon-
trava vagar para ler Guattari e Lacan.
Deste modo, consegue-se no ver o que toda a gente v, deixa-se de ver o que se continua a ver (saturao) ou olha-se para outra coisa (diverso), mesmo quando temos toda a informao  nossa disposio. Quase podemos formular esta lei psicossocial: Lima convico bem firme destri a informao que a desmente."
MOR IN, E., As Grandes Qiwst@)cw doVosso 7inpo, Eclitorial Notcias, 1987, pp. 29-30



E N T R E V 1 S T A
com
Dr. Antnio Pgo
Licenciado em Psicologia pela Faculdade de
Psicologia e Cincias da Educao da Universidade de
Coimbra. Exerceu a actividade durante cinco anos na
formao de educadores de infncia e professores
primrios em Leiria. Trabalhou na rea de orientao
escolar e profissional em escolas secundrias e foi
consultor de recursos humanos numa empresa de
servios. Em 1988, ingressou na Associao
Industrial Portuense como tcnico de formao,
sendo actualmente director do Departamento de
Formao Profissional.
Pergunta - Qual a rea de interveno do psiclogo organizacional?
Antnio Pgo - Passe a redundncia, diria que constituem reas de potencial interveno do psiclogo organizacional todas as que dizem respeito  existncia e ao
desenvolvimento das organizaes, independentemente da sua dimenso e/ou
enquadramento especfico. De um ponto de vista mais pratico, constatamos hoje a participao de psiclogos em dinmicas organizacionais de mltipla natureza - em empresas, instituies e/ou entidades de administrao, organismos profissionais, associaes, clubes, ou seja, num conjunto razoavelmente alargado de organizaes mais ou menos complexas e
com reas de actuao muito ou pouco definidas, no domn@o vasto de sistemas e
valores que regulam a vida dos indivduos
em sociedade.
Em resumo, diria que as reas de interven-
o do psiclogo sero tantas e to largas quanto os conceitos de organizao o per-
mitam, ou recomendem.
P. - Que mtodos e tcnicas so mais utilizados na sua prtica?
A. P. - Todas as abordagens cientIficas integram um conjunto de saberes essenciais e
de ferramentas prticas de aplicao e/ou interveno sustentadas por modelos tericos slidos e obviamente enquadrados no
tempo e no espao em que so produzidos. A evoluo da psicologia transporta assim um conjunto de abordagens que incorporam os seus conhecimentos nucleares e ferra-
mentas de anlise e interveno, procurando aplic-las a problemtica das organizaes -
as componentes, os objectivos, a estrutura, a sua natureza "viva" - de acordo com o cir-
cunstancialismo incontornvel de produo das prticas e saberes que as suportam.

Posto isto, espero que tenham percebido que so vlidos os mtodos e as tcnicas
que aprenderam neste livro, desde que devidamente adaptados a cada realidade e
s suas circunstncias.
P. - Quais as problemticas da sociedade contempornea que justificam a interveno do psiclogo organizacional?
A. R - Na minha opinio, uma das problemticas centrais ela sociedade contempornea diz respeito a essa palavra "mgica" simultaneamente atraente e assustadora: a
mudana. Trata-se de um conceito difuso, de difcil enquadramento terico ou metodolOgico, mas que atravessa as sociedades e os seus modos de organizao. Qualquer que seja o nvel (Ia anlise em
que nos posicioncinos - o individual, o grupal ou o orgnizacional -, gerir a
inudanca constitui um acto de sobrevivn~ cia - I)or(ILIC  inevitvel e inultrapassvel (a mudana  perinariente e cada vez mais rpida!), Fui cada indivduo como em cada organizao, o critusiasino e a abertura  mudana - generalizadarnente aceite por todos - incorporam sempre sintornas mais
ou irienos firmes de resistncia  mudana, no necessarianiente percepcionados como
tal. Cliainar-lhe-ia o paradoxo virtuoso. Se  assini, haver desafio mais aliciante para o profissional que arialisa ou actua no
descrivolvimento organizacional?
P. - Na sua prtica, interage com psiclogos de outras reas, designadamente com psiclogos clnicos e escolares?
A. P. - Nos nossos (lias, o xito advm
quase sempre de intervenes pluridiscipli-
nares e multiprofissionais. O profissional qUe na sua actividade no interage com
outros profissionais de outros ramos e
saberes cientficos limita claramente o
nibito e a qualidade da sua aco, logo, os horizontes do seu percurso. Em resumo,  desejvel interagir com psiclogos de outras reas, mas tambm
com grUPOS profissionais de diferentes especialidades: crigenharia, economia, sociologia.... num registo de permariente entrecruzamento de saberes e competn-
cias.
P. - Que questes ticas se colocam na
sua aco como psiclogo?
A. P. - Em qualquer actividade profissional podemos considerar um plano mais visvel que teiri a ver com o desempenho e a exe-
cuo e uni plano menos visvel que deriva de valores socialmente aceites.
As qUestes ticas so, na aco do psicOlogo, o instruinento regulador elos valores e converies socialmente partilhados e ao
mesmo tempo o "escudo protector- do sujeito que vive em cada ser humano.

E N T R E V 1 S T A
Dra. Lisete Barbosa
Lisete Barbosa ps-graduou-se em Pedagogia e Psicologia Clnica em Paris, onde fez tambm a sua formao inicial. Coordenou dul-ante dez anos a Diviso de Orientao Educativa da ento Direco-Geral do Ensino Bsico. Durante esse perodo trabalhou directamente com professores e alunos e co-construiu uma equipa pluridisciplinar de formac-o e de apoio para as escolas preparatrias.  professora coordenadora na Escola Superior de Educao de Setbal. Autora de artigos de psicologia da educao e dos livros: Gerir o Trabalho de Projecto e Trabalho e Dinmica dos Pequenos Grupos.
Pergunta - Qual a rea de interveno do psiclogo escolar?
Lisete Barbosa - Costuma associar-se a expresso "psicologia educacional"  interveno dos psiclogos dentro das instituies escolares e muito especificamente para apoiar alunos que manifestam, num
ou noutro momento, dificuldades. De facto, a interveno do psiclogo educacional visa o desenvolvimento de pessoas que, na maior parte dos casos, so alunos de uma determinada escola. Por isso,  necessrio que a escola seja um contexto onde as crianas e jovens se desenvolvam bem. Isto implica jogar com factores organizacionais, contactar com professores, pais e outros profissionais ligados  sade ou
aos outros contextos sociais. Assim, a rea de interveno do psiclogo educacional  o aconselhamento; mas  tambm dialogar e provocar encontros entre pais, professores, outros profissionais;  tambm criar e
gerir situaes de formao. P. - Que mtodos e tcnicas so mais utilizados na sua prtica?
L B. - A comunicao interpessoal. Dilogos, capacidade de escuta, conduo e participao em reunies, trabalho de equipa, entrevistas individuais ou de grupo.  fundamental ter uma boa formao nesta
rea para ter intervenes construtivas junto dos jovens, dos adultos que trabalham nas
instituies e, eventualmente, dos pais. Muito esporadicamente, os testes. P. - Quais as problemticas da sociedade contempornea quejustificam a interveno do psiclogo educacional?
L. B. - A perspectiva de dificuldades no
mercado do trabalho, que funciona como
um pano de fundo mais ou menos cons-
ciente para a falta de motivao para as
actividades escolares. As condies de vida corri grande perda de tempo em transportes e na obrigao de consumir que leva a que as ocasies de dilogo e conversa entre as pessoas escasseiem. Por vezes, a presena de um profissional desencadeia um processo que cria espao e tempo para as pessoas se encontrarem, se conhecerem e, a partir da, poderem colaborar na procura de solues ou de alternativas. A ideologia dominante de individualismo traduz-se mima grande solido e na perda da conscincia deste facto simples: a unio faz a fora.
O prprio funcionarnento da escola como instituio e as suas ambiguidades e contradies. P. - Que questes ticas se colocam na sua aco como psicloga?
L B. - Falar de tica est tanto na moda que receio que a palavra acabe por perder sentido. Ou ento que tenhamos que a
escrever entre aspas, como aconteceu j
com a palavra "sucesso'@ na primeira metade dos anos 90... Os problernas que se pem a um psiclogo educacional so essencialmente idnticos aos que se poem a um psiclogo clnico: o respeito pela pessoa - criana, jovem ou adulto. E a dificuldade em gerir o
que ns sabemos, e pode ser segredo, e a
necessidade de desencadear solues que no dependem s de ns.

P. - Conte um caso significativo na sua experincia profissional.
L. B. - Acho que contava dois. Um, j antigo, mas que me marcou profundamente, pelo que me ensinou: fiz a uma mida aquela pergunta do WISC: "Se.lsses comprarpo e na padaria te dissessem que j no havia, o que  quefiazias?'. E ela respondeu: "Ia pedir dinheiro  minha me porque j no ftavam mais". Claro que esta resposta no constava da lista das respostas a pontuar como certas. Mas no s revelava uma grande perspiccia e inteligncia, como me revelou a mim como alguns instrumentos so marcados por factores sociais e culturais. Neste caso, por exemplo, seria resposta certa "comprar pezinbos de leite".
O outro episdio tipifica aqueles milagres que podem ser quotidianos e acontecem, de facto, muitas vezes: os alunos de uma escola pediram para reunir connosco (ia com outros dois colegas professores com funes tcnicas no Ministrio da Educao) para pr alguns problemas da escola. Dissemos que sim e que queramos que alguns professores tambm estivessem presentes. A nossa passagem na escola era ocasional e no tnhamos qualquer poder ele inten,,eno. E tambm no queramos que o clebate se transformasse numa intil sesso de queixas contra a escola e os professores. Estes, no princpio, estavam um bocado na defensiva; mas, a pouco e pouco, comearam a entrar numa posio de dilogo. Os alunos comearam a sugerir maneiras de solucionar alguns problemas. Quando a ses-
so acabou, tinham sido resolvidas questes to importantes como o horrio dos transportes e toda a gente estava contente e a saber que podiam contar uns com os outros. P. - Muita gente pensa que a escola est a falhar, no essencial, na sua funo de educar. Concorda?
L. B. -  difcil no concordar. As escolas onde professores e alunos se sentem felizes, e as aulas onde se trabalha e aprende, existem, mas so as excepes. Penso que na raiz desta situao, para alm de eventuais medidas administrativas mais ou menos acertadas, est numa certa
11 cegueira" da escola, como instituio, para a sua maior qualidade: ser um local de interaco. Em vez de aproveitar alegremente este privilgio de ter uma quantidade de crianas e jovens e de professores, que so pessoas que escolheram uma actividade profissional que  baseada no con~
vvio, o quotidiano das escolas mostra que esta mais-valia absoluta das escolas (onde mais  que h tantas horas para estar J.unto e trocar ideias?)  transformada em desvantagem, problema e obstculo. A interaco entre os alunos  desencorajada, se no punida. Os professores, por sua vez, esto muitas vezes numa posiao defensiva, e a sua relao com os alunos  muitas vezes curto-circuitada. Alguns professores parece que tm medo. E os alunos tambm tm medo de falar normalmente, de conversar, com os professores como
com outra pessoa qualquer. Isto prejudica tanto as aprendizagens como a educao mim sentido mais lato. Por exemplo, a formao para a democracia pode fazer-se pela prtica. Ora a escola  um local onde lia muitas decises a tomar que tm a ver com o quotidiano dos que a
vivem, e que vo, por exemplo, ela gesto do espao e do tempo  maneira t@  ordem como se podem tratar os assuntos a trabalhar obrigatoriamente numa disciplina. Decises que sO teriam a ganhar se fossem tomadas ele forma participada. Mas a tal falta ele dilogo e de aco conjunta faz com que a escola se torne uma escola ela passividade e, nalguns casos, da sua outra
face, da revolta. Muitas vezes me tenho perguntado se a
passividade geral dos hUmanos perante o
que se passa  sua volta no foi iniciada e
treinada na escola, para poder depois ser
praticada quotidianamente perante os ecrs da televiso. P. - Como ultrapassar esta situao?
L. B. - justamente aceitar e incentivar a interaco entre os alunos, entre alunos e professores e entre os professores, e promover a participao activa elos alunos na
vida e nas decises da aula e da escola. S assim o sentimento de pertena e a responsabilidade se podem desenvolver.

E N T R E V 1 S T A
Ftima Sarsfield Cabral  psicloga e psicanalista.
Trabalha, desde 1973, no Centro de Sade Mental
Infantil e Juvenil do Porto, faz psicoterapia analtica e
psicanlise a adultos e crianas. Estagiou em Paris
sob a orientao do psicanalista Serge Lebovici.  membro titular e didacta da Sociedade Portuguesa
de Psicanlise e membro titular da Sociedade
Portuguesa de Psicodrama Psicanaltico de Grupo. 
autora de diversos artigos sobre psicanlise e do livro
Pensar a Emoo.
Pergunta - Qual a rea de interveno do psiclogo clnico?
Ftinia S. Cabral - O psiclogo clnico intervm especialmente na rea da sade
mental, englobando a preveno, a interveno ou o tratamento, a investigao e o
ensino. As suas funes dependem fundamentalmente do tipo e do grau ele aprofundainento (Ia sua formao - formao que me parece dever ser contnua - e do facto
de trabalhar sozinho ou numa equipa e do equilbrio e dinmica que se estabelecern
nessa equipa. Mais concretamente, podemos dizer que a
sua interveno comea pela observao -
a chamada observao psicolgica. Esta observao  muito especial porque se
trata de observar pessoas. Para esta observao, o psiclogo socorre-se muitas vezes
de instrumentos - os chamados testes -
que, por um lado, se podem ajudar muito no diagnostico psicolgico (por ex., aperceber-se das dificuldades especficas que uma criana pode ter na aprendizagem, apesar de ter uni bom desenvolvimento
intelectual), por outro, podem ser um
entrave ou constiturem uma defesa ao
estabelecimento de uma relao mais profunda que se constri lentamente e sem "truques". Portanto, ao estudo psicolgico cio indivduo ou dos grupos, SCgUe-se naturalmente a elaborao do diagnstico psicolgico -
que deveria ser discutido e completado com o de outros tcnicos (Ia equipa (indicos, assistentes sociais, educadores, terapeutas) -, diagnstico fundamental para a preveno ou para a escolha do tratamento mais adequado  situao.
O psiclogo clnico pode ainda fazer o
aconselhamento psicolgico individual, conjugal, familiar ou de grupo, intervir psicologicamente e fazer psicoterapia. Mas eu
penso que os psiclogos, assim como
todos os tcnicos mdicos ou no mdicos, deveriam sempre continuar a sua formao aps a licenciatura - que forosamente d uma formao muito geral - e escolher especializar-se numa ou noutra corrente de interveno ou terapia que se adapte melhor  sua personalidade, percurso de vida e opes tericas. Neste rnomento, em
Portugal, so as vrias sociedades clnicas
que fazem essas formaes, que passam quase sempre por o psiclogo sofrer - com

aspas ou sem elas - a terapia que pretende aprender a fazer aos outros: Terapia familiar, coniportamental, cognitivista, psicodrama, psicanlise, etc.
P. - Que mtodos e tcnicas so mais usados na sua prtica?
F. S. C. - A prtica, os mtodos e tcnicas
que o psiclogo clnico utiliza dependem sempre da sua experincia e formao. Geralmente, comea-se pela observao, por conversar livremente com as pessoas, tentando estabelecer uma relao que permita a abertura e a confiana da criana ou
do adulto em ns. Com as crianas, a
observao do jogo simblico, da maneira como utiliza os brinquedos, do desenho e
da pintura livres so meios fundamentais para determinar o seu desenvolvimento e
para compreender o que se passa no seu ntit-no, j que raramente conseguem exprimir pela fala aquilo que sentem ou temem
ou que as faz sofrer. Mas h tambm testes estandardizados e inquritos que nos do
Lima medida estatstica - e como tal relativa
e cega perante situaes especficas - do
nvel de desenvolvimento intelectual ou de
dificuldades mais especficas e que perturbain a aprendizagem, como as dificuldades na organizao grafoperceptiva e na inte-
grao da lateralidade; outros ainda, como os projectivos - Famlia, Pata Preta, CAT, Fbulas de Duss, por exemplo -, podem-nos ajudar a obter mais rapidamente certos dados, certas fantasias, que podem mesmo
ser inconscientes para a criana e que nos
permitem intervir no alvo do problema. Um exemplo muito comum  a criana projectar nas figuras de animais o cime
perante o nascimento de um irmo, sem, no entanto, jamais ter exprimido isso, de tal modo que os pais nunca o teriam notado.
isto faz-me pensar em como  importante que o psiclogo clnico no deixe de ligar os vrios dados que obtm atravs desta observao que, apenas metodologica-
mente,  feita por zonas aparentemente compartimentadas - inteligncia, afectividade, etc. A psicologia clnica tem evo-
ludo muito e, hoje, d-se uma enorme importncia ao desenvolvimento e  rela-
co precoces, pois, como dizia Joo dos Santos,  no bero que o beb comea a aprender a ler, e muitos dos problemas futuros comeam a. Por isso, a rea da
relao precoce e do apoio  gravidez comea a ser uma das mais frutuosas para a interveno do psiclogo. Entretanto, a minha prtica foi-se modificando  medida que eu ia aprofundando a
minha formao e os meus conhecimentos
- e espero que assim continue... Bem, o
que aconteceu foi que a corrente psicanaltica sempre foi a que me pareceu mais profunda, ligando a razo e a emoo e a que permitia compreender melhor o mundo
interno. E, passado pouco tempo de terminar o meu curso e de comear a trabalhar
no Centro de Sade Mental infantil do
Porto, comecei a minha prpria psicanlise e depois a formao para ser psicanalista de adultos e crianas. Considero que esta foi - para mim - a formao essencial, apesar de tambm ter feito formao em psicodrama e terapia familiar, Portanto, apesar de ainda utilizar - s com crianas - os tes-
tes psicolgicos na observao para um
diagnstico rpido, uso sobretudo o
mtodo clnico, no sentido em que Piaget o
utilizou, ou seja, para tentar compreender o
funcionamento psquico, no separando a
inteligncia do afecto e estes do ambiente
familiar e escolar.
Utilizo cada vez menos instrumentos, sendo o principal a anlise daquilo que vou sentindo na relao entre mim e a
criana, adulto ou grupo. Evidentemente que isto pressupe uma atitude de grande disponibilidade para receber as projeces que o outro ou os outros no suportam ou desconhecem e depositam no
terapeuta, e uma formao contnua, superviso ou discusso em pequenos

grupos de trabalho, que ajudem a destrin-
ar as fantasias que pertencem ao Lerapeuta - um outro ser humano, talvez mais fortalecido e interiormente mais livre e
disponvel pela sua prpria anlise - e
que o ajudem a pensar para poder devolver de Lima forma mitigada aquilo que foi projectado, de maneira a poder ser digerido pela criana, adulto ou famlia, possibilitando-lhes o crescimento e a conquista da autonomia e da criatividade.
P. - Quais as problemticas da sociedade contempornea que justificam a intervenao do psiclogo clnico?
F. S. C. - Essa pergunta faz-me sorrir porque pus-me a imaginar uma sociedade que no precisasse de psiclogos... Se calhar sO o nome, as tcnicas e os conhecimentos  que so modernos... Sempre houve feiticeiros, Curandeiros, bruxas, directores espirituais, etc., etc., para ajudar o ser humano
a suportar o sofrimento provocado pela sua condio de ter dentro de si algo que o aparenta aos deuses - um inundo infinito
de fantasia - e de se saber condenado 
morte e  separao. De qUalqUCr maneira, o que se verifica  que quanto mais complexa  a sociedade
maiores tenses existem, maior  a competio desenfreada, a violncia e a excluso. E no  por acaso que tanto se fala na falta
de coi-nunicao que existe na nossa socie-
dade, a par da enorme sofisticao dos meios de comunicao social que, paradoxalmente, parecem isolar cada vez mais o
ser humano, tentando ---normaliz-lo- e afastando tudo o que  diferente. A psicologia e os psiclogos tm aqui uni
enorme campo de aco, tanto na preveno como na interveno junto do indivduo e dos grupos.
P. - Que questes ticas se colocam na sua aco como psicloga?
F. S. C. - H bocado falvamos da relao do psiclogo clnico como uma relao com
o mais ntimo das pessoas. Evidentemente que isso pe imediatamente questes ticas e no s pela importncia do segredo profissional. Este levanta muitas questes sobretudo quando se trabalha com crianas que nos so enviadas pela escola e os professores querem saber o que se passa para perceber melhor o aluno. Mas h sempre o risco - se se passarem certas informaes -
ele a criana ser estigmatizada. H uns estu-
dos muito interessantes que mostram que, se se diz aos professores que certos alunos tm mais capacidades que outros - sem ser verdade -, isso vai influenciar significativamente - e inconscientemente - o seu interesse pelos que pensa serem os melhores, de tal modo que as spas capacidades aumentam significativamente. Considero extremamente importante a ati-
tude do psiclogo cujo trabalho  o de acei-
tar o outro como ele , respeit-lo e ao seu
sofrimento, compreend-lo, enquanto, simultaneamente, vai favorecendo a sija
autonomia e capacidades criativas. Muitas vezes as pessoas esto muito fragilizadas e 
extremamente fcil maniptil-las. Mesmo que um terapeuta no d conselho,,,, o paciente apercebe-se muitas vezes daquilo que agrada ou no ao terapeuta, se este no for
tolerante. Muitas crticas que se fazem s
terapias  o de elas tentarem adaptar as pessoas, tornando-as conformistas e dependerites. Mas o objectivo de Lima terapia - para mim - s pode ser o de ajudar o outro a ser
* que , a fortalecer-se para saber escolher
* caminho que quer seguir e a tolerar
melhor as diferenas, a separao e o sofri-
mento que sempre acontece na vida real. Ouvi muitas vezes as pessoas manifestarem o seu medo das terapias por poderem ficar dependentes do terapeuta;  verdade que h um perodo em que o terapeuta  fundamental e a pessoa se sente afectivamente
dependente dele: mas esta dependncia acontece porque j existia ou porque a pessoa necessitava dela para se tornar mais
segura e finalmente autnoma.

P. - Conte-nos um caso significativo da sua experincia profissional.
F. S. C. -  difcil escolher... Acho sempre muito interessante ver como o trabalho
com os pais, ou muitas vezes s com a
me, pode alterar tanto o comportamento dos filhos, pode fazer desaparecer a impossibilidade de dormir s, ou a enurese, ou
as crises de raiva. Mais uma vez isto nos
mostra como a criana pode ser o sintoma
do que no vai bem na famlia ou com um
dos pais, da prpria dificuldade de separao destes dos filhos, da dificuldade em os
deixar crescer ou da violncia das projeces em certas famlias. Um caso muito bonito que tenho neste momento  o de uma criana que, embora com perto de 5 anos, tinha um comportamento semelhante ao de uma de 2, pronunciando apenas alguns sons, sem, no
entanto, ser autista nem me parecer dbil mental. Parecia-me mais que o seu desen-
volvimento tinha parado - talvez na altura
do nascimento de um irmo. O que mais me tocava era a nostalgia do seu olhar, o
facto de nunca sorrir e a angstia da separao. Ao fim de seis meses de psicanlise, com trs sesses por semana, em que o jogo principal e repetitivo tem sido o de se
esconder para eu a procurar, a sua transformao  enorme: alegre, brincalhona, terna e tambm capaz de mostrar a sua
agressividade, j diz frases completas e
interessa-se por livros e histrias. Claro que
a sua terapia esta longe de terminar e que nem sempre  assim to rpido o desbIo-
queamento de uma situao. Mas uma das terapias que mais gosto de fazer - e que resultou de uma profunda reflexo, feita por um pequeno grupo de tcnicos com formao analtica, sobre a
importncia da expresso criativa atravs do jogo e da pintura livres, da dinmica de
grupo, do perodo de latncia e da tcnica psicanaltica -  a dos grupos de psicoterapia analtica com crianas entre os 6 e os
11 anos. Nestes grupos, no mistos, os
rapazes ou as raparigas mais novos (6/8 anos) podem exprimir os seus medos, fantasias ou desejos atravs de jogos, histrias ou teatros, e os mais velhos (9/11 anos) atravs da pintura livre. Mas, para alm da expresso atravs do jogo e da pintura,  dada grande importncia a palavra e a
interpretao do que  dito de uma forma
ou de outra. Todo o grupo  tomado como
a expresso do mundo interno, em que h partes mais maduras, outras mais "abebezadas", outras medrosas, outras deprimidas, outras invejosas ou ciumentas, etc., etc., que, como num sonho, so o espelho do que se passa no teatro interno de cada indivduo. O facto de serem grupos s de rapazes ou de raparigas refora e ajuda muito  consolidao da identidade sexual neste perodo da latncia. Alm disso, os
pais destas crianas (sobretudo as mes) tm,  mesma hora do grupo dos filhos e
com outro terapeuta, uma reunio para discutirem problemas que tm com os filhos
mas que, rapidamente, se transforma numa
terapia de grupo. Verificmos muito depressa quanto as mudanas nos filhos e nos pais estavam interligadas e como as transformaes se davam mais rapidamente... A grande maioria destas crianas aparece-nos com dificuldades escolares, medos, inibies, mutismos e outros sinto-
mas; ao fim de algum tempo de terapia -
e, s vezes, com grande espanto dos pais e
professores, "porque s estavam ali a brin-
car e no a estudar" -, comeam a ter um
novo interesse pela vida, a ter menos
medo de crescer e a tolerar melhor a dor
mental inerente s perdas consequentes, a
ter um bom rendimento, a ser capazes de se afirmar e a ser mais criativas.

E N T R E V 1 5 T A
Dra. Adriana Baptista
Adriana Baptista  sociolinguista, professora adjunta
na Escola Superior de Educao do Porto e membro
da Associao Portuguesa de Lingustica.
A sua tese de mestrado explora as estratgias que os
falantes usam para verbalizar representaes mentais
espaciais.
Actualmente desenvolve pesquisas na rea da comuni-
cao e da retrica verbal e visual enquanto estratgias
de convencimento.
Pergunta - Quando queremos interligar linguagem e pensamento, a primeira questo que nos surge  a de saber de que modo a forma como falamos nos ajuda a pensar e a estruturar o mundo.
Adi-iatia Baptista - No  fcil responder a este tipo de questes a no ser que opteinos por respostas circulares, tal  a intei-li-
gaJio cl linguagern e do pensamento enquanto fenOmenos constituintes da actividade cognoscente. Ser que criarnos e
desenvolvenios a linguagem em funco das necessida eles que o inundo nos apresenta ou sera que, contra riam ente, o mundo que veinos  o resultado cl lngua que falamos? Se, por uni lado, uma mente positivista rejeitaria sem hesitaOes esta segunda IiipOtese, o certo  que a lngua que falamos e com que nos liabituamos a ver o
inundo  unia cli,3ve fundaniental para a
nossa leitura inteligente dos fenmenos elo quotidiano e que falar tinia lngua e no
outra nos perinite estabelecer relaes de
minadas parentesco seniantico entre deter realidades e no entre outras.
A linguagem verbal , com certeza, Lima
foi-ma especfica de represcritao do inundo mas no devernos pensar que 
urria fornia simples de etiquetageni. A representaao do inundo que qualquer lrigua natural aclinite estar sempre profun- @Liniente ligada a rclidade social clu onde
essa mesma lngua  originria, as razes ctilturais CIOS SeUS utentes, aos seus hbitos, etc. Pos,@uir uni paradigina lexical de mais de cinquenta terinos para a realidade ---neve 11 (como  o caso dos esquiniOs) @)hri gatoriarnente criar cla parte do fI;,nt@@ uma relao com a neve diferente daquela que o falante que aperias distingue @'nc\@e" de "uranizo-, ---saraiva- Ou ---,gelo- poder ter. O falante cujo paradigina lexical  mais vasto ver vrios tipos de neve. Ver, aqui, significa distinguir, poder classificar, com-
parar. O portugus, por exeniplo, no ver tantos tipos de neve, isto , no os conhe-
cera. O que no quer dizer que eles no
existarn, mas apenas que no podem ser
objectos do seu pensamento. E corno poderiam se desconheceirios as palavras que os nomeiarn e tudo o que no tem nome no existe? Um exemplo talvez ainda mais fulgurante que o ela "neve"  o das cores. Qualquer falante do portugus, com
maior ou inenor grau de daltonisirio, admite a existncia das diferentes cores cio

espectro das cores corno sendo universais
e ficaria surpreso ao saber que existem povos na ZMbia Ou na Libria que falam lnguas CILIC para cores como o azul, o verde, o amarelo, cor de laranja ou o ver-
melho tm apenas dois termos "hui- e
-ziza" (Bassa, lngua da Libria), O que obriga toria mente os impossibilita de ver de
forma distinta cada unia dessas cores.
Como fazer-nos, a nos, portugueses, chmar vermelho ao amarelo?
Mas a representao elo mundo que a lin-
guagern verbal autoriza no est apenas ligada  nomeao da realidade, mas tarn-
bm ao modo como a organizao elas nossas redes semnticas influi na nossa
estruturao elo mundo. Todos sabernos (JUC a traduo exacta de lngua para fingUa no existe. No porque no haja lexemas que re@prescntcm determinada realidade, nias porque as relaes que cada lexema estabelece corri os outros possibilita que a cada nome esteja apenSO UM
campo semntico cujas fronteiras confinam com as do campo semntico do nome que lhe  mais prximo na rede semntica
mental. isto , cada nome representa aquilo que o outro no representa. Palavras que representam sentimentos associam-se com facilidade a outras em
funo ela cultura, da idade e das vivncias
elo sujeito falante. Assim a palavra "paixo   por exemplo, pode, dentro ele Lima
determinada lngua, ou mesmo dentro de
uni grupo (etrio, por exemplo), por razoes culturais ou educacionais, assumir valores disfOricos prximos da loucura e
do desregramento, enquanto noutras finguas (ou noutros grupos) estar carregada de valores eufricos, o que nos leva a pensar que dizendo a mesma palavra jamais diremos o mesmo mundo.
P. - Ser que a criana  apenas o objecto passivo da lngua que fala ou ser que  capaz de se apropriar, de facto, de uma estrutura lingustica convencional e agir sobre ela, transformando-a?
A. B. - A aprendizagem ele qualquer lngua por parte de unia criana  basicamente feita atravs da imitao. Convm no nos
esquecermos de que a imitao no , porm, exclusiva das crianas.  frequente vermos os adultos imitarem as criaes lingusticas das suas crianas, apropriarem-se delas e usarem-nas num universo nem
sempre muito restrito. No entanto, a imita~
co enquanto processo de aprendizagem permite a partir de uma determinada idade@ a generalizao de uma norma e, nessa
altura, deixa ele ser suficiente e apenas a
criatividade torna possvel a produo ilimitada de que a criana vai sendo capaz. Este tipo de criatividade vai ser tambm
responsvel pela criao de alguns desvios pessoais  norma-padro. A normalizao escolar encarregar-se- de limar todos estes desvios sujeitando-os a Lima norma esco-
lstica onde o social vence o individual.
As estruturas inorfossintcticas de qualquer sistema lingustico, pela sua rigidez, no admitem grandes variaes, mas o que  certo  que as lnguas evoluem no sentido
da simplificao devido frequentemente  lei do menor esforo e no sentido da inulti-
plicao devido  aco da criatividade. Ora, so talvez as crianas e os adolescen-
tes os que esto menos dominados e teme-
rosos da norma lingustica e que possuem a dose de preguia, irreverncia e criativi-
dade que lhes permite mexer na lngua
com a forca da mudana. No caso das
crianas, algum desconhecimento lingustico pode tambm ser factor de criativi-
dade. A questo  criar a moda, depois outros canais encarregar-se-o de a institu-
cionalizar despenalizando o erro, aceitando-o como desvio criativo, ou pura e
simplesmente fechando os olhos a um
estrangeirisi-no. Quando o adulto foge  norma lingustica, esse seu acto ou  um
acto consciente, corajoso e criativo, como no caso dos publicitrios, ou  pura e simplesmente um acto inconsciente, o que no quer dizer que neste caso a moda tambm

no possa surgir. Na confluncia do cons-
ciente e do inconsciente, do herdado e do
trabalhado em termos pessoais esto os
idiolectos, forma especfica que cada falante (criana ou adulto) tem para actualizar o sistema lingustico a que pertence. Quer isto dizer que numa certa margem falamos todos a mesma lngua diferenteniente, apropriamo-nos dela. Temos dbitos lingusticos diferentes, fazemos pausas em stios diferentes da frase, '@carregamos" mais certas palavras, usamos mais ou
menos calo, preferimos mais frases curtas ou desdobramo-nos em subordinadas, enchemos as pausas de longos ehhhh ou...
E se todos estes tiques podem ser herda-
dos no seio familiar, eles tambm podem ser adoptados por oposio ou imitados a um amigo por empatia. Somos, assim, muito capazes de agir sobre o sistema lin-
gustico que apenas enquanto falantes fazemos evoluir.
P. - Quando falamos hoje em comunicao e em transmisso da informao, no podemos esquecer os meios de comunicao social em que vivemos mergulhados. Qual a influncia destes meios na estruturao da linguagem e do pensamento?
A, W - Quando falamos em comunicao social, discutimos um fenmeno sociocul-
tural que joga com um pblico sedento de informao, com meios tcnicos capazes de uma enorme facilidade na transmisso
veloz da informao e com um horizonte
de expectativas criado atravs da transformao sempre um pouco perversa do acontecimento em notcia. Criar a notcia 
criar o verosmil e no o verdadeiro, criar no pblico a expectativa exactamente daquilo que vai receber, descontextualizar o acontecimento e recontextualiz-lo num
contexto mais oportuno  recepo. Se
bem que a comunicao social j no privilegie exclusivamente a linguagem verbal, o
certo  que esta  dos meios mais eficazes para a construo da fico mesmo que o ficcionvel seja a realidade. E o pblico  sempre receptivo s especificidades das estruturas narrativas da fico. Estas desenvolvem sempre o discurso do convenci-
mento usando estratgias capazes de aliciar o receptor pela espectacularidade da linguagem e/ou do narrado. A fico que a comunicao social veicula  o que aceitamos como informao. As palavras criam imagens ou acompanham imagens. Vemos o que nos dizem e pensa-
mos as imagens com os rtulos verbais que a comunicao social lhes aps.  certa-
mente um crculo vicioso. A comunicao social manipula todas as estratgias de veridico do discurso. Faz crer. Enuncia a
grande novidade sem questionar nunca as
fontes. O pblico  o que no sabe, aquele a quem se desvendam as verdades, pela palavra, pela imagem. A comunicao social  Lima espcie de viso do mundo, uma profecia que se pretende no do futuro mas do presente, da simultaneidade. Acontecer  igual a contar.
Habituamo-nos, assim, a pensar as notcias de um modo distante da neutralidade e da
objectividade tidas como apangio da tica informativa. Corremos o risco de nos desa-
pontarmos com a realidade quando esta no corresponde aquilo que os mass media
nos oferecem. Isto ,  bem provvel que a
comunicao social no s condicione a
nossa forma de pensar como tambm con-
dicione a nossa forma de ver o mundo, instaurando entre os acontecimentos e a not-
cia valores de espectacularidade dramtica que fazem com que a nossa postura seja a
do espectador de um ecr do mundo e no
a do sujeito desse mesmo inundo.






VrIfitao da aprendizagem       unidade 1 o o o
Segue-se uma lista de objectivos que devers ter atingido no fim deste captulo. Assinala com
um V os objectivos que atingiste.Volta a estudar as questes que ainda no dominas. Entre parntesis esto registadas as pginas do manual onde podes esclarecer as tuas dvidas.
Defino a psicologia como a cincia dos processos mentais e comportamentais. (p. 14) Reconheo a origem filosfica do primeiro objecto da psicologia. (p. 14) Conheo o contributo do associacionismo, behaviorismo, psicanlise, gestaltismo e construtivismo para a definio do objecto da psicologia. (pp. 17 a 39) Reconheo a evoluo para uma psicologia emprica e experimental, identificando o seu novo
objecto: sensaes e comportamentos. (pp. 19-20) Conheo a evoluo do conceito de comportamento. (pp. 20-23 e 37-38) Identifico outros objectos que surgiram sucessivamente: a criana, o inconsciente, os processos patolgicos, os grupos, a cultura. (p. 39) Conheo o mtodo introspectivo. (pp. 43-44) Reconheo o mtodo introspectivo como o primeiro mtodo usado em psicologia. (p. 43) Conheo as limitaes da introspeco como mtodo. (p. 43) Caracterizo as sucessivas etapas de elaborao de um plano experimental: emisso de hipteses, controlo e manipulao de variveis, registo de observaes e generalizao de resultados. (pp. 44-50) Defino os diferentes conceitos do mtodo experimental: variveis dependentes, independentes e externas, grupos experimentais e grupos-testemunha, amostra significativa. (pp. 46-47) Reconheo que o mtodo experimental se aplica em laboratrio e fora dele, no contexto ecolgico. (p. 49) Reconheo as limitaes do mtodo experimental em psicologia. (pp. 50-5 1) Defino a observao como uma das tarefas do experimentador (p. 52) Compreendo que a observao , tambm, um mtodo especfico em psicologia humana. (pp. 47 a 52) Identifico a realizao de tarefas idnticas no observador e no experimentador: formulao de hipteses prvias, controlo e generalizao dos resultados. (pp. 53-54) Identifico algumas tcnicas de registo sistemtico dos dados de observao. (pp. 53-54) Defino o mtodo de observao naturalista como o que se realiza no ambiente natural-ecolgico do indivduo. (pp. 53-54) Defino o mtodo clnico como estudo (observao) aprofundado de casos individuais ou grupais, normais ou patolgicos. (p. 55) Reconheo o mtodo clnico como mtodo de pesquisa e tambm como mtodo de interveno (aplicao). (p. 55) Identifico algumas caractersticas do mtodo clnico: papel da intersubjectvidade, da intuio, da atitude de compreender e de procurar significaes. (pp. 55-56) Identifico algumas tcnicas de observao clnica: as entrevistas clnicas e as tcnicas psicomtricas (testes). (pp. 56-58) Reconheo as qualidades metrolgicas de um teste: fidelidade, validade e sensibilidade. (p. 58) Identifico a variedade de testes construidos em diferentes domnios (intelectual, instrumental e
da personalidade). (p. 62) Reconheo o mtodo psicanaltico como uma expresso da atitude clnica intimamente ligada a
uma concepo do psiquismo. (p. 68) Reconhe@o a dimenso aplicada da psicologia em diferentes contextos de actuao. (p. 74)
O Reconheo que  na diversidade das perspectivas e dos mtodos que a psicologia responde 
c~e>ddade do seu objecto. (p. 79)
Em concluso
Distingo o campo especfico da psicologia. Identifico e caracterizo os principais mtodos usados nesta cincia.

Questes de resposta de escolha mltipla
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  A Psicologia cientfica tem, entre outros, os seguintes objectivos:
A. prever e controlar as reflexes espirituais. B. prever os comportamentos e controlar os processos de aprendizagem. C. estudar cientificamente os comportamentos e os processos mentais. D. conhecer objectivamente o comportamento patolgico e os processos mentais.
1.2.  A Psicologia recorre a vrios mtodos e tcnicas de investigao para
conhecer o seu objecto. Esta afirmao : A.   falsa, porque sendo a Psicologia uma cincia, recorre apenas ao mtodo experi-
mental para enunciar leis objectivas. B.   falsa, porque a complexidade do comportamento humano e dos processos mentais
s permite o recurso a mtodos de carcter qualitativo como o mtodo clnico.
C.   verdadeira, porque no existe apenas uma Psicologia, mas vrias Psicologias que
recorrem a vrios meios de investigao. D.   verdadeira, porque a complexidade do comportamento humano e dos processos
mentais exige o recurso a vrios meios de investigao.
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.  ParaWundt a Psicologia deveria ter como objecto:
A. a conscincia controlada pelo mtodo introspectivo. B. o estudo dos comportamentos objectivamente observveis. C. as sensaes puras que eram as unidades bsicas da conscincia.
D. os processos mentais que se manifestavam no comportamento observvel.
2.2.  A emancipao da Psicologia corno cincia d-se definitivamente com as
concepes introduzidas porWatson. Esta afirmao : A.   falsa, porque para este psiclogo a Psicologia tem de ser objectiva e mentalista.
B.   verdadeira, porque Watson considera que a Psicologia deve ter em conta apenas a
relao do comportamento com a conscincia.
C.   falsa, porque para Watson a Psicologia devia submeter-se  Biologia. D.   verdadeira, porque Watson prope que a Psicologia estude apenas os comporta-
mentos objectivamente observveis.
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  Os conceitos fundamentais da concepo de Freud so:
A. mtodo psicanaltico; inconsciente; sexualidade. B. sexualidade; mtodo da observao; relao estmulo-resposta. C. inconsciente; percepo; introspeco controlada. D. mtodo psicanaltico; comportamento observvel; id.
3.2.  Freud encarava o psiquismo humano como um conjunto de percepes,
imagens e lembranas, voluntariamente evocadas. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque o inconsciente  capaz de voluntariamente evocar e controlar
as suas lembranas e necessidades.
B.   falsa, porque Freud considerava que a parte mais importante do psiquismo, o
inconsciente, no podia ser voluntariamente evocada.
C.   verdadeira, porque Freud considerava o consciente a maior e mais importante
parte do psiquismo podendo ser conhecido atravs da psicanlise. D.   falsa, porque Freud considerava que as pulses, os instintos e os desejos incons-
cientes eram voluntariamente evocados.

mo
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1. O mtodo experimental preconiza um plano de investigao com as
seguintes etapas: A.   controlo do comportamento, hiptese prvia, variveis de observao e registo e
anlise dos resultados. B.   hiptese prvia, controlo e manipulao de resultados, tcnicas de observao e
registo e generalizao dos resultados. C.   hiptese prvia, controlo e manipulao de variveis, tcnicas de observao e
registo e generalizao de resultados. D.   plano de investigao, hiptese prvia, controlo de variveis e generalizao de
resultados.
4.2.  O mtodo experimental apresenta vrias limitaes na sua aplicao em
Psicologia. Esta afirmao : A.   falsa, porque o mtodo experimental  um mtodo cientfico aplicvel a qualquer
rea do conhecimento. B.   verdadeira, porque questes de ordem metodolgica e tica dificultam a sua aplica-
o em Psicologia. C.   verdadeira, porque em Psicologia s se podem utilizar mtodos qualitativos. D.   falsa, porque  possvel aplicar todas as etapas do mtodo experimental ao estudo
do comportamento e dos processos mentais.
5. Seleccione a alternativa CORRECTA.
5.1.  O aspecto do comportamento que o psiclogo procura explicar :
A. a varivel dependente. B. a varivel independente. C. a varivel externa ou parasita. D. a varivel experimental.
5.2.  O factor supostamente responsvel pela ocorrncia da resposta no decorrer
da investigao  a varivel independente. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque  atravs da operacionalidade desta varivel que se pode medir
o comportamento que se est a estudar. B.   falsa, porque a varivel independente  operacionalmente definida desde o princ-
pio da experincia. C.   verdadeira, porque a varivel independente  o factor que o experimentador mani-
pula para verificar as modificaes ocorridas na varivel dependente. D.   falsa, porque o experimentador pretende comprovar o efeito da varivel depen-
dente sobre a varivel ou variveis independentes.
6. Seleccione a alternativa CORRECTA.
6.1.  No mtodo clnico, o psiclogo recorre:
A.  observao laboratorial e  ntrospeco controlada. B.  observao sistemtica e  anamnese. C.  anamnese e  observao clnica. D. aos testes e aos questionrios.
6.2.  O mtodo clnico distingue-se do mtodo experimental.
Esta afirmao : A.   falsa, porque o mtodo clnico no  mais do que o complemento do mtodo
experimental. B.   falsa, porque os dois mtodos recorrem a tcnicas de investigao comuns para
conhecer o comportamento humano. C.   verdadeira, porque o mtodo experimental investiga os casos normais e o mtodo
clnico investiga os casos patolgicos. D.   verdadeira, porque, enquanto o mtodo experimental utiliza tcnicas para chegar a
resultados quantificveis, o mtodo clnico valoriza abordagens qualitativas.

unidade 1 o o o
7. Seleccione a alternativa CORRECTA.
7.1. A observao naturalista ou ecolgica consiste:
A.  na observao do comportamento dos sujeitos nas situaes reais da vida corrente. B.  na observao do comportamento natural dos sujeitos em condies definidas
pelo investigador. C.  na observao do comportamento dos sujeitos que constituem uma amostra
seleccionada. D.  na observao de comportamentos focalizados de acordo com o interesse do
investigador no decorrrer do mtodo experimental.
7.2.  O rigor cientfico exige que a presena do observador e as tcnicas por ele
empregues para registo no prejudiquem a observao naturalista. Esta afirmao : A.  falsa, porque se a observao  naturalista no importa o modo como se processa
a observao ou como se registam os dados. B.  verdadeira, porque  importante anotar todos os pormenores do comportamento
resultantes da situao criada pelo investigador, com toda a naturalidade.
C.  falsa, porque os mtodos de observao e registo no influenciam os resultados da
observao. D.  verdadeira, porque o investigador deve usar tcnicas que passem despercebidas
para poder manter a espontaneidade dos comportamentos observados.
8. Seleccione a alternativa CORRECTA.
8.1.  O psiclogo clnico tem por funes globais:
A. resolver exclusivamente dificuldades de aprendizagem. B. promover a seleco e recrutamento de recursos humanos.
C. orientar os percursos escolares dos jovens e os percursos profissionais dos adultos. D. promover a capacidade de as pessoas gerirem os seus conflitos.
8.2.  O psiclogo clnico promove a capacidade de os indivduos gerirem situaes de
conflito e de mudana. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque o psiclogo clnico tem como campo de interveno o estudo
do indivduo, das suas perturbaes, dificuldades e problemas. B.  falsa, porque o psiclogo clnico procura promover o sucesso escolar e profissional
das pessoas. C.  verdadeira, porque o psiclogo clnico  um psiquiatra que visa ajudar as pessoas a
ultrapassar os seus problemas. D.  falsa, porque o psiclogo clnico intervm na seleco e gesto de recursos humanos.

unidade                 o o o Questes saldas em exames nacionais'
Grupo 1
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  A Psicologia tem corno objecto de estudo:
A. as experincias adquiridas ao longo da vida. B. a mente e a sua forma de funcionamento. C. o comportamento e os processos mentais. D. a conscincia e a aprendizagem.
1.2.  O objecto de estudo da Psicologia  o comportamento perturbado.
Esta afirmao : A.   falsa, porque o objecto de estudo da Psicologia engloba qualquer tipo de compor-
tamento.
B.   verdadeira, porque o objecto de estudo da Psicologia circunscreve-se aos compor-
tamentos perturbados. C.   falsa, porque os comportamentos perturbados so estudados pela psiquiatria. D.   verdadeira, porque os comportamentos perturbados foram o primeiro objecto de
estudo da Psicologia. (1999 - 1.' Fase - 1.' Chamada) Grupo 2
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  A complexidade do objecto de estudo da Psicologia implica que esta utilize:
A.   uma pluralidade de mtodos decorrentes de uma teoria. B.   um mtodo particular decorrente de uma teoria. C.   um mtodo particular decorrente de uma pluralidade de teorias. D.   uma pluralidade de mtodos decorrentes de uma pluralidade de teorias.
1.2.  Em Psicologia existem, para cada situao ou problema, uma teoria explica-
tiva e um mtodo de investigao. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque, para cada situao ou problema, existem uma teoria e um
mtodo de investigao mais apropriados. B.   falsa, porque, para cada situao ou problema, podem existir vrias teorias, mas
apenas se pode utilizar um mtodo de investigao. C.   falsa, porque, para cada situao ou problema, podem existir vrias teorias e
podem utilizar-se diferentes mtodos de investigao. D.   verdadeira, porque, para cada situao ou problema, existe um mtodo de investi-
gao apropriado que corresponde a uma teoria particular. (11999 - [.'fase - 2.' Chamada) Grupo 3
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  Wundt considera que a Psicologia pretende:
A. estabelecer leis que permitam descrever e explicar o desenvolvimento humano. B. compreender a estrutura da mente a partir dos seus elementos constituintes. C. estabelecer leis que permitam explicar e prever os comportamentos observveis. D. compreender os fenmenos conscientes que influenciam a personalidade.
1.2.  Wundt rompe com a tradio filosfica da Psicologia utilizando o mtodo
clnico. Esta afirmao : A. falsa, porque Wundt utiliza, como mtodo de investigao, o estudo de caso. B. verdadeira, porque Wundt utiliza o mtodo clnico para estudar o comportamento. C. falsa, porque Wundt utiliza, como mtodo de investigao, a introspeco controlada. D. verdadeira, porque Wundt utiliza o mtodo clnico para estudara mente. (2000 - Prova-modelo)
@I --Gabinete de Avaliao Educacional.

Grupo 4
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  Wundt, no seu laboratrio em Leipzig, utilizou como mtodo de investigao:
A. a introspeco controlada. B. a experimentao. C. o mtodo clnico. D. a observao sistemtica.
1.2.  Wundt considera que a sensao  a unidade bsica da conscincia.
Esta afirmao : A. falsa, porque os estmulos sensoriais organizam as sensaes conscientes. B. verdadeira, porque os estmulos sensoriais determinam os estados de conscincia. C. falsa, porque os processos mentais determinam a organizao da conscincia. D verdadeira, porque os processos mentais resultam da organizao das sensaes. (2000 - poca especial para militares) Grupo 5
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  O bebaviorismo teve por objectivo:
A. prever e controlar os comportamentos. B. explicar e controlar os processos mentais. C. descrever e compreender os comportamentos. D. experimentar e compreender os processos mentais.
1.2.  Segundo Watson, a Psicologia no podia ter um estatuto de cincia, porque
tinha um mtodo arcaico e um objecto inadequado. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque, para adquirir esse estatuto, deveria usar o mtodo experimen-
tal e estudar os processos perceptivos. B.  falsa, porque, para adquirir esse estatuto, deveria usar a introspeco provocada e
estudar os processos mentais. C.  verdadeira, porque, para adquirir esse estatuto, deveria usar o mtodo experimen-
tal e estudar os comportamentos observveis. D.  falsa, porque, para adquirir esse estatuto, deveria usar a introspeco provocada e
estudar os processos mentais. (2000 - 1.' Fase -   1.a  Chamada) Grupo 6
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  O behaviorismo utilizou:
A. o mtodo experimental. B. o mtodo psicanaltico. C. o mtodo clnico. D. o mtodo da observao.
1.2.  O behaviorismo defendia a ideia de que a Psicologia deveria estudar os com-
portamentos observveis e os comportamentos no-observveis. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque o behaviorismo considerava que o objecto da Psicologia se
deveria alargar. B.  falsa, porque o behaviorismo estudava o pensamento e as emoes dos indivduos. C.  verdadeira, porque o bel---iaviorismo introduziu o conceito de comportamento
observvel. D.  falsa, porque o bel---iaviorismo estudava as respostas observveis a determinados
estmulos. (1999 - poca especial para militares) Grupo 7
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1. Os dois conceitos fundamentais do behaviorisrno so:
A. subconsciente; mtodo clnico. B. mtodo da observao; relao estmulo-resposta. C. comportamento observvel; mtodo experimental. D. mtodo introspectivo; memria.

VM
2.2.  Segundo Watson, o comportamento depende da interaco entre a perso-
nalidade do indivduo e a situao em que est inserido. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque o mesmo indivduo pode dar diferentes respostas em diferentes
situaes. B.   falsa, porque ignora a personalidade como varivel mediadora entre estmulos e
respostas. C.   verdadeira, porque a personalidade  a varivel mais importante no comportamento. D.   falsa, porque ignora a conscincia como varivel mediadora entre a personalidade e
a situao. (2000 - poca especial) Grupo 8
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.  O mtodo experimental apresenta, entre outras, dificuldades em:
A. controlar as expectativas dos participantes; isolar a varivel independente. B. criar situaes experimentais adequadas; manipular as variveis internas. C. neutralizar os efeitos do experimentaclor; manipular as variveis externas. D. aplicar procedimentos tcnicos variados; isolar a varivel dependente.
2.2.  A hiptese "a capacidade de aprendizagem na infncia est dependente dos
cuidados parentais" no pode ser estudada pelo mtodo experimental. Esta afirmao : A. falsa, porque a varivel independente  passvel de ser manipulada. B. verdadeira, porque a manipulao das variveis suscita problemas ticos. C. falsa, porque as variveis externas so passveis de ser controladas. D. verdadeira, porque a manipulao das variveis suscita problemas de contexto.
(2000 - 1 * Fase - 1.' Chamada) Grupo 9
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  O gestaltismo prope um modelo de psiquismo:
A. esttico, em que as partes de uma percepo se associam paralelamente num todo. B. dinmico, em que o todo de uma percepo no  igual  soma das suas partes. C. activo, em que as partes de uma percepo se associam simetricamente num todo. D. mecnico, em que o todo de uma percepo  igual  soma das suas partes.
1.2.  A Psicologia da gestoit considera que a organizao dos elementos perceptivos
 determinada pela aprendizagem. Esta afirmao : A.   falsa, porque a organizao dos elementos perceptivos resulta do modo de funcio-
namento cerebral, em larga medida inato. B.   verdadeira, porque  pela aprendizagem que se complexifica progressivamente a
organizao dos esquemas perceptivos. C.   falsa, porque a organizao dos elementos perceptivos resulta da personalidade e
do temperamento, herdados geneticamente. D.   verdadeira, porque  pela aprendizagem que se adquirem esquemas globais nos
quais se organizam os elementos perceptivos. (1999 - poca especial) Grupo 10
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1. A teoria de Freud considera que:
A.   existem motivaes inconscientes; a sexualidade tem um papel fulcral no desenvol-
vimento. o comportamento relevante  observvel; a sexualidade manifesta-se desde o nascimento. C.   a aprendizagem depende do meio; o pensamento funciona como uma totalidade. D.   existem motivaes inconscientes; a inteligncia desenvolve-se por etapas ou estdios.

unidade 1 o o o
2.2.  Um dos contributos de Freud para a Psicologia foi a chamada de ateno
para o papel atribudo  sexualidade infantil no desenvolvimento. Esta afirmao : A.   falsa, porque Freud considera que a sexualidade se manifesta a partir do estdio
genital. B.   verdadeira, porque Freud considera que a sexualidade  uma pulso presente
desde o nascimento. C.   falsa, porque Freud considera que a sexualidade interfere no desenvolvimento
depois da puberdade. D.   verdadeira, porque Freud considera que o superego controla as pulses sexuais
desde o nascimento. (1999 - 1.' Fase - 2.' chamada) Grupo 11
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1. Piaget utilizou como mtodo de investigao:
A. a observao e o mtodo clnico. B. o mtodo psicanaltico e a observao. C. a observao e a experimentao. D. o mtodo clnico e a experimentao.
1.2.  Piaget partilhava com os gestaltistas a perspectiva de que o conhecimento
resulta da maturao de estruturas inatas. Esta afirmao : A.   falsa, porque Piaget, embora no se opondo aos gestaltistas, props que o conheci-
mento era estruturado pelos factores biolgicos. B.   verdadeira, porque, tal como os gestaltistas, Piaget enfatizou o papel dos factores
biolgicos na relao do indivduo com o meio. C.   falsa, porque Piaget se ops aos gestaltistas propondo que o conhecimento resul-
tava da interaco entre estruturas inatas e o meio. D.   verdadeira, porque Piaget parte da teoria gestaltista para a construo da sua teo-
ria sobre o papel das estruturas inatas no conhecimento.
(2000 - 1.* Fase - 2.' Chamada) Grupo 12
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.  As experincias realizadas fora do laboratrio apresentam corno desvanta-
gem a dificuldade em:
A. controlar as atitudes dos sujeitos envolvidos. B. criar condies tcnicas para desenvolver a investigao. C. isolar a varivel independente. D. ter presentes as variveis que influenciam o comportamento.
2.2.  As investigaes laboratoriais tm a vantagem de neutralizar os efeitos do
experimentador. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque o experimentador, nestas investigaes, no tem um papel activo. B.   falsa, porque o experimentador, nestas investigaes, no tem um papel activo. C.   verdadeira, porque as condies experimentais controlam os efeitos do experi-
mentador. D.   falsa, porque um dos problemas destas investigaes relaciona-se com a interferncia
do experimentador. (1999 - poca especial para militares) Grupo 13
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1. O psiclogo organizacional intervm:
A. ao nvel das relaes grupais e dos comportamentos esquizides em qualquer tipo
de organizao ou instituio. B. em organizaes ligadas  produo de servios, ao nvel da seleco de pessoal e
dos comportamentos perturbados.

unidade 1 o o o
C. em organizaes ligadas  indstria e  agricultura, ao nvel da formao de pessoal
e do tratamento psicolgico. D. ao nvel das relaes pessoais e dos conflitos institucionais em qualquer tipo de
organizao ou instituio.
2.2.  O psiclogo organizacional pode trabalhar em instituies de sade mental.
Esta afirmao : A.   falsa, porque o seu campo de interveno so as instituies e organizaes ligadas
 educao de adultos. B.   verdadeira, porque a pode intervir ao nvel da qualidade das relaes e da organi-
zao do trabalho. C.   falsa, porque o seu campo de interveno so as empresas e organizaes ligadas 
produo de bens. D.   verdadeira, porque a pode intervir ao nvel do diagnstico e tratamento de com-
portamentos desajustados. (2000 - Prova-modelo) Grupo 14
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.  O mtodo clnico caracteriza-se por:
A. estudar uma grande quantidade de indivduos; procurar leis gerais. B. estudar uma situao, um indivduo ou um problema; procurar leis gerais. C. estudar uma grande quantidade de indivduos; procurar significaes. D. estudar uma situao, um indivduo ou um problema; procurar significaes.
2.2.  O termo "clnico", em Psicologia,  utilizado para qualificar quer um mtodo
de pesquisa quer um conjunto de tcnicas de interveno teraputica. Esta afirmao : A.   falsa, porque o mtodo clnico  um mtodo de investigao, excluindo, portanto, a
interveno teraputica; B.   verdadeira, porque o mtodo clnico, em Psicologia, pode ser utilizado como um
mtodo de investigao e de interveno; C.   falsa, porque o mtodo clnico  um mtodo de interveno teraputica, excluindo,
portanto, a investigao; D.   verdadeira, porque qualquer mtodo, em Psicologia, pode ser utilizado como um
mtodo de investigao e de interveno.
1999 - poca especial) Grupo 15
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  As funes globais do psiclogo educacional so:
A. organizar os processos de seleco e de formao dos indivduos nas organizaes. B. intervir no comportamento dos indivduos e dos grupos nas organizaes. C. promover o desenvolvimento e o sucesso das instituies educativas.
O. prevenir, diagnosticar e tratar comportamentos desajustados nas comunidades.
1.2.  O trabalho do psiclogo educacional centra-se na avaliao de indivduos
corri insucesso escolar. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque o trabalho do psiclogo educacional centra-se na avaliao do
rendimento dos alunos. S.   falsa, porque o trabalho do psiclogo educacional centra-se na promoo do
sucesso escolar. C.   verdadeira, porque o trabalho do psiclogo educacional centra-se na resoluo das
dificuldades de aprendizagem. D.   falsa, porque o trabalho do psiclogo educacional centra-se na anlise dos percur-
sos escolares dos indivduos. (1999 - 2.* Fase) Grupo 16
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1. O psicliogo clnico:
A. analisa o desenvolvimento psicolgico de grupos especficos; utiliza abordagens
quantitativas.

B.    promove a capacidade de os indivduos gerirem situaes de mudana; utiliza abordagens qualitativas. C.    analisa as repercusses das escolhas vocacionais dos indivduos; utiliza abordagens
quantitativas. D.    promove o desenvolvimento de percursos escolares adaptados; utiliza abordagens
qualitativas.
2.2.  Os    psiclogos clnicos so psiquiatras que intervm no tratamento de
disfunes comportamentais. Esta afirmao : A.    falsa, porque estes dois tcnicos diferenciam-se ao nvel da sua formao acadmica. B.    verdadeira, porque os psiquiatras so psiclogos especializados em teraputicas
remediativas. C.    falsa, porque estes dois tcnicos diferenciam-se ao nvel das instituies que os
enquadram. D.    verdadeira, porque os psiclogos clnicos so psiquiatras especializados em sade
mental. (2000 - 1.' Fase - 2.' Chamada) Grupo 17
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.  No mtodo clnico utilizam-se, entre outras, as tcnicas:
A. da entrevista e do inqurito. B. da anamnese e do inqurito. C. dos testes e da observao laboratorial. D. da anamnese e da observao clnica.
2.2.  O mtodo clnico foi utilizado por Piaget na investigao do desenvolvi-
mento das estruturas cognitivas. Esta afirmao : A.    verdadeira, porque este mtodo permite apreender em profundidade processos
psicolgicos. B.    falsa, porque Piaget utilizou a observao laboratorial em pequenas amostras de
crianas. C.    verdadeira, porque Piaget utilizou inquritos em extensas amostras de crianas. D.    falsa, porque este mtodo descontextualiza das situaes reais o comportamento.
(2000 - 2.' Fase) Grupo 18
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.  O trabalho de formao e seleco de recursos humanos  desempenhado
pelo psiclogo: A.    organizacional. B.    orientador vocacional. C.    educacional. D.    clnico.
1.2.  Em qualquer das reas da Psicologia Aplicada, os psiclogos podem desenw
volver trabalho ao nvel da preveno. Esta afirmao : A.    verdadeira, porque a preveno de situaes ou de comportamentos de risco  a
primeira fase de todos os tipos de interveno. B.    falsa, porque so os psiclogos educacionais e de orientao vocacional que traba-
lham em programas de preveno. C.    verdadeira, porque a preveno  um dos nveis da interveno dos psiclogos em
qualquer rea de trabalho. D.    falsa, porque as funes dos psiclogos clnicos e dos psiclogos das organizaes
centram-se numa perspectiva teraputica. (2000 - 2.' Fase)

Grupo 19
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1.    Quando os investigadores observam o comportamento dos indivduos no
seu ambiente, esto a recorrer  tcnica de observao: A. sistemtica. B. naturalista. C. participante. D. ocasional.
1.2.    Na observao e na experimentao os investigadores realizam tarefas
idnticas. Esta afirmao : A. verdadeira, porque na observao, sendo uma das etapas do mtodo experimental,
as tarefas so as mesmas. B. falsa, porque, embora formulando hipteses, na observao no h controlo nem
generalizao de resultados. C. verdadeira, porque tm de formular hipteses e fazer o controlo e a generalizao
dos resultados. D. falsa, porque, embora havendo controlo das variveis externas, na observao no
se formulam hipteses prvias. (2000 - poca especial) Grupo 20
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.    A observao naturalista caracteriza-se corno urna metodologia que se
utiliza: A. em situaes artificiais; o investigador regista os comportamentos. B. em situaes espontneas; o investigador pode estar presente ou ausente.
C. em situaes espontneas; o investigador interfere na situao. D. em situaes artificiais; o investigador no interfere na situao.
2.2.    Na observao naturalista o investigador manipula um pequeno grupo de
variveis independentes. Esta afirmao : A. falsa, porque na observao naturalista no h manipulao de variveis. B. verdadeira, porque o investigador observa uma situao criada experimentalmente. C. falsa, porque na observao naturalista as variveis manipuladas so as dependentes. D. verdadeira, porque o investigador observa uma situao ocorrida espontaneamente.
a (1999-2. Fase) Grupo 21
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.    No processo de investigao, a observao :
A. uma etapa metodolgica ou um mtodo; naturalista ou ambiental. B. um mtodo cientfico; participada ou induzida. C. uma etapa metodolgica; experimental ou clnica. D. um mtodo ou uma etapa metodolgica; sistemtica ou ocasional.
2.2.    A observao naturalista permite o estabelecimento de relaes causais
entre fenmenos. Esta afirmao : A. falsa, porque a procura de relaes causais  objectivo do mtodo clnico. B. verdadeira, porque a observao naturalista permite manipular variveis indepen-
dentes. C. falsa, porque a observao naturalista permite descrever correlaes entre fen-
menos.
D. verdadeira, porque a procura de relaes causais  objectivo do mtodo da obser-
vao. (2000 - poca especial para militares)

undade 1 o o o
Q u. e i_s @'I',,,@,@@- @@ ti e e o n i p t, et: a   o
A. Complete as seguintes frases:
1. Wundt demarca-se da Psicologia filosfica definindo como objecto
e como mtodo
2. Wundt vai procurar decompor                             nos seus elementos simples que
so
3. Wundt e os seus seguidores defendem uma concepo                                segundo a
qual as operaes mentais so associaes                          relacionando-as com o sistema nervoso.
4. Para PavioY, a Psicologia deveria designar-se por                          e limitar-se ao
estudo
5. Pavlov defendia que as                         dos indivduos aos estmulos provenientes
do meio eram inatas ou
6. Watson  considerado o pai da Psicologia cientfica ao definir como objecto
e ao adoptar o mtodo
7. Watson considera que para se tornar cincia a Psicologia tem de renunciar ao mtodo
e limitar-se  observao do
8. Watson considerava que s se podia estudar directamente                                 que
seria a resposta dos indivduos a determinados                              recebidos do ambiente.
9. A concepo de Psicologia defendida por Watson e seus discpulos designa-se por
ou teoria
10.  Os bel---iavioristas defendem que o estudo do                        consiste no estabele-
cimento de relaes entre os                        e as respostas.
11.  O bel---iaviorismo considera que o comportamento  determinado por um conjunto
complexo de                         que se designam por
12.  Os gestaltistas reagiram  concepo associacionista e                             conside-
rando que a percepo deve ser encarada
13.  Segundo o gestaltismo,                         percebido antes das partes que o consti-
tuem; a gestalt ou                        corresponde  maneira como as partes esto dispostas no todo.
14.  A grande revoluo introduzida por Freud na Psicologia consistiu na afirmao da exis-
tncia do                       e da importncia da                        na vida psquica humana.
15.  Freud considerava o                          uma zona do psquismo a que no temos
acesso pela
16.  Para Freud, o                          constitudo pelas representaes presentes na
nossa conscincia; a zona do psiquismo de que no  possvel ter conhecimento directo designou por
17.  A psicanlise, introduzida por Freud,  simultaneamente uma teoria, uma
teraputica e um                       de investigao.
18.  Piaget, nas suas pesquisas, foi levado a concluir que o desenvolvimento
 um processo interactivo que envolve o sujeito e o meio e que decorre por                       de desenvolvimento.
19. Piaget, ao afirmar o carcter activo que o sujeito desempenha no processo do conhe-
cimento, demarca-se das concepes anteriores, nomeadamente das correntes

undade 1 o 6`,
20. A concepo construtivista de Piaget defende que o comportamento do indivduo, a
inteligncia, resulta de uma construo progressiva                       em interaco com
21.  Tendo em conta a complexidade do seu objecto, a Psicologia recorre a vrios
- e                         de investigao.
22.  O mtodo experimental implica a elaborao de um plano que inclui algumas etapas: ,experimentao e
23.  No mtodo experimental,  frequente ser a                          a orientar a observa-
o e determinar as                       a utilizar na investigao pretendida.
24.  Escolhida a                     necessrio test-la para verificar a sua
25.  Uma experincia  uma situao controlada em que o psiclogo manipula a varivel
para avaliar o seu efeito na varivel                       que  o
que ele pretende analisar.
26.  As condies que o experimentador no considerou na        hiptese que enunciou, mas
que afectam o resultado da experincia, designam-se por variveis ou
27.  Na prtica experimental, o experimentador deve recorrer  constituio de grupos
homogneos: o grupo que est sujeito s modificaes da varivel independente designa-se por                       ; aquele que se mantm inaltervel designa-se por
28. Sendo impossvel analisar o comportamento de todas as pessoas, o investigador define , que  uma parte seleccionada da                             que a
representa.
29-  A observao  muitas vezes utilizada como                            realizando tarefas
idnticas s do experimentador e pode ocorrer em contexto                              ou
no laboratrio,
30.  Por vezes, para recolher dados, o investigador integra-se na unidade social que vai estu-
dar, participando nas actividades e situaes do meio a investigar. Esta observao designa-se por                         e visa o estudo do(s)                           em
ambiente natural.
31.  A observao                        tem algumas limitaes designadamente o ambiente
artificial em que decorre altera os comportamentos dos sujeitos. Por isso, os psiclogos recorrem frequentemente  observao
32.  O mtodo clnico caracteriza-se por abranger um conjunto de mtodos e
diversificados, especialmente de ndole                         para analisar os sujeitos.
33.  Ao aplicar o mtodo clnico, o psiclogo tem de adoptar determinadas atitudes, recor-
rendo a vrias tcnicas, tais como:                    e
34.  Com o objectivo de compreender os problemas e atitudes do sujeito, o psiclogo
clnico recorre normalmente  entrevista clnica que pode ser conduzida de forma
- ou
35. As tcnicas psicanalticas como a interpretao                               e a anlise
so frequentemente usadas na prtica da Psicologia clnica.

unidade 1 o o o
Questes de associao
Faa corresponder as afirmaes assinaladas com um nmero com as que esto assinaladas com uma letra.
1.
1) Paviov
2) Wundt
3) Freud
4) Watson
5) Piaget
6) KhIer
a) Gestaltismo. b) Reflexologia. c) Associacionismo. d) Construtivismo. e) Psicanlise. f) Behaviorismo.
2.
1) Gestaltismo
2) Associacionismo
3) Behaviorismo
4) Psicanlise
5) Construtivismo
6) ReflexoIogia
a) Estados de conscincia. b) Estruturas da inteligncia. c) Percepo e pensamento como totalidade. d) Inconsciente; recalcamento. e) Comportamento observvel do ser humano e do animal. f) Reflexos, condicionamento.
3.
1) Mtodo introspectivo
2) Mtodo experimental
3) Mtodo clnico
4) Observao naturalista
5) Observao laboratorial
6) Mtodo psicanaltico
a) Emisso de hipteses, controlo e manipulao de vari-
veis. b) Observao interior feita pelo prprio sujeito. c) Observao e descrio dos comportamentos dos
sujeitos no seu ambiente natural. d) Observao e descrio dos comportamentos em
ambiente e situao determinados pelo investigador. e) Associaes livres, interpretao dos sonhos e dos
actos falhados. f) Anlise e compreenso global do sujeito tendo em
conta a sua personalidade como um todo.
4.
1) Construtivismo
2) Gestaltismo
3) Psicanlise
4) Associacionismo
5) Reflexologia
6) Behaviorismo
a) Reala o papel da sexualidade infantil no desenvolvi-
mento.
b) Privilegia o estudo dos elementos bsicos da conscincia. c) Privilegia o conhecimento do todo, dado no se poder
partir do estudo das suas partes. d) Defende a interaco sujeitolmeio no desenvolvimento
cognitivo. C) Desvaloriza o papel da hereditariedade nos comporta-
mentos.
f) Encara o comportamento como um conjunto de
reflexos inatos e adquiridos.

5.
1) Plano de investigao
2) Varivel dependente
3) Varivel externa
4) Varivel independente
5) Experimentao
6) Hiptese
a) Explicao provisria de determinado(s) comporta-
mento(s) a ser validada pela experimentao. b) Conjunto de observaes controladas para testar a
validade da hiptese. c) Seleco das diferentes etapas a ter em conta no pro-
cesso de investigao. d) Facto comportamental que o psiclogo quer estudar. e) Facto manipulado e modificado pelo investigador. t) Facto ou condio no considerado no plano de inves-
tigao, mas que afecta os resultados.
6.
1) Observao
2) Observao laboratorial
3) Observao naturalista
4) Grelha de observao
5) Objecto da observao
6) Amostra
a) Grupo representativo da populao que est a ser
estudada. b) Mtodo ou etapa de outros mtodos. c) Instrumento de registo de todos os pormenores do
comportamento. d) O ambiente e a situao so controlados pelo investi-
gador. e) Mtodo que decorre no meio ambiente natural dos
indivduos a avaliar. f) O comportamento de um sujeito ou de um grupo.
7.
1) Anamnese
2) Entrevista clnica
3) Observao clnica
a) Observao directa dos comportamentos e atitudes
do sujeito. b) Informao biogrfica do paciente e estudo aprofun-
dado da histria da sua vida. c) Meio de diagnstico e terapia que pode assumir dife-
rentes modalidades.
S.
1) Teste
2) Validade
3) Fidelidade
a) Qualidade dos testes, que faz com que o mesmo teste
aplicado duas vezes  mesma pessoa tenha resultados idnticos. b) Situao experimental estandardizada que serve de
estmulo a um comportamento. c) Qualidade dos testes que assegura que o teste mede
realmente o que quer avaliar.

undade 1 o o o
ol @U` C O e
Questes de resposta de escolha mltipla
1 - 1. 1. C/ 1.2. D                                     5 - S. 1. AIS.2. C
2 - 2. 1. C/2.2. D                                      6 - 6. 1. C16.2. D
3 - 3. 1. A/3,2. B                                      7 - 7. 1. A17.2. D
4 - 4. 1. C14.2. B                                      8 - 8. 1. D18.2. A
Questes sadas em exames nacionais
1 - 1
. 1
. C/ 1.2. A
2-1
. 1
. D/ 1.2. C
3-1
. 1
. B/ 1.2. C
4-1
. 1
.A/ 1.2. D
5- 1
. 1
.A/ 1.2. C
6-1
. 1
.AI 1.2. D
7-2
. 1
. C12.2. B
8-2
. 1
. A/2.2. B
9-1
. 1
.B/1.2. C
10-2
. 1
.A/2.2. B
11 - 1
1. A/ 1.2. C
12
-2.
I.C12.2.C
13
-2.
1. D12.2. B
14
-2.
1. D12.2. B
15
- 1.
1. C/ 1.2. B
16

-2.
1. B12.2. A
17
-2.
1. D/2.2. A
is
- 1.
1. AI 1.2. C
19
- 1.
1. B11.2. C
20
-2.
1. B12.2. A
21

Verificao da aprendizagem  undade2000
Segue-se uma lista de objectivos que devers ter atingido no fim desta unidade. Assinala com
um V os objectivos que atingiste. Volta a estudar as questes que ainda no dominas. Entre parntesis esto registadas as pginas do manual onde podes esclarecer as tuas dvidas.
Conheo a constituio do sistema nervoso: perifrico e central. (p. 88)
Descrevo o acto reflexo. (pp. 89-90)
Reconheo a dupla funo da espinal medula: como centro de actividade reflexa e como con-
dutor da informao de e para o encfalo. (p. 93)
Conheo algumas funes dos principais componentes do encfalo: boibo raquidiano, cere-
belo, tlamo, sistema lmbico, hipotlamo. (pp. 94-99)
Conheo a estrutura do crtex cerebral: hemisfrios direito e esquerdo. (p. 97)
Compreendo as funes das reas sensoriais, psicossensoriais e pr-frontais. (pp. 99-103)
Relaciono a especificidade do comportamento humano com a complexidade do crtex cere-
bral. (p. 103)
Reconheo a unidade funcional do crebro. (pp. 104- 105)
Reconheo que todos os comportamentos humanos - do acto reflexo ao pensamento -
dependem do funcionamento do sistema nervoso. (pp. 88- 105)
Conheo a constituio do sistema nervoso somtico: nervos sensoriais ou aferentes, nervos motores ou eferentes, nervos de conexo ou associao. (p. 109)
Conheo a constituio do sistema nervoso autnomo: diviso simptica e parassimptica. (pp. 110-111)
Identifico as principais glndulas endcrinas: hipfise, tiride, supra-renais, sexuais. (pp. 112-114)
Compreendo o papel do sistema endcrino no comportamento. (pp. 112-116)
Relaciono o sistema nervoso e o sistema endcrino a partir da anlise do comportamento sexual. (pp. 114-115)
Compreendo o papel dos genes e dos cromossomas no processo de transmisso gentica. (pp. 117-118)
Identifico alguns mtodos de investigao sobre a influncia da hereditariedade no comportamento. (pp. 118-119)
Distingo entre hereditariedade especfica e hereditariedade individual. (pp. 119-120)
Reconheo a existncia de influncias genticas no comportamento. (pp. 120-12 1)
Compreendo a interaco entre hereditariedade e meio na determinao do comportamento. (pp. 120-126)
Em concluso
Compreendo a existncia de uma relao/articulao indissocivel entre a componente biofisiolgica e o comportamento.

unidade2000 Q o  estes de resposta de escolha mltpIa
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1. O sistema nervoso central  constitudo por:
A. crebro e espinal medula. B. crtex cerebral e diviso simptica. C. espinal medula e cerebelo.
D. espinal medula e crtex cerebral.
1.2. A espinal medula desempenha, simultaneamente, duas funes: de conduo
e de coordenao. Esta afirmao : A. verdadeira, porque a espinal medula  a estrutura onde passam mltiplas fibras ner-
vosas que controlam as funes reflexas nos membros inferiores. B. falsa, porque as funes da espinal medula relacionam-se essencialmente com as
capacidades motoras de coordenao e no de conduo. C. verdadeira, porque a funo condutora permite a transmisso de mensagens do
crebro e para o crebro; a funo coordenadora torna possvel a actividade reflexa. D. falsa, porque a funo da espinal medula limita-se ao controlo da actividade reflexa.
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1. O sistema nervoso sorntico  constitudo por:
A. diviso simptica e parassimptica. B. nervos sensitivos, nervos motores e nervos de conexo. C. nervos sensoriais, nervos perifricos e nervos mistos. D. espinal medula e crebro.
2.2. O sstema nervoso autnomo  responsvel pelo controlo das glndulas e
actividades involuintrias fundamentais  sobrevivncia. Esta afirmao : A. verdadeira, porque o controlo das actividades involuntrias depende do ritmo car-
daco e este  estimulado pelas alteraes energticas autnomas. B. falsa, porque so as divises simptica e parassimptica que constituem este sistema
e nenhuma delas se relaciona com as actividades involuntrias. C. verdadeira, porque o sistema nervoso autnomo  o responsvel pelo controlo das
glndulas, do ritmo cardaco, da respirao, da digesto, da presso arterial e da actividade dos msculos lisos. D. falsa, porque este sistema afecta o crescimento cognitivo, a sexualidade e a emotivi-
dade em interaco com o sistema nervoso somtico.
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1. O reflexo sensrio-motor  a resposta involuntria a um estmulo que
envolve os seguintes passos: A. receptor, nervo sensrio-motor, espinal medula, efector. B. receptor, nervo sensorial, espinal medula, nervo motor, efector. C. receptor, nervo sensorial, crebro, nervo motor, efector. D. receptor, nervo motor, espinal medula, nervo sensorial e efector.
3.2. Os reflexos sensrio-motores so controlados pela rea motora.
Esta afirmao : A. verdadeira, porque a rea motora controla todos os movimentos. B. falsa, porque os reflexos sensrio-motores so controlados pela espinal medula. C. falsa, porque os reflexos sensrio-motores so controlados pelo cerebelo, que asse-
gura o equilbrio. D. verdadeira, porque a rea motora em coordenao com a rea somatestsica con-
trola as sensaes e os movimentos involuntrios.

unidade2000
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1.  O sistema lmbico  constitudo pelas seguintes estruturas:
A. a amgdala, o hipocampo e o bolbo olfactivo. B. a hipfise, a amgdala e o hipotlamo. C. o bobo raquidiano, o hipocampo e o boibo olfactivo. D. os lobos parietal, occipital, temporal e frontal.
4.2.  O sistema lmbico desempenha um importante papel na emoo, na moti-
vao e nos comportamentos agressivos. Esta afirmao : A.  falsa, porque o papel desempenhado pelo sistema lmbico est apenas directamente
relacionado com o funcionamento e coordenao do sistema endcrino e os seus ajustamentos. B.  verdadeira, porque  graas a este seu desempenho que o sistema lmbico  muitas
vezes considerado o crebro das emoes. C.  falsa, porque o sistema lmbico  uma estrutura virada essencialmente para sensa-
es muito fortes como a dor e a temperatura elevada. D.  verdadeira, porque ao desempenhar o papel de coordenador da circulao sangu-
nea e da libertao das hormonas, controla os comportamentos agressivos.
5. Seleccione a alternativa CORRECTA.
5.1.  O hemisfrio esquerdo do crebro  responsvel por:
A. formao de imagens, pensamento e linguagem. B. linguagem verbal, respostas lgicas e matemticas. C. linguagem verbal, pensamento lgico e clculo. D. relaes espaciais, pensamento concreto e linguagem.
5.2.  Nos comportamentos mas complexos o crebro funciona como uma unidade.
Esta afirmao : A-  verdadeira, porque apesar de os hemisfrios cerebrais coordenarem funes espec-
ficas, esto simultaneamente implicados nos comportamentos mais complexos. B.  falsa, porque o hemisfrio esquerdo  independente do hemisfrio direito e cada
um deles desempenha autonomamente funes especficas. C.  verdadeira, porque o sistema nervoso, de que o crebro faz parte, funciona como
um todo e ao mesmo tempo, em qualquer situao. D.  falsa, porque, segundo a comunidade cientfica, cada situao, atitude ou comporta-
mento  da responsabilidade exclusiva de uma rea especfica do crebro.
6. Seleccione a alternativa CORRECTA.
6.1.  O sistema nervoso autnomo  composto por duas divises ou ramos:
A. diviso autnoma e diviso perifrica. B. diviso simptica e diviso somtica. C. diviso simptica e diviso parassimptica. D. diviso sensorial e diviso psicossensorial.
6.2.  A diviso simptica  mais activa quando  necessrio mobilizar mais ener-
gia, em determinadas situaes. Esta afirmao : A. verdadeira, porque  mais activa em situaes de tenso, de perigo e de angstia. B. falsa, porque  mais activa em situaes de insuficiente funcionamento do hipot-
lamo. C. verdadeira, porque  mais activa em situaes de distenso, de calma e de tranquilidade. D. falsa, porque  mais activa em situaes de insuficiente funcionamento da hipfise.

unidad e2ooo
7. Seleccione a alternativa CORRECTA.
7.1. As principais glndulas endcrinas so:
A. a hipfise, o hipotlamo, o hipocampo e a tiride. B. as glndulas sexuais, o hipotlamo, as supra-renais e a hipfise. C. a hipfise, a tiride, as glndulas supra-renais e as glndulas sexuais. D. a progesterona, a noradrenalina, a testosterona e a tiroxina.
7.2. O sistema endcrino tem um papel fundamental no comportamento.
Esta afirmao : A.  falsa, porque o sistema endcrino  constitudo por glndulas que produzem hor-
monas, que s controlam a homeostasia. B.  verdadeira, porque o sistema endcrino, em interaco com estruturas do sistema
nervoso, afecta o comportamento humano, a sexualidade, o crescimento e a emotividade. C.  falsa, porque  o sistema nervoso central que determina a sexualidade, comporta-
mento humano sem interferncia do sistema glandular endcrino. D.  verdadeira, porque so as mensagens enviadas atravs do sangue pelas glndulas
endcrinas para o sistema nervoso que determinam o comportamento agressivo e
o desenvolvimento sexual.
8. Seleccione a alternativa CORRECTA.
8.1. O patrimnio gentico que  comum a determinada espcie designa-se por:
A. gentipo. B. fentipo. C. hereditariedade especfica. D. hereditariedade individual.
8.2. O fentipo  o resultado da aco concertada entre a informao gentica e
a influncia do meio. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque o fentipo resulta da aco concertada entre os factores biol-
gicos hereditrios e externos.
B.  falsa, porque o fentipo  um complemento indispensvel do gentipo. C.  verdadeira, porque o fentipo resulta da informao gentica e da influncia do meio. D.  falsa, porque o fentipo resulta da aco concertada do meio intra-uterino e do
gentipo.

unidade2000
Questes satias em, exames qiacioria;s'
Grupo 1
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  O sistema nervoso autnomo  constitudo pelos sistemas:
A. perifrico e simptico. B. somtico e parassimptico. C. simptico e parassimptico. D. perifrico e somtico.
3.2.  O sistema nervoso autnomo  responsvel pela produo de comporta.
mentos corno, por exemplo, o andar e o chorar. Esta afirmao : A.  falsa, porque este sistema  responsvel pela produo de comportamentos invo-
funtrios. B.  verdadeira, porque este sistema  responsvel pela produo de comportamentos
voluntrios. C.  falsa, porque este sistema  responsvel pela produo de comportamentos volun-
trios e involuntrios. D.  verdadeira, porque este sistema  responsvel pela manuteno do equilbrio
interno do organismo. (1999 - 2.' Fase) Grupo 2
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1. A relao entre o comportamento e o sistema nervoso pode descrever@se
como:
A.  o comportamento, sendo gerado pela conscincia, tem uma relao fraca com o
sistema nervoso. B.  algumas estruturas do sistema nervoso, como o crebro, so responsveis pelo
comportamento. C.  o comportamento, sendo gerado pelas estruturas cognitivas, tem uma forte relao
com o sistema nervoso. D.  o sistema nervoso, na sua globalidade,  responsvel por todos os comportamentos.
3.2.  A ingesto de substncias como o lcool produz alteraes no comporta-
mento, porque essas substncias actuam ao nvel do sistema simptico. Esta afirmao : A.  falsa, porque estas substncias actuam ao nvel do sistema nervoso somtico. B.  verdadeira, porque o comportamento alterado resulta da interferncia do sistema
endcrino. C.  falsa, porque estas substncias actuam ao nvel do sistema nervoso central. D.  verdadeira, porque o comportamento alterado resulta da regulao do sistema
parassimptico. (2000 - 1.' Fase - 1.' Chamada) Grupo 3
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  As glndulas endcrinas:
A. controlam o funcionamento do sistema nervoso. B. realizam a regulao homeosttica do comportamento. C. activam o sentido de equilbrio e de orientao espacial. D. contribuem para o equilbrio do meio interno do organismo.
3.2. As hormonas, produzidas pelas diferentes glndulas, influenciam o compor-
tamento. Esta afirmao : A. falsa, porque o comportamento humano  determinado pelas formas de socializa-
o a que os indivduos estiverem submetidos desde a infncia. B. verdadeira, porque o funcionamento orgnico condiciona o relacionamento dos
indivduos com o meio e o modo como se vem a si prprios. @I --Gabinete de Avaliao Educacional.

00
C. falsa, porque as hormonas lanadas na corrente sangunea actuam ao nvel biol-
gico, sem interferncias ao nvel psicolgico. D. verdadeira, porque as hormonas actuam no sistema nervoso e determinam o com-
portamento, por exemplo, aos nveis emocional e sexual. (2000 - 1.' Fase - 2.' Chamada) Grupo 4
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  O fentipo  o conjunto:
A. das caractersticas genticas herdadas dos progenitores. B. dos traos de personalidade que o indivduo evidencia. C. dos 23 pares de cromossomas presentes em cada clula. D. das caractersticas fsicas e psicolgicas observveis num indivduo.
3.2.  Os gmeos verdadeiros tm o mesmo fentipo.
Esta afirmao : A.   falsa, porque o fentipo resulta da interaco entre o gentipo e o meio ambiente. B.   verdadeira, porque o fentipo  a informao gentica de cada indivduo, presente
no ovo, partilhado pelos gmeos verdadeiros. C.   verdadeira, porque o fentipo resulta da maturao biolgica do mesmo gentipo. D.   falsa, porque o feritipo  a informao gentica de cada indivduo, presente no
ovo, e os gmeos verdadeiros resultam de dois ovos. (1999 - 1.' Fase - 1.' Chamada) Grupo 5
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1. A hereditariedade especfica garante que os indivduos:
A.   apresentam caractersticas que os tornam diferentes dos outros indivduos da sua espcie.
8.   recebam os genes com a informao das caractersticas comportamentais dos pro-
genitores. C.   apresentam caractersticas que os tornam semelhantes aos indivduos da sua espcie. D.   recebam os cromossomas com a informao das caractersticas fsicas dos progeni-
tores.
3.2.  A hereditariedade individual produz diversidade de indivduos, dentro da
mesma espcie. Esta afirmao : A. falsa, porque a diversidade de indivduos resulta da hereditariedade. B. verdadeira, porque cada indivduo recebe uma combinao singular de genes. C. falsa, porque cada indivduo recebe a mesma informao inscrita nos cromossomas.
D. verdadeira, porque a diversidade de indivduos resulta da seleco natural. (2000 - 2.' Fase) Grupo 6
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  A hereditariedade individual refere-se a um processo de:
A. transmisso gentica de um conjunto de caractersticas da espcie. B. reproduo cromossmica da informao gentica individual. C. transmisso gentica de um conjunto de caractersticas individuais. D. reproduo cromossmica da informao gentica especfica.
3.2.  A hereditariedade especfica assegura o patrimnio gentico que caracte-
riza cada indivduo. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque o patrimnio gentico individual  assegurado por processos
genticos especficos. B.   falsa, porque a hereditariedade especfica assegura o patrimnio gentico familiar. C.   verdadeira, porque o patrimnio gentico individual  assegurado por processos
hereditrios. D.   falsa, porque a hereditariedade especfica assegura o patrimnio gentico da espcie. (2000 - poca especial para militares)

unidade2000
Grupo 7
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1. A relao entre a hereditariedade e o comportamento pode descreverse
como:
A.   a hereditariedade determina o comportamento, independentemente da estimula-
o do meio. B.   a hereditariedade estabelece os limites dentro dos quais o indivduo responde 
estimulao do meio. C.   a relao entre a hereditariedade e o comportamento  inexistente, uma vez que 
o meio que determina o comportamento. D.   a relao entre hereditariedade e o comportamento  flexvel, uma vez que se
influenciam mutuamente.
3.2.  O comportamento dos grneos verdadeiros  mais parecido do que o com-
portarnento dos indivduos que no so gmeos. Esta afirmao : A.   verdadeira, porque os gmeos verdadeiros partilham o mesmo gentipo, estando
sujeitos s mesmas influncias hereditrias. B.   falsa, porque o comportamento dos gmeos verdadeiros  to diferente como o
dos indivduos que no so gmeos. C.   verdadeira, porque as semelhanas de comportamento dos gmeos verdadeiros se
devem ao facto de terem os mesmos progenitores. D.   falsa, porque as semelhanas de comportamento entre indivduos, sejam ou no
gmeos, se devem a processos de socializao partilhados. (1999 - 1.' Fase - 2.' Chamada) Grupo 8
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  O gentipo  o conjunto das caractersticas:
A.   biolgicas herdadas dos progenitores. B.   fsicas determinadas pelo ambiente. C.   psicolgicas herdadas dos progenitores. D.   psicolgicas modeladas por influncia do meio.
3.2.  Os   indivduos que so irmos, filhos dos mesmos progenitores, tm o
mesmo gentipo. Esta afirmao : A. falsa, porque cada indivduo recebe uma combinao singular de genes. B. verdadeira, porque o material gentico herdado dos progenitores  o mesmo. C. falsa, porque cada indivduo recebe a mesma informao inscrita nos cromossomas. D. verdadeira, porque no caso de irmos a combinao dos cromossomas  igual, (2000 - poca especial) Grupo 9
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  Os estudos sobre gmeos rnonozigticos permitem-nos avaliar:
A. o predomnio das determinaes hereditrias na inteligncia. B. a influncia da hereditariedade e do meio no desenvolvimento cognitivo. C. o predomnio das determinaes ambientais na inteligncia. D. a influncia do fentipo e do ambiente no desenvolvimento cognitivo.
3.2.  Estudos recentes de Q1 revelam que os gmeos verdadeiros so portadores
de nveis de inteligncia muito dspares. Esta afirmao : A.   falsa, porque os gmeos verdadeiros so portadores de fentipos semelhantes. B.   verdadeira, porque os gmeos verdadeiros so portadores de gentipos diferentes. C.   falsa, porque os gmeos verdadeiros apresentam potenciais cognitivos semelhantes. D.   verdadeira, porque os gmeos verdadeiros apresentam potenciais afectivos seme-
lhantes. (2000 - poca especial para militares)

unidade2000
Complete as seguintes frases:
1. O comportamento humano depende de dois sistemas fisiolgicos fundamentais:
2. Do meio ambiente o organismo recebe                  --- que so processados no cen-
tro coordenador (sistema nervoso), que interpreta e decide as respostas que constituem
3. O sistema nervoso mantm contacto com o exterior atravs dos                          cuja
funo  receber
4.  Os nervos que conduzem as mensagens da periferia para os centros nervosos chamam-se
-1 os que conduzem as respostas dos centros nervosos para os rgos efectores chamam-se
5. O sistema nervoso central  composto por                      e
6.  O sistema nervoso perifrico  constitudo por sistema nervoso                    e por
sistema nervoso
7.  No crebro, distinguem-se trs estruturas que funcionam de forma integrada e unificada:
, o mesancfalo ou crebro mdio e o
8.  O crebro posterior  constitudo por diferentes componentes que so:
protuberncia e
9.  No crebro mdio situa-se a                      que tem um importante papel na regu-
lao de vrias funes tais como: estado de alerta                 e memria.
lo. O hipotlamo desempenha um papel fundamental na regulao de: temperatura do corpo,
sono, viglia,                , sede e
li. O sistema lmbico desempenha um importante papel nas motivaes,                       e
12. O sistema lmbico  constitudo, entre outras, pelas seguintes estruturas:
hipocampo e
13.  O crtex cerebral est dividido em                        ligados por um feixe de fibras ner-
vosas, que se designa
14.  Mltiplas investigaes tm permitido estabelecer relaes entre as diferentes reas cere-
brais e o comportamento. A rea motora situada no                            controla a zona
direita do corpo e  responsvel por
15.  A rea                       responsvel pela coordenao dos movimentos, assegurando a
sua eficcia. Uma leso nesta rea pode provocar
16.   na chamada                         que est localizada a linguagem articulada. Uma leso
nesta rea pode provocar

unidade2000
17. O sistema nervoso autnomo  composto por dois ramos ou divises que estimulam vrios
rgos e glndulas:                    e
18.  Nos adultos, o hiperfuncionamento da tiride pode provocar                        e o hipo-
funcionamento da tiride pode provocar
19.  A hormona produzida pela tiride,                         regulariza o metabolismo celular,
interagindo com o                      e com outras glndulas.
20.  As glndulas supra-renais esto localizadas na parte superior dos rins e segregam, entre
outras,                    e a noradrenalina, que actuam em situaes de
21.  Na sexualidade humana, os factores                      sobrepem-se aos factores biolgi-
cos; a sexualidade do adulto depende, fundamentalmente, da sua histria de vida e
22.  Os geneticistas tm recorrido a diversos mtodos para o estudo da hereditariedade
humana: estudo das                    1 dos gmeos homozigticos e
23-  O estudo dos gmeos hornozigticos, permite uma avaliao da influncia
e da hereditariedade, dado que                   o mesmo.
24 . A hereditariedade                      responsvel pela transmisso dos caracteres que
distinguem uma espcie das outras e assegura o                     comum a uma populao, determinando a sua constituio e alguns comportamentos.
25. Todas as caractersticas fisiolgicas e psicolgicas que um indivduo apresenta constituem o
que resulta da interaco entre o                   e o meio.

W'11~"@ Questes de assocao
WM@       1rw~1111k^W@
'O@@O o o
Faa corresponder as afirmaes assinaladas com um nmero com as que esto assinaladas com uma letra.
1.
1) Mecanismos de recepo
2) Mecanismos de reaco
3) Mecanismos de conexo
4) Acto reflexo
5) Nervos motores
6) Nervos sensoriais
a) Resposta simples, automtica, involuntra, anterior a
qualquer aprendizagem. b) Transporta(m) as informaes dos rgos dos sentidos
aos centros nervosos.
c) Recebe(m) os estmulos do meio.
d) Concretiza(m) comportamento. e) Estabelece(m) a coordenao entre os rgos recepto-
res e os efectores.
f) Prornove(m) a sada das informaes dos centros ner-
vosos para os msculos.
2.
1) Metencfalo
2) Protencfido
3) Mesencfido
4) Sistema lmbico
5) Hipocampo
6) Hipotlamo
a) Crebro anterior - tlamo, hipotlamo, sistema lmbico
e crebro.
b) Crebro posterior - boibo raquidiano, cerebelo e pro-
tuberncia.
c) Crebro mdio - sistema reticular.
d) Grupo de ncleos sob o tlamo.
e) Hipocampo, amgdala e bolbo olfactivo.
f) Parte do sistema lmbico, ligada  memria.
3.
1) Hipfise
2) Hipocampo
3) Cerebelo
4) Tlamo
5) Corpo caloso
6) Bolio raquidiano
4.
1) Amgdala
2) Hemisfrio direito
3) Hemisfrio esquerdo
4) Crtex cerebral
5) Formao reticular
6) Tlamo
a) Assegura a manuteno do equilbrio e a coordenao
motora.
b) Controla e dirige a actividade do sistema endcrino.
c) Recebe e transmite informaes de e para o crtex
cerebral.
d) Desempenha um importante papel na memria.
e) Controla funes vitais como o ritmo cardaco e a res-
pirao. f) Liga os dois hemisfrios cerebrais.
a) Principal centro de coordenao das impresses sen-
soriais.
b) Fundamental no controlo e processamento da infor-
mao. c) Desempenha um papel importante na activao cerebral d) Interpreta as expresses faciais. e) Controla a percepo das relaes espaciais, o pensa-
mento concreto e a formao de imagens. f) Responsvel pela linguagem verbal, pensamento lgico
e clculo.

undade2000
5.
1) rea motora primria
2) rea visual primria
3) rea somatossensorial primria
4) rea auditiva primria
5) rea auditiva secundria
6) rea motora secundria
6.
1) Agrafia
2) Afasia
3) Paralisia cortical
4) Apraxia
5) Agnosia sensorial
6) Agnosia auditiva
7.
1) Glndulas sexuais
2) Tiride
3) Pncreas
4) Supra-renais
5) Hipfise
6) Hipotlamo
a) Anestesia cortical.
b) Paralisia cortical.
c) Cegueira cortical.
d) Surdez cortical.
e) Apraxia.
f) Agnosia auditiva.
a) Incapacidade de executar pequenos movimentos com
preciso.
b) Incapacidade de organizar e planear os movimentos de
forma organizada.
c) Incapacidade de se expressar pelo uso da fala.
d) Incapacidade de se expressar pelo uso da escrita.
e) Incapacidade de reconhecer os objectos.
f) Incapacidade de identificar o discurso oral.
a) Regula(m) o nvel de acar no sangue.
b) Dornina(m) nas situaes de ansiedade, medo ou
angstia.
c) Regula(m) o metabolismo.
d) Impulsiona(m) o comportamento sexual.
e) Coordena(m), com a hipfise, a fome, a sede, a activi-
dade sexual e a reproduo.
f) Influencia(m) o crescimento.

unidade2000
Questes de resposta de escofim mltipla
1 -   1. 1. AI 1.2. C
2-    2. 1. B12.2. C
3-    3. 1. B13.2. B
4-    4. 1. A14.2. B
5-    S. 1. 05.2. A
6-    6. 1. C16.2. A
7-    7. 1. C17.2. B
S-    8. 1. 08.2. C
Questes sadas em exames nacionais
1 - 3. 1. C13.2. A                                          6 - 3. 1. 03.2. D
2 - 3. 1. D13.2. C                                          7 - 3. 1. B13.2. A
3 - 3. 1. D/3.2. B                                          8 - 3. 1. A13.2. A
4 - 3. 1. D13.2. A                                          9 - 3. 1. B13.2. C
5 - 3. 1. 03.2. B
Questes de completao
1. sistema nervoso; sistema endcrino.
2. estmulos; comportamentos.
3. rgos receptores/sensoriais; estmulos.
4. nervos sensoriaislaferentes; nervos
motoresleferentes.
5. crebro; espinal medula.
6. somtico; autnomo.
7. metencfalo/crebro posterior;
protencfalo/crebro anterior.
S. boibo raquidiano; cerebelo.
9. formao reticular; sono.
10.  fome; impulso sexual.
11.  emoes; agressividade.
12.  amgdala; boibo olfactivo.
13.  (dois) hemisfrios; corpo caloso.
Questes de associao
1.
1)  c) 2) d) 3) e) 4) a) 5)       6) b)
2.
1)  b) 2) a) 3) c) 4) e) 5)       6) d)
3.
1)  b) 2) d) 3) a) 4) c) 5) f) 6) e)
4.
1)  d) 2) e) 3) 9 4) b) 5) c) 6) a)
14.  hemisfrio esquerdo; movimentos do
corpo.
15.  motora secundrialpsicomotora; apraxia.
16.  rea de Broca; afasia.
17.  diviso simptica; diviso parassimptica.
18.  irritabilidadelinsnias/perda de peso;
aumento de pesolletargia/sensao de fadiga.
19.  tiroxina; sistema nervoso simptico.
20.  adrenalina; medoIstressIansiedade.
21.  psicolgicos; influncia sociallcultural.
22.  rvores genealgicas; anlise do ADN.
23.  do meio; o gentipo.
24.  especfica; patrimnio gentico.
25-  fentipo; gentipo.
5.
1) b) 2) c) 3) a) 4) d) 5) f) 6) e)
6.
1) d) 2) c) 3) a) 4) b) 5) f) 6) e)
7.
1) d) 2) c) 3) a) 4) b) 5) f) 6) e)


Segue-se uma lista de objectivos que devers ter atingido no fim desta unidade. Assinala com
um V os objectivos que atingiste.Volta a estudar as questes que ainda no dominas. Entre parntesis esto registadas as pginas do manual onde podes esclarecer as tuas dvidas.
Reconheo que o comportamento individual  influenciado pelo meio social. (pp. 132-133) Reconheo a existncia de valores, normas e modelos de comportamento decorrentes de diferentes culturas. (pp. 134-136) Compreendo o significado do conceito de socializao. (pp. 137-139)
Distingo grupo de outros conjuntos sociais. (p. 14 1)
Identifico diferentes tipos de grupo. (p. 142) Reconheo a liderana como um fenmeno inerente  maior parte dos grupos. (p. 143) Identifico liderana autoritria, permissiva, democrtica. (pp. 144-145) Distingo diferentes tipos de redes de comunicao. (pp. 146-147)
Reconheo a influncia que os membros do grupo exercem entre si. (pp. 147- 150) Compreendo a existncia de comportamentos conformistas e inconformistas no interior dos grupos. (pp. 1 SO- 15 1) Conheo o conceito de estatuto e o de papel. (pp. 153-156) Compreendo a relao entre estatuto e papel. (pp. 153-156)
Reconheo que o mesmo indivduo pode ter vrios estatutos e, consequentemente, desempenhar vrios papis. (pp. 153-156)
Compreendo que a multiplicidade de estatutos e papis pode originar conflitos no indivduo. (pp. 156-157) Conheo o conceito de atitude. (pp. 159-160) Distingo as componentes das atitudes. (pp. 160-16 1) Compreendo como se formam as atitudes. (pp. 161-163)
Conheo algumas escalas de atitudes (Lickert e Thurstone). (pp. 165-167)
Conheo os conceitos de esteretipo e preconceito. (pp. 168-170)
Em concluso
Compreendo o indivduo como um ser social: o comportamento do indivduo  determinado em grande parte pelos grupos sociais a que pertence.

unidade3000
Questes de resposta de escolha mltipla
1. Seleccione a alternativa CORRECTA.
1.1. Podemos definir padro de cultura como:
A.  os comportamentos e normas que nos so impostos por uma sociedade dominante. B.  o conjunto de comportamentos comuns aos membros de uma cultura, de um
determinado grupo social. C.  os processos complexos de contacto cultural entre sociedades e grupos sociais
estranhos entre si. D.  a transmisso de novos modelos comportamentais rapidamente assimilados.
1.2.  Os  padres de cultura permitem prever os comportamentos dos sujeitos
dentro de uma determinada sociedade. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque cada pessoa assimila a cultura do meio em que eventualmente se
venha a integrar de uma forma livre e consciente sendo possvel prever os comportamentos.
B.  falsa, porque as culturas no so rgidas nem fechadas e por isso as pessoas mudam
os seus padres de cultura e portanto os comportamentos com relativa facilidade. C.  verdadeira, porque os padres de cultura tm um carcter normativo, so assimila-
dos pelos indivduos permitindo prever, dentro de determinados parmetros, os comportamentos. D.  falsa, porque o indivduo no assimila os padres de cultura, a no ser quando os
escolhe de forma consciente e livre de acordo com a sua personalidade.
2. Seleccione a alternativa CORRECTA.
2.1.  A socializao no termina com a infncia; o processo de socializao que
decorre depois desse perodo designa-se por: A. socializao consciente. S. socializao secundria. C. socializao primria. D. socializao comportamental.
2.2.  A socializao  um processo dinmico, interactivo e permanente de inte-
grao social. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque o processo de integrao do indivduo na sociedade comea no
momento em que nasce e vai at ao fim da sua vida, em constante interaco com
o meio social. B.  falsa, porque no processo de socializao, embora acontea ao longo da vida, a ati-
tude do sujeito  passiva e expectante. C.  verdadeira, porque o processo de socializao  influenciado pelo dinamismo dos
meios de comunicao social com que o sujeito de forma permanente interage. D.  falsa, porque a integrao social acontece apenas atravs das relaes de solidarie-
dade e cooperao entre grupos interdependentes.
3. Seleccione a alternativa CORRECTA.
3.1.  Numa atitude podemos considerar trs componentes:
A. componente afectiva, componente social e componente objectiva. B. componente cognitiva, componente social e componente intelectual. C. componente cognitiva, componente afectiva e componente comportamental. D. componente afectiva, componente comportamental e componente social.
3.2.  Atitude  uma predisposio para responder a um objecto, pessoa ou situa-
o, de forma positiva ou negativa. Esta afirmao : A. falsa, porque a atitude  uma reaco desencadeada em determinadas situaes e
provocada por uma alterao no comportamento habitual. B. verdadeira, porque a atitude implica um estado que orienta o indivduo a reagir de
determinado modo, face a uma pessoa, um grupo social, uma instituio, um valor, uma coisa.

un idade 13  O 6.
C. falsa, porque a atitude  a capacidade de responder de forma imediata a situaes
pouco comuns e que provocam perturbao. D. verdadeira, porque a atitude  um comportamento semelhante em todas as situa-
es provocadas pelo contexto social.
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1. O esteretipo em Psicologia social :
A.  uma ideia feita que tende a considerar que todos os membros de um dado grupo se
comportam do mesmo modo e tm as mesmas caractersticas. B.  uma atitude adquirida com fundamento no processo de integrao social. C.  a transmisso social e cultural de verdades indiscutveis, aceites por toda a comuni-
dade, porque objectivamente provadas. D.  o resultado dos complexos de inferioridade assumidos por determinados grupos
sociais, que conduzem  segregao.
4.2. Preconceito pode ser definido corno: "um conceito formado antecipada-
mente e sem fundamento srio ou razovel". Esta afirmao : A.  falsa, porque a Psicologia social designa preconceito como uma atitude fundamentada
que conduz a avaliaes positivas dos sujeitos ou grupos avaliados. B.  verdadeira, pois o preconceito resulta de um julgamento tendente a avaliar positiva-
mente sujeitos, coisas ou grupos sociais, facilitando a sua integrao. C.  falsa, pois o preconceito  sempre um juizo provado e negativo acerca de algo ou
algum, no admitindo contestao. D.  verdadeira, porque o preconceito, alm de julgar antecipadamente e sem funda-
mento, conduz geralmente a comportamentos negativos que podem provocar discriminao e segregao.
5. Seleccione a alternativa CORRECTA.
5.1. Os seres humanos vivem em sociedade, integrados em grupos. O grupo :
A.  uma unidade social, com objectivos e interesses diferentes mas que partilham o
mesmo espao social. B.  um conjunto de pessoas que participam de determinado papel, mas no tm inte-
resses comuns.
C.  um conjunto de indivduos, mais ou menos estruturados, com objectivos e interes-
ses comuns, que interagem entre si. D.  um conjunto de pessoas, que se reconhecem, mas no so reconhecidas como per-
tencentes a determinado conjunto social.
5.2. Os  indivduos tendem a modelar os seus valores e comportamentos de
acordo com os grupos a que pertencem. Esta afirmao : A.  falsa, porque os nicos grupos que influenciam a personalidade dos indivduos so
os grupos primrios. B.  verdadeira, porque  nos grupos que se realizam as aprendizagens fundamentais
seguindo os modelos comportamentais e onde se exercitam os papis sociais. C.  falsa, porque os indivduos no tm esprito de conformidade e recusam-se a imitar
os outros numa tentativa de afirmao pessoal. D.  verdadeira, porque se o indivduo no obedecer s normas e regras do grupo, aca-
bar por ser expulso do mesmo.
6. Seleccione a alternativa CORRECTA.
6.1. Um dos efeitos do grupo  o conformismo. Diz-se que urna pessoa  confor-
msta quavido: A@ se identifica com os elementos do grupo no se subordinando s opinies maioritrias. B. procura comportar-se de acordo com as expectativas do grupo. C. reconhece as expectativas do grupo e age de forma distinta. D. assume atitudes e opinies prprias como forma de afirmao pessoal.

unidade3000
6.2. O inconformismo surge como reaco  normatividade do grupo e como
desejo de afirmao pessoal. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque os inconformistas so os revoltados do sistema e procuram
impor as suas razes. B.  falsa, porque os inconformistas so sempre dependentes da aprovao do grupo. C.  verdadeira, porque os inconformistas, embora reconhecendo as expectativas do
grupo, agem de forma independente, autnoma. D.  falsa, porque nos grupos sociais no  possvel o inconformismo, porque pe em
causa a sua existncia.
7. Seleccione a alternativa CORRECTA.
7.1. Podemos definir o estatuto social como:
A.  os comportamentos que esperam de ns, em relao ao papel que desempenhamos
no grupo a que pertencemos. B.  o conjunto de comportamentos assumidos nas diferentes situaes sociais ao longo
de toda a vida. C.  o conjunto de comportamentos que um indivduo espera por parte dos outros,
tendo em conta a sua posio no grupo. D.  as relaes interpessoais e o desempenho dos comportamentos sociais, que nos
so impostos.
7.2. Para alm dos estatutos atribudos, h outros que desejamos e que depen-
dem das nossas capacidades e de condies para os conseguirmos. Esta afirmao : A.  falsa, porque os estatutos que nos so atribudos ao longo da vida dependem sem-
pre do papel que desempenhamos e do modo como o fazemos.
B.  verdadeira, porque h estatutos que nos so atribudos logo  nascena e nos
acompanham pelo resto da vida; outros, no entanto, so adquiridos pelo nosso esforo e empenhamento. C.  falsa, porque enquanto participantes na vida social, os eventuais estatutos que nos
sejam atribudos dependem sempre das expectativas criadas a nosso respeito. D.  verdadeira, porque ao nascermos so-nos atribudos estatutos que s a muito custo
conseguimos substituir por estatutos adquiridos.
8. Seleccione a alternativa CORRECTA.
8.1. O papel social pode ser definido corno:
A. os diferentes contextos a que a pessoa se tem de adaptar. B. o conjunto de comportamentos assumidos dentro de um estatuto restrito. C. o conjunto de comportamentos que os outros esperam do indivduo tendo em
conta a sua posio no grupo. D. uma atitude complementar e idntica ao estatuto profissional.
8.2. O desempenho de vrios papis sociais pode dar origem a conflitos interpapis.
Esta afirmao : A.  verdadeira, porque uma pessoa desempenha um s papel e por circunstncias que a
sociedade lhe impe,  obrigada ao desempenho de outros papis sociais para que no estava preparada. B.  falsa, porque ao longo da nossa vida pertencemos simultaneamente a diferentes gru-
pos sociais que esperam de ns desempenhos diferentes e por isso estamos preparados para responder correctamente a qualquer situao. C.  verdadeira, porque o desempenho simultneo de vrios papis leva a que em deter-
minadas circunstncias se tenha de optar pelo comportamento esperado num s papel, em detrimento das expectativas criadas em relao aos outros papis. D.  falsa, porque o conflito de papis s acontece quando, por circunstncias inespera-
das, somos obrigados a desempenhar um papel social diferente daquele para o qual o estatuto social a que pertencemos nos preparou ao longo da vida.

Questes sadas em exames naconais1
Grupo 1
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1.  O processo de socializao pode descrever-se como:
A.  a apropriao de saberes que permitem o exerccio de papis. B.  a aprendizagem de hbitos que permitem a adaptao a um grupo social especfico. C.  a aprendizagem de regras que permitem a integrao numa instituio. D.  a apropriao de atitudes e comportamentos que permitem a insero numa
sociedade.
4.2.  A socializao  um processo que decorre entre o nascimento e os seis anos.
Esta afirmao : A.  verdadeira, porque  at aos seis anos que o indivduo adquire os padres culturais
do grupo social a que pertence. B.  falsa, porque a socializao decorre ao longo da vida, sempre que existe adaptao
a novas situaes sociais. C.  verdadeira, porque  at aos seis anos que a famlia e o meio social exercem maior
influncia no comportamento dos indivduos. D.  falsa, porque a socializao decorre desde o nascimento at ao final da adolescn-
cia, perodo fundamental para adquirir comportamentos sociais. (11999 - 1.' Fase - 2.' Chamada)
Grupo 2
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1. A relao entre o comportamento individual e o meio social pode descre-
ver~ nos seguintes termos: A.  o meio social determina o desenvolvimento das competncias humanas durante a
primeira infncia. B.  os indivduos,  nascena, so uma tbua rasa onde o meio social imprime a
herana cultural. C.  o comportamento individual depende do meio social, em perodos de grande plas-
ticidade neurolgica. D.  os indivduos adquirem as caractersticas humanas se crescerem e se desenvolve-
rem num meio social humano.
4.2.  Comportamentos corno a fome, o sono ou a sexualidade so influenciados
por factores sociais. Esta afirmao : A.  falsa, porque estes comportamentos, desencadeados por mecanismos biolgicos
inatos, so independentes do meio social. B.  verdadeira, porque estes comportamentos so desencadeados pelos contextos
sociais de pertena dos indivduos. C.  falsa, porque os grupos sociais de pertena modelam os comportamentos alimen-
tar e sexual, mas comportamentos como o sono so inatos. D.  verdadeira, porque os grupos sociais de pertena modelam os comportamentos
desencadeados por factores biolgicos. (2000 - 2.' Fase)
Grupo 3
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1.  Os grupos que resolvem mais rapidamente os problemas estruturam a sua
comunicao em: A. quadrado. B. crculo. C. cadela.
O. estreia. @I --Gabinete de Avahao Educacional.

unidade3000
4.2. Nos grupos em que se utiliza a comunicao em estreia, predomina o estilo
autoritrio. Esta afirmao : A. falsa, porque esta estrutura propicia comunicaes do mesmo nvel.
8. verdadeira, porque  o lder que centraliza toda a comunicao. C. falsa, porque nesta estrutura o lder s intervm se for solicitado.
O. verdadeira, porque os indivduos exercem presso uns sobre os outros.
(2000 - poca especial)
Grupo 4
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1.  Os processos de liderana:
A. so caractersticos de qualquer grupo; so processos de conformismo.
8. so caractersticos dos grupos informais; so processos de cooperao. C. so caractersticos dos grupos formais; so processos de obedincia. D. so caractersticos de qualquer grupo; so processos de influncia social.
4.2.  Os grupos corri lderes autoritrios conseguem boa produtividade e satisfao
no desempenho das tarefas. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque a liderana autoritria promove produtividade elevada e quali-
dade nas relaes de trabalho. B.  falsa, porque a liderana autoritria, embora gere satisfao no desempenho das
tarefas, gera baixa produtividade; C.  verdadeira, porque a liderana autoritria promove produtividade elevada e  pro-
pcia  criatividade no desempenho das tarefas; D.  falsa, porque a liderana autoritria gera produtividade elevada, mas no gera satis-
fao no desempenho das tarefas.
(2000 - Prova-modelo)
Grupo 5
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1. Um grupo  um conjunto de indivduos que:
A.   definido pelos outros como sendo um grupo; partilha actividades e normas, mas
no objectivos e valores. B.   reconhecido pelos outros como sendo um grupo; partilha objectivos, actividades,
valores e normas. C.   definido por si prprio como sendo um grupo; coopera ao nvel dos objectivos,
mas no das actividades. D.   reconhecido pelos outros como sendo um grupo; coopera ao nvel das normas.
4.2.  Nos grupos primrios as relaes entre os membros so intensas, prolongadas
no tempo. E a comunicao  directa. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque so grupos estruturados por relaes afectivas, como, por
exemplo, a famlia. B.  falsa, porque so grupos estruturados em funo do lder, como, por exemplo, uma
associao de estudantes. C.  verdadeira, porque so grupos estruturados por relaes formais, como, por exem-
plo, um grupo religioso. D.  falsa, porque so grupos estruturados em funo do chefe, como, por exemplo, um
partido poltico. (1999 - poca especial)

unidade3000
Grupo 6
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1.  O preconceito pode caracterizar-se corno uma atitude:
A. conflituosa e inconsciente. B. aprendida e estereotipada. C. conflituosa e normativa. D. aprendida e fundamentada.
4.2.  A cooperao entre grupos tnicos diferentes dimnui a probabilidade de
surgirem atitudes discriminatrias. Esta afirmao : A.  verdadeira, porque a discriminao resulta do conhecimento fundamentado dos
outros que so diferentes. B.  falsa, quando os preconceitos so positivos e correspondem a concepes correc-
tas da realidade. C.  verdadeira, quando forem promovidas a interaco, a interdependncia e a igual-
dade de estatutos, D.  falsa, porque a discriminao  independente dos contactos e da cooperao entre
grupos tnicos diferentes. (2000 - 1.' Fase - 2.' Chamada)
Grupo 7
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1. O estatuto social refere-se:
A. aos comportamentos esperados dos indivduos que tm determinado estatuto social. B.   ao lugar que cada indivduo ocupa na hierarquia social, C.   aos comportamentos atribudos aos indivduos que pertencem a cada grupo social. D.   ao grupo social a que cada indivduo pertence.
4.2. Um indivduo pode ter, simultaneamente, vrios estatutos.
Esta afirmao : A.   verdadeira, porque cada indivduo tem tantos estatutos quantos os grupos sociais a
que pertence. B.   falsa, porque cada indivduo s pertence a um grupo social e, portanto, s pode ter
um estatuto social. C.   verdadeira, porque os indivduos podem mudar de estatuto ao longo do seu per-
curso de vida. D.   falsa, porque o estatuto social  o mesmo, independentemente dos grupos sociais a
que os indivduos pertencem. (1999 - poca especial para militares)
Grupo8
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1. O papel social caracteriza-se corno o conjunto de:
A.  comportamentos e atitudes que representam e categorizam os outros indivduos
pertencentes ao mesmo grupo. B.  comportamentos e atitudes que os outros esperam de um indivduo por este ocu-
par determinada posio num grupo. C.  juizos de valor sobre os comportamentos e atitudes dos indivduos que pertencem
a grupos diferentes. D.  motivaes sociais que orientam o comportamento do indivduo que ocupa deter-
minada posio num grupo.

4.2.  O facto de os indivduos pertencerem simultaneamente a vrios grupos pode originar conflitos de papis. Esta afirmao : A. falsa, quando o indivduo exerce papis rigorosamente definidos. B. verdadeira, quando o indivduo exerce um papel que lhe  imposto. C. falsa, quando o indivduo desempenha papis iguais em grupos diferentes. D. verdadeira, quando o indivduo desempenha papis incompatveis.
1999 - 2.' Fase) Grupo 9
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1. O estatuto e o papel sociais tm uma relao:
A.   simtrica, em que os indivduos desempenham papis alternativos aos seus estatutos. B.   complementar, em que estatutos e papis se diferenciam, conforme os contextos
sociais. C.   simtrica, em que estatutos e papis se estruturam, conforme os grupos sociais. D.   complementar, em que os indivduos desempenham papis decorrentes do seu
estatuto.
4.2.  Assumir um estatuto social implica desempenhar o papel ou os papis que
lhe esto associados. Esta afirmao : A.   falsa, porque o estatuto  adquirido pelo desempenho de papis sociais. B.   verdadeira, porque os papis sociais decorrem do estatuto do indivduo. C.   falsa, porque o estatuto  independente dos papis sociais desempenhados. D.   verdadeira, porque os papis sociais uniformizam o estatuto do indivduo. (2000 - La Fase - 1.' Chamada) Grupo 10
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1.  O papel social refere-se:
A. aos comportamentos que se esperam de um indivduo. B.  posio que o indivduo ocupa na hierarquia social. C.  influncia que os elementos do grupo exercem entre si. D. ao contributo do indivduo para os processos grupais.
4.2.  Cada indivduo desempenha, simultaneamente, vrios papis.
Esta afirmao : A. Usa, porque o papel social  marcado por uma atribuio social. B.   verdadeira, porque cada indivduo pertence a vrios grupos sociais. C.   falsa, porque o papel social depende de um estatuto atribudo. D.   verdadeira, porque cada indivduo pertence a vrias categorias sociais. (2001 - poca especial para militares) Grupo 11
4. Seleccione a alternativa CORRECTA.
4.1.  A componente cognitiva das atitudes refere-se:
A.  disposio para agir, de acordo com o sistema social dominante. B. aos sentimentos a favor ou contra um objecto social. C.  disposio para agir de forma coerente com as ideias e valores. D. s ideias ou s crenas sobre um objecto social.
4.2.  I.Tenho medo de contrair sida. 2. Mudei as minhas prticas sexuais.
Estas atitudes caracterizam-se pelas seguintes componentes: A. 1. refere-se  componente comportamental; 2. refere-se  componente afectiva.
8. 1. refere-se  componente cognitiva, 2. refere-se  componente afectiva. C. 1 . refere-se  componente afectiva; 2. refere-se  componente comportamental. D. 1. refere-se  componente cognitiva; 2. refere-se  componente comportamental.
(1999 - 1.' Fase - 1.' chamada)

Questes de completao
Corriplete as seguintes frases:
1. Comportamentos como a fome, a sede, o sono so influenciados simultaneamente por fac-
tores                       e factores
2.  Designamos por                          o conjunto de comportamentos comuns aos membros
de uma cultura; o seu conhecimento permite-nos                                 o comportamento individual.
3.  Designamos por                           as formas de comportamento, os usos e os costumes,
os sistemas de valores, as formas de expresso, as normas polticas, religiosas e morais que correspondem  necessidade e capacidade de                              do ser humano ao meio.
4.  Geralmente, as culturas no so hermticas pelo que os contactos entre os povos provo-
cam aquisies e                         que alteram o modelo original. Este processo designa-
se por
5.  O processo de integrao de uma criana na cultura a que pertence comea
e  designado por
6.  No decorrer da infncia, a criana apreende um conjunto de comportamentos socialmente
aceites que se designa por socializao                           . A capacidade de integrao e
adaptao s diferentes situaes que vo ocorrendo ao longo da vida do adulto designa-se por socializao
7.  O processo de socializao acontece ao longo de toda a vida e envolve vrios agentes dos
quais se podem referir                         e
8.  O grupo  uma unidade social,                            de indivduos, mais ou menos estrutu-
rado, com objectivos e interesses comuns, cujos elementos                              entre si.
9.  A Psicologia social distingue dois tipos de grupos:                           de pequenas dimen-
ses e caracterizados pelas relaes afectivas;                         Jormados por um maior
nmero de elementos, dominando um relacionamento formal e impessoal.
10.   Pela dimenso e tipo de relaes que se estabelecem a famlia pode ser considerada um
grupo                        e um sindicato um grupo
11.   Na liderana                           o lder que toma decises sem consultar o grupo.
A                         elevada, mas o nvel de satisfao na realizao das tarefas  reduzido.
12.   No estilo de liderana                          o lder s intervm se for solicitado. A discus-
so dos problemas e as decises so tomadas pelo
13.   Na lidrana dernocrfica, o grupo participa nas discusses e na                             da dis-
trbuo de tarefas. A produtividade  boa e constata-se maior                                   no
~penho das tarefas.
14. 'A cmunicao entre os membros de um grupo estabelece-se das mais diversas formas.
O ~ corno as pessoas                                  no interior de um grupo designa-se por

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15. No interior do grupo, desenvolve-se uma relao de interdependncia e influncia mtua,
designada por                         . Um dos processos de influncia social  o
, que consiste no processo que leva um indivduo a modificar comportamentos, por presso do grupo.
16.  O                      designa a atitude do indivduo que no segue o que est socialmente
estabelecido, no se preocupando em corresponder s expectativas dos outros; sujeita-se  crtica e at
17.  O papel social  o conjunto                       que o indivduo apresenta como membro
de
18.  O estatuto  o conjunto de                        com que legitimamente o indivduo pode
contar por parte dos outros, tendo em conta o                         que ocupa no sistema social.
19.  Os estatutos que so consequncia do trabalho, das capacidades e aptides do indivduo so
designados                     . Por outro lado, os que escapam ao controlo do indivduo so designados estatutos
20. A tendncia ou predisposio para responder a uma situao de determinada forma
designa-se por                     e infere-se da anlise dos
21. Numa atitude podemos considerar trs componentes,                               a afectiva e
22. A propaganda e publicidade tm por objectivo influenciar            e portanto
visam persuadir as pessoas a              de determinada maneira.
23- O conjunto de crenas que nos levam a considerar que todos os membros de um determinado
agrupamento social se comportam do mesmo modo ou tm as mesmas
designa-se por
24. O                   uma atitude derivada de pr-julgamentos com carcter geralmente
negativo e que conduz, na maior parte das vezes, 
25. Quando um indivduo desempenha dois ou mais papis que exigem comportamentos
incompatveis vive um conflito              ; quando o desempenho de um papel exige simultaneamente mais de um comportamento, vive um conflito

VM uestes de assoclaco
unidade3000
Faa corresponder as afirmaes assinaladas com um nmero com as que esto assinaladas com uma letra.
1.
1) Socializao primria
2) Socializao secundria
3) Socializao
4) Cultura
5) Padres de cultura
6) Aculturao
2.
1) Grupo social
2) Grupo primrio
3) Grupo secundrio
4) Lder
5) Interaco grupal
6) Conformismo
3.
1) Liderana democrtica
2) Liderana permissiva
3) Liderana autoritria
4) Redes de comunicao
5) Redes de comunicao
descentralizadas
a) Processo de integrao de um indivduo na sociedade
em que nasceu e que decorre durante a infncia. b) Formas de comportamento, usos, costumes, sistemas
de valores, formas de expresso, normas polticas e
religiosas que caracterizam determinada sociedade. C) Adaptao a mudanas e situaes novas; interioriza-
o de novos papis na idade adulta.
d) Processo(s) de contacto cultural atravs dos quais as
sociedades assimilam hbitos e valores culturais de
outras sociedades.
e) Processo de integrao de um indivduo numa deter-
minada sociedade, que comea no acto de nascer e acaba com a morte.
1) Conjunto de comportamentos comuns aos membros
de uma dada cultura, de um determinado grupo social.
a) Conjunto de indivduos cujo relacionamento informal e
espontneo se caracteriza pela afectividade. b) Elemento que coordena e impulsiona as diferentes
actividades do grupo. c) Conjunto de indivduos, com objectivos e interesses
comuns que interagem entre si. d) Conjunto de indivduos com relacionamento formal e
impessoal, marcado pelos papis desempenhados. e) Processo pelo qual os indivduos so levados a imitar e
adoptar como seus as normas, atitudes e valores dos
grupos a que pertencem.
t) Conjunto de processos que envolvem as trocas entre
os membros de um grupo.
a) O lder determina a tarefa que cada um deve executar,
sem consultar o grupo. No h espao para a iniciativa pessoal. b) Os canais e o modo como as pessoas se relacionam no.
interior de um grupo. c) O lder s intervm se for solicitado pelo grupo.  o
grupo que levanta os problemas, discute as solues e decide.
d) Cada membro do grupo s pode comunicar com o
chefe.
e) O lder coordena o grupo que discute a programao
do trabalho. As decises so tomadas colectivamente.
6) Redes de comunicao centralizadas ) Os membros do grupo podem comunicar livremente
entre si.

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4.
1) Estatuto social
2) Papel social
3) Estatuto adquirido
4) Estatuto atribudo
5) Conflito interpapis
6) Expectativa de conduta
5.
1) Atitude
2) Componente cognitiva da atitude
3) Componente afectiva da atitude
4) Componente comportamental
da atitude
5) Esteretipo
6) Preconceito
a) Estatuto que a pessoa possui, tendo-se esforado para
o conseguir. b) Os comportamentos que um indivduo espera por
parte dos outros elementos, tendo em conta o seu lugar no grupo.
c) O desempenho simultneo de vrios papis pela
mesma pessoa gera por vezes problemas. d) O conjunto de comportamentos que so esperados de
um indivduo que tem determinado estatuto dentro de
um grupo.
e) O conjunto de comportamentos esperados no desem-
penho de determinado papel social. f) Estatuto que  prescrito e que determina os compor-
tamentos do indivduo, sem que este tenha feito nada paraisso.
a) Concepo simPlificada que leva a que se considere
que os membros de um grupo tm as mesmas caractersticas.
b) Conjunto de reaces do indivduo face a um objecto,
situao ou pessoa. c) Predisposio para reagir de forma positiva ou negativa
face a determinada situao, pessoa ou objecto. d) Informao que consideramos verdadeira acerca de
determinada situao, pessoa ou objecto. e) Atitude que tem origem em pr-julgamento e que
pode conduzir  segregao. f) Relaciona-se com o sistema de valores, em que a pes-
soa desenvolve sentimentos positivos ou negativos.

SOWes
Questes de resposta de escolha mltipla
1 - 1.1. B11.2. C                                          5 - S. 1. CIS.2. B
2 - 2. 1. A12.2. B                                         6 - 6. 1. B16.2. C
3 - 3. 1. C13.2. B                                         7 - 7. 1. C/7.2. B
4 - 4. 1. A/4.2. D                                         8 - 8. 1. C18.2. C
Questes sadas em exames nacionais
1 - 4. 1. D14.2. B                                         7 - 4. 1. B/4.2. A
2 - 4. 1. D14.2. D                                         8 - 4. 1. B/4.2. D
3 - 4. 1. D14.2. B                                         9 - 4. 1. D14.2. B
4 - 4. 1. D14.2. D                                        10 - 4. 1. A14.2. B
5 - 4. 1. B/4.2. A                                        11 - 4. 1. D14.2. C
6 - 4. 1. B/4.2. C
Questes de completao
1.   biolgicos; sociais.
2.   padres de cultura; prever.
3.   cultura; adaptao.
4.   mudanas; aculturao.
5.   no nascimento; socializao.
6.   primria; secundria.
7.   famlialescola/grupo de pares/meios de
comunicao sociallinsttuies sociais.
S.   conjunto; interagem/cooperam.
9.   primrios; secundrios.
10.   primrio; secundrio
11.   a~trialautocrtica; produtividade.
12.,  permissivalno drectiva; grupo.
13.   deciso; satisfao/criatividade.
Que~ de associao:
C) 3) e) 4) b) 5) f) 6) d)
14.  se relacionam/comunicam; redes de
comunicao.
15-  interaco grupal; conformismo.
16.  inconformismo;  marginalizao.
17.  de comportamentos; um grupo social.
18.  comportamentos; lugar/papel.
19.  adquiridos; atribudos.
20.  atitude; comportamentos.
21.  cognitiva; comportamental.
22.  as atitudes; comportarem-se.
23.  caractersticas; esteretipo.
24.  preconceito; segregao/discrimi nao.
25.  interpapis; intrapapel.
4.
1) b) 2) d) 3) a) 4) f) 5) c) 6) e)
5.
1) c) 2) d) 3) f) 4) b) 5) a) 6) e)
